segunda-feira, dezembro 24, 2012

'Uma p... mulata' - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 24/12


De Lan, 87 anos, nosso mestre do traço, genial desenhista das mulatas, tristinho, nestes dias pré-natalinos, num samba do Clube Renascença, no Andaraí, no Rio:
— Não vem uma mulata tirar foto comigo. Só homem...

E mais...
Ainda de Lan, no mesmo samba, ao ver numa parede do Renascença, clube fundado por negros, a pintura de um preto velho (saravá!):
— Já falei pra eles (diretores do clube). Não cobro nada. Se quiserem, podem pôr meus desenhos para decorar. Em vez de preto velho, põe uma puta mulata!
Lan é fofo.

O piloto sumiu
Veja como são as coisas. A Gol, que, como se sabe, ao engolir a Webjet, demitiu todos os tripulantes da miúda, não está conseguindo fechar sua escala deste fim de ano por falta de... gente.

Novo voo
O comandante Carlos Luiz Martins, ex-presidente da Varig, está de mudança para a Suíça.
Será diretor-geral da Federação Internacional de Voleibol em Lausanne, presidida pelo brasileiro Ary Graça.

Tensão nos arquivos
Laéssio Rodrigues de Oliveira, preso em 2007 sob a acusação de furto de documentos históricos em diversos museus, bibliotecas e arquivos do Rio, foi solto agora, depois de uma temporada no presídio Bangu 8.
Entre suas vítimas, segundo o processo que o condenou, estão instituições importantes como Biblioteca Nacional, Museu Histórico Nacional e Itamaraty. Semana passada, teria sido barrado ao tentar visitar a ABL. Calma, gente.

Cachimbo do Perfeito
Perfeito Fortuna, o agitador, compôs a marchinha “Mojicabocanabotija” para o baile da Fundição Progresso, em janeiro.
Trechinho: “Ascendeu Mojica/( ... ) A Cristina'kish'/Chaves dichavou/Dilma não resistiu/Mojica apresentou/Era um tal de traga, traga/Um tal de tosse, tosse/Na cerimônia da fumaça/Mojica tomou posse.”

Eu bebo sim
O carioca, ic!, está entornando todas neste fim de ano.
A AmBev e a Heineken não estão dando conta da demanda de consumo nos templos da boemia mais tradicionais do Rio. No Bar Luiz, por exemplo, na Rua da Carioca, o chope escuro das duas cervejarias está em falta há mais de dez dias.

Feliz 2013
Dezesseis equipamentos de LED serão instalados próximos às balsas dos fogos, no réveillon de
Copabacana, para o povão acompanhar o espetáculo de dança de luzes no céu, com direito à trilha sonora.
Trinta pessoas foram contratadas só para montar este show.

No palco
“O lugar escuro”, livro de Heloísa Seixas sobre a doença de Alzheimer, virou peça de teatro.
Estreia dia 4 de janeiro, no Sesc-Copacabana, no Rio. Os ensaios têm levado às lágrimas quem os assiste.

Oração do coração
Chico Alencar, o deputado boa-praça do PSOL, entregou à editora Vozes os originais de um novo livro.
Chama-se “Oração do coração”, e tem prefácio de Leonardo Boff. Chico, como se sabe, passou por cirurgia cardíaca há pouco, e, viva!, está bem.

Mil e uma noites
Quando menos se espera, chega o... carnaval.
O tema do camarote da revista “Rio, Samba & Carnaval”, na Marquês de Sapucaí, em 2013, será “Puro desejo”, com cenografia do carnavalesco Renato Lage, inspirada em “As mil e uma noites”.

No mais
Feliz Natal!

VETA, DILMA!
A coluna perguntou a alguns coleguinhas do GLOBO o que eles pediriam para a presidente vetar em 2013


ALUIZIO MARANHÃO. “A Infraero nos aeroportos.”

ARNALDO BLOCH. “A demolição da escola e da'aldeia indígena' para as obras do Maracanã.”

ARTHUR DAPIEVE. “Veta, Dilma, ousa fazer o que nem FH nem Lula fizeram e veta qualquer renovação de aliança com as velhas oligarquias regionais. Sarney, Collor, Jader, Renan, Roriz, esses políticos não têm nada a ver com a sua história.”

CORA RISNAI. “Eu queria que a Dilma vetasse o abandono de animais.”

ILIMAR FRANCO. “Qualquer iniciativa destinada a reduzir os programas sociais ou que tenha como objetivo promover a concentração da renda em determinadas regiões do país em detrimento das demais.”

FERNANDO CALAZANS. “Gostaria que a presidente vetasse a permanência por mais de duas eleições desses dirigentes de federações e confederações esportivas que se eternizam nos cargos. Seria o primeiro passo para acabar com a politicagem e a má administração em toda a esfera do esporte brasileiro.”

FLÁVIA OLIVEIRA. “Veta, Dilma! Qualquer ato de intolerância religiosa que ameace os direitos civis no Brasil. O Estado é laico, ensina a Constituição. Sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à liberdade de culto, à independência do voto. Sim à democracia plena.”

GEORGE VIDOR. ”Dilma poderia vetar muitos itens da política do seu próprio governo na área de petróleo, como, por exemplo, o desalinhamento nos preços dos combustíveis e a interrupção das rodadas que poderiam atrair bilhões em investimentos para o Brasil.”

HELENA CELESTINO. “A árvore da Lagoa. Engarrafa ainda mais a cidade, já que os guardas não aparecem — e, pior, a cada ano, está mais feia.”

JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS. “Dilma, veta essa saída do metrô na Praca N. S. da Paz. Mantém o metrô, claro, mas abre o buraco na calçada da Rua Visconde de Pirajá. Pode ser em frente ao Fórum Ipanema. Vai ajudar o comércio, vai desovar o passageiro na parte que interessa e deixar em paz o tesouro de verde e paz que é a praça. E, pelo amor de Deus, veta qualquer arquitetura grandiosa para a estação. Basta um buraco no chão, e que os trens saiam no padrão internacional, de cinco em cinco minutos.”

JORGE BASTOS MORENO. “Dilma, veta Eduardo Cunha para a liderança do seu maior parceiro da base, o PMDB, na Câmara. Ele não quer fazer política, mas negócio.”

LUIZ PAULO HORTA. “Gostaria que Dilma vetasse o excesso de retórica nas reuniões entre latino-americanos. Nesse ponto, até que ela se segura bem; mas seus colegas de continente são insuportáveis. O campeão era o Chávez; agora, por causa de algumas células antibolivarianas, acho que ele vai passar o bastão à senhora Kirchner. Veta, Dilma!”

MERVAL PEREIRA. ”Pediria que ela vetasse a tentativa do PT de confrontar o STF. Mas temo que ela não tenha esse poder.”

MIRIAM LEITÃO. “Dilma, não desafeta, não! Explico: desafetar é reduzir o tamanho de áreas de conservação. A presidente tem reduzido a proteção de várias áreas, como a da Floresta Nacional de Jamanxin. Isso faz com que os grileiros desmatem ainda mais, para ela desafetar mais. Portanto, presidente, vete a desafetação (esse é o nome) de áreas protegidas. Em português, vete o desafeto em relação à Amazônia.”

PATRÍCIA KOGUT. “Não depende de veto presidencial. Mas, se dependesse, eu pediriaà presidente para vetar os descalabros que vemos acontecer todos os dias nos hospitais brasileiros. Em 2013, gostaria de ver o governo investindo pesado na saúde, ajudando a diminuir filas e dando tratamento digno e competente a tanta gente que precisa.”

RENATO MAURÍCIO PRADO. “Veta, Dilma, a relação promíscua dos políticos com os cartolas — vide a escolha das sedes da Copa de 2014 e o derrame de dinheiro público na construção de estádios de um Mundial anunciado com a promessa de que seria todo bancado pela iniciativa privada. Se der, veta também a eternização dos dirigentes nos comandos das confederações e federações esportivas.”

ZUENIR VENTURA. “Dilma, veta os apagões. Protegei-nos das trevas nesse verão. Veta, Dilma, a tentação de deixar subir-lhe à cabeça o sucesso nas pesquisas de opinião.”

O DIA DO ANO
Em tempo de balanço, a coluna escolheu 2 de agosto, uma quinta, como o dia mais marcante de 2012. Na data, o STF começou a julgar os 38 réus do mensalão.

Embora alguns ministros tenham absolvido parte dos mensaleiros, nossa Suprema Corte condenou o crime e demonstrou nojo e asco à corrupção que envolveu o meu, o seu, o nosso dinheiro.

O PT foi pego fazendo a mesma coisa feia que tanto havia condenado no passado. Em causa própria, Lula ainda tentou contemporizar com a lambança ao dizer, naquela famosa entrevista em Paris, em 2005: “O PT fez o que é feito no Brasil sistematicamente.” É. Pode ser.

Mas o STF mandou um recado: o Brasil tem que acabar com o crime sem castigo.

MEMÓRIAS DE OSCAR
O ano de 2012 também ficará marcado como aquele em que o Brasil perdeu Oscar Niemeyer. O gênio da arquitetura que jamais traiu suas convicções, ao morrer no dia 5 de dezembro, deixou muitas histórias.

Uma delas é contada pelo publicitário boa-praça Márcio Ehrlich. Consta que, numa filmagem no Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, o mestre, acabada a gravação, afastou-se um pouco e, do nada, sacou uma caneta do bolso e... começou a desenhar numa coluna da imponente construção que ele mesmo projetara.

A turma arregalou os olhos e correu para filmar a cena. Mas, ao voltar com a câmera, em vez de Niemeyer, que já ia longe, estava um funcionário do museu, apagando o desenho, revoltado:

— Um engraçadinho sujou o museu! Impressionante! Há testemunhas.

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