segunda-feira, dezembro 06, 2010

GUILHERME FIUZA

A despedida de um presidente mimado
GUILHERME FIUZA

REVISTA ÉPOCA

É claro que isso não ia acabar bem. Um presidente da República que vê seu cargo, acima de tudo, como fator de ascensão social está condenado à frustração. O elevador que o levou ao topo um dia desce - e esse dia está chegando. Luiz Inácio da Silva terá de se acostumar a parar de chamar seus interlocutores de "meu filho", entre outros tratamentos irritadiços. Enquanto manda e desmanda no ministério da sucessora - seu último ato senhorial -, o ex-operário não disfarça a agonia de sua volta à planície. 
Perguntado se estava no Maranhão para retribuir o apoio da oligarquia Sarney Lula respondeu que o repórter tinha de "se tratar". De acordo com o presidente, a pergunta demonstrava falta de evolução da imprensa, e em particular daquele repórter: "Você não evoluiu nada. É uma doença". 
O repórter repreendido por Lula não deve se abater. De fato, é difícil evoluir tão rápido, a ponto de compreender todos os avanços proporcionados ao país pela família Sarney. A resistência a essa modernização vertiginosa foi resumida por Roseana, a governadora dos novos tempos: "É preconceito contra a mulher". 
Também deve ser preconceito contra a mulher a reação de alguns ao projeto de compra do AeroDilma. O avião de meio bilhão de reais, que deverá substituir o AeroLula, é fundamental, segundo o presidente, para que o Brasil não se humilhe nas viagens oficiais. Tem toda razão. Chega de humilhação. Já basta o que os líderes do governo popular gastam de sola de sapato por aí, em anos e anos de comícios nos fins de mundo brasileiros. Uma vez eleitos, o mínimo a que têm direito é um salão de baile a 10.000 metros de altura - sem escalas enfadonhas. 
Da altitude do poder, é possível esculhambar repórteres que fazem perguntas indesejáveis. Também é possível reescrever a história. No discurso de despedida do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - criado em 2003, e que se tornou muito importante por institucionalizar o bate-papo presidencial em horário de expediente -, Lula se emocionou. Disse que foi vítima de uma tentativa de golpe em 2005 (o ano do mensalão) e agradeceu aos conselheiros que permaneceram a seu lado naquele momento difícil. Deve ser mesmo comovente imaginar que, em menos de um mês, não haverá mais plateias simpáticas como essa para ajudá-lo a acreditar no que ele quiser. 
Da altitude do poder, é possível esculhambar repórteres que fazem perguntas indesejáveis Em 2003, recém-empossado, Lula recebeu no Palácio da Alvorada a visita dos humoristas do Casseta & planeta, para uma sessão do primeiro filme do grupo. Bussunda, que era fã de Lula, se fixou numa cena: o presidente estava numa cadeira de rodas, por causa de uma torção no pé. 
Enquanto era empurrado pelos corredores palacianos, um ministro caminhava a seu lado segurando um cinzeiro, para que o chefe batesse a cinza do charuto que fumava. O humorista achou que havia algo errado com a conquista do palácio pelo povo. Pareceu-lhe que o povo era quem tinha sido conquistado pelo palácio. 
Lula foi conquistado pelo poder. E este lhe foi mesmo cativante. Foram oito anos vendo o Banco Central governar, surfando na conjuntura econômica generosa e distribuindo bolsas, repetindo bordões fáceis como PAC e pré-sal, engordando o mito do filho do Brasil. Nem convencer o povo de que Dilma é Lula deu trabalho - e aí, realmente, não se pode querer outra vida. Este 1º de janeiro vai ser mesmo difícil para o operário que chegou lá, e enfrentará seu maior desafio: sair de lá. 
Essa outra vida promete ser estranha. Certas delícias vão desaparecer, como ignorar por oito anos a segurança pública e poder declarar, diante da ofensiva da polícia carioca contra o tráfico, que "ocupamos o Morro do Alemão". Mas nem tudo está perdido. Talvez a máquina de arrecadação do PT lhe consiga alguém para segurar seu cinzeiro. E não há de faltar convite para um passeio no AeroDilma. 

MÔNICA BERGAMO

INVASÃO DE CAMPO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/12/10

O promotor Paulo Castilho, que atua no combate à violência no futebol, está propondo um campeonato de confraternização entre as torcidas dos 20 times que disputarão o Paulistão de 2011. Cada organizada poderá levar 20 pessoas de sua diretoria para as partidas, em uma quadra na capital. O promotor também quer montar uma equipe de "amigos", como o ex-jogador Juninho Paulista, para o torneio. REDE
A Ejesa (Empresa Jornal Econômico S.A.), que tem como acionista o grupo português Ongoing, tem interesse na CNT, a emissora de televisão das Organizações Martinez, de Curitiba. Há conversas entabuladas.

TURMA DO LULA
Lula já está despachando os convites para ministros e ex-ministros de seu governo. Ele pretende reunir todos no Planalto, dia 15, em Brasília, para, como diz no convite, fazer o "balanço de governo de 2003 a 2010".

TURMA DO LULA 2
O convite do ex-ministro José Dirceu, por exemplo, já foi despachado.

VERDADEIRA
Vera Fischer marcou a data de sua estreia como romancista: no dia 20 de dezembro, ela lança "Serena", ficção que escreveu sobre uma "aventureira, uma mulher do mundo" que tinha "35 anos, cabelos negros e longos, olhar de um azul profundo e um rostinho de anjo que enganava muita gente, porque ela era, além de inteligente, ousada, verdadeira", segundo descreve a autora.

CENA ABERTA
O escritor Walcyr Carrasco pretende lançar em 2011 site para disponibilizar gratuitamente textos de suas peças.

BODAS
E os 25 anos da peça "Trair e Coçar É Só Começar", de Marcos Caruso, serão comemorados em março de 2011 com a publicação do texto integral pela editora Saraiva. O lançamento será acompanhado de uma exposição com fotos de todos os atores que já encenaram o espetáculo, como Denise Fraga, Iara Jamra e Suely Franco.

LEMBRANCINHA
Celebridades fizeram filas em lojas de SP no primeiro dia de vendas do iPad no Brasil, na sexta. Marcos Mion foi ao shopping Higienópolis porque tem um contrato com a Vivo, parceira da Apple no lançamento. A apresentadora Astrid Fontenelle ganhou um aparelho grátis que vai "dar de Natal". O nadador Fernando Scherer, o Xuxa, e a mulher, Sheila Mello, estiveram no Iguatemi. Ganharam dois tablets.

Luciana Gimenez esteve no shopping Morumbi. Ela tem contrato com a Apple, segundo seu assessor.

CABIDE
A top Adriana Lima será a nova garota-propaganda da grife Forum.
Fará a campanha da marca neste mês, em Nova York (EUA), com o fotógrafo britânico David Sims.

DANÇA DO POSTE
O diretor Rodrigo Pitta e o produtor de cinema Magno Azevedo inauguraram a balada Container, na Bela Vista. Theodoro Cochrane é o diretor de arte do clube, e Débora Salles, a garçonete. A noite contou com as presenças da atriz Paula Cohen, do publicitário Homero Olivetto e com show de Alexandra Valença, a dançarina que se apresentou para o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, na passagem dele por SP em junho.

CURTO-CIRCUITO

Alberto Luchetti, Luiz Flávio Gomes e João Baptista de Oliveira autografam hoje, às 19h, o livro "O Direito e a Mídia no Século XXI", na Livraria Martins Fontes.

Os cartunistas Paulo e Chico Caruso comemoram seus aniversários com festa hoje, às 13h, no Boteco São Bento, na Vila Madalena.

O livro "Novas Tendências da Criminalidade Transnacional Mafiosa" será lançado hoje, a partir das 20h, no Iate Clube de Santos em São Paulo.

O Sesi Ipiranga inaugura hoje a exposição fotográfica "A Indústria da Cana-de-Açúcar", de Paulo Avelar, na rua Bom Pastor, 654. Classificação etária: livre.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

LUIZ FELIPE PONDÉ

A democracia da caveira
LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/12/10

Ver-se representado no Capitão Nascimento e no Bope não é pecado de gente reacionária


EU TAMBÉM sou contra a pena de morte. Também acho que grande parte da violência urbana é fruto de miséria, fome, educação ruim e saúde pública ruim.
Também concordo que a elite brasileira tem um histórico de maus antecedentes em sua responsabilidade pela sociedade que lidera (aliás, nenhuma sociedade presta sem o "cuidado" de sua elite).
Também acho que não adianta (somente) a polícia ou as forças armadas invadirem o morro para matar e prender bandido e que o Estado devia estar lá para cumprir sua função civilizadora. Também acho que é mais fácil prender e matar bandido pobre do que rico.
E, sim, o oficialato do Estado muitas vezes é tão bandido quanto os traficantes. Acho que qualquer pessoa em sã consciência não pode negar tudo isso.
Mas a história não para aí. Numa cena do maravilhoso "Tropa de Elite 2", o herói coronel Nascimento (corajoso, reto e solitário) entra num restaurante para encontrar alguns dos responsáveis pela (in)segurança pública do Estado do Rio.
Acuado, temendo um quase linchamento público, nosso herói se assusta quando, ao entrar no restaurante, é ovacionado. Sua voz em "off" diz algo como "... mas o povo gosta é de bandido morto".
Sim, considero o Capitão Nascimento -promovido a coronel no segundo filme- o primeiro herói produzido pelo cinema brasileiro, para além das tentativas infantis e entediantes de nos fazerem engolir, goela abaixo, bandidos, guerrilheiros de esquerda, drogados, prostitutas e cangaceiros como heróis.
Vale lembrar que o intelectual dos direitos humanos no filme (o Fraga) revela-se um "Capitão Nascimento" em sua função de crítico da sociedade, o que é raro.
Normalmente, os intelectuais das universidades ficam entre si, destruindo carreiras dos colegas, fazendo política institucional comezinha, buscando cargos burocráticos na nomenclatura da universidade ou em partidos políticos afins, dizendo mentiras deslavadas a serviço da ideologia do partido (intelectuais orgânicos) ou de seu corporativismo. Não nos enganemos: Fraga é um Capitão Nascimento, por isso os dois "se encontram" no final. Quem leu o filme como "o Capitão Nascimento pede pra sair" o fez por ignorância ou simples má-fé.
Sim, acho que grande parte de nossa "inteligência profissional" tende a desmerecer este grande detalhe: o "povo", categoria social tão amada por quem quer fazer dela uma "santidade política", gosta de ver bandidos presos e mortos.
Neste momento, a "inteligência profissional" abandona o "povo" em seu "gosto alienado".
Aqui erra a "inteligência profissional", porque querer bandido preso é democracia pura: os pobres são os que mais sofrem com esses bandidos, a invasão do morro é um ato de democracia, o Bope representa, aqui, os direitos humanos da gente comum. Só intelectual gosta de bandido. Pouco importa se a "motivação" da invasão do morro não tenha sido tão "pura" (só contra o crime), nada no mundo é puro. Você é?
Lembre que no primeiro parágrafo digo tudo que "gente bacana" diz (e concordando de fato com a "gente bacana" nesse assunto, coisa rara na minha vida).
Mas quem vive seu dia a dia trabalhando, pagando impostos (sempre avassaladores e abusivos), levando filhos à escola, indo ao cinema, viajando de fim de semana, fazendo compra em shoppings, indo a feiras e supermercados, enfim, vivendo sua vida normal, tem o direito de querer que bandidos sejam presos e, se resistirem, sejam mortos.
Ver-se representado no Capitão Nascimento e no Bope não é pecado de gente reacionária. É condição de quem é vitima, seja de um Estado irresponsável, seja de bandidos e assassinos.
O esperado de uma sociedade decente não é apenas fazer o discurso dos direitos humanos dos bandidos, mas também realizar os direitos humanos de quem vive nos limites da lei.
Passou o trauma da ditadura. A história "andou". A população quer ver sua honestidade banal e cotidiana contemplada no direito de andar de ônibus e de carro. Basta de papo furado, devemos ter escola, saúde, justiça e faca na caveira. Nada disso é belo, mas um mundo "belo" é para gente infantil.

FERNANDO RODRIGUES

FHC, Lula e sigilo eterno 
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/12/10

BRASíLIA - Fernando Henrique Cardoso institucionalizou o sigilo eterno. Lula ensaiou uma mudança. Ficou na promessa, pois terminará seu mandato sem eliminar essa anomalia brasileira. Ou seja, os 16 anos do renascimento democrático no país, com tucanos e petistas no comando, foram insuficientes para produzir avanços nessa área.
Certos documentos públicos no Brasil podem ser classificados como sigilosos por um período que depois é renovado indefinidamente. Quando estava na Casa Civil, Dilma Rousseff enviou ao Congresso um projeto de lei de direito de acesso a informações públicas. Reduzia o escopo dos papeis para os quais o segredo seria eterno.
A Câmara teve coragem e eliminou de uma vez essa cultura da opacidade: o texto do projeto de Dilma passou a determinar que o prazo máximo de segredo seria de 25 anos, renováveis por uma única vez. Não é o ideal, mas representava um grande avanço. Nenhum documento ficaria mais de 50 anos fora do alcance da sociedade.
No Senado, o projeto empacou. O Ministério das Relações Exteriores e o da Defesa querem manter a possibilidade de segredo eterno. No final de seu mandato, Lula poderia ter apertado o botão da transparência e dado uma ordem para que a lei fosse aprovada. Passaria para a história com o bônus extra de ter produzido a maior abertura de papeis públicos desde o descobrimento do país. Não se interessou, como mostrou ontem reportagem de Uirá Machado na Folha.
O presidente preferiu não arbitrar. A decisão sobre o rumo desse projeto ficará nas mãos de Dilma Rousseff, a partir de janeiro, quando assumir o Palácio do Planalto.
O mundo convive neste início de século 21 com vazamentos em massa de informação. Já são 85 os países com alguma legislação que facilita o acesso a dados públicos. Não faz sentido o Brasil continuar acorrentado a tamanho atraso como a regra do sigilo eterno.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Atrasos em portos no país ultrapassam 70 mil horas 
Maria Cristina Frias 

Folha de S.Paulo - 06/12/2010

Os atrasos nos embarques e desembarques nos 17 principais terminais de contêineres do país ultrapassaram 72 mil horas entre janeiro e setembro deste ano, de acordo com levantamento realizado pelo Centronave (Centro Nacional de Navegação), entidade que representa as empresas do setor.
A retomada do comércio exterior após a crise expôs as deficiências de infraestrutura, causa do problema de atrasos e cancelamentos, segundo o Centronave.
O movimento cresceu 17,5% nos primeiros nove meses deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O Centronave estima que serão necessários aproximadamente R$ 40 bilhões de investimentos nos próximos anos para a modernização dos portos e a eliminação dos gargalos.
No maior terminal de contêiner do país, o Santos Brasil, as escalas efetivadas recuaram de 803 para 705 devido ao aumento das horas de espera e dos atrasos nos embarques e desembarques.
No terminal de contêineres de Paranaguá foram registrados 220 cancelamentos de escalas, um aumento de 220% em relação ao ano passado, provocado por atrasos e congestionamentos em outros portos.
No porto de São Francisco do Sul (SC), os cancelamentos saltaram de 4 para 14, de acordo com o estudo do Centronave.
Em Rio Grande (RS), de 62 para 136. No Tecondi, também em Santos, o número de cancelamentos passou de 1 para 12 no período.

CONTRATOS DE CÂMBIO

As operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e sobre Cambiais Entregues (ACE) do Banco do Brasil apresentaram desembolso de US$ 1,4 bilhão em novembro, o melhor resultado mensal desde outubro de 2008.
O valor acumulado neste ano chega a US$ 11,5 bilhões, um incremento de 15,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Os números sinalizam a retomada dos desembolsos dessas linhas aos níveis pré-crise financeira e, ao mesmo tempo, boa sintonia com a expansão internacional das empresas brasileiras.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, as exportações chegaram a US$ 181 bilhões no acumulado de janeiro a novembro deste ano -30,6% a mais sobre igual período de 2009.

NA HORA CERTA

A Mido, marca de relógios da suíça Swatch, prepara novo modelo de negócios no mercado brasileiro. A companhia vai abrir espaços próprios dentro de lojas parceiras, as chamadas "store-in-store".
"Já fechamos três negócios e vamos começar pelo Rio. Estamos em negociação com joalherias", afirma Carolina Levi, diretora da marca no Brasil.
Esse modelo de negócios já é usado pela companhia em vários países, como EUA, China e México. "No Brasil, temos dificuldade de encontrar lojas de departamentos de luxo. O que é comum no exterior."
Estados do Nordeste, como Ceará e Bahia, e São Paulo também estão nos planos. A empresa projeta aumento das vendas de 30% a 40%. O Brasil é o maior mercado da América Latina para a Mido.
Com o crescimento da economia brasileira, a marca tem enfrentado dificuldade em trazer os relógios da Suíça, segundo Levi. "Falta espaço para o frete aéreo. Nesta época do ano, geralmente há dificuldade, mas agora o problema se agravou."

Amizade, marca e preço definem vendas de cosméticos

Consumidores compram produtos de saúde e estética baseados, principalmente, no preço, na indicação de amigos e na marca, segundo pesquisa da Nielsen.
A maioria dos consumidores concorda que os produtos massificados são tão bons como as alternativas caras disponíveis no mercado, de acordo com o levantamento, realizado em 55 países.
Para 81% dos pesquisados, por exemplo, os produtos massificados para cabelos e pele têm a mesma qualidade que as alternativas mais caras do mercado.
A América Latina foi a região que mais se destacou no consumo de saúde e beleza.
Dos entrevistados da região, 96% disseram que compraram algum produto. Os asiáticos ficaram logo atrás, com 92%.
No Brasil, esse mercado cresceu 3,2% entre janeiro e outubro deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, segundo Ricardo Alvarenga, gerente de atendimento da Nielsen.
O peso das amizades na decisão de compra mostra o potencial das redes sociais para as vendas, de acordo com Alvarenga.

"Dicionário de Princípios Jurídicos"

O livro, com 110 verbetes de 77 colaboradores, foi organizado por Ricardo Lobo Torres, Eduardo Takemi Kataoka e Flavio Galdino. O lançamento será amanhã, no Rio de Janeiro.

HOBBY

O advogado tributarista Ives Gandra Martins escreve poemas todos os dias.
É um diário escrito em versos, em uma agenda que ele ganhou de Marluce Dias, ex-executiva da Globo, hoje em Portugal.
"Mar Azul", a agenda criada por ela, tem ilustrações e poesias a cada mês.
"Marluce me desafiou e eu disse que conseguiria fazer um soneto por dia até o fim do ano", conta o advogado, que tem 31 títulos acadêmicos.
"Graças a Deus já está acabando. O difícil é escolher temas. Faço os sonetos em cinco minutos, à espera do jantar, no café da manhã..." Martins é membro da Academia Paulista de Letras, por seus poemas anteriores ao desafio, que já rendeu três livros.
"Advocacia é o "bico" que sustenta o poeta", brinca Martins.

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO

Um liberal conservador
José Roberto de Toledo 


O Estado de S.Paulo 06/12/10
O brasileiro é conservador ou liberal? Parâmetros importados dos EUA servem de régua para medir o comportamento do povo de Pindorama? Não há resposta unânime. Nesse caso, consulte-se a maioria. Com a palavra, ou melhor, com os números, o Ibope.
O brasileiro, todo candidato sabe, é contra a legalização do aborto. E, quando o debate sobre o assunto esquenta, o que uns chamariam de conservadorismo aumenta. A eleição presidencial fez crescer o autointitulado grupo pró-vida. Em março deste ano, antes de virar tema de campanha, havia 15% de eleitores pró-legalização e 13% sobre o muro. Em outubro, após a polêmica eleitoral, a maioria antiaborto subira para 78%.
Lição para o postulante a cargos públicos: se você tem opiniões diferentes da maioria ou um esqueleto no armário, cuidado ao mexer no vespeiro, ou vai acabar ferroado.
Os nativos daqui não são emulações dos conservadores de lá. Cresceu em 2010 o grupo de brasileiros contrários à pena de morte. Em outubro, chegou a 55%, ante 46% em março. Aqui, o discurso em favor da vida tem alcance mais amplo do que nos EUA. Moral católica?
Viva sim, mas sem incomodar os outros. Praticamente 2 em cada 3 brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal: 63% defendem cadeia para adolescentes infratores. Maioria equivalente à que quer prisão perpétua para quem comete crimes hediondos.
Numa sociedade violenta e crianças recrutadas pelo narcotráfico, pode-se chamar de conservadora a maioria cujo discurso endossa a punição severa e desde mais cedo? Ou essas não são bandeiras de fato, mas válvulas de uma revolta difusa contra a impunidade?
Fosse ponto de honra, políticos que defendem tais ideias já teriam conseguido capitalizar essa maioria para aprovar leis draconianas. No Brasil, qualquer juiz sabe, políticos e penas duras raramente aparecem na mesma sentença.
Após décadas de inflação fora de controle e concentração da renda, o conservadorismo do brasileiro é fundamentalmente econômico. Não, o brasileiro não é monetarista. Ele só não gosta de mudar políticas que vê como vencedoras.
Em outubro, antes da eleição, o Ibope pesquisou se os eleitores preferiam alguém que mudasse as coisas ou mantivesse o status quo. Só 9% disseram "que mudasse totalmente". Uma maioria ampla se dividiu entre "continuidade total" (32%) e "poucas mudanças e continuidade para muita coisa" (31%).
O raciocínio "não mexa em time que está ganhando" do eleitor ganhou corpo na campanha. Porque 57% temiam que o presidente eleito desencaminhasse o País. Votaram no menor risco. Conservadorismo econômico, ou o quê?
Ao avalizar a política econômica, o eleitor faz exatamente isso. Não é cheque em branco. Não vale para qualquer tema ou iniciativa governamental.
Um exemplo: símbolo do liberalismo de costumes, a união entre pessoas do mesmo sexo é vista com contrariedade pela maioria (54%). Em outubro, só 25% dos brasileiros se declaravam a favor - menos do que os 30% de março. Outros 20% não sabem de que lado ficar.
Como todo direito de minoria, quem defendê-lo desagradará a parte de seus eleitores. Mas não é por isso que o governante deve esquecer no que acredita. Líder é quem vai à frente, escolhe um caminho e tenta convencer outros a segui-lo. O político brasileiro prefere ficar na retaguarda, olhando para que lado a opinião pública se mexe, para ir atrás dela. É a vanguarda do conservadorismo.
O problema dessa atitude "Maria vai com as outras" é que dificilmente produz inovação. As pessoas tendem a gostar do que elas conhecem. Mudança, só quando a água bate no nariz, e olhe lá.
Se Fernando Henrique fizesse um plebiscito para decidir se o Brasil deveria adotar um negócio chamado URV que depois viraria o real, provavelmente ainda estaríamos usando cruzeiros.
Se Lula, logo ao tomar posse, submetesse ao eleitorado a ideia de dar uma mesada a todos os pobres, provavelmente os beneficiários do Bolsa-Família ainda estariam passando fome. Ambos arriscaram, inovaram e se deram bem. Fora isso, é o partido liberal-conservador. 

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Pequenos crimes

Carlos Alberto Sardenberg 


O Estado de S.Paulo - 06/12/10
Setenta milhões de brasileiros compraram algum produto pirata no último ano. Setenta milhões! Isso equivale à metade da população acima dos 16 anos. A grande maioria, quase 80%, compra CDs e DVDs e fez mais de uma aquisição no período pesquisado pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-Rio).
Digamos que sejam quatro compras, em média, por pessoa. Temos, pois, algo como 280 milhões de "pequenos crimes" cometidos por cidadãos, digamos, legais.
O consumidor, em tese, não necessariamente sabe que está praticando uma pirataria. Ele não precisa ir a um beco escuro, com um maço de notas no bolso, para trocar por um DVD escondido num saco de papel. Faz a compra às claras, em lojas, quiosques em galerias lotadas ou mesmo em camelódromos instalados em locais inteiramente públicos.
Se quiser nota fiscal, não a eletrônica, receberá. É verdade que às vezes o vendedor dá bandeira e pergunta ao cliente: qual valor quer na nota? Mas como o consumidor faz tudo em público, pode sustentar como boa a presunção de que, se o comércio está ali, à vista de todos e inclusive das autoridades, só pode ser legal. O vendedor no balcão - não o dono do negócio - pode alegar a mesma coisa. Está ali, trabalhando à vista de todos, logo... Isso pode até colar nos tribunais.
Agora, vamos falar francamente. Todo mundo sabe que é pirata. Na verdade, as pessoas procuram aquele comércio porque sabem que lá é mais barato, muito mais barato. Todo mundo sabe também que há dois tipos de produto pirata: um é inteiramente falsificado, uma cópia geralmente de pior qualidade; outro é o produto legítimo, mas contrabandeado. Este é um pouco mais caro, conforme regras conhecidas neste meio.
Assim, não temos mais a presunção de inocência, mas um consentimento tácito com a prática de um crime. E aqui está o verdadeiro problema: a tolerância com os "pequenos crimes" está na cabeça das pessoas, na cultura da sociedade. Atenção, não está apenas na cultura popular, pois, pela pesquisa da Fecomércio-Rio, ainda que a maior parte dos compradores esteja nas classes mais pobres, metade das pessoas das classes A e B também adquire pirataria.
Comprar no comércio ilegal aparece como comportamento semelhante a uma pequena sonegação no Imposto de Renda, uma consulta sem recibo, um empregado contratado sem carteira assinada e por aí vai.
Para alguns, é pura esperteza - "Eu não sou trouxa de pagar R$ 35 por um CD, se tem ali na esquina por R$ 2". Outros tentam apresentar a compra pirata como um ato de rebeldia, uma espécie de protesto contra o capitalismo - "Eu que não vou dar dinheiro a essas empresas e esses caras". Outros, ainda, apresentam sua atitude como um ato político contra o sistema - "Eu vou pagar impostos para esses políticos roubarem?"
Todas essas três categorias sabem que estão enganando. Sabem perfeitamente que estão cometendo um crime, mas o consideram comportamento normal nesta sociedade. Matar alguém não pode. Mas "pequenos" delitos, por que não, se todo mundo faz?
Trata-se, pois, de um problema cultural e político. A pessoa, aqui, chega à elite da sociedade - por dinheiro, por eleição ou por nomeação - e a primeira coisa que lhe ocorre é que não precisa mais respeitar a lei e as normas. Fura fila, compra ingresso sem entrar na fila, estaciona em local proibido, passa no sinal vermelho (reparem como veículos oficiais cometem todos esses tipos de infração), tira carteira de identidade no gabinete do chefe da seção, acha natural o tratamento especial, vip. Jovens subindo na vida, mas que ainda não chegaram lá, ambicionam esse tratamento e, para começar, já vão, por exemplo, estacionando em vaga de idoso.
Ora, nesse clima, por que não comprar pirata, mesmo que a pessoa tenha dinheiro para comprar no legal? Para essa gente, o problema não é o dinheiro, mas a esperteza, a malandragem, o tirar vantagem.
O que nos conduz a um outro lado dessa história, o das pessoas que compram o produto pirata porque não têm como adquirir o legal. Essas são, digamos, as menos culpadas. Sabem que não estão fazendo a coisa certa, mas não resistem à tentação. Compram o último filme pirateado porque essa é a única possibilidade. E dizem que comprariam no legal, se fosse mais barato.
E aqui caímos no custo Brasil. A produção e o comércio legais pagam juros elevados pelo capital, impostos exagerados, gastam recursos com obtenção de licenças, alvarás de funcionamento, pagamento de taxas diversas. É caro e complicado fazer negócio honestamente no Brasil.
Essa é a causa poderosa da informalidade e da pirataria. Há pequenos e até médios empreendimentos que simplesmente não sobreviveriam dentro da lei. Isso os coloca diante de um dilema: na informalidade, não podem crescer além de um certo ponto, limitado; formalizados, correm o risco de morrer prematuramente. Em qualquer caso, o prejuízo é da economia nacional.
São, pois, dois problemas. Um cultural, outro econômico. E o papel mais feio é dos ricos e das elites.
JORNALISTA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Presente de tucano 
 Renata Lo Prete

 Folha de S.Paulo - 06/12/2010

A Assembleia paulista quer promover um "esforço concentrado" na semana anterior ao Natal para aprovar o polêmico projeto que permite a hospitais públicos cobrar pelo atendimento de pacientes de planos privados. A célere tramitação da proposta é acompanhada por representantes da equipe de Geraldo Alckmin, que enxergam na medida uma solução emergencial para os gargalos no custeio da saúde em 2011.
Como a discussão do Orçamento é regimentalmente prioritária, caso o texto não seja votado até o dia 16, os deputados poderão ser chamados a trabalhar nos dias 21 e 22, tamanha a disposição governista em vencer as manobras de obstrução prometidas pelo PT.

Confidencial A equipe de transição em SP concluiu os "dossiês" sobre cada secretaria para os novos titulares das pastas. Os documentos listam estrutura, recursos materiais e humanos, cargos e salários comissionados, orçamento e principais programas. Os dados são classificados como "de uso interno" e não devem ser publicados.

Prefácio Os relatórios trazem um "resumo executivo" com as orientações de Alckmin para cada secretário e os itens primordiais setorizados do plano de governo.

Corra que... O rigor da Justiça Eleitoral na fiscalização dos gastos da campanha de 2010 preocupa eleitos e reeleitos à espera da aprovação de suas contas. Em São Paulo, o TRE faz um pente-fino na documentação.

...a polícia... Um deputado reeleito recebeu 42 requisições de informações adicionais sobre notas e recibos, com prazo de 48 horas. "É preciso um escritório de contabilidade para absorver tantos detalhes", protesta.

...vem aí O veredicto sobre as contas dos eleitos sai até quinta-feira. A procuradoria eleitoral ainda vai cruzar essas informações com os balanços fiscais de 32 mil doadores no Estado, para oferecer eventuais contestações depois da diplomação.

Falta um Apesar de sobrarem críticas ao "paulistério" de Dilma, a bancada de deputados e os prefeitos do PT em São Paulo não estão satisfeitos com o espaço destinado no primeiro escalão ao Estado onde nasceu o partido. Eles ainda pressionam pela nomeação de José de Filippi Jr., Vicentinho ou Janete Pietá, de modo a abrir vaga na Câmara para José Genoino, que ficou na suplência.

Prancheta A maior parte dos cargos de segundo escalão será negociada por Dilma Rousseff em janeiro, mês em que se dará a campanha pelas presidências da Câmara e do Senado.

Simbólico Antes de se despedir da Presidência da República, Lula quer lançar a pedra fundamental da reconstrução do edifício-sede da UNE, no Rio de Janeiro. A cerimônia está prevista para o próximo dia 20.

Sem dividida José Agripino (RN) avisou aos correligionários: só aceita assumir a presidência do DEM se houver consenso não apenas em torno de seu nome, mas também em relação ao tamanho da antecipação do processo sucessório -o mandato do atual presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), havia sido prorrogado até o final do próximo ano.

Outro rumo Tucanos mineiros consideram remota a possibilidade de Danilo de Castro, atual secretário de Governo, migrar para o comando da Cemig em 2011, como chegou a ser ventilado. Avaliam que o atual estágio de governança da estatal e a amplitude de seus negócios demandam um nome com perfil técnico.

tiroteio

"Há nessa hipótese um conflito de interesse, repetindo o caso do ministro Dias Toffoli. O advogado do governo carrega uma atitude jurídica incompatível com o dever de julgar."

DE CLAUDIO WEBER ABRAMO, diretor da Transparência Brasil, sobre a possível nomeação do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para o STF.

contraponto

Quem não chora...

Passada a campanha eleitoral, os tucanos Arthur Virgílio (AM) e Sérgio Guerra (PE) conversavam no Senado quando o segundo recebeu telefonema da colega Lúcia Vânia (GO), que conseguiu renovar o mandato apesar das dificuldades de relacionamento com Marconi Perillo, principal líder do PSDB em seu Estado.
-Pois, é- disse Guerra a ela. Você chorou, chorou e no final, de nós três, é a única que ficará no Senado.
Ela respondeu na lata:
-Tá vendo como vale a pena chorar?

DENIS LERRER ROSENFIELD

Liberdade e doença
Denis Lerrer Rosenfield 


 O Estado de S.Paulo - 06/12/10
Passou quase despercebida a última resolução da Anvisa regulando a venda de antibióticos mediante uma receita especial. Até então valia um receituário normal, que era normalmente seguido pelas farmácias, embora houvesse uma certa liberalidade na sua venda. Nada, aliás, que não pudesse ser resolvido por uma fiscalização. No entanto, em vez de fiscalizar, os órgãos de Estado se comprazem com novas regulamentações, coibindo progressivamente a liberdade do cidadão.
No caso, chama particularmente a atenção o fato de que a mencionada liberalidade na venda de antibiótico resultava também de que, muitas vezes, o médico dava orientações por telefone ou o paciente já sabia o que precisava tomar por ser a mera repetição de uma doença. Em todo caso, quem compra antibióticos por própria conta se torna, evidentemente, responsável por sua ação. Algo normal para quem exerce a liberdade de escolha.
No entanto, foi agora inventado que há uma nova "superbactéria", que teria nascido da livre compra de antibióticos por cidadãos, que exerceram uma opção própria. Nem uma palavra é dita quanto aos médicos que, por exemplo, em postos de saúde, receitam costumeiramente antibióticos, aliás, junto com cortisona, para cobrir um amplo leque de doenças possíveis. Também nada é dito sobre os ambientes hospitalares, particularmente propícios à proliferação de bactérias. Em vez disso, são as farmácias e as indústrias farmacêuticas que, pelo "lucro", estariam interessadas na livre venda de medicamentos. Sobre o aumento do número de consultas, que favorece os médicos, nada é mencionado. Interesses existem em ambos os lados.
A mensagem, contudo, é clara: a liberdade de escolha é a causa da criação de superbactérias!
Há, nesse sentido, uma longa história em curso, a história do politicamente correto, que invade cada vez mais o espaço privado dos cidadãos. As restrições quanto à liberdade de fumar entram nessa mesma linha. Não se trata, evidentemente, de defender a ideia de que os fumantes interfiram no direito alheio, dos não fumantes. Trata-se, apenas, de reservar espaços privados para cada um exercer as suas respectivas escolhas, segundo o que cada um estima como o seu próprio "bem" ou "prazer". O Estado não deveria interferir nessa esfera.
Ele, no entanto, entra diretamente nessa esfera, ditando ao cidadão o que deve fazer, como se deve comportar, como se fosse um indivíduo irresponsável e dependente desse tipo de orientação. Considerando o nexo causal entre o ato de fumar e o câncer de pulmão, o Estado parte para o banimento progressivo desse tipo de escolha. Cabem, isso sim, informações sobre os efeitos nocivos do cigarro, aliás, estampados no próprio maço. Agora, se o indivíduo, apesar dessas imagens, optar por fumar, exerce propriamente a sua escolha.
A mensagem, contudo, é clara: a liberdade de escolha é causa do câncer!
Outro caso em curso é a tentativa de coibir a publicidade de bebidas alcoólicas, em especial a cerveja. As restrições não foram ainda impostas, seja pela reação das empresas, seja pelos meios de comunicação, seja ainda pelos cidadãos. A campanha, no entanto, começa com a formação progressiva da opinião pública, para que o Estado possa entrar também nessa seara, vindo a controlar mais esse "bem", esse "prazer", na perspectiva do cidadão.
Aqui cabe mencionar um problema específico relativo à publicidade. Os órgãos estatais tendem a não fazer a distinção entre determinar e influenciar. Segundo seus burocratas, a publicidade determinaria completamente o comportamento dos indivíduos, como se estes não fossem seres capazes de discriminação própria. Seriam pessoas irresponsáveis, incapazes de qualquer apreciação racional. Precisariam ser guiadas pelo Estado, que os orientaria como agir. Não se dão - ou não se querem dar - conta de que a publicidade influencia os comportamentos, porém não os determina, não os molda. A influência deixa intacta a capacidade racional de discriminação. Amanhã, com limitações progressivas na publicidade, as próprias empresas de comunicação seriam afetadas, por perda de suas receitas, sendo esta contrabalançada com maior propaganda estatal e, por consequência, com maior dependência política dela derivada.
Para que esse caminho seja percorrido, é necessário, preliminarmente, passar duas outras mensagens: A liberdade de escolha causa alcoolismo. A liberdade de escolha é anulada pela publicidade.
Outras campanhas já estão em curso. Seus mentores são infatigáveis, verdadeiros agentes do "bem" em sua cruzada pela "saúde" dos cidadãos, embora estes não saibam exatamente do que se trata, pois são incapazes de ver com seus próprios olhos. Campanhas contra determinados alimentos contendo gordura ou sódio podem também vir a ter sua publicidade controlada e - por que também não? - amanhã a sua venda. Não se trata, reitero, de retirar do Estado o dever de informar sobre os malefícios causados por determinados alimentos e a relação entre sua ingestão e certas doenças cardiovasculares. No entanto, se as pessoas, de posse dessa informação, optarem por tais alimentos, a responsabilidade é totalmente delas.
A mensagem, contudo, é clara: a liberdade de escolha é causa de doenças cardiovasculares.
O epílogo desta história é o seguinte. Considerando que o Estado se arroga a função de controlar o que ele considera como o "bem" do cidadão, considerando que ele despreza a liberdade de escolha, considerando que as pessoas precisam de cuidados - da alma e do corpo -, torna-se necessário que ele, imbuído dessa missão, seja, consequentemente, financiado. Um novo imposto, eufemisticamente chamado de contribuição (para dar a impressão de ser voluntário), deve, então, ser criado. O desfecho é a recriação da CPMF, evidentemente, em nome da "saúde" do cidadão.
A mensagem é clara: com a nova CPMF, o Estado vai, enfim, cuidar de você. Logo, pague por esse cuidado especial! Abdique de sua liberdade de escolha!
PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS.

ANCELMO GÓIS

Flu campeão I 
Ancelmo Góis 

O Globo - 06/12/2010

Quem reparou foi um parceiro da coluna. Ontem, antes do jogo em que o Fluminense sagrou- se campeão brasileiro, três tricolores se dirigiam ao Engenhão, na Zona Norte, bebericando champanhe rosé em flautas. Coisa da torcida de elite.

Flu campeão II
O vascaíno Eduardo Paes vibrou com a vitória do Flu. — Eu sou um prefeito péquente. No primeiro ano de governo, o Flamengo foi o campeão. No segundo ano, é o Fluminense. No terceiro vou “fazer” o Botafogo e em 2012 deixo para o meu Vascão. É. Pode ser.

Flu campeão III
Aliás, recomenda-se aos botafoguenses e vascaínos também uma flauta de rosé. Afinal, é como dizia o flamenguista Zózimo: — Enquanto houver champanhe há esperança. Tim-tim!

Com que roupa?
Uma estilista carioca vai processar os Correios. Ela fez um vestido para a sobrinha usar na festa de formatura, quinta, em Minas, e despachou na semana anterior por Sedex 10, serviço de entrega em 24 horas. Mas, babau, não chegou a tempo.

No mais
Os Correios são uma herança maldita do governo Lula. Dilma precisa encontrar alguém eficiente e honrado, fora da politicagem, para devolver credibilidade à estatal.

Coelho na escola
Paulo Coelho, que tem livros adotados em escolas mundo afora, investe agora neste segmento no Brasil pelo selo Benvirá, da Saraiva. Junto com as obras, um guia de leitura com temas atuais da vida do estudante.

Terremoto, oxente
Veja como é difícil agradar a todo mundo na hora de nomear. A indicação do pernambucano Fernando Bezerra de Coelho para o Ministério da Integração Regional, feita a Dilma pelo governador Eduardo Campos, faz a terra tremer no Nordeste. Os governadores Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Deda, de Sergipe, pediram para suspender a indicação.

Mané Galinha
A juíza Debora Maria Barbosa Sarmento, da 1a- Vara Cível de Madureira, Rio, negou o pedido dos pais do traficante Mané Galinha contra a Editora Schwarcz, que publicou o livro “Cidade de Deus”, de Paulo Lins. A juíza entendeu que não houve danos morais porque no livro, que retrata o narcotráfico na favela da Zona Oeste, os personagens reais são identificados apenas pelas iniciais.

Mas
No filme de Fernando Meirelles, inspirado no livro, Mané Galinha, interpretado por “Seu Jorge”, é claramente identificado.

Luciano na moda
Luciano Huck decidiu investir em moda. Entrou como sócio da marca carioca de roupas Reserva, que pretende abrir 20 novas lojas ano que vem.

Tênis de craque
Aliás, Huck será o mestre de cerimônia do Tênis Espetacular, sábado que vem, no Rio. É a reedição da partida entre Gustavo Kuerten e Andre Agassi, que, dez anos atrás, deu o título da Masters Cup ao brasileiro.

Viva o mestre
Nelson Pereira dos Santos vai ser homenageado no 13 o- Festival de Cinema Brasileiro de Paris, em maio de 2011, com a exibição de sete longas do mestre.

Madureira fashion
A Nike inaugura uma loja em Madureira, dia 30 de janeiro, com vendedores recrutados no bairro.

Luz divina
O Cristo Redentor vai ganhar nova iluminação.

Stuart para sempre
O Ministério da Justiça, em parceria com o Flamengo, inaugura dia 9, no clube, um memorial em homenagem a Stuart Angel, morto pela ditadura. S t u a r t e r a re m a d o r d o Fla, bicampeão carioca em 1964/65.

Flu campeão IV
O Rio é tricolor de coração.

VICENTE AMATO NETO E JACYR PASTERNAK

Tratamento da infecção pelo HIV/aids
Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak 


O Estado de S.Paulo - 06/12/10
''Em pessoas ainda assintomáticas ou já com a aids clinicamente declarada, esse tratamento é eficiente. Tem despesas, mas o cálculo não pode ser determinado só pelo preço dos remédios e pelos custos de manter um sistema de atendimento adequado e os laboratoriais envolvidos no acompanhamento da evolução, que vão de testes relativamente baratos, como a determinação do número de linfócitos CD4, a outros mais caros, como a avaliação da "carga" viral, além de alguns muito mais dispendiosos, como a análise genética das possíveis resistências aos antirretrovirais. Há a necessidade de colocar também em termos numéricos os benefícios: o doente mantém-se produtivo, não precisa ser internado com doenças oportunísticas, os tumores são pelo menos postergados e os acometidos, produtivos, geram impostos que podem até pagar a maior parte do tratamento. Mas, seja como for, temos a obrigação de tratar os pacientes infectados, pois é compromisso moral de toda sociedade civilizada cuidar dos seus doentes.
Estudos mostraram ser possível calcular quanto cada sociedade ganha quando possibilita o tratamento universal. Na Tailândia, US$ 736/ano conservam um enfermo bem, com esquema retroviral de primeira linha; quando a primeira linha dá resistência e se passa para a segunda, o encargo sai por pouco mais de US$ 2 mil/ano. Em reais, o gasto com tratamento (só as drogas) fica em torno de R$ 100/mês. Falta calcular o preço dos serviços de saúde e laboratoriais necessários. Os serviços públicos são de difícil aferição, assim como sua eficiência: preferiríamos não computar seus custos/benefícios, pelo risco de surpresas desagradáveis. Os trabalhos laboratoriais são automatizáveis e permitem economia de escala, o que os torna bem mais baratos.
Os custos dos remédios podem e devem ser diminuídos. Comparações de preços no Brasil e em outros países mostram diferenças claras: são mais caros nos EUA e muito mais baratos na Índia, China e África. Na África são subsidiados por fundos financiados por países ricos, senão seria inviável tratar doentes ali. Também os preços dos fármacos comprados em grande quantidade são menores e o governo brasileiro tem-se mostrado competente, conseguindo descontos substanciais e ameaçando (e num caso realizando) quebra de patentes. Na Índia, a opção de produzir antirretrovirais, pela indústria química local, foi muito bem-sucedida; no Brasil o governo preferiu negociações mais agressivas, já que a produção local é limitada.
Ainda que o custo-benefício do tratamento seja evidente, incluindo a diminuição do risco de transmissão do HIV nos cuidados que baixam sua "carga" viral a níveis que praticamente diminuem o perigo de passar a infecção a quase nada, o futuro preocupa. O número dos que precisam receber medicamentos aumenta, e o que nos deixa mais aflitos é que a porta de entrada no sistema continua aberta. Em outras palavras, não estamos tendo o mesmo sucesso na profilaxia da infecção que temos no tratamento. E não por falta de informação: muita gente no Brasil está cansada de saber como fazer sexo seguro, mas a fronteira entre saber e fazer não é simples e esbarra em dificuldades sociais, culturais e circunstanciais.
Existem alguns fatos novos. Há esperança de obter algum dia vacina eficiente: seguramente vai demorar, mas a imunização, se possível for, será conduta para parar a disseminação da epidemia. A descoberta de um gel vaginal com tenofovir para profilaxia dá às mulheres um recurso impeditivo independente do homem e, melhor, é procedimento utilizável sem que o parceiro dê palpite... Lembramos que gravidez indesejada diminuiu muito após a descoberta da pílula anticoncepcional: quando dependia do uso da camisinha, não era sistematicamente evitada. Recorrer à vacinação com certeza será muito mais barato que qualquer tratamento, ainda que o imunizante seja caro e exija múltiplas doses. O gel, se produzido em grande escala, poderá ser auxílio muito menos custoso do que o emprego de medicação por prazo indefinido.
Pesquisas divulgadas recentemente, mas que correspondem a experiências em campo já feitas há algum tempo, demonstraram que o uso de antirretrovirais precedendo relação sexual de risco diminui significativamente a possibilidade de infecção pelo HIV nos indivíduos que não usam preservativo. A grande discussão agora é quanto tem validade este modo de prevenção. Por que uma pessoa com um mínimo de bom senso não colocaria camisinha ou exigiria do parceiro seu uso, preferindo fazer a profilaxia medicamentosa? Entendemos que nem sempre existe bom senso e em situação excepcional esse recurso é razoável.
Ainda em relação a custo-benefício, medidas educativas que façam o paciente em tratamento ser realmente obediente e tomar seus remédios regularmente nas horas e nas doses recomendadas evitarão que drogas percam a eficiência e sejam trocadas por outras. Regra imutável da indústria farmacêutica é que quanto mais novo o produto, mais caro ele é. São realidades populações muito vulneráveis ao HIV e cujos problemas têm de ser enfrentados de maneira global, não apenas para tratar ou evitar a infecção. Populações de rua, jovens muito pobres sem perspectivas, viciados em drogas ficam bastante expostos - e não há políticas racionais alicerçadas em evidências para lidar com esses desafortunados. Uma boa ilustração é o fornecimento de agulhas e seringas limpas a viciados que injetam tóxicos na veia, que provavelmente é útil e possivelmente é custo-efetivo, porém não vemos no Brasil trabalhos definindo isso. Investigações nos EUA sugerem validade, mas o contexto social é outro e com frequência a droga é diferente. Precisamos de mais informação, de mais pesquisa e menos preconceito na área em questão.
Enfim, neste momento, o tratamento universal, como fazemos no Brasil, é custo-efetivo em termos econômicos e, na nossa opinião, tem de ser feito, ainda que não o fosse. O futuro afigura-se preocupante - nosso sistema de saúde não possui recursos infinitos e uma nova CPMF, péssima ideia, não resolverá o aperto.
MÉDICOS E PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS 

GUSTAVO CERBASI

Não tem crédito quem não quer
GUSTAVO CERBASI

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/12/10

O cadastro positivo pode aquecer o consumo, baixar os juros médios e estimular a educação financeira


ENFIM, TEMOS o cadastro positivo de crédito aprovado pelo Congresso, faltando apenas a provável sanção do presidente Lula. Se aprovado, será um divisor de águas na história das famílias brasileiras.
Não é difícil entender do que se trata. Quando um banco concede crédito, ele leva em consideração que nosso comportamento deve refletir a média de nosso grupo social, e por isso embute nas taxas de juros o seu preço e também um custo adicional para compensar perdas decorrentes de um possível calote que pode tomar.
Quem tiver interesse em expor ao sistema financeiro seu bom comportamento de uso do crédito -pagamentos pontuais e, principalmente, uso bastante frequente do crédito- deverá se inscrever no cadastro positivo para aproveitar melhores oportunidades.
Essas oportunidades podem ser tanto de taxas reduzidas quanto de prazos ou limites maiores para o tomador. O bom pagador não precisa assumir o custo da probabilidade de calote.
Há quem critique a criação do cadastro positivo alegando que os que estão com o histórico ruim ou com o nome sujo certamente não se inscreverão nele, e por isso poderão ser precipitadamente tratados como caloteiros, ter o crédito recusado ou passar a pagar taxas maiores.
Existe uma dose de verdade aí.
Embora os bancos afirmem que o cadastro positivo não tende a elevar os juros para os devedores contumazes, é razoável supor que esse aumento ocorrerá -afinal, o preço do calote passará a ser dividido entre um número menor de pessoas.
Porém, a maior qualidade do cadastro positivo é a maior oportunidade de crédito que será dada aos bons pagadores, somada ao desestímulo àqueles que não souberam lidar com compromissos financeiros.
Podem-se esperar como consequências desses efeitos que haja um aquecimento do consumo de qualidade, uma diminuição dos juros médios de financiamentos e empréstimos e, principalmente, um movimento de educação financeira para que maus pagadores aprendam a usar bem o crédito para tirar proveito do novo sistema.
O ganho é imenso para a economia. Esse mecanismo é adotado com sucesso nos EUA há décadas.
Desde cedo, jovens são estimulados a usar bem seu cartão de crédito e pequenos empréstimos, para que criem um histórico que permita obter boas taxas de juros no futuro.
Há também um estímulo à formação de previdência privada, que na prática serve de lastro para o imenso mercado de crédito. Com muito lastro e bons históricos, os juros são bem menores do que no Brasil.
Creio que, a partir da novidade do cadastro positivo, enfim o brasileiro entenderá que crédito não passa de uma relação de confiança e que a única coisa que ele precisa para ter crédito em abundância é provar à sociedade e ao sistema financeiro que ele sabe lidar com dinheiro emprestado.
Em contraposição àqueles que devem e não negam, que pagam quando der ou que emprestam seus nomes a parentes quebrados, não faltam exemplos de pessoas que souberam construir e preservar um nome.
Um exemplo ainda em evidência é o de Silvio Santos. Dono de um histórico invejável de competência empreendedora e construção de riqueza, poderia ter incinerado sua bela história com o episódio do Banco PanAmericano.
Mesmo sabendo que empresas são criadas para que os riscos de sua atividade se limitem a seu capital e à responsabilidade dos gestores e que a falência é algo natural em um negócio malsucedido, Silvio fez questão de tomar um empréstimo na pessoa física para socorrer não apenas sua empresa, mas principalmente seu nome e sua honra.
Amigos que trabalham no SBT me contaram que chegaram à emissora inúmeras cartas e e-mails oferecendo ajuda pessoal, dinheiro e até bens para serem vendidos para ajudar a recuperar o banco.
Silvio Santos é um deus? Não, é uma pessoa que tem crédito na praça e, principalmente, que zela por esse crédito.
E você? No dia em que tiver problemas financeiros, será fácil conseguir socorro?

GUSTAVO CERBASI é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" (ed. Gente) e "Como Organizar Sua Vida Financeira" (Campus).

CLÁUDIO HUMBERTO


Lula ficou preso no elevador

A reforma do Palácio do Planalto, que custou R$ 111 milhões, foi tão mal feita que agora uma "reforma da reforma" tenta reparar o estrago. Em razão dos problemas estruturais das obras desastradas, o poço do elevador privativo do presidente foi inundado durante as recentes chuvas, e Lula ficou preso por vários minutos, segundo o arquiteto Carlos Magalhães, chefe do escritório de Oscar Niemeyer em Brasília. O incidente deixou o presidente nervoso e os seguranças apreensivos.


Negligência

Carlos Magalhães enviou diversas cartas à Presidência da República advertindo para os erros da reforma do Planalto, mas foi ignorado.


Olha a cabeça...

O arquiteto Carlos Magalhães alerta para uma viga que foi cortada e emendada "de maneira tosca", no acesso à garagem do Planalto.


Fábrica ao léu

Nenhum partido da base aliada foi direto ao ponto, reivindicando a presidência da Casa da Moeda. Estranho. É lá que se fabrica o real.


Fio da navalha

Antonio Palocci, personagem da quebra de sigilo do caseiro, e Gilberto Carvalho, do caso Celso Daniel. Dilma confia que eleitor não desconfia.


Itaú agiu como grã-fino

Pegou muito mal e virou motivo de deboche a revelação do FED (o Banco Central dos Estados Unidos) de que o gigante brasileiro Itaú utilizou US$ 7,1 bilhões do dinheiro barato, à disposição dos bancos americanos, fortemente abalados pela crise financeira de dois anos atrás. A piada corre no meio empresarial paulista, sobre o Itaú: "É como se pegassem o Chiquinho Scarpa recebendo o Bolsa-Família."


Termômetro

Dilma Rousseff já cancelou três viagens internacionais na companhia de Lula: Moçambique, Guiana e agora Punta del Este. Humm...

Pior não fica

Desde a campanha do governador Marcello Alencar, em 1994, governos do Rio prometem condomínios para os policiais-militares.


Rio de quê?

Só rindo o carioca suporta: a última na Internet diz que "reproduzindo Mario Covas, a situação está sob controle. Só não sabemos de quem."


Fica, companheiro

Há quem lamente a saída do Governo do ex-jornalista Franklin Martins, autor da cruzada para impor controle da imprensa: o ex-ministro José Dirceu tentou convencê-lo a lutar por um cargo no Governo Dilma.


Filhos da lei

Traficante também tem mãe e é com ela que contam os presos na operação do Complexo do Alemão: com a tal "progressão da pena", em breve terão direito a sair no "Dia das Mães". Para não mais voltarem.


Longe do shopping

Acabou a farra da TV de plasma e da geladeira de duas portas como "nunca antes neste país": eleita Dilma, o Governo Lula cai na real, aumentando os juros para escapar da inevitável bolha do crédito.


A elite da tropa

A duras penas o Brasil produz seu primeiro rifle .50 sniper, utilizado no Exército em operações de assalto e reconhecimento. O governo do Peru, ao contrário, ofereceu isenção de impostos e burocracia zero.


FRASE DO DIA


"Embaixada não pode tratar indocumentado como marginal"
Lula sobre a orientação às embaixadas em relação a brasileiros em situação irregular

PODER SEM PUDOR

A falta que faz um estadista

O deputado Geddel Vieira Lima (BA) era esnobado por Lula, nos idos de 2003, e pregava abertamente o rompimento do seu partido, o PMDB, com o Governo. Mas observava a distância as dificuldades do presidente com a sua base aliada. Coçou o queixo e concluiu, divertido, lembrando-se de uma célebre definição que certa vez fizeram do senador Marco Maciel (PFL-PE), mestre na arte de usar a "máquina" do governo para acalmar aliados:
- Falta ao governo um estadista do Funrural...

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Guerreiros campeões

- Folha: Principais estradas de SP cobram pedágio a mais

- Estadão: Dilma diz que apoio ao Irã na ONU foi um erro

- JB: Flu faz o Brasil tricolor

- Correio: Dengue no DF cresce 2.800%

- Valor: Empresas já têm R$ 237 bi em caixa

- Estado de Minas: Duzentos e cinquenta quilômetros de meto na BR-040

- Jornal do Commercio: Álcool, direção e mais uma morte

- Zero Hora: Terminal 2 alivia mas Salgado Filho ainda opera acima do limite