sábado, março 12, 2011

ILIMAR FRANCO

Réquiem
ILIMAR FRANCO
O GLOBO 12/03/11

Após um acordo que pacificou as duas correntes do partido, o DEM faz sua convenção nacional na terça-feira, quando elegerá o senador José Agripino (DEM) seu novo presidente. Mas o tom não será de festa. “A convivência é a pior possível”, disse um cacique do grupo de Jorge Bornhausen. “Não vai ser uma festa, mas também não será clima de velório. Será formal”, resumiu um líder da ala do atual presidente, Rodrigo Maia. A eleição de Agripino é uma tentativa de reerguer o partido.

“Não tenho crise de princípios, tenho crise com pessoas do meu partido” — Kátia Abreu, senadora (DEMTO), de malas prontas para deixar a sigla

Sobrou para o Obama
As centrais sindicais dos trabalhadores vão entregar um documento para o presidente dos EUA, Barack Obama, com quem almoçarão na semana que vem, reclamando do déficit do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos, que foi de US$ 7 bi no ano passado. Há restrições a produtos brasileiros como aço e suco de laranja. Os sindicalistas foram convidados ontem pela presidente Dilma Rousseff para participar do encontro. “Vocês reclamam que não participam de nada no governo, então vamos almoçar com o Obama”, disse ela. O ex-presidente Lula costumava se reunir com sindicalistas quando ia aos Estados Unidos.

ESTRATÉGIA. A presidente Dilma jogou temas espinhosos colocados pelas centrais — como oposição à desoneração da folha de
pagamento, redução da jornada de trabalho e fim do imposto sindical — para a mesa permanente de negociação, a ser criada pelo governo. O mesmo aconteceu no encontro com os líderes da Câmara. Questões como o corte das emendas parlamentares foram
adiadas para a reunião do conselho político. 

Economia solidária
A CUT pediu à presidente Dilma para incluir entre as atribuições do Ministério da Micro e Pequena Empresa, a ser criado pelo governo, a economia solidária. Dilma teria se mostrado receptiva à ideia, de acordo com os sindicalistas.

Passe de mágica

Da presidente Dilma, ontem, em reunião com as centrais sindicais: “Não dá para acabar com o fator previdenciário em um passe de mágica. Quero negociar uma alternativa”. Ela já avisou que nada será feito este ano.

Desguarnecido

O presidente da Nova Central, José Calixto, reclamou, na reunião com a presidente Dilma, que o Ministério do Trabalho estaria desaparelhado, sendo deficiente, por exemplo, na área de fiscalização. “Falta até selo”, disse ele. Presente, o ministro Carlos Lupi reconheceu que faltam funcionários, mas disse que Calixto estava exagerando. “Se falta selo, é porque o Lupi está levando pra casa”, encerrou Dilma, em tom de brincadeira. 

Reforma política
A tendência da comissão de reforma política do Senado é mudar o sistema de suplência de senador só para os casos de renúncia ou morte, quando seria convocada nova eleição. No caso de licença, que ocorre, por exemplo, para assumir um ministério, continuaria assumindo o suplente, como é hoje. Já quanto à data da posse de presidente da República, a tendência é mudar de 1º de janeiro para o dia 15. Mas isso valeria somente para quem tomar posse em 2019.

 O GOVERNO brasileiro quer aproveitar a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, para fechar acordo a fim de agilizar o reconhecimento de patentes. Hoje o prazo médio é de três anos.
 O MINISTRO do STF Ayres Britto liberou seu voto sobre união homoafetiva. Só falta agora o presidente Cezar Peluso marcar o julgamento. 
 ROMPIDOS. Braço-direito de José Serra, o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) não fala mais com o presidente do partido, Sérgio Guerra. O motivo foi a divulgação de abaixo-assinado de apoio à recondução de Guerra ao cargo, que era almejado por Serra.

FERNANDA KRAKOVICS (interina) com Fábio Fabrini

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