quarta-feira, março 30, 2011

ZUENIR VENTURA

O mal na rede
ZUENIR VENTURA 

O GLOBO - 30/03/11

Se já não bastasse a chamada ciberguerra, que está pondo em alerta o mundo virtual, com os hackers lançando na rede 55 mil vírus diariamente, crescem no Brasil as denúncias contra a tribo dos psicopatas, homofóbicos e racistas que andam pondo em risco a integridade de pessoas e instituições. O deputado Jean Wyllys, do PSOL, informou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara que vem recebendo "sistematicamente ameaças de morte" em blogs e sites, desde que começou a reestruturar a frente parlamentar pela cidadania das Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT). A cantora Claudia Leitte recebeu ameaças pelo Twitter contra ela e contra seu filho Davi, de 1 ano e cinco meses, sem contar o uso de suas fotos num site inglês de pornografia. Caetano Veloso manifestou sua indignação pelo fato de não ser punido "o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite". Alguém que não me lembro citou outro dia uma mensagem no Twitter em que o autor avisava que assim que acabasse de tomar sua cerveja ia sair espancando gays na Avenida Paulista. Isso sem falar na pirataria, apropriação indébita e textos apócrifos. Há mais contraventores e desajustados na internet do que se imagina. Já contei aqui como a repórter Juliana Tiraboschi fingiu na rede que era uma jovem deprimida à beira do suicídio. "Decidi me matar e quero saber qual o método menos doloroso", escreveu. Logo um internauta sugeriu um coquetel de medicamentos por ser "mais letal e menos doloroso". Outro aconselhou uma "overdose de barbitúrico" por sua ação rápida. Um terceiro ensinou a preparar um explosivo capaz de "te incinerar instantaneamente". Houve quem se preocupasse com o preço. "Se fizer do jeito certo, o enforcamento não é tão doloroso, além de ser barato e fácil. Só precisa uma corda." Surpresa, ela comentou: "Ninguém se mostrou perturbado. Apenas um dos meus interlocutores perguntou qual o motivo da minha decisão." 
Nem a existência de uma lei prevendo reclusão de dois a cinco anos para a prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito consegue evitar que um instrumento tão útil e poderoso como a internet seja usado impunemente para promover o mal. 
Em meio a tanta baixaria na internet, uma leitura animadora destes últimos dias tem sido o "Blog do Villas" (Boas Corrêa), dando conta da melhora do estado de saúde de Marcos Sá Corrêa, seu filho e um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Ferido ao cair de uma escada, Marcos foi operado na cabeça e está internado há cerca de um mês sob os cuidados do grande Paulo Niemeyer. A torcida, a esperança, a confiança de seus amigos é que o pior passou. 

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