domingo, janeiro 08, 2012

Júri popular - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 08/01/12


FÁBIO ZAMBELI (interino) 


Em defesa do poder de investigação do Conselho Nacional de Justiça, a Ordem dos Advogados do Brasil mobilizará a Igreja Católica e artistas em nova campanha contra a corrupção no Judiciário. Movida pela ameaça de esvaziamento do papel do CNJ, catalisada por processos de associações de juízes em curso no STF, a entidade promoverá ato público no dia 31, em Brasília.

À ocasião, dirigentes da OAB pretendem integrar a CNBB a movimento análogo ao da Lei da Ficha Limpa, que desaguou no Congresso com um milhão de assinaturas. A ideia é levar para além dos tribunais a discussão sobre privilégios e desvios da magistratura.

Caixa-preta 1 Do presidente nacional da Ordem, Ophir Cavalcante, que já havia capitaneado frente em prol da corregedora Eliana Calmon em março do ano passado: "O CNJ é fundamental para dar mais transparência à Justiça brasileira, que, entre todos os poderes, ainda é o mais fechado".

Caixa-preta 2 Sob nova direção, a Corregedoria Geral de Justiça de SP usará redes sociais para colher denúncias contra juízes via internet.

Na mesa A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba protagoniza saia-justa que tem origem no lento preenchimento de cargos no segundo escalão federal. Dilma recebeu indicação de Guilherme Almeida para a presidência do órgão há 50 dias.

Em família Enquanto isso, permaneceu no posto Clementino Coelho, irmão de Fernando Bezerra. Com a polêmica atuação do ministro da Integração Nacional na destinação de verbas antienchentes, o nepotismo pegou mal. A Casa Civil interveio para bancar a troca.

Isonomia Um curioso observou: em meio a denúncias, o zelo de Dilma com Bezerra até agora só é comparável ao tratamento dedicado a seu amigo do peito Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

Ampulheta Embora o governo tenha se empenhado para tranquilizar o PSB diante das denúncias de que o ministro favoreceu Pernambuco na distribuição de recursos, ninguém no Planalto se aventura a garantir sua permanência no cargo se ele prosseguir sob ataque.

Restos... O PMDB se ressente de chegar às urnas em 2012 sem um ministério que lhe renda dividendos eleitorais. Perto da reforma na Esplanada, seus dirigentes miram Transportes e Cidades.

...a pagar O partido reclama da ingerência de outras siglas. Nas pastas peemedebistas, à exceção da de Assuntos Estratégicos, secretários-executivos indicados pelo Planalto são tão influentes quanto os ministros.

Upgrade Após um ano de investimentos em baixa, o Ministério do Turismo estima gastar R$ 70 milhões com convênios e projetos em 2012. Para a promoção internacional de destinos brasileiros, a Embratur reservou R$ 139 milhões, mesma cifra de 2011.

Linha cruzada O governo paulista fechou contratos de obras e compra de vagões para o primeiro trecho do monotrilho de Congonhas, que integra o pacote da Copa. Espera agora a licença de instalação, que depende da Secretaria do Verde de Gilberto Kassab.

Nos trilhos Pré-candidato à prefeitura paulistana, Gabriel Chalita (PMDB) montou estratégia de imersão em bairros da periferia durante o recesso parlamentar. O deputado passou a visitar os extremos da capital. Sempre que possível, utiliza trem e metrô.

com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA

tiroteio
"Os critérios do governo para o uso de verba pública são secretos ou impublicáveis, por não serem republicanos. E Dilma, que manda em tudo, como explica tudo isso?"

DO PRESIDENTE NACIONAL DO PSDB, SÉRGIO GUERRA (PE), analisando o papel da presidente no gerenciamento da crise que envolve a destinação de recursos do Ministério da Integração Nacional para prevenção a enchentes no país.

contraponto
Delação premiada
Durante sessão do STF, em abril de 2011, entrou em pauta a concessão do benefício de licença-prêmio a juízes. Ao ingressar no debate do tema, o ministro Carlos Ayres Britto disse:

-Lembro que a licença é um prêmio que a legislação confere a quem revela, enquanto servidor público, uma exemplar assiduidade.

Num plenário em que 3 dos 11 ministros estavam ausentes, o ministro Marco Aurélio Mello disparou:

-Vemos que assiduidade é algo raro!

Um comentário:

  1. A OAB "catou" a ideia do procurador da República Ailton Benedito, que originalmente é mais ampla - Júri Popular para corrupção - e vai apresentá-la para casos do Judiciário, ao que parece. Em todo o caso, a origem é essa aqui: http://www.venenoveludo.com/2011/12/juri-popular-controle-social-da.html e é uma tese interessantíssima. Já entrei "em campanha" por ela...

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