sábado, março 17, 2012

Fim de papo - JORGE BASTOS MORENO

O GLOBO - 17/03/12


Dilma decidiu. Ana de Hollanda não vai mais deixar a Cultura.

Ufa!
Dilma, finalmente, recebeu Moreira Franco, em audiência. Ela foi apresentada ao seu ministro pelo vice Michel Temer na última quarta-feira, às 10 horas da manhã. Na verdade, a presidente já conhecia Moreira. Só não estava associando o nome à pessoa. Agora, o Moreira deve, em contrapartida, passar um bom tempo sem falar mal da presidente. Coisa aí de uns dois ou três dias.

Cronômetro da crise
Não comento crise política provocada por fisiologismo. Adoro a Ideli, mas ela não precisava ter deixado o Blairo esperando durante 67 minutos, 49 segundos e três décimos. E se o cara repara?

Poder das mulheres I
Tentei ouvir Jobim sobre a crise dos militares, mas sua fiel escudeira, Adrianne Sena, que manda nele mais do que o Eduardo Cunha manda no Henrique Alves, não deixou:
— Mas nem morta! Se tem uma banana do outro lado da rua, o Nelson atravessa a rua Na política, tudo acaba em samba só para se escorregar nela!

Poder das mulheres II
Paulo Ferreira, ex -tesoureiro do PT ligado ao José Dirceu, foi empossado deputado esta semana, por causa da ida de Pepe Vargas para o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Como a Dilma guardou segredo da indicação de Pepe, o Ferreira não sabia que ia virar deputado.

Quando a notícia saiu, às oito da noite, o incrédulo ligou para a mulher, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social.

— Amor, estou na aula de inglês, não posso ser interrompida agora. Depois a gente vê isso, tá?

Na política, tudo acaba em samba
Depois que descobriu que o Fundo de Participação dos Estados (FPE) arrecada o dobro dos royalties, Cabral enlouqueceu. E, ao ser informado de que o FPE acaba este ano se não tiver lei nova regulamentando-o, aí sim, endoidou de vez. Tanto que passou a cruzar os céus do Brasil, batendo às portas dos palácios estaduais em busca de apoio, como fez na madrugada de ontem, em Belo Horizonte, onde se reuniu com os governadores de Minas, São Paulo e Espírito Santo. Antes, na posse de Graça Foster na presidência da Petrobras, às vésperas do carnaval, o governador do Rio, aproveitando a presença de alguns colegas, começou a articular mudanças no FPE ali mesmo, na solenidade. Mas, quando ouviu um “não” do governador do Ceará, Cid Gomes, aquele — lembram? — que saiu batendo portas na cara da Dilma recentemente, Cabral pirou de vez. Distanciou-se de todos, como se fosse fazer uma apresentação, e acabou fazendo mesmo, só que requebrando como passista da sua escola de samba preferida, e, chamando Cid Gomes para a pista, gritou:

— Venha, minha linda, venha! Venha que vou botá-la no carro alegórico da Mangueira para exibi-la toda pela avenida!

E continuou requebrando como se fosse o próprio Sorriso, famoso gari que samba nos intervalos do desfile da Sapucaí.

Guris
Dilma, então, interveio: — Meninos, parem! Foi a deixa também para a presidente fazer as pazes com Cid Gomes, por conta daquele outro episódio.

Fidelidade vermelha
Os governadores, realmente, andam à flor da pele. Vejam esta do Jaques Wagner à Dilma, depois da viagem à Alemanha:

— Nunca mais viajo com a senhora, presidenta!
E Dilma, estupefata:

— Por quê?

— A senhora desconta depois as minhas milhas demitindo os ministros da Bahia.

Por ciúmes
Mal sabe Jaques que, exatamente por causa desse seu prestígio com Dilma, é que ela perdeu o amigo que considerava o mais lindo de todos.

Déda não liga, não escreve e não manda recados. Simplesmente sumiu.

Novela
Dilma se prepara para a viagem à Índia da Glória Perez. A curiosidade é saber quem serão os dalits da comitiva presidencial.

Ao contrário de lá, aqui “brâmane” não é importante. Devem ir os “intocáveis” Pimentel, Mercadante e Guido. O brâmane é o Patriota.

‘Are baba!’
Eu, sim, senti-me um brâmane de verdade, jantando à beira-mar com Clarissa, da casta dos Garotinhos. A bela Maya, que está na chapa do outro Maia, confessou a este Raj:

— A minha mãe está sendo muito melhor prefeita do que foi governadora.

Amiga invejosa que me viu com ela cobrou-me:

— Jantando com a filha do Garotinho?

E eu:

— Por mim, jantaria com a filha do dom Orani Tempesta, do padre Jorjão ou do padre Omar. Mas eles não são sequer casados... 

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