domingo, fevereiro 12, 2012

Fiat lux - JOSUÉ GOMES DA SILVA


FOLHA DE SP - 12/02/12


Pouco destaque mereceu o fato de as Nações Unidas instituírem 2012 o Ano Internacional da energia Sustentável para Todos. Iniciativa muito importante que chama a atenção e pede soluções para um grave problema: 1,4 bilhão de pessoas, ou 20% da população mundial de 7 bilhões, vive sem eletricidade, e outro contingente, constituído por 1 bilhão de habitantes, tem acesso limitado.

Mais do que excluídos em termos socioeconômicos, tais indivíduos estão quase dois séculos atrasados em relação aos benefícios da tecnologia. Imaginem a dificuldade em um mundo desprovido de iluminação, sem TV, geladeira, computador e outros equipamentos e serviços para suprir necessidades básicas, como alimentação, segurança, ensino, informação e assistência médico-hospitalar.

Em meio ao desafio, o Brasil ocupa posição privilegiada. Nossa matriz é predominantemente hídrica, renovável e não poluente. Temos biocombustíveis e programas de produção alternativa de energia a partir da Biomassa, da energia eólica e solar. Embora caminhando rápido para a economia pós-carbono, possuímos muito petróleo, nossas reservas crescem com o pré-sal.

Temos superavit energético, mais um diferencial competitivo em relação a numerosas nações, desenvolvidas e emergentes. Nosso subsolo é rico em urânio e, com o aprimoramento da segurança em Usinas nucleares que eliminem os riscos de acidentes como da usina de Fukushima, no Japão, poderemos ser grandes supridores desse combustível ao mundo.

Não há dúvida de que o Brasil desempenha papel fundamental para tornar viáveis duas metas estabelecidas pela ONU até 2030: garantir que todos tenham acesso a serviços modernos de energia; e aumentar em 30% a utilização de fontes renováveis.

Com o Programa Luz Para Todos, que contemplou 14 milhões de brasileiros, avançamos muito desde 2003, mas é preciso ir além. Segundo o Censo 2010, 728.672 residências seguem sem eletricidade no país. Outra prioridade é a redução do preço da energia elétrica, insumo dos mais importantes para o setor produtivo.

Precisamos desonerar a energia elétrica da enorme carga de impostos, além de aproveitar o fim do prazo de inúmeras concessões de geração, transmissão e Distribuição reduzindo custos para o consumidor final. Cabem novos leilões desses ativos tendo como critério menor tarifa.

Pesquisa do Ministério da energia demonstra que 79,3% das famílias com acesso à eletricidade compram televisor, 73,3% geladeira e 45,4% aparelho de som. Assim, o atendimento a um direito imprescindível para a inclusão social também contribui para estimular a indústria e a economia. Vamos iluminar o Brasil com energia barata e não poluente.


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