segunda-feira, novembro 28, 2011

Ar mais respirável - GEORGE VIDOR


O GLOBO - 28/11/11



Em janeiro as refinarias da Petrobras começam a produzir o óleo diesel S50 para caminhões com nova geração de motores (euro5) que vão estrear no mercado apenas em março. Mesmo assim, cerca de três mil postos em todo o Brasil precisam estar preparados para atender a esses veículos, que somente poderão ser abastecidos com o S50, óleo diesel menos poluente, porém mais caro.

Caminhões com motores antigos não terão problemas se utilizarem o S50, mas não haverá ganho relevante na emissão de partículas poluentes, que diminuiria em menos de 10%. Já a combinação dos motores novos com o diesel S50 reduz a emissão em mais de 80%.

Em 2013, as refinarias da Petrobras produzirão também o S10, hoje o óleo diesel "mais limpo" do mercado.

Temporariamente, tanto uma parte do óleo, quanto da gasolina, virão do exterior. A Petrobras exportava 50 mil barris diários de gasolina e agora tem de importar cerca de 30 mil, porque o consumo do combustível tem crescido ao ritmo anual de 18% em decorrência da falta de etanol.

Quando as futuras refinarias entrarem em operação (a Abreu Lima, em Suape, está com 47% das obras concluídas, e o Comperj, 25%) é que essas importações deixarão de ocorrer.

A Chevron já havia perfurado 30 poços no Campo de Frade (Bacia de Campos). Os técnicos do setor não entendem como, em um poço que apenas injetaria água para pressionar a retirada de petróleo, a empresa pode ter cometido tamanho erro técnico, que resultou no vazamento. O desgaste de imagem que a empresa sofreu compensa a redução de custo que ela tentava obter com o método utilizado na perfuração do poço? Fica a lição para toda a indústria petrolífera que atua no país.

O ar ficará mais respirável também no conjunto da economia brasileira esta semana, após a muito provável redução da taxa de básica de juros pelo Copom em 0,5 ponto percentual.

O Brasil tem 46,6 milhões de pessoas assistidas por planos de saúde privados, ou seja, 24,4% da população, segundo o último levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O mais elevado índice de cobertura é o de Vitória (75%), seguido por São Paulo (59%), Rio (55,3%), Belo Horizonte (54,8%), Curitiba (42,4%), Porto Alegre (49,4%) e Florianópolis ( 49,1%).

Por estado, São Paulo (44,5%), Rio de Janeiro (37,4%) e Espírito Santo (31,4%) têm os mais elevados índices de cobertura por planos de saúde privados.

Nas regiões metropolitanas, a Grande São Paulo (53%), a Grande Vitória (46,9%), o Grande Rio e a Grande Belo Horizonte (ambas com 42%) estão no topo da lista.

No interior do país, os planos de saúde estão menos presentes, atendendo a 18,7% da população. Os mais elevados índices de cobertura estão no interior de São Paulo (39,1%), Espírito Santo (26,8%), Rio de Janeiro (25,7%), Santa Catarina ( 22,3%) e Minas Gerais (20,9%).

Tais índices e números não incluem os planos puramente odontológicos

Com a perspectiva de envelhecimento progressivo da população - a idade média dos brasileiros hoje é de 31 anos - a questão do atendimento à saúde está se tornando cada vez mais crucial.

Por isso, desde já, a ANS está estimulando as pessoas a se envolverem em programas de prevenção e vida saudável. As regras atuais da agência permitem que os participantes que comprovadamente façam essa prevenção obtenham descontos em suas mensalidades ou nas contrapartidas que estão obrigados a pagar em planos coletivos.

A ANS também está bem avançada nos estudos feitos juntamente com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) para encontrar uma fórmula que estimule os jovens a aderir a planos de saúde. O objetivo é que as contribuições feitas, quando jovens, os beneficiem quando eles envelhecerem.

E quanto mais jovens contribuindo para os planos de saúde, maior é a possibilidade de se reduzir o valor médio das contribuições, considerada ainda muito alta no Brasil.

O grupo Porcão, que agora pertence a um fundo de investimento privado, tem metas bem ambiciosas. Espera se tornar a maior rede de churrascarias do mundo, a partir de um crescimento no próprio Brasil, impulsionado pelos megaeventos programados para o Rio. Em 2010, mesmo fechando uma de suas casas de grande movimento na Barra, para transferi-la de lugar, e sem fazer alarde, o grupo (que também é dono do Galeria Gourmet e do Garcia e Rodrigues) cresceu 18%. Agora chegou a hora de pôr o pé no acelerador. Para 2012 está programada a abertura de 20 novos restaurantes, pelo menos. O Porcão estará presente em todas as capitais onde haverá jogos da Copa do Mundo. Em shopping centers, abrirá filiais do Porcão Gourmet (substituto do Galeria Gourmet), mais voltadas para almoços executivos, com valor médio de R$60 por cliente. O Garcia e Rodrigues se dedicará ao que faz de melhor (pães, guloseimas, frios, café da manhã, lanches), reabrindo, primeiro no Leblon, e depois se estendendo a outros locais, inclusive com franquias. Mas o carro chefe do grupo - churrascarias com opções de saladas, peixes e comida japonesa - ficará sempre sob controle próprio, incorporando novidades (sobremesas do Garcia, vinhos produzidos sob encomenda, começando pelos do Alentejo, em Portugal). Essa nova fase começará com um réveillon na mais famosa das casas do grupo, o Rio"s, para mil clientes na parte interna do restaurante e mais mil na externa.

Curiosidades: a rede emprega 1.500 pessoas, procurando fidelizar churrasqueiros, cozinheiros, maîtres e passadores (os garçons que "passam" com os espetos servindo as carnes); no Porcão que substituirá o Garcia original no fim do Leblon haverá uma adega de dois andares; as carnes (150 toneladas por mês) representam 90% do custo da matéria-prima dos restaurantes; os clientes gastam, em média, R$150 no Porcão.

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