sábado, julho 14, 2012

Brigas - JORGE BASTOS MORENO - Nhenhenhém


O GLOBO - 14/07

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, resolveu dar uma de senador Aécio Neves. Está se desentendendo com todo mundo. Depois de ter comprado uma briga boba com o ministro Alexandre Padilha, Chinaglia ignorou os apelos da ministra Ideli Salvatti e viajou para os EUA na última semana de trabalhos no Congresso, com votações importantes, como a LDO e o plano Brasil Maior. Ideli resmungou: “Ah, agora eu vou ter que ser líder do governo, também.” E foi se queixar à Dilma. O líder alega que foi uma viagem para ver a filha que mora nos EUA e que já estava marcada há tempos. O motivo, convenhamos, até que é nobre. Mas a desatenção, não!

Transformação
A presidente Dilma Rousseff, agora, é outra pessoa, politicamente falando. 

Preferida
Sugiro que prestem atenção neste nome: Tereza Helena Gabrielli Barreto Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. É, no momento, a pessoa de maior prestígio junto à presidente Dilma. Ela e, depois, Mercadante.

Operação casada I
As conversas casadas de Dilma e Lula com privilegiado interlocutor sobre a possibilidade de este vir a ocupar, futuramente, o Ministério de Minas e Energia mostram que o ex-presidente já está trabalhando para fazer da presidente sucessora dela própria.

Operação casada II
Pelo menos um governador de estado já decidiu encurtar seu próprio mandato. Deixa o cargo no dia 31 de dezembro do próximo ano. Assim, seu vice, candidato à sua sucessão em 2014, não poderá disputar reeleição. 

De Cavalcanti a Paris, o sonho da matriarca
A coluna homenageia hoje a sua mais antiga leitora: Regina Cabral, que, anteontem, completou 99 anos bem vividos.
Viúva muito jovem, Regina, mesmo assim, conseguiu educar sozinha seus três filhos, um deles, hoje, um ícone do jornalismo e da cultura brasileira.

Regina é avó de sete netos, o mais velho dos quais é atualmente governador do Rio. Mas, como toda avó coruja, preferia vê-lo numa posição de maior visibilidade, como a de prefeito de Paris, única cidade do mundo que aceitaria trocar pela sua humilde casinha lá de Cavalcanti, no subúrbio do Rio, aonde chegou em 1919 e nunca mais saiu.

Desde 1970 que os filhos tentam levá-la para a Zona Sul. Mas Dona Regina resiste bravamente.

O melhor presente que ganhou foi a visita-surpresa do netinho mais velho, que veio ao Brasil especialmente para o aniversário da avó.

Na festa, que reuniu também seus 22 bisnetos e dois tataranetos, Regina, que vive pedindo para Serginho trabalhar menos, ouviu deste a intenção de que, depois do centenário da avó, poderá deixar o governo do estado para dedicar-se mais à família. Regina, do alto da sua sabedoria, não botou muita fé nisso. É ver para crer.

Depois da ponte
Falar da eleição em Niterói me traz menos aborrecimentos do que tratar da eleição do Rio. Com esse propósito, convidei para almoço candidato que lidera as pesquisas na cidade, o petista Rodrigo Neves, ex-secretário de Cabral. Aliás, por coincidência, todos os candidatos lá foram secretários de Cabral. Por isso, não me surpreendi quando Neves marcou nosso almoço para o Palácio das Laranjeiras. A surpresa foi encontrar ali a figura rara do governador, acompanhado do seu vice (até hoje, não consigo saber quem é o governador e quem é o vice de fato). Foi aí que descobri que Rodrigo Neves faz parte do ambicioso projeto de poder de Cabral: suceder a Pezão na eleição de 2014, desde que combinado com o eleitor.
O projeto é ardiloso, pois pretende isolar, ao mesmo tempo, Eduardo Paes e Lindbergh. E, pelo que percebi, tem o apoio total de Brasília.

Afago
Antes, Lula era mais generoso com o governador Eduardo Campos. Chamava-o de “Coronel”. Depois da lambança do PSB em Recife e Belo Horizonte, o ex-presidente, agora, só chama o companheiro de “Coronelzinho”. 

Jesus sem $
O homofóbico deputado Eduardo Cunha anuncia para hoje a criação de seu website comercial com o nome de Jesus.
Sem querer ser presunçoso, empresto de Tancredo Neves a antológica distinção ideológica entre ele e Miguel Arraes, no PMDB:
— O meu Jesus não é o Jesus do deputado Eduardo Cunha, assim como o Jesus do deputado Eduardo Cunha não é o meu Jesus.
O meu Jesus é o mesmo de Dom Eugenio Sales, de Dom Orani Tempesta, dos padres Jorjão e Omar.
E do Fernando Henrique Cardoso, também. Amém!

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