quinta-feira, abril 30, 2009

ARI CUNHA

Salário mínimo


Correio Braziliense - 30/04/2009
 

Desde que criado por Getúlio Vargas, o salário mínimo sempre foi a preocupação dos trabalhadores. Às vésperas de entrar em vigor, ainda não se sabia qual a decisão do presidente. Havia manifestações em vários estados. Sem resultados, porque a determinação do salário mínimo era feita de maneira decisiva e em cima da hora. No governo Lula da Silva, a coisa muda de figura. O próximo salário mínimo será de R$ 506,14. Terá validade somente a partir de janeiro de 2010. Mas será respeitado. O trabalhador terá exigências profissionais a cumprir, mas vai ganhar muito mais. Aulas serão ministradas para que o povo sinta a necessidade de melhorar a parte profissional. A prática mostrava que os aumentos eram mínimos. A sua divulgação sempre foi motivo de reclamações para quem estava empregado. O trabalhador, no mais das vezes, apertava o cinto e sempre dava para viver. Outros, afoitos, protestavam, mas não tinham direitos a tanto. Com a inversão das coisas, a mudança foi total. O salário mínimo sempre é de bom alvitre para quem vive dele. A dificuldade do momento são as prefeituras pobres e os estados de salários baixos. Há lugares em que o salário mínimo não é atendido pelos governos. Quem trabalha para empresas particulares tem a vantagem de o dinheiro estar em dia na data exata.


A frase que não foi pronunciada

“De duas coisas ninguém foge na vida: morte e impostos.”
Dona Maria das Dores, pensando enquanto acompanha a declaração de renda.


Democracia 
Viver em um país cheio de corrupção, mas democrático, é uma coisa. Enquanto a classe artística reclama das empresas aéreas brasileiras quanto ao transporte de instrumentos musicais, na Rússia, nenhuma flauta ou qualquer outro instrumento sai do país sem a anuência de autoridades do governo. 

Atualizado 
Sérgio Maggio, jornalista da casa, entrou na teia do Twitter. Onda criada na Califórnia. Trata-se de um miniblog em que as notícias são enviadas para interessados com poucas palavras e em vários momentos do dia. Por celular ou pelo computador. Considerada a rede social que mais cresce na atualidade. 

Vigilância 
Cada vez que a Anvisa demora no processo de registro de um agroquímico, as multinacionais avançam. Com a patente dos substitutos, rapidamente tomam o lugar dos genéricos nacionais. O Senado pede respostas aos ministérios da Saúde e Agricultura. 

Mau negócio 
Assustado, o poupador sente saudades do tempo dos cofres de porquinhos. Depositados R$ 1 mil na poupança. Meses depois, o dinheiro rendeu só para o banco. O cliente sacou os R$ 996 que sobraram e deu o veredicto: “Testado e reprovado”. 

Cachaça 
A perfeição com que se fabrica cachaça em Salinas, Minas Gerais, é uma realidade. Mas há exploração no pedaço. Há garrafa de cachaça vendida acima do valor de quatro litros de uísque escocês. Convenhamos que é exagero cobrar tanto por bebida que se faz a custo infinitamente menor. 

Trânsito 
Brasília começa a sofrer com o trânsito. O número de veículos vendidos tem dado boa renda ao Distrito Federal. Bom seria que mais carros fossem vendidos no DF. O que falta são pistas. Construí-las em Brasília não custa nada de indenizações de áreas. 

Artistas em dificuldades 
Artistas profissionais estão sofrendo a dificuldade da vida na Europa. Com a perda do valor do euro, o orçamento de quem vive das artes ficou mais apertado ainda. A intenção de alguns prejudicados inicialmente foi mudar para outros países. Pior é que a crise econômica abate todas as profissões e a dos artistas é atingida em cheio.

História de Brasília

O pessoal que mora nas casas da Caixa Econômica está todo satisfeito, pensando que terá poste duplo para a iluminação de suas casas. Mas não é nada disso. Foi erro de engenharia, mas os postes mal colocados já estão sendo substituídos. (Publicado em 29/1/1961)

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