segunda-feira, março 08, 2010

PAINEL DA FOLHA


No seu quadrado
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 08/03/10

Por mais que o PT se esforce para caracterizar como "velha" a reportagem da revista "Veja", o pedido de quebra do sigilo bancário do ex-presidente da Bancoop e atual tesoureiro petista, João Vaccari Neto, deverá prejudicar o esforço do partido para ampliar sua influência sobre a campanha de Dilma Rousseff, até agora tocada por um grupo restrito de pessoas ligadas diretamente a Lula ou à ministra.
No que diz respeito às finanças, a exposição de Vaccari reforçará a busca do Planalto, já em curso, por um tesoureiro específico para a campanha. Um dos cotados é o ex-prefeito de Diadema José de Filippi Júnior, que exerceu essa função na reeleição de Lula.


Alvos. Em reunião do Diretório Nacional, na sexta-feira, sobraram críticas a Antonio Palocci e Fernando Pimentel, ambos do alto comando da campanha de Dilma. Segundo os queixosos, a cada resolução aprovada pelo PT, um ou outro entra em campo para minimizar o que foi escrito.
Q.I. Embora petistas históricos, o ex-ministro da Fazenda e o ex-prefeito de BH estão no círculo decisório da campanha muito mais por sua ligação, respectivamente, com Lula e com Dilma.
Última... Líderes de um amplo leque de partidos tentarão restabelecer as doações ocultas de campanha, vetadas por resolução do TSE. Como nem PT nem PSDB querem assumir a paternidade da manobra, ela deverá ficar a cargo do PP, pelas mãos do senador Francisco Dornelles (RJ).
...que morre. Os parlamentares avaliam que o caminho mais simples seria aprovar um projeto de lei exclusivamente sobre o tema. Outra opção seria emplacar um decreto legislativo anulando a resolução do TSE.
Vespeiro. Qualquer iniciativa no Congresso deve gerar impasse jurídico. Técnicos do tribunal argumentam que o prazo para definir ou modificar regras eleitorais expirou na semana passada.
Caixa preta. Nas eleições municipais de 2008, 36% das doações aos prefeitos eleitos nas capitais foram ocultas, ou seja, feitas a partidos e sem identificação do candidato beneficiado com os recursos.
Onde já se viu? Do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP): "O TSE não tem autoridade para fazer essas modificações. A resolução do tribunal tem que ser feita com base na lei e não ao arrepio da lei".
Entrou... José Sarney (PMDB-AP) vem tentando influir na escolha do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal, a ser indicado com a aposentadoria de Eros Grau, ainda neste semestre.
...areia. Ministros do STF acreditam que o esforço do presidente do Senado deverá ser prejudicado pela descoberta, revelada ontem pela Folha, de movimentação financeira de seu filho Fernando no exterior não declarada à Receita Federal.
E agora? Quem acompanha o processo de José Roberto Arruda avalia que, ao sinalizar para o STF, via advogado, que sua vida política estaria "acabada", na frustrada tentativa de sair da cadeia, ele teria perdido o discurso para renunciar e assim escapar do impeachment, como forma de preservar seus direitos políticos. Não que Arruda demonstre apreço pela coerência.
Na moita 1. O governador interino do DF, Wilson Lima (PR), nega que esteja tentando viabilizar candidatura. Sua assessoria registra que, embora ele esteja no cargo há 12 dias, "ainda" não promoveu nenhuma inauguração.
Na moita 2. Ainda no esforço de manter perfil discreto, Lima diz ter recusado convite do PR para estrelar algumas das inserções do partido que irão ao ar neste mês. Tudo para não "misturar as coisas". 

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
"É o caso de perguntar a Lula e a Celso Amorim, sempre tão tolerantes com Ahmadinejad, se também eles acham que os ataques do 11 de Setembro foram uma "grande invenção"." 

Do deputado federal JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA), cobrando o presidente e o chanceler brasileiros a propósito de declaração do presidente do Irã, país que Lula visitará em maio.
Contraponto
Coisa de louco Em audiência pública sobre as resoluções para o pleito deste ano, aprovadas na noite de terça-feira passada pelo TSE, o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) pediu a palavra para criticar a proposta de mexer no número de cadeiras da Câmara e das Assembleias Legislativas:
-Tenho dificuldade com esse assunto, já que não sou jurista, e sim psiquiatra- desculpou-se.
Em seguida, ele leu artigo da Constituição segundo o qual tal mudança não pode ser feita em anos eleitorais.
-Não entendo como alguém possa dar outra interpretação ao que está escrito aqui- afirmou Castro.
Flávio Dino (PC do B-MA) brincou:
-Só mesmo sendo doido, o que é a sua especialidade!

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