sexta-feira, agosto 05, 2011

ELIANE CANTANHÊDE - Saída diplomática para a guerra

Saída diplomática para a guerra
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 05/08/11

BRASÍLIA - Jobim esticou demais a corda, e Dilma não teve alternativa senão trocá-lo, mesmo sabendo que é o pior momento e que ele, gostem ou não, consolidou o Ministério da Defesa e garantia tranquilidade numa área sensível.
A demissão de três ministros antes de completar o primeiro ano de governo não é nada trivial, e a queda de Jobim ocorre justamente quando uma CPI se desenha no Congresso e a crise dos Estados Unidos e da Europa derrubam as Bolsas e reforçam as incertezas.
E Jobim não era um ministro qualquer de uma área qualquer. Ele assumiu a Defesa numa crise aérea sem precedentes, depois dos dois maiores acidentes aéreos da história, com os controladores de voo brincando de sindicalistas e as empresas aéreas pintando e bordando. E botou a casa em ordem.
Recompôs os princípios de hierarquia, venceu as resistências fardadas à Defesa e a ele próprio, estruturou o ministério, criou a Estratégia Nacional de Defesa, avalizou os projetos de reequipamento de Marinha, Aeronáutica e Exército e negociou a Comissão da Verdade.
Depois das vitórias com Lula, Jobim sofreu seguidas derrotas com Dilma. O severo corte no Orçamento inviabilizou os sonhos de modernização das três Forças, a opção pelos caças franceses evaporou, e ele foi também esvaziado politicamente. Deixou de influir nas grandes discussões e nas questões jurídicas. E reagiu à la Jobim: orgulhosamente, falando grosso.
O temperamento de Jobim, portanto, foi decisivo tanto para sua firmação na Defesa quanto para sua queda. Ele sai aliviado, com a sensação do dever cumprido e convencido de que não falou mentiras (votou ou não em Serra? Ideli é ou não "fraquinha"?). E Dilma fica aliviada, com a garantia de que os militares não vão pegar em armas por Jobim nem contra Celso Amorim.
Isso não significa que o Exército esteja feliz com a troca. Desde quando diplomata gosta de guerra?

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