terça-feira, janeiro 24, 2012

Existe amor em SP - NIZAN GUANAES


FOLHA DE SP - 24/01/12


O Brasil tem que parar de ser modesto consigo mesmo, que a natureza não foi. Ela nos deu atributos maravilhosos, e nós fomos criando, em fogo brando, um País à altura.

A maior criação do Brasil chama-se São Paulo, e calma porque isso quem diz não sou eu, é o IBGE.

Da escala humana à escala financeira, São Paulo nos lidera. Mais de 10% das riquezas produzidas no Brasil são produzidas nesta cidade. Que família do País não tem um parente trabalhando aqui?

São Paulo é a grande metrópole do hemisfério Sul no século do hemisfério Sul.

Se São Paulo não tem mar, São Paulo tem um mar de ideias. O planejamento do Brasil passa tanto pelas torres da Faria Lima e da Berrini quanto pelos prédios da Esplanada dos Ministérios.

A cidade faz aniversário, amanhã, no melhor momento de sua história, duplamente presenteada pela globalização e pela interiorização da nossa economia.

O novo ciclo de desenvolvimento do Brasil tem tudo a ver com a cidade. Seu supermundo financeiro de bancos, corretoras, seguradoras e bolsas de valores comanda o vigoroso processo de financeirização da economia nacional e de sua integração crescente e lucrativa com os mercados globais.

Essa conexão duplamente intensa, com o País que pulsa em suas veias e o mundo que pulsa em nossa volta, faz a cidade evoluir sempre de pilha nova, com carga máxima, conectada pelas antenas de seus 12 milhões de habitantes/seguidores.

Uma energia que muitas vezes espanta, no bom sentido, os estrangeiros que vêm descobrir a "maior cidade desconhecida do mundo".

Por isso é preciso equipar São Paulo para que a Copa de 2014 seja uma justa, mesmo que tardia, exposição da metrópole ao mundo.

São Paulo precisa se posicionar com mais firmeza no cenário global como centro financeiro e de serviços superiores não só do Brasil, mas da América do Sul, da África ocidental... O mundo é plano para grandes ideias e grandes cidades.

São pouquíssimas as metrópoles do mundo que contam com área tão extensa de massa cinzenta, com mistura tão completa de profissionais competentes, cada vez mais especializados.

É um ciclo virtuoso: os serviços de alta qualidade atraem trabalhadores de alta qualificação e remuneração, que buscam mais serviços de ponta, como cultura, saúde, educação, luxo e alta gastronomia, que por sua vez atrairão consumidores de outras cidades e países.

São Paulo hoje tem capital humano e capital financeiro para encubar qualquer empreendimento.

Os galpões industriais que ficaram vazios com a transferência das indústrias da cidade para outras regiões do estado e do País são rapidamente reocupados por atividades criativas e comerciais.

A relativa menor atividade industrial (porque a cidade segue potência fabril) foi compensada pela maior atividade cultural, de feiras e de eventos. A cena de restaurantes de São Paulo é mais animada que a de Nova Iorque nestes dias. O mercado imobiliário e o mercado publicitário, para ficar só em dois setores, atraem investimentos do mundo todo.

Não saí de Salvador para vir para São Paulo. Saí para ir ao Rio trabalhar com Roberto Medina, o criador do Rock in Rio. Mas acabei chegando à metrópole paulista pelas mãos de outro gênio, Washington Olivetto, e aqui me desenvolvi em plenitude, prosperei como tantos outros migrantes e imigrantes.

Amo trabalhar, e em São Paulo o trabalho sempre foi muito valorizado. Isso tem muito valor. Porque um dos grandes problemas dessa sociedade tão demandada é o desrespeito ao trabalho.

Assim, quando as pessoas querem te ofender, elas dizem: "Esse cara só pensa em trabalho". Quando querem ofender São Paulo, dizem a mesma bobagem: que a cidade só é boa para trabalhar.

Mas o que mais uma cidade precisa ser? Se ela é boa para trabalhar, o resto será consequência.

Existe uma enorme onda de liberação do afeto reprimido por São Paulo. A firmeza com que a população aderiu à Lei Cidade Limpa mostrou isso.

O amor (por São Paulo) está no ar. Se bem cultivado, vai nos transformar.

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