quinta-feira, outubro 08, 2009

PAINEL DA FOLHA

Virado à paulista

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 08/10/09

Diante da dificuldade de derrotar Orestes Quércia numa disputa direta pelo controle da seção paulista do PMDB, Michel Temer examina a possibilidade de decretar intervenção do Diretório Nacional, presidido por ele, caso o ex-governador, aliado a José Serra (PSDB), insista em dificultar a aliança do partido com Dilma Rousseff (PT). Minoria em São Paulo, Temer tem folgada maioria na direção nacional. O discurso para justificar a medida extrema seria o de que o diretório de SP contraria a ‘política nacional de alianças’.

Por ora, a ameaça visa evitar que Quércia amplie sua rebelião, como ameaçava fazer ontem, pós-jantar dos aliancistas com Dilma. “Se os dissidentes respeitarem seus limites, sem problema”, diz um aliado de Temer.

Curto... - Recém-filiado, Henrique Meirelles não foi chamado para o jantar. Explicação oficial: só foram os ministros ‘políticos’ do PMDB. Recado subliminar: cristão novo, o presidente do BC não é considerado pelos pares como opção para vice de Dilma.

...e grosso - De um dos comensais, sobre a hipótese Meirelles na vice, acalentada por alguns no governo: “Esqueça. Não vai acontecer”.

Fresta - De outro participante do jantar, ao defender que a pré-aliança não impedirá o PMDB de mudar de ideia mais adiante se julgar conveniente: “Há sempre um caminho para o arrependimento”.

Garfo... - No jantar de Dilma com o PDT não se falou só da aliança nacional. O partido lembrou que espera o apoio do PT-PR, base do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), à candidatura do senador Osmar Dias ao governo.

...e faca - Como ninguém é de ferro, a oportunidade também serviu para reivindicar que Paulo Bernardo acelere o pagamento de emendas dos deputados pedetistas.

É pique - Embora a agenda com Lula seja amanhã, Dilma irá hoje à Bahia festejar os 70 anos de Haroldo Lima (PC do B), presidente da Agência Nacional do Petróleo. Um cacique do PMDB comenta: “E ainda tem quem ache que os comunistas vão de Ciro”.

A casa é sua - Na contramão de Marta Suplicy, Aloizio Mercadante faz coro aos que dão boas vindas a Ciro Gomes em São Paulo: “Ele foi um companheiro fiel e está no nosso campo. Assim como o PSB deixou uma porta aberta para apoiar a Dilma, o PT tem de deixar a porta aberta para apoiá-lo ao governo”.

Separatistas - A crise no governo Yeda Crusius rachou o PMDB gaúcho. Eliseu Padilha defende que o partido continue a sustentar a tucana, enquanto Pedro Simon, que tinha cargos na máquina, agora quer que a sigla desembarque.

Trator - O primeiro alvo ruralista na Câmara é Nelson Marquezelli (PTB-SP). O deputado, um dos que retiraram a assinatura da CPI do MST, recebeu doações do agronegócio em 2006. A Cutrale, que agora teve um de seus laranjais destruído pelos sem-terra, destinou-lhe R$ 40 mil.

Guerra e paz - PT e PMDB trocaram sopapos na CPI da Conta de Luz. Petistas tentavam evitar quebras de sigilos de ex-diretores da Aneel. E o relator Alexandre Santos (PMDB-RJ) apontava influência de José Dirceu na defesa da Celpe, a companhia energética de Pernambuco.

Questão de fé - O judeu e neotucano Marcelo Itagiba (RJ) enviou carta à direção do PMDB na qual aponta como um dos motivos para sua saída o fato de a sigla apoiar um governo que “insiste em manter relação” com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o Holocausto.

RT - Após deixar a administração Kassab, o ex-secretário das Subprefeituras Andrea Matarazzo resolveu submergir. “Para falar com ele, só pelo Twitter”, explica um amigo.


Tiroteio

O ataque ao laranjal em São Paulo é uma metáfora do atual governo, que usa entidades laranjas para financiar o MST.

Do deputado ONYX LORENZONI (DEM-RS), sobre a destruição de uma plantação de laranja por sem-terra que invadiram fazenda da Cutrale no interior paulista.

Contraponto

Regras claras

Deputados e senadores jantavam anteontem com Nelson Jobim e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, para debater as diferentes opções de caça que o Brasil poderá comprar. Diante da sucessão de questionamentos, o ministro da Defesa tentou serenar os ânimos:

- Isso pode acabar sendo bom para o país!

Rocha Loures (PMDB-PR) pegou carona:

- É como no casamento, ministro!

Mas Jobim prontamente estabeleceu a diferença:

- Olha, lá em casa é tudo muito claro... quem manda mesmo é a minha mulher!



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