terça-feira, janeiro 22, 2013

Obama e Dilma - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 22/01


É interessante ver como agem os presidentes em ano eleitoral e em seus discursos de posse. Especialmente, quando se trata de um presidente que não pode concorrer à reeleição, caso de Barack Obama. Ao assumir ontem seu segundo mandato como comandante dos Estados Unidos, ele citou todos os temas sobre os quais transitou cheio de cuidados durante a campanha presidencial no ano passado. Usou diversas vezes o verbo “to seize” (agarrar), “seize the moment” (agarrar o momento), ou seja, agarrar as oportunidades de desenvolvimento em vários sentidos.

Para quem não teve a chance de acompanhar o discurso, vai aqui um flash. Obama mencionou as necessidade de agir para mitigar os efeitos das mudanças climáticas — tema que evitou no ano passado, passando longe da Rio+20, em junho, quando estava em pleno tiroteio com os republicanos. Deixou passar a intenção de que deseja dar mais oportunidades àqueles que ainda buscam nos Estados Unidos o propalado “sonho americano” de “vida, liberdade e felicidade”, expressões bastante repetidas. Citou também os gays, que devem ter seus direitos respeitados em todos os sentidos.

Obama não tem nada a perder citando esses temas que seriam um campo minado na campanha presidencial, à qual ele começou com aprovação e reeleição duvidosas. Aos poucos, entretanto, os ventos foram dando ao presidente dos Estados Unidos a estabilidade para ser ele novamente a discursar na frente do Capitólio, em Washington.

Enquanto isso, no Brasil…

O calendário eleitoral está tão antecipado que Dilma passará não apenas um, mas dois anos pisando em ovos nas questões polêmicas. O aumento do preço da gasolina, por exemplo, citado desde o ano passado como necessário, vem sendo postergado, esperando que os resultados das medidas econômicas adotadas em 2012 sejam mais perceptíveis e, aí, essa notícia ruim possa ser absorvida sem tanto estardalhaço.

O mesmo vale para mudanças no ministério. Entre mexer em vários ministros e arrumar problemas, ela prefere esperar. Por agora, será apenas uma “mudança na decoração”, conforme avaliam aqueles mais próximos à presidente. A equipe econômica, embora esteja recheada de divergências, não muda. O Planalto considera normal que eles discutam as medidas internamente, desde que, é claro, não batam boca publicamente.

Em público, a intenção de Dilma é pintar o mundo não tão cor de rosa, mas mostrar que o governo está no caminho certo. Em toda a campanha, vale lembrar, o presidente dos Estados Unidos, com uma avaliação inferior à da presidente Dilma hoje, sempre dizia que, apesar das dificuldades, estava no rumo e isso foi crucial para garantir mais quatro anos. Ela agora quer repetir esse feito daqui. Falta combinar com o eleitor.

Por falar em combinar…

Os líderes petistas vão aconselhar o próprio partido a evitar um ato de desagravo ao ex-presidente Lula na reunião dos prefeitos marcada para a semana que vem. Afinal, o encontro é republicano, terá a presença de administradores eleitos por PSDB, DEM. Logo, a possibilidade de dar errado é grande. Portanto, avisam alguns, melhor evitar um carnaval fora de época, seja para os oposicionistas, seja para Lula.

Por falar em carnaval…

Só depois que os partidos da base aliada escolherem suas novas lideranças parlamentares é que a presidente Dilma Rousseff vai definir os nomes dos líderes do governo na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e no Congresso — ou se os atuais interlocutores do Palácio no parlamento ficam ou não nos cargos. Há um consenso de que deve haver sintonia entre líderes governistas e dos principais partidos de apoio à Dilma: PT e PMDB. Por isso, a decisão sobre esses cargos — que dão muita visibilidade política — só vai sair, mesmo, depois do carnaval.

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