sábado, março 10, 2012

No divã com Temer - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 10/03/12


O vice Michel Temer foi escalado pela presidente Dilma para resolver a crise com o PMDB. Os senadores Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE) se queixaram de falta de interlocução no governo e reclamaram da concentração de poder no partido. Eunício e Braga são candidatos a suceder ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Depois de ouvi-los, anteontem, Temer almoçou com o líder no Senado, Renan Calheiros (AL), e o presidente da sigla, Valdir Raupp (RO).

A prioridade do governo
O próximo teste do governo no Congresso será o depoimento do ministro Guido Mantega (Fazenda) na terça-feira, no Senado. O Palácio do Planalto vai acompanhar com atenção o comportamento dos senadores da base, principalmente quanto a perguntas sobre a briga no Banco do Brasil, denúncias de fraude no PanAmericano e o escândalo na Casa da Moeda. Quanto ao Código Florestal, na Câmara, o governo diz que não está preocupado. No Palácio, ninguém leva a sério a ameaça de obstrução dos trabalhos pelos ruralistas. O argumento que usam tem certa lógica: a Lei Geral da Copa também é de interesse dos estados.

"É a solução (jurídica) alemã para evitar o caos. Declara a inconstitucionalidade com efeitos ex nunc (desde agora)” — Nelson Jobim, ex-presidente do STF sobre a mudança de posição no caso das MPs não apreciadas por Comissão Mista do Congresso

A ESFINGE. No Palácio do Planalto há uma divisão quando se trata de analisar a derrota do governo na recondução de Bernardo Figueiredo para a ANTT. Uma parte dos ministros e auxiliares da presidente Dilma avalia que o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), articulou na surdina esse revés para o governo. Outra parte acredita que ele foi atropelado por integrantes da bancada, que questionam sua liderança.

Filho pródigo?
O prefeito Gilberto Kassab (São Paulo) vive dias de angústia à espera do relatório do ministro Marcelo Ribeiro (TSE), sobre o direito do PSD a tempo de televisão. Sua avaliação é a de que essa questão é de vida ou morte para seu partido.

Faniquito
Diante das críticas no caso do uso de R$ 3 bilhões do FGTS para fazer o superávit primário, o ministro Paulo dos Santos Pinto esbravejou para auxiliares: "Eu não estou em cima do muro. Isso é coisa da Fazenda. Eu sou só um interino".

A sucessão na Anvisa nua e crua
Indicado pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde) e pelo PT do Rio, o secretário-executivo da Câmara de Regulação Econômica de Medicamentos, o economista Ivo Bucaresky, será nomeado para a Anvisa. Ocupará cargo que está vago há um ano e meio, desde a saída de Agnelo Queiroz, atual governador de Brasília. O Planalto rejeitou naquela época duas indicações anteriores: Norberto Rech, sugerido pelo PCdoB, e Pedro Ivo, apoiado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

A próxima vaga
Representante do PMDB, Maria Cecília de Brito é a próxima a deixar a Anvisa. Para seu lugar, o PMDB acertou com o governo a nomeação de Alúdima Mendes, ex-chefe de gabinete da presidência da agência na gestão Dirceu Raposo.

Ele tem a força
A ida do ex-presidente da Petrobras José Gabrielli antecipou a disputa no PT para a sucessão na Bahia. Foram ontem à sua posse o ex-ministro José Dirceu, a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o presidente da CEF, Jorge Hereda.

O GOVERNADOR Sérgio Cabral (Rio) vai conversar, na segunda-feira, com o relator da lei de redistribuição dos royalties, deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

JOIO E TRIGO. Constatação do governo brasileiro: os representantes do Comitê Olímpico Internacional são mais discretos e compenetrados; os da FIFA são midiáticos e adoram promover uma polêmica.

COM A PALAVRA o senador Francisco Dornelles (PP-RJ): "A redução da contribuição patronal sobre a folha salarial, anunciada pelo governo, é o único benefício fiscal que favorece a empresa brasileira sem favorecer o produto importado".

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