domingo, outubro 10, 2010

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Por pontos
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/10/10

Relativamente estreita para padrões de segundo turno, etapa da eleição em que qualquer tropeço de um candidato resulta em ganho do único adversário, a diferença entre Dilma Rousseff e José Serra no novo Datafolha sinaliza um debate com muito cálculo de ambas as partes hoje à noite na Band. 
A liderança da petista não é tão folgada a ponto de lhe permitir jogar só na defensiva. A desvantagem exige do tucano mais exposição, sem no entanto desconsiderar o risco de uma performance mais agressiva. O PSDB tem na memória o mau passo de Geraldo Alckmin no primeiro debate do segundo turno de 2006. 

Eu te disse - Vários cardeais tucanos que depois condenaram Alckmin por ter partido para a jugular de Lula no debate, tática que se revelou desastrosa, colocaram a maior pilha no candidato antes do programa. 

Vintage - Serra segue resgatando expressões antigas para o léxico da campanha. Depois de ‘trololó’, ‘numa nice’ e ‘Terceiro Mundo’, ele agora usa ‘pão dormido’ para se referir a questões que considera vencidas. 

Matemática - Em reuniões noturnas no Bandeirantes, o governador Alberto Goldman (PSDB-SP) analisa com prefeitos aliados de cidades com mais de 200 mil habitantes as votações de Serra e lhes repassa a meta: elevar a margem do tucano sobre Dilma no Estado de três para dez pontos. 

Medo da loba - No PMDB, o comando petista que faz a escolta de Dilma, formado por José Eduardo Dutra, Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo, é chamado carinhosamente de ‘Os Três Porquinhos’. 

Memória - Também eram conhecidos como ‘Os Três Por­quinhos’, em 1989, os pefelistas Hu­go Napoleão, Marcondes Ga­delha e Edison Lobão, que tentaram, sem sucesso, lançar o empresário e apresentador Silvio Santos à Presidência da República. 

Oremos - Comentário de um integrante do comando da campanha petista acerca do número de agendas religiosas na primeira semana do segundo turno: ‘Agora a gente nem precisa planejar. Onde ela vai, alguém dá um jeito de colocar um padre ou um pastor do lado dela’. 

Criador... - Há no PT uma ala preocupada com o desempenho de Dilma daqui por diante. O receio se baseia no fato de que o grande trunfo da candidata - sua ligação com Lula - foi o motor da primeira fase da campanha, e talvez não haja muito mais a ser retirado dessa fonte. 

...e criatura - Para integrantes dessa corrente de pensamento, a tarefa de Lula agora é emprestar emoção na reta final. O restante terá de vir da própria candidata. 

Terapia - Atualmente integrado à coordenação da campanha de Dilma, mas sem mandato a partir do ano que vem, Ciro Gomes (PSB) diz que pretende fundar uma ONG no Ceará para prevenção e tratamento da dependência de crack. Além disso, estuda convites para participar do conselho de administração de duas empresas. 

Ônibus - O PMDB quer colocar mais um representante na coordenação da campanha de Dilma e sugeriu Romero Jucá, sob o argumento de contemplar a ala do Senado. Ele está envolvido em investigação sobre compra de votos em Roraima. 

Múltipla escolha - Surgiu mais um item na lista de postos cogitados para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em caso de vitória de Dilma: embaixador em Washington. 

Tiroteio




Com toda essa religiosidade trazida à campanha pelo Serra, acho que passarei a incluir no currículo o tempo em que fui sacristão e coroinha no colégio São Luís. 




DE DELCÍDIO AMARAL, senador reeleito pelo PT de Mato Grosso do Sul, a respeito do clima reinante na largada do segundo turno da eleição presidencial.



Contraponto

Na lata 

Certo dia, com a campanha eleitoral em curso, José Serra foi abordado pelo neto Antonio, de 7 anos. 
- Vô, você já foi deputado, senador, prefeito e depois governador, não é? 
O tucano respondeu que sim, e o menino prosseguiu com o questionário: 
- E agora você é candidato a presidente... 
Diante de nova afirmativa, veio a pergunta final: 
- E, se você não ganhar, você vai ser o quê, nada?

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