segunda-feira, maio 09, 2011

ROBERTO ZENTGRAF - Que encontro!


Que encontro!
ROBERTO ZENTGRAF
O Globo - 09/05/2011

Recente pesquisa feita pelo Instituto Ipsos a pedido da Fecomércio-RJ revelou que muitas famílias que conseguem chegar ao fim do mês com alguma sobra no orçamento optam por gastar a sobra ao invés de poupá-la. E o motivo não parece ser a falta de dinheiro, pois, no primeiro trimestre de 2011, um terço dos entrevistados terminou o mês com dinheiro sobrando, fatia maior do que a observada no mesmo período do ano passado, apesar de ter caído o percentual dos poupadores. Posto de outra forma: consumo de mais, poupança de menos!

Atento a isso, o próprio presidente do Banco Central veio a público se pronunciar, incentivando o brasileiro a aproveitar a recente alta dos juros para guardar um pouco mais. Estou com ele, e vou mesmo além: a exemplo do que ocorre em outras economias mundo afora, o saudável hábito de poupar já deveria estar consolidado aqui entre nós. A velha desculpa de que a inflação comerá todo o ganho não mais funciona, pois, como bem salientam as manchetes, ainda somos o país campeão dos juros altos.

E você, meu querido leitor, joga em qual time: o dos gastadores ou o dos poupadores? Considerando que torço pelo segundo, no artigo de hoje trarei uns incentivos a mais para você passar para o lado de cá, ou daqui nunca sair! A palavra chave é paciência, conforme você perceberá na simulação seguinte onde três amigas resolvem guardar R$100 mensais cada, aplicando-os a uma taxa de rentabilidade de 0,4% ao mês.

1. Lúcia manteve-se em sua meta durante dez anos (120 meses) quando então, ao ver R$15.424 acumulados, contou-me: "Puxa, após esse tempo todo, do total que possuo, 22% foi o dinheiro trabalhando para mim (R$3.424 de juros), enquanto que os 78% restantes (R$12 mil) vieram do meu sacrifício... Desisto, vou me divertir no shopping mais próximo".

2. Recentemente estive com Ana, que após 20 anos fiel ao seu propósito, estava toda feliz por ter adquirido um carro zerinho. Contou-me que optou pelo consumo, pois, tendo acumulado R$40.328, dos quais R$24 mil (ou 59,5%) vieram do seu esforço, achou que era o momento de aproveitar: "Fui eu quem mais contribuiu para esse bolo, nada mais justo do que usufruir, não é mesmo?"

3. Mas legal mesmo foi ter encontrado a Luciana... Que encontro! Estava rindo à toa, pois, demonstrando uma paciência de proporções industriais, aceitou essa pequena renúncia mensal durante 30 anos. Acumulou R$80.535, dos quais menos da metade (R$36 mil ou 45% do total) vieram do seu esforço. Radiante, ainda me revelou ter planos para guardar por mais dez anos, quando então, do total acumulado (R$145.451), apenas 1/3 (R$48 mil) viriam de seu sacrifício. E, como gosta de compartilhar suas boas novidades com os amigos, ainda me deu uma dica: "Minha primeira vitória foi quando percebi que no meio do 15º ano, os juros que ganhava sobre o que tinha acumulado já eram maiores do que o que eu deixava de gastar. Foi um incentivo a continuar com o meu propósito. Hoje por exemplo, os R$80.535 já rendem R$322, mais que o triplo de minha contribuição, não é o máximo?"

Bem, e antes que você me pergunte, já aviso: 0,4% líquidos ao mês, equivalem a 5,77% ao ano antes da mordida do Leão, algo que as NTN-B garantem, além da inflação pelo IPCA, que tal?

Um grande abraço e até a próxima semana!

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