sexta-feira, maio 14, 2010

PAINEL DA FOLHA

Com quem será?
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 14/05/10

O palanque mais agitado da hora é o do Paraná, onde Osmar Dias (PDT), depois de combinar com Lula uma candidatura ao governo apoiada pelo PT e com Serra a reeleição ao Senado na chapa do tucano Beto Richa, segue negociando simultaneamente com os dois lados. Ontem, tomou café da manhã com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, que saiu do encontro animado o bastante para postar no Twitter: "Enquanto há vida, há esperança". À tarde, Dias procurou tranquilizar o comando da campanha de Serra, dizendo que está tudo certo para a aliança com Richa.
Ele quer o governo, mas apenas se, além do PT, tiver o PMDB -conta que por ora não fecha. Petistas e tucanos estão pelos tampos com o indeciso senador.


O narrador. Integrantes do QG de Dilma Rousseff diziam ontem que o programa de televisão do PT deu a senha de como se dará a participação de Lula na campanha.
Carimbo. No programa petista, as duas únicas menções a Serra vieram literalmente coladas ao nome de FHC.
Ele e ela. Do deputado ACM Neto (DEM-BA), sobre a comparação, feita no programa, entre as trajetórias de Dilma e de Nelson Mandela: "Mandela escreveu seu nome na história do mundo. Dilma ainda não conseguiu escrever o dela nem na história do PT".
Cumpra-se. Em encontro com José e Roseana Sarney, Lula disse ter avisado ao presidente do PT, José Eduardo Dutra, que o PT do Maranhão precisa recuar do apoio à candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao governo, sob pena de Dilma Rousseff perder o PMDB no Estado.
Rebuliço... Fiel escudeiro do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o deputado Eduardo Cunha (RJ) protocolou ontem no TSE consulta questionando o tribunal se candidato, com ou sem mandato, pode fazer campanha nacional para candidato de outra coligação. Em outra, ele pergunta se o candidato de um partido pode participar de programa de outra coligação, e até se o presidente da República poderia fazer o mesmo.
...à vista. O objetivo é saber se a cúpula do PMDB tem ou não carta branca para enquadrar os Estados em que o partido pretende apoiar Serra, a despeito da aliança nacional com o PT. "A consulta tem nome e sobrenome", afirma Cunha. "Orestes", diz ele numa referência a Quércia (SP), e "Vasconcelos", em alusão ao pernambucano Jarbas.
A postos. Serra, Dilma e Marina Silva terão em breve novo encontro. A Confederação Nacional dos Municípios confirmou a presença dos três na marcha dos prefeitos, na próxima quarta-feira.
Vai... Para além da escassez de tempo e das dificuldades regimentais, são muitos os senadores -governistas e de oposição- que não querem nem ouvir falar em votar o mérito do projeto que exige "ficha limpa" dos candidatos.
...ou não vai? A esperança da ala pró-votação rápida é que ocorra no Senado movimento similar ao da Câmara: de início, os deputados contrários tudo fizeram para impedir a votação da "ficha limpa". Mas a pressão da opinião pública abortou as manobras, e o projeto acabou aprovado quase por unanimidade.
Toma lá... O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), deve relatar a MP do reajuste dos aposentados. Senadores aliados tentam obter aval do Planalto para referendar os 7,7% aprovados na Câmara- em vez de 7%, como deseja Lula. Em contrapartida, votariam para restabelecer o fator previdenciário.
...dá cá. No palácio já se ouve que "o que o Senado conseguir corrigir, ajuda". Se a MP não for votada até 1º de junho, perde a validade, e Lula poderá editar outra, restabelecendo os 7%. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), nega, mas lidera articulação nesse sentido.
Visita à Folha. Carlos Nuzman, presidente do comitê Rio 2016, visitou ontem a Folha. Estava com Leonardo Gryner, diretor de Marketing, Carina Almeida, Saint Clair Milesi e Cláudio Motta, assessores de imprensa.

com LETÍCIA SANDER e GABRIELA GUERREIRO
Tiroteio 
Acredito que o PT e o governo estão tratando o PMDB melhor do que têm sido tratados. 

Do governador JAQUES WAGNER, sobre o comportamento do PMDB, que costura aliança com Dilma no plano nacional, mas vai enfrentar o PT em vários Estados, entre eles a Bahia, onde ele disputará a reeleição.
Contraponto 
Todo dolorido Integrante do alto comando da campanha de Dilma Rousseff à Presidência e pré-candidato a mais de um cargo em Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel encontrou recentemente um velho amigo que, em dúvida diante de seus múltiplos papeis, desabafou:
-Não sei como devo cumprimentá-lo: coordenador, governador, senador...
O ex-prefeito de BH brincou:
-Tanto faz, mas repare que essas palavras que você mencionou têm algo em comum: todas elas terminam com "dor"!

Nenhum comentário:

Postar um comentário