sexta-feira, outubro 22, 2010

EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO

Vermelho, azul e verde 
EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/10

O apoio ao candidato Serra é uma escolha que leva em consideração a emergência ambiental e a consolidação democrática do nosso país

A bem-sucedida campanha do PV recebeu apoio extraordinário.
Isto significa responsabilidade extraordinária.
Vamos afastar logo dois péssimos hábitos políticos: a visão messiânica de que existe uma única opção capaz de "salvar" o país, que não pode se comprometer com qualquer outra força política, e o crônico fisiologismo de alguns, que só querem cargos nos governos. Quaisquer governos!
Superando essas armadilhas, chega-se nas opções cogitadas pelo PV: a independência e o apoio ao PT ou ao PSDB. É preciso ter em conta a novidade da proposta do PV. Ela vem para reformar tanto capitalismo quanto socialismo.
É preciso ter em conta que os dois partidos que disputam o segundo turno pertencem a uma mesma matriz, a social-democrata.
Vejamos, primeiro, a comparação independência versus apoio a um dos candidatos. Todas essas opções poderiam ser igualmente idealistas, programáticas e pragmáticas se bem conduzidas.
A independência significa apostar em um futuro mais ou menos remoto, em que a alternativa verde, continuando sua ascensão, se tornaria hegemônica na sociedade.
Hipótese que pode se verificar ou não. Escolher um candidato A ou B significa não adiar nossa influência no dia a dia do povo e dos problemas ambientais para um distante 2014, e sim exercê-la já.
Isso não significa que o PV está aceitando participar do futuro governo eleito. Poderíamos preferir ser oposição autônoma mesmo se nosso indicado fosse vitorioso. Isso é discussão para momento posterior. O importante é interferir já nos rumos do Brasil.
Quais seriam os parâmetros de escolha entre A ou B? Resposta à nossa plataforma. Empate. "Más companhias políticas".
Empate. Vou poupá-los dos exemplos. No constrangedor campeonato do "mais cristão". Empate. E vamos deixar Cristo fora disso, pois ele é inocente nesse teatro.
Economia. Empate. O governo Lula é continuação do de FHC.
Social. Empate. Tanto PT quanto PSDB têm bons exemplos e darão continuidade ao que vem sendo feito. Meio ambiente. PSDB é melhor.
As leis municipal e estadual de São Paulo sobre aquecimento global são muito avançadas; o PT, nesta questão essencial, reluta em superar visão antiga e reacionária.
Finalmente, o item democracia. A alternância de poder é benéfica para o país. O PT precisa voltar a ser oposição por um período. A cada eleição vêm se reforçando suas tendências a confundir o espaço estatal com interesses privados, corporativos, de filiados e afilhados.
Pior, existem dentro do PT pulsões autoritárias que se negam a aceitar o batismo da democracia e que não hesitarão em esmagar qualquer força que ameace sua hegemonia ideológica. O PV, por exemplo, será vítima preferencial.
Quem viver, verá. O fantasma da volta do "líder máximo" em 2014 dará poder desmedido a essas forças políticas. Um período de oposição fará bem ao PT e ao Brasil.
O momento é decisivo. O apoio ao candidato José Serra é escolha que leva em conta a emergência ambiental e a consolidação democrática do Brasil.



EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO, 60, médico sanitarista, filiado ao PV, é secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo. Foi secretário municipal de Saúde de São Paulo nas gestões Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Um comentário:

  1. hahahaha! O sr. secretário não lê a folha? Só o seus próprios textos?
    Só na na sub prefeitura da Lapa (3 gestores verde...) o déficit de arborização é de mais de 2.000 árvores!!! Imagine no resto da cidade??? Não se arrancam mais as raízes das árvores, apenas podam...
    As calçadas estão com vários buracos abertos a ratos e cupins... Mantidos pela própria SMVMA... lamentável...
    Precisam filmar isto e mandar para os demais partidos verdes legítimos e verdadeiros de fora do país!!
    Por favor, ser verde independe de partidos, de siglas: ser Verde é uma necessidade às gerações que virão e talvez, encontrem muito pouco do que vimos e conhecemos de vida e de meio-ambiente...

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