segunda-feira, outubro 05, 2009

ROBERTO ZENTGRAF

Cuidados para não entornar o caldo

O Globo - 05/10/2009


DINHEIRO EM CAIXA

Aproveitando que na próxima segunda, dia 12, comemorase também o Dia das Crianças — além do Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida — optei por um de meus assuntos preferidos, o tema “Finanças e Filhos”.

Leitor fiel e que me acompanha desde cedo, sabe que nesta época costumo contar “causos” financeiros dos meus, o Rodrigo, de 10 anos, e a Maria Luiza, de 14, que desde pequenos foram acostumados a lidar e a conversar sobre dinheiro sem qualquer censura, obviamente respeitados aí os devidos limites: não precisam, por exemplo, saber sobre saldos de contas, senhas e outros detalhes, até mesmo para sua própria segurança! Bem, e qual é a ideia central de tudo isso? Sinceramente? Acho que me sentiria estupidamente irresponsável se, após anos de vivência na área financeira e presenciando diariamente histórias de adultos mal resolvidos quando o assunto é dinheiro, deixasse passar essa oportunidade e, desta forma, desperdiçasse a ótima relação que temos, não os orientando ou não os ajudando a formar bons hábitos.

Na minha cabeça, julgo mesmo que este tem sido o melhor presente que eles têm recebido ao longo dos anos, mas sei que este reconhecimento só virá daqui a muitos anos, provavelmente quando eles próprios tiverem os seus filhos... Paciência, fazer o quê, não é mesmo? Por enquanto ainda valorizam mais o brinquedo, a roupa etc: vou morrer em uma grana, não tem jeito! Listo a seguir alguns conceitos e dicas que já usei — com sucesso — para evitar que o papo financeiro se transformasse em uma guerra de gerações.

E anote o mais importante: muita, muita paciência e carinho quando o assunto for esse, senão o caldo entorna! 1. Restrições: até os mais abastados as têm e, assim, acho salutar que desde cedo eles saibam claramente quais as deles.

Por que acostumá-los a viver fora de suas possibilidades? Por acaso quer metê-los em futuras encrencas financeiras? 2. Origem: saber que o dinheiro não brota espontaneamente, mas sim que é o resultado do seu esforço também é muito importante, pois irá lhes dar uma boa dimensão do que precisarão fazer no futuro para continuar a usufruir dos seus atuais confortos.

3. Preços: comento sempre sobre os principais itens que eles consomem e até o menor já faz pequenas pesquisas para saber onde comprar mais barato, ainda que tal economia se reverta para o bolso dele... Terrível ter filhos internautas! 4. Juros: devagar e muito suavemente, use um exemplo numérico para demonstrar o poder que uma taxa de juros tem sobre uma quantia parada durante um tempo; com certeza isso irá ajudálo nas duas próximas dicas! 5. Poupança: se forem muito pequenos, a ideia do cofrinho em que as moedas guardadas hoje permitem o brinquedo de amanhã já passa de forma exemplar o conceito de poupar.

Com um pouco mais de idade, alie o conceito dos juros, estimulandoos a guardar numa caderneta, que permitirá-lhes antecipar seus sonhos.

6. Crediário: doutrine-os a ficarem longe deles; para isso, demonstre como aquilo que é pago em prestações acaba saindo bem mais caro. Se não me enganei, acredito que você se surpreenderá com a resposta.

Um grande abraço e até a próxima semana!

Roberto Zentgraf é coordenador dos MBAs do Ibmec Rio

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