quarta-feira, dezembro 12, 2012

O povo gosta de luxo - REGIS FICHTNER

O GLOBO - 12/12


O Maracanã é o maior palco do futebol mundial. Ninguém poderia imaginar que se pudesse realizar uma copa do mundo no Brasil sem ele. Adaptá-lo para que atenda aos padrões da FIFA era uma imposição histórica. Com isso, uniremos o útil ao agradável, transformando o templo do futebol em um estádio com todo o conforto e comodidade que o público merece.

Os estádios de futebol concorrem com tecnologias de transmissão e recepção de imagem cada vez mais sofisticadas. Para atrair a família ao estádio, ele tem que oferecer um conceito de conforto e entretenimento que vai muito além do jogo em si. É o que faremos com o complexo do Maracanã, que vai ter acesso metroviário e ferroviário melhor, estacionamento, restaurantes, museu interativo, lojas.

A reforma física do Maracanã tem que vir acompanhada por uma mudança de conceito de gestão, que o Estado não tem como oferecer. Não há outra opção que a sua concessão à iniciativa privada.

São incompreensíveis as manifestações de que o Governo quer acabar com uma escola municipal porque vai transferi-la para outro local a uma distância de 500 metros. Os professores, alunos, diretor e proposta pedagógica serão os mesmos, em instalações melhores. Será que a escola Friedenreich é boa porque está dentro do Maracanã?

O mesmo se diga em relação ao Célio de Barros e ao Julio de Lamare, que serão reconstruídos com um padrão muito melhor que o de hoje. Já o prédio em ruínas que durante um período na década de 70 sediou o Museu do Índio, esse não pode ser mantido, sob pena de se dificultar o fluxo de pessoas, sendo lógico que não faz sentido se manter índios morando ali.

Quem defende que se deva manter o Maracanã sujo, com público em pé, assentos sem boa visibilidade e sem serviços de qualidade, não sabe identificar a alma do povo, pois ele merece o que há de melhor e como nos ensinou o mestre Joãosinho Trinta, "o povo gosta de luxo e não de lixo".


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