terça-feira, maio 12, 2009

CLÓVIS ROSSI

Sérgio é "o cara" (ou a cara)

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/05/09

SÃO PAULO - O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) tem mesmo que recorrer ao Supremo para continuar relator do caso do deputado do castelo.
Não seria justo dispensar o deputado que se lixa para a opinião pública. Por um motivo simples: ele é a cara do Congresso Nacional. Vamos ser francos: todos os congressistas, salvo no máximo meia dúzia, se lixam para a opinião pública -o que, aliás, já foi dito mais de uma vez neste espaço, bem antes da frase de Moraes.
Não dependem dela para se eleger, que é o único "projeto" que têm. Elegem-se, como Moraes, por distritos não necessariamente geográficos. São, em geral, distritos pequenos, como a Santa Cruz do Sul a que Moraes deve seu mandato (115 mil habitantes).
Outros distritos são de, digamos, comunidades (étnicas ou a de ouvintes de uma dada rádio etc.). Para os eleitores desses "distritos" conta pouco ou nada o comportamento ético de seu representante. Vale o que ele traz ou pode trazer de benefícios para o "distrito". Mais do que a cara do Congresso, Moraes é também a cara de uma fatia ponderável do Brasil. Chegou a ser afastado da prefeitura de sua cidade porque fez um "gato" telefônico: instalou um telefone público na casa da família.
Preciso dizer quantos "gatos" existem por aí, nos mais diferentes equipamentos públicos? Não há, por acaso, "gatos" de instalações de TV a cabo em condomínios de classe média?
Não vamos esquecer que, tanto no final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso como em idêntico período de Luiz Inácio Lula da Silva, pesquisas Datafolha mostravam que algo em torno de 80% dos eleitores enxergavam corrupção em um e no outro governo. Não obstante, ambos se reelegeram até confortavelmente.
Tradução inevitável: parte do público se lixa para a corrupção.

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