segunda-feira, janeiro 14, 2013

O mito da Fata Morgana - CARTA AO LEITOR REVISTA VEJA

REVISTA VEJA



Uma reportagem desta edição de VEJA mostra como a maioria das projeções do governo para o crescimento da economia, a ampliação da malha rodoviária, da oferta de energia, do número de vagas escolares, entre outros indicadores, é ambiciosa demais e realista de menos. Grande parte das estimativas oficiais não pode ser encarada como meta a ser atingida. São miragens.

Na pré-história da economia política, em especial nos países em desenvolvimento, a prática de propor metas mirabolantes se consagrou como a Fata Morgana, adaptação do mito da entidade protetora do viajante esgotado que o anima criando a miragem de um oásis verdejante logo ali na frente. De miragem em miragem, o viajante vai encontrando forças para continuar caminhando até chegar a um oásis verdadeiro e se salvar. Na ausência de planejamento, os sábios sopravam aos ouvidos dos governantes que os agentes econômicos reagem bem às metas ambiciosas, mesmo que claramente inatingíveis. Um conhecido economista brasileiro, devoto do mito da Fata Morgana. vivia repetindo: "Diga que o PIB vai crescer 8%, e os empresários vão entregar um PIB de 8%

A reportagem submeteu as metas oficiais do governo para 2013 a especialistas de cada setor. De modo geral, na avaliação deles, pouquíssimas dessas metas deverão ser alcançadas até o fim de dezembro. Promessas de fazer em um ano o que não foi feito em dois, três ou quatro anos não resistem ao mais simples teste de realidade. Fazer projeções irreais não é uma prerrogativa do atual governo, tampouco uma invenção brasileira. O "Eu prometo...", porém, vinha sendo um recurso de que se abusava apenas em campanhas eleitorais. Agora, mostra a reportagem, as autoridades tendem a agir na cadeira executiva com a mesma desenvoltura do palanque. Ao contrário do mito, porém, de miragem em miragem os países ficam pelo meio do caminho e nunca chegam ao oásis real.


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