sábado, dezembro 12, 2009

PAINEL DA FOLHA

Deu m.

RENATA LO PRETE

FPLHA DE SÃO PAULO - 12/12/09


A operação para acalmar o comando do PMDB, enfurecido após Lula ter sugerido à sigla apresentar uma lista tríplice a partir da qual seria escolhido o vice de Dilma Rousseff, culminou ontem com ligação da ministra a Michel Temer, que ainda não tinha ouvido palavra da possível companheira de chapa desde que foi citado, junto com outros caciques, como suposto beneficiário do propinoduto no Distrito Federal.

Como Franklin Martins fizera horas antes, Dilma procurou explicar a Temer o ‘contexto’ da frase. O presidente estava no Maranhão, disse. Se não se mostrasse aberto a opções, poderia magoar o peemedebista Edison Lobão. Pós-telefonema, Temer se aquietou, mas não muito. Hoje, o próprio Lula deve ligar.

Nada consta 1 - De Tarso Genro: ‘Recebi informações da Polícia Federal relatando que não está em trâmite nenhuma investigação relacionada à cúpula de qualquer partido ou sobre o presidente da Câmara, Michel Temer’.

Nada consta 2 - Segue o ministro da Justiça: ‘A Polícia Federal não processa informações para interferir na vida política de partidos ou direcionar investigação sobre qualquer liderança’.

Dúvida - Tarso não explica como pode inexistir qualquer investigação se Temer, assim como os deputados Tadeu Filippelli, Henrique Alves e Eduardo Cunha, é mencionado em gravação por Alcyr Collaço, um dos personagens da operação Caixa de Pandora.

Requerimento - Temer pediu formalmente ao diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, que esclareça se a PF sabe de algo que o comprometa. Após o estouro do Arrudagate, subiu a cotação de Henrique Meirelles, recém-filiado ao PMDB e alheio à máquina partidária, para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma.

4Janela... - O mal estar provocado pela declaração de Lula sobre a lista tríplice animou o PMDB pró-Serra. Representante da corrente, o deputado Eliseu Padilha foi um dos articuladores da nota na qual o partido diz que ‘ainda não aferiu a extensão e a profundidade dos danos que tal notícia causou ao pré-acordo’ (de apoio a Dilma). Levada ao site oficial, a nota acabou sendo retirada do ar horas depois.

...de oportunidade - Do ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB de São Paulo e expoente da ala serrista do partido: ‘Tudo bem o Lula querer uma lista tríplice. Por que não?’.

Teste - José Roberto Arruda confidenciou aos mais próximos que está ‘com vontade’ de ir à abertura da Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) na segunda-feira. Seria a primeira aparição do governador ao lado de Lula depois de revelado o propinoduto no Distrito Federal.

Mãos vazias - Resposta de um ‘demo’ a quem sugere que Arruda só pediu para sair do partido mediante algum acordo: ‘Que acordo? A gente não tem nada pra oferecer!’.

Ponto de vista - Manchete de ‘O Coletivo’, jornal de Brasília que, segundo o gravador-geral Durval Barbosa, foi empregado no esquema de caixa dois do governo do DF: ‘Arruda dispensa o DEM’.

Assim é... - Petistas explicam o trecho de ‘campanha negativa’ no programa do PT, com ataque aberto ao governo FHC, pela necessidade de ‘marcar logo uma diferença’ e construir o ambiente de plebiscito desejado por Lula.

...se lhe parece - Já tucanos consideram que se trata de uma ‘isca’ para que a oposição caia na agenda do adversário e discuta FHC x Lula, em vez de Serra x Dilma.

Inversão térmica - De Lula, durante visita ao Peru para tratar da integração das fronteiras na Amazônia: ‘A vantagem do Acre é que basta cruzar uma ponte para ver neve’.

Tiroteio

Ou a gente aperfeiçoa os sistemas de fiscalização, ou o dinheiro do pré-sal corre o risco de virar essência de panetone.

Do deputado FLÁVIO DINO (PC do B-MA), defendendo a adoção de medidas que coíbam escândalos como o do recém-descoberto mensalão candango.

Contraponto

Livre interpretação

Na última sessão do julgamento do caso Cesare Battisti no Supremo, debatia-se acaloradamente se a palavra final sobre a extradição do terrorista italiano caberia ou não ao presidente Lula, especialmente depois do rebuscado voto do ministro Eros Grau, que dividiu o plenário.

- A palavra final caberá ao presidente da República, foi o que ele decidiu - avaliou Marco Aurélio Mello.

- Isso mesmo, ele entende que a palavra final é do presidente - reforçou Carlos Ayres Britto.

Eros coçou a longa barba, pensou um pouco e disse:

- Olha, talvez a melhor pessoa para tentar interpretar esse voto seja eu mesmo...

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