quarta-feira, julho 14, 2010

ROLF KUNTZ

Investindo em poder

Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo - 14/07/2010
 
 Mais um instrumento de poder e de arbítrio vai reforçar o grande arsenal montado pelo presidente Lula, com a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). A companhia poderá realizar contratos no País e no exterior. A seguradora é necessária, segundo o governo, para dar garantia a operações e obras não cobertas pelo setor privado. O setor privado contesta, mas a discussão técnica é irrelevante, porque passa longe da questão real. O assunto é político. Não se trata de mera intervenção estatal no mercado, mas de centralização das decisões. A criação da Pré-Sal Petróleo S. A. é parte do mesmo esquema, assim como a crescente participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), turbinado com recursos do Tesouro, em projetos de interesse do governo.
O governo planejou inicialmente criar a seguradora por meio de Medida Provisória (MP), mas decidiu recorrer a um projeto de lei, segundo anunciou ontem o ministro da Fazenda. A MP dificilmente se enquadraria na regra constitucional. Pela Constituição, MPs são permitidas em casos de "relevância e urgência". O governo poderia alegar relevância, mas só as conveniências políticas do presidente - a menos de seis meses do fim de seu mandato - poderiam dar sentido à palavra urgência.
A experiência desautoriza qualquer outro significado, quando se trata deste governo. Ninguém, no primeiro escalão federal, mostrou pressa quando foi preciso socorrer vítimas de enchentes em Santa Catarina ou até no Nordeste, nem para liberar dinheiro destinado a obras de prevenção, mesmo depois dos desastres de 2008 e 2009. Em 2010, até 22 de maio, o governo desembolsou apenas 14% das verbas previstas para o programa. Nenhum tostão tinha ido para Alagoas. Pernambuco havia recebido menos de 1%.
A urgência, no caso da EBS, só seria explicável pelo fim do mandato. Se o presidente Lula conseguir a eleição de sua candidata, deixará adiantada a criação de mais um instrumento de comando e de barganha. Para isso, não precisa consultar a candidata Dilma Rousseff, nem, de fato, para quaisquer outras iniciativas. O presidente Lula simplesmente ganhará tempo para o exercício de um novo mandato - este informal - até 2014. Se for eleito o oposicionista José Serra, a nova empresa seguradora será um fato consumado e mais um problema para o início de seu governo.
O presidente com certeza não leva a sério a hipótese de uma derrota na eleição deste ano. Mas trabalha para criar fatos consumados, consolidar interesses de grupos e impor sua marca aos próximos quatro anos. Ao usar o Tesouro para reforçar o BNDES com R$ 180 bilhões, ele gera um problema fiscal, porque aumenta a dívida bruta do setor público. Cria, no entanto, condições para um grande envolvimento do banco - e, mais amplamente, do Estado - em custosos projetos de longo prazo.
O noticiário do dia a dia mostra os principais lances desse jogo. O Grupo Eletrobrás e os três maiores fundos de pensão das estatais controlarão a maior parte do capital da Usina de Belo Monte. Além disso, o BNDES poderá financiar até 80% do projeto, segundo se divulgou no começo da semana. Uma estatal terá participação de 33% e poder de veto na sociedade criada para o projeto do trem-bala, informou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O BNDES deverá envolver-se também no financiamento dessa obra, talvez com juros especiais, segundo o dirigente da ANTT.
Se for eleita a candidata inventada pelo presidente Lula, o esquema de governo - e de poder - continuará funcionando sem problemas de transição. As dificuldades serão aquelas embutidas no próprio esquema construído por Lula. A situação fiscal será bem menos sólida e poderá haver problemas nas contas externas, se as exportações continuarem crescendo menos velozmente que as importações. Mas o governo, até agora, deu pouca atenção a essas questões, porque a prioridade do presidente era avançar no jogo do poder.
Também a Copa do Mundo de 2014 é parte desse jogo. É fator de prestígio e de mobilização de apoio. Mas nenhum investimento progrediu até agora, a Fifa reclama e é preciso correr. De repente, o governo parece ter descoberto mais um entrave. Os municípios-sede poderão ser forçados a estourar seus limites de endividamento na preparação para a Copa. A solução, segundo reportagem do Estado, será suspender esses limites por quatro anos. Será mais um problema fiscal. Certamente valerá a pena, do ponto de vista do governo. Servirá para sustentar, acima de tudo, a ambição de poder de um presidente.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Importações ameaçam indústria têxtil nacional 
Maria Cristina Frias 
Folha de S.Paulo - 14/07/2010

A velocidade do aumento das importações de produtos têxteis já preocupa a indústria brasileira.

No acumulado deste ano até junho, o volume importado de itens têxteis e confeccionados cresceu 60%, de acordo com a Abit (associação da indústria têxtil).

O deficit da balança comercial do setor deve fechar o ano em US$ 3,5 bilhões, segundo a associação.

"O consumo e a produção estão crescendo. Porém, o preocupante é que a expansão está em um ritmo menor que o das importações", diz Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

Neste ano, até maio, a produção física do setor têxtil aumentou 12%.

Os investimentos e a criação de postos de trabalho no setor estão maiores. A previsão é fechar o ano com investimento de US$ 1,5 bilhão, ante os US$ 900 milhões de 2009. O setor gerou até maio 45 mil novas vagas, ante 12 mil no ano passado.

Apesar dos bons números para este ano, a indústria nacional está preocupada com a competitividade em 2011.

"O câmbio dos concorrentes, principalmente o da China, está depreciado e os juros brasileiros estão em nível absurdo. Além disso, a taxa de câmbio do Brasil explicita o custo tributário, a burocracia e a deficiência de infraestrutura", afirma Pimentel.
Em Reforma
A Dorchester Collection, de hotéis de alto luxo, adquiriu três novos edifícios ao redor do Plaza Athénée, em Paris, o hotel da rede mais procurado por turistas brasileiros.

O objetivo é comemorar os cem anos do local, em 2013, com uma ampliação, que elevará de 191 para 216 o número de quartos.

A informação é de François Delahaye, diretor de operações da Dorchester, que veio ao Brasil apresentar os novos investimentos do grupo. Além da ampliação na França, foram adquiridos dois hotéis na Inglaterra, o Coworth Plaza e o 45 Park Lane, que receberam 50 milhões de libras (cerca de R$ 133 milhões) em reformas cada um.

A empresa deve adquirir cerca de 20 hotéis até 2015 e negocia na Ásia, no Oriente Médio e na América do Norte. No Brasil, ainda não há projeto definido.

"O Brasil tem um grande público e precisa de um bom hotel no Rio de Janeiro, cidade que reúne lazer e negócios", diz Delahaye.
De volta...Uma comitiva de empresários brasileiros desembarca hoje em Angola para participar da Filda (Feira Internacional de Luanda). Entre eles estão o presidente da ABF (associação de franchising), Ricardo Bomeny, e executivos das redes de franquias Wizard e Vivenda do Camarão.
...à ÁfricaAngola é o terceiro maior destino das franquias brasileiras. Atualmente, 17 marcas nacionais representam o país na região. A ABF, com o apoio da Embaixada Brasileira em Angola, irá realizar visitas técnicas e rodadas de negócios na região.
Desconfiança
O ICC (Índice de Confiança do Consumidor), calculado pela Fecomercio SP, registrou queda de 2,3% em julho na comparação com o mês anterior.

O indicador atingiu 155,2 pontos, ante os 158,9 pontos de junho. O nível de otimismo ainda é considerado positivo, segundo a entidade.

O ICC varia entre zero e 200 pontos. O resultado indica pessimismo abaixo de cem pontos e otimismo acima desse patamar.

Na análise por sexo, as mulheres apresentaram redução de 3,1%, enquanto os homens tiveram queda de apenas 1% no ICC de julho. O índice será divulgado hoje.
Vida real 1O Insper lança em agosto a "Coleção de Casos Insper", que será licenciada para outras instituições de ensino. Serão 15 títulos, baseados em situações do contexto corporativo brasileiro e internacional, de áreas como administração, recursos humanos e marketing. A cada ano, dez novos casos devem ser incorporados à coleção.
Vida real 2O Insper não tem uma previsão de receita com o licenciamento de casos. No ano passado, a receita com licença de casos em Harvard, que possui cerca de 8.000 títulos, superou US$ 8 milhões. Para o lançamento oficial, em agosto, o instituto prepara um evento sobre a importância de estudos de casos como ferramenta pedagógica.
TributaçãoPara ajudar a entender o sistema tributário brasileiro, a editora Saraiva lança o livro "O País dos Impostos" (224 páginas), de Dávio Antonio Prado Zarzana, membro da Câmara Americana de Comércio. A alta carga tributária do país, segundo o autor, se deve à lentidão e à burocracia do sistema de recolhimento, além dos múltiplos impostos existentes.
Âncora
Alguns projetos significativos de investimentos em portos privativos no Brasil foram retomados nos últimos dois meses, segundo o escritório de advocacia Lefosse. "Tinham parado devido a incertezas quanto à regulamentação que restringia a operação nos terminais privativos a cargas pertencentes aos investidores dos projetos, suas controladoras e controladas", diz Eduardo Lima, sócio da banca. "A Antaq editou nova regulamentação, que agora o mercado percebeu, abrindo possibilidade de transitarem cargas de empresas consorciadas no empreendimento", diz. No Lefosse, três projetos, que juntos envolvem US$ 1 bilhão, foram retomados. O mais adiantado prevê um terminal, no Rio, para embarque de aço. Os outros dois são para o embarque de grãos e granéis líquidos.

DORA KRAMER

Manda quem pode 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 14/07/2010

O candidato José Serra recentemente levantou um assunto que suscita discussões e divide opiniões: se Dilma Rousseff for eleita presidente quem mandará no País, ela, Lula ou o PT?
Diz o tucano que será o PT, procurando tirar proveito da polêmica acerca do programa de governo eivado de retrocessos institucionais que a candidata Dilma Rousseff diz que rubricou, mas não assinou.
Essa posição não é unânime, pois muita gente de peso no governo e na oposição compartilha a convicção de que Dilma é um fantoche de Luiz Inácio da Silva que assim continuará se ganhar a eleição.
Fundador do PT que se afastou do partido em 2005, vice-prefeito na gestão de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo e hoje eleitor de Marina Silva, o professor Hélio Bicudo é taxativo: "Lula quer Dilma no poder para continuar mandando no País."
Já os dois partidos que sustentam a candidatura nutrem cada um a esperança de se sobrepor ao parceiro no comando do espetáculo.
O PT tanto não tem dúvida disso que nem pensou duas vezes em enviar ao Tribunal Superior Eleitoral o programa aprovado pelo partido em fevereiro último, ignorando completamente as propostas entregues solenemente pelo candidato a vice, Michel Temer, à candidata a presidente.
Ademais, dirigentes, parlamentares e governantes (prefeitos, principalmente) petistas falam abertamente sobre a expectativa de dias melhores num governo sem Lula para fazer sombra ao partido.
O PMDB em sua sinuosidade aguarda os acontecimentos razoavelmente em silêncio. Apenas uma vez ousou ser mais explícito falando em ser também "protagonista" no próximo governo.
Prefere posar de disciplinado em público, enquanto se delicia no particular com as confusões em que se envolve o PT, certo de que num eventual governo Dilma elas seriam tantas que o PMDB se destacaria no papel de poder moderador e interlocutor confiável.
Quem entende e tem experiência de poder aposta que, uma vez de posse da cadeira e principalmente da caneta presidencial, a criatura não levaria muito tempo para se distanciar do criador e Dilma Rousseff tenderia a sair da sombra de Lula em função da própria dinâmica do cotidiano da Presidência. Ela, e não mais ele, passaria a ser a referência.


A propósito desse tipo de avaliação um matreiríssimo deputado baiano (do PMDB) costuma dizer o seguinte: "Quando a gente atende à porta não pergunta quem foi, pergunta quem é."

Linha torta. Ficou feio para Dilma e Serra a maneira negligente como ambos apresentaram seus ditos programas de governo à Justiça Eleitoral.

Mas no geral foi bom, pois suscitou debate a respeito dos projetos de País, obrigando os candidatos e as assessorias a dar atenção efetiva a um assunto que raramente ocupa espaço nas campanhas eleitorais.

O que domina ainda são as pesquisas e o bate-boca, mas os programas ganharam um destaque que nunca tiveram.

Nessa seara o PSDB se reorganizou a saiu na frente anunciando a divulgação gradativa do programa, ponto a ponto, a partir de agora.

O PT ainda patina nas desculpas inconsistentes prometendo apresentar um programa conjunto das doutrinas petista e pemedebista.

Cigarra. De 2007, quando foi anunciada a escolha, a 2014 o Brasil teria sete anos para se preparar como país sede da Copa do Mundo. Conforme atesta agora a Fifa ("falta tudo"), perdeu três.

Nesse período muito se festejou, mais ainda se bajulou. Governantes e dirigentes. Nada se fez e, é claro, até a data fatal tudo acabará sendo feito. Mais a que custo e sob quais métodos são questões que os principais candidatos à Presidência da República poderiam se habilitar a debater.

À imagem. Pode ser mera coincidência. O logotipo da Copa 2014 ? criação da agência África de Nizan Guanaes ? apresenta três mãos abraçando a taça, duas com cinco dedos e uma com quatro.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Bola na mão 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 14/07/2010

Luiz Gonzaga Belluzzo tem encontro hoje, em Santiago, com ...Valdívia.
Para selar sua sonhada contratação pelo Palmeiras.

Bola na manga
Por falar em Palmeiras, o patrocínio que o clube conseguiu da Parmalat é exclusivamente para viabilizar a volta de Luiz Felipe Scolari.
Isto é, o logo da marca estará só na camisa do treinador.

Noves fora
Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht negociam a entrada em Belo Monte com o consórcio Norte Energia.
Só no quesito construção.

Lula de mel
Negociações entre Pão de Açúcar e Casas Bahia encerradas, Abilio Diniz se mostra satisfeito. "Há sintonia entre as equipes, em especial na dupla Enéas Pestana e Rafael Klein", conta, ressaltando que o conhecimento de Michael Klein é essencial no que se refere ao varejo.
"Tem coisas que só eles sabem fazer e coisas que só nos sabemos. O casamento perfeito", completa.

Dona de si
A Defensoria Pública está comprando uma briga com os homens da capital paulista. Quer livrar as mulheres - ao fazer laqueadura pelo SUS - de apresentar termo com consentimento do marido.
Procurada pela Defensoria, a Secretaria Municipal de Saúde manifestou-se contrária à retirada da exigência, com base na Lei de Planejamento Familiar.
Providências jurídicas estão sendo estudadas.

Mordaça
Abelardo Bayma Azevedo, do Ibama, assinou memorando proibindo os servidores de dar entrevistas, participarem de workshops e darem palestras sem autorização prévia.
Motivo? Procurados por e-mail e telefone... ninguém respondeu.

Foco, foco
Índio da Costa e José Henrique Reis Lobo se encontraram segunda, no Rio, para montar a estratégia de campanha Serra. Decidiram por menos Copacabana e mais periferia.

Dilema cruel
Não há ainda definição da Fifa sobre a permissão de venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros durante a Copa de 2014. E deve ser a Ambev a dona da cota master do torneio.
A comercialização de bebidas está atualmente proibida por aqui, consequência de acordo firmado entre a CBF e o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais da Justiça em 2007.

Dilema cruel 2
José Antônio Baêta, coordenador da Comissão Permanente de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios, é contra. E informa que a própria Fifa, em artigo que faz parte de seu caderno oficial de segurança, recomenda a proibição de álcool nos estádios.
Na África, no entanto, foi liberado.

Na frente
Paulo Stocker, artista plástico, procura seis telas suas. Emprestou os trabalhos para uma exposição itinerante e eles... Sumiram.

María Dueñas, escritora espanhola, vem ao Brasil em setembro para lançar o livro O Tempo entre Costuras.

Apostador de Goiás ganhou, anteontem, a maior bolada acumulada no Páreo da Sorte promovido pelo Jockey de São Paulo. Levou para casa R$ 400 mil.

O rapper 50 Cent faz show, amanhã, no Via Funchal.

Nem só de literatura se faz uma Flip. Heitor Dhalia, Vera Egito e Toniko Melo baixam em Paraty. A passeio.

Correção: o nome certo do presidente da Telefónica é César Alierta.

E a novela do polvo continua: um site se apoderou do animal vidente e está respondendo enquetes diárias no www.pergunteaopolvo.com.br

RUY CASTRO

Último da turma 

Ruy Castro

FOLHA DE SÃO PAULO - 14/07/10


Em maio de 1959, o Jornal do Brasil carregava o peso de seus 68 anos. Era um jornal caótico, feio e ultrapassado  – alguns de seus colaboradores ainda usavam bigode ence-rado. Era, sobretudo, um jornal de classificados – os anúncios ocupavam quase toda a primeira página, e quem fosse visto lendo-o estava procurando emprego ou faxineira. 
E, então, sem aviso nem fanfarra, na manhã de 2 de junho, diante de um quase irreconhecível Jornal do Brasil nas bancas, todos os outros jornais é que pareceram caóticos, feios e ultrapassados. Ele ficara limpo, elegante e moderno, com os títulos parangonados, os textos e fotos dispostos geometricamente, as colunas separadas por espaços, e não fios. Mas o principal seria sua reforma jornalística, capitaneada pelo jovem Janio de Freitas, depois continuada por seus sucessores. 
A partir daí, trabalhar no JB tornou-se a aspiração de todo jornalista. Equivalia a um Ph.D. E mesmo os que, como eu, amavam o Correio da Manhã flertavam com o JB. Bem, deu-se que, muito depois, em 1975, eu fosse levado para lá, para criar uma revista colorida dentro do jornal: Domingo, a primeira do gênero no País. 
Fiquei dois anos no JB, numa redação estrelada por Elio Gaspari, Marcos Sá Corrêa, Zózimo, João Saldanha, João Máximo, Renato Machado, Norma Couri. Deu para sentir a diferença em relação a empregos anteriores: ao telefonar para alguém e me apresentar como ‘fulano de tal’, do Jornal do Brasil, ninguém deixava de vir correndo ao aparelho. 
A mística do JB durou até 1990, quando uma sucessão de erros administrativos, financeiros e editoriais começou a destruir o jornal. Chega agora ao fim, aos 119 anos, com a decisão de limitar-se à versão internet. Parece incrível, acordar e não ter o JB de papel para folhear. Mas há muito eu era o último de minha turma a ainda fazer isto.

MÔNICA BERGAMO

"Passione" ao vivo 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 14/07/2010

O cantor Otto apareceu no estúdio para ver a namorada, Mayana Moura (a Melina da novela "Passione'), que posava para a capa da revista "Joyce Pascowitch'; acabou fazendo parte do ensaio
Fim do Túnel
O Ministério Público vai instaurar inquérito para averiguar a segurança dos túneis de São Paulo. É um desdobramento da investigação, já iniciada, para apurar a não reposição de extintores furtados nesses locais. O MP pretende, agora, questionar a prefeitura sobre sinalização, monitoramento por câmeras, iluminação e patrulhamento.
Em Bloco
E o Piritubão também já está na mira do MP. A Promotoria da Habitação instaurou inquérito para que a prefeitura apresente informações sobre os impactos viário e urbanístico da futura obra. A mesma investigação também será feita em relação à construção da Arena Palestra Itália, outro estádio que se apresenta como opção para a Copa de 2014 em SP.
Só Para Ela
Hebe Camargo vai lançar um novo CD em agosto. "Hebe Mulher" tem no repertório músicas de Rita Lee, Renato Teixeira -e de Roberto Carlos. O Rei inclusive prepara surpresa para a apresentadora: ele colocou sua voz na canção "Você Não Sabe", de sua autoria, que a loira canta no disco. Será a primeira vez que Roberto aparece em dueto num CD que não é seu.
Bandeira...
Flora Gil, mulher de Gilberto Gil, convidou empresários de artistas como Roberto, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Ana Carolina e Paralamas para reunião hoje no Rio com representantes do Ministério da Cultura. O setor está prestes a abrir guerra contra o governo por causa de propostas que alteram as regras do direito autoral -Roberto já se disse disposto até a participar de passeatas em Brasília.
...branca e Amor
O MinC tentará convencer os artistas de que as propostas não mexem com os direitos que os autores detêm hoje sobre suas canções.
Colorida
Houssein Jarouche, sócio da loja Micasa, e Flávia Ceccato, dona da boate Hot Hot, estão cada vez mais próximos depois que ele se separou da estilista Adriana Barra, em maio. "Nos aproximamos em função da música", diz Flávia, que diz ser "só amizade".
Pitangas
A economista Maria da Conceição Tavares diz que já avisou ao ex-aluno José Serra (PSDB): votará em Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial. "Ele me liga, chora as pitangas. Gosto dele, mas não adianta! Com essa candidata que é um luxo eu vou votar naquele "olheirento'?", dizia ela no almoço que Lily Marinho ofereceu à petista, apontando para os próprios olhos para explicar que fala das olheiras do ex-pupilo.
Cavaletes
E, além de se reunir com artistas hoje, no Rio de Janeiro, Serra se encontrará com escritores e designers da cidade na última semana de julho. Leonel Kaz, que foi curador do Museu do Futebol, está organizando um jantar para ele. O artista plástico Vik Muniz, que estará no Brasil no final do mês, é um dos convidados.
Cadeira Cativa
O São Paulo F.C. fechou contrato com a rede Habib's, fast food de comida árabe, e a seguradora Mapfre, que vão explorar dois novos camarotes no estádio do Morumbi. A arena já tem 50 espaços como este. O clube planeja a construção e a concessão de outros dez.
Vida Que Segue
E o São Paulo decidiu dar continuidade ao seu plano de reformas do Morumbi, mesmo depois de ele ter sido vetado por Ricardo Teixeira, presidente da CBF, para sediar a Copa do Mundo de 2014. Dos R$ 240 milhões que já tinha obtido de parceiros que se engajariam nas obras, pretende manter ao menos R$ 120 milhões.
Páginas de Glória
A atriz Glória Pires recebeu amigos e fãs para o lançamento de sua biografia "40 Anos de Glória" (ed. Geração Editorial), escrita por Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti.
Sangue Latino
A quinta edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo foi lançada anteontem, no Memorial da América Latina, na Barra Funda.
Curto-circuito
João Batista de Andrade autografa hoje, às 18h, sua biografia no Memorial da América Latina. A obra faz parte da Coleção Aplauso.

A dançarina e coreógrafa Marta Soares estreia hoje a instalação cenográfica "Vestígios", às 21h, no Sesc Pinheiros. Classificação etária: livre.

O restaurante Le Marais Bistrot comemora hoje seu primeiro aniversário. Haverá um cardápio especial no jantar.

O DJ escocês Chris Lake apresenta seu repertório amanhã na balada Pink Elephant. Classificação etária: 18 anos.

A exposição "Alechinsky: 40 anos de Colaboração com Peter Bramsen" abre amanhã, no Instituto Tomie Ohtake.

MERVAL PEREIRA

Na corda bamba 
Merval Pereira 

O Globo - 14/07/2010

A candidata oficial, Dilma Rousseff, continua tentando se equilibrar entre o agronegócio e o MST, e decididamente não está tendo bons resultados falando o que cada plateia gostaria de ouvir.

Em uma reunião da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), ontem, ela garantiu que vai continuar a reforma agrária “não porque o MST quer a reforma ou outro movimento queira. Nós vamos continuar fazendo reforma porque é bom para o Brasil”.

Dias antes, em uma feira agrícola no interior de São Paulo, ela garantira aos representantes do agronegócio que não toleraria “invasões de terra”, que considerou “atitudes ilegais”.

Entre essas duas declarações, aconteceu uma entrevista do comandante do MST, João Pedro Stédile, prometendo um aumento das ocupações de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as eleições, “pelas afinidades históricas entre os dois grupos”.

Com Dilma, disse Stédile, “nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves”.

Na análise do comandante do MST, “se o Serra (José Serra, candidato do PSDB) ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo”.

A sensação de Stédile é de que a vitória de Dilma pode dar novo fôlego ao movimento, mas ele não está tão seguro assim da vitória, definindo assim sua decisão: “É como se você percebesse que seu time pode cair pra segunda divisão e faz o que for possível para vencer o campeonato.

Não temos alternativa”.

Na Contag, Dilma jactouse das ações governamentais nessa área, afirmando que mais de 60% dos assentamentos existentes foram realizados no governo Lula.

Já Stédile diz que a maior parte do que o governo Lula anuncia ter feito “é propaganda”, sem base na realidade.

A candidata colocou o boné da Contag ao discursar, da mesma maneira que em reunião do PT em Sergipe colocara o boné do MST. Mas ela já dissera anteriormente que “não é cabível vestir o boné do MST.

Governo é governo, movimento é movimento”.

As posições ambíguas da candidata oficial criam momentos de constrangimento como o que ela passou ontem na Contag, quando foi cobrada por pontos que constavam de diversos documentos do PT e do governo e que acabaram desaparecendo por obra e graça dos prejuízos eleitorais que poderiam trazer à sua candidatura: Atualização dos índices de produtividade no campo para permitir mais desapropriações, e o limite de propriedade da terra por pessoas físicas e jurídicas brasileiras e estrangeiras, além da revogação das medidas provisórias editadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “que criminalizam a luta pela terra e suas organizações”.

O alvo prioritário é a medida provisória das invasões de terra, que retira do programa de Reforma Agrária por dois anos qualquer área invadida.

Essa MP não foi revogada formalmente pelo governo Lula, mas na prática está extinta, pois não é utilizada.

Mas os “movimentos sociais” do campo querem a revogação oficial.

Os pontos estavam tanto no Programa Nacional dos Direitos Humanos quanto no programa do PT registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas despareceram em sucessivas versões que foram sendo amainadas.

Dilma ouviu as reivindicações, mas fez “cara de paisagem” sobre esses pontos polêmicos. Também em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, o MST intensificou a invasão de terras na suposição de que estava sendo eleito “o Lula de 1989”.

Aquele Lula, que perdeu para Fernando Collor naquela eleição, não estava preparado para governar, na avaliação do próprio Lula presidente, que já admitiu que teria sido “uma tragédia” se tivesse sido eleito.

Stédile, até hoje, lamenta que “aquele Lula de 1989” não exista mais hoje. E pelo jeito está renovando as esperanças de que, eleita, a companheira Dilma se revele mais próxima “daquele Lula” do que hoje se imagina.

Ao contrário, se eleita presidente a candidata oficial Dilma Rousseff não se submeter à política agrária do MST, terá força política, como Lula teve, para conter o movimento ou, como anda dizendo o candidato oposicionista José Serra, “Lula é mais forte do que o PT. Dilma é mais fraca do que o PT. Se ela ganhasse, quem iria estar por cima era o PT, com todas aquelas contradições, todas aquelas dificuldades que sempre enfraquecem um presidente”.

O presidente Lula está diante de uma nova oportunidade para demonstrar na prática que sua política de aproximação de ditadores tem objetivos mais valorosos do que simplesmente se omitir em relação à defesa dos direitos humanos para aumentar nossas exportações.

Lula sempre alega que pode influir mais positivamente junto a ditadores amigos, como Fidel Castro, de Cuba, ou Mahmoud Ahmadinejad, do Irã se trabalhar com discrição.

No caso de Cuba, não se sabe de nenhum movimento que tenha dado certo, como agora mesmo a Espanha e a Igreja Católica conseguiram com a libertação de presos políticos.

Agora, vários países já pediram ao governo do Irã que suspenda a pena de morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada por adultério.

Existe até mesmo um abaixo-assinado internacional on-line, coordenado pela Anistia Internacional, em http://freesakineh.org.

já assinado por diversos brasileiros ilustres.

Não se tem notícia de algum movimento do governo brasileiro no sentido de influenciar nesse caso.

PAINEL DA FOLHA

O fator PT 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 14/07/2010

O comando da campanha de Dilma Rousseff discute como reagir à tentativa de José Serra de "jogar o PT no colo" da candidata, dando a entender que ela, à diferença de Lula, ficaria refém dos "radicalismos" do partido. No QG dilmista, há quem enxergue na tática do tucano, alavancada pelo episódio do documento que a adversária "rubricou sem ler", somente mais um teste de discurso, sem grandes chances de emplacar na maior parte do eleitorado. Mas há também quem recomende cautela para não morder a isca jogada por Serra, colocando em risco a imagem "paz e amor" tão cuidadosamente construída para Dilma.
HagiografiaTrecho sobre a infância de Dilma em biografia disponível no novo site da campanha: "Certo dia, bateu à porta um menino tão magro e de olhos tão tristes que ela rasgou ao meio a única nota que tinha. Ficou com metade da cédula e deu a outra metade ao menino. Dilma não sabia que meio dinheiro não valia nada. Mas já sabia dividir".
Sem tetoEnquanto petistas marchavam para a inauguração do novo comitê, o guru da campanha na internet, Marcelo Branco, reclamava no Twitter: "Não temos local físico para trabalhar em Brasília. Nossa base é nas ruas com celular na mão. Baita estrutura!".
FitnessO "horário de almoço" virou a desculpa oficial para justificar a mobilização de funcionários públicos na campanha de Dilma.
Conte comigoAssim que saiu da audiência com Lula ontem, José Sarney (PMDB-AP) disse a aliados ter obtido o compromisso de que, durante a campanha, o presidente desembarcará no Maranhão e no Amapá.
Para depoisÉ remota a chance de os tribunais analisarem antes do primeiro turno a avalanche de impugnações de candidaturas pedidas pelo Ministério Público na esteira da Ficha Limpa.
Time AugustoNunes e Paulo Moreira Leite serão os dois jornalistas "fixos" na bancada do "Roda Viva" ao lado de Marília Gabriela, que a partir de agosto comandará o programa de entrevistas da TV Cultura de São Paulo.
No pé 1No encontro reservado que terá com Lula amanhã no Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) espera obter do presidente a garantia do veto ao projeto que redistribui os royalties do pré-sal, aprovado no Senado e hoje na fila de votações da Câmara. "O adiamento ajuda, mas não resolve. Tiraram o gênio da garrafa. Agora temos de achar uma solução técnica para colocar de volta", diz o governador.
No pé 2Também a campanha de Dilma quer um sinal de que o presidente não irá endossar a nova distribuição dos royalties, danosa ao Espírito Santo. Em visita a Vila Velha na semana passada, Serra afirmou pela primeira vez que, se eleito, não permitirá mudança nas regras. Pesquisas apontam vantagem do tucano no Estado.
A trêsRespondem pelo capítulo de educação do programa de governo de Geraldo Alckmin (PSDB) a ex-secretária Maria Helena Castro (ensino fundamental e médio), Laura Laganá (ensino técnico) e o ex-reitor da Unicamp Carlos Henrique de Brito Cruz (ensino superior).
Visita à FolhaDaniela Cembranelli, defensora-geral do Estado de SP, visitou ontem a Folha. Estava com o defensor público-assessor Vitore Maximiano e Rodrigo Vidal Nitrini, coordenador de Comunicação Social e de Assessoria de Imprensa.
Tiroteio
Fifa, imprensa e TCU apontam o atraso e a desorganização da Copa de 2014. O governo do PT não faz nada, e o candidato ainda critica quem trabalha com responsabilidade.
DO DEPUTADO SILVIO TORRES (PSDB-SP) em resposta a Aloizio Mercadante, que apontou "lentidão" do governo paulista no planejamento do Mundial.
contraponto
Etiqueta regional 
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, discutia com lideranças tucanas e de partidos aliados as próximas agendas de José Serra. Um participante opinou:

-Ele tem que dançar mais forró! Fez sucesso lá no Ceará- disse, referindo-se à recente visita de Serra.

Novas sugestões foram surgindo, até que José Thomaz Nonô (DEM-AL), candidato a vice na chapa do governador tucano Teo Vilela, interrompeu:

-Olha, eu só tenho um reparo. Ele tem que parar de procurar palmeirense até em shopping no Nordeste...

MÍRIAM LEITÃO

Os pobre 
Miriam Leitão 

O Globo - 14/07/2010

Eles são disputados como moeda política em época de eleição e servem para emoldurar biografias. Mas o que os números e fatos mostram é que há uma continuidade no processo de redução da pobreza brasileira nos últimos 17 anos. É bom que tenha continuidade. Por outro lado, seria necessário dobrar a renda dos pobres brasileiros para se chegar a um nível adequado ao desenvolvimento do Brasil.

Há vários equívocos que se pode cometer na análise do progresso brasileiro no combate à pobreza. O pior é achar que o fenômeno está restrito a um governo. Mas é o que políticos, de partidos diferentes, fazem durante as eleições.

Houve uma forte queda no percentual de pobres e extremamente pobres quando a inflação desabou no Plano Real. Nos anos seguintes, no entanto, esses percentuais ficaram estagnados no novo patamar. No governo Lula, tem havido uma queda constante, ano a ano. Para que a conta fique correta, não se pode registrar a partir de 1995, mas de 1993, quando se pega o que havia antes do Plano Real. O percentual de pobres e extremamente pobres sai de 47% e vai para 38,6%, e lá fica em torno desse número até o fim do governo Fernando Henrique.

Em 2003 há uma pequena elevação para 39,4% e começa um novo período de queda, desta vez constante até chegar a 25,3% em 2008. O percentual dos extremamente pobres cai de 23% antes do Real para 17,3%. Cai ligeiramente para 16,5% em 2002. Sobe um pouco em 2003 e depois cai todos os anos, numa média de 1,7 ponto percentual por ano, até 8,8% em 2008.

A explicação do progresso não decorre de apenas um evento, mas de vários, e alguns relacionados a decisões tomadas em administrações anteriores.

O maior especialista brasileiro no assunto, Ricardo Paes de Barros, analisa a questão tecnicamente atrás das causas. Ele não acha que o Bolsa Família é o maior responsável pela queda recente da pobreza: — O Bolsa Família faz com que mais brasileiros se aproximem da linha, mas para cruzar a linha da pobreza foram necessários outros fatores como por exemplo o aumento do salário mínimo, o impacto da Previdência por causa do aumento do salário mínimo, o progresso educacional, a melhoria no mercado de trabalho do interior, a redistribuição de recursos públicos.

No caso do progresso educacional, tem mais a ver com o que aconteceu no governo anterior do que no atual. Em alguns indicadores educacionais houve até estagnação nos últimos anos.

Os avanços dos últimos três governos — Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula da Silva — mostraram ao país um fato animador: está dentro das nossas possibilidades eliminar a pobreza extrema, e reduzir substancialmente o percentual de pobres no Brasil. Outra constatação também é inevitável: ainda estamos muito atrás do que deveríamos estar dado o nível de desenvolvimento econômico do país.

A discussão inteligente deveria ser, não sobre quem fez mais, mas como e com que novas políticas pode-se reduzir mais rapidamente a pobreza e extrema pobreza no Brasil.

Mas discussões inteligentes não são o mais comum em época eleitoral. Agora é o tempo em que as versões simplificadas prevalecem sobre as visões mais complexas da realidade.

Nos últimos anos, Ricardo Paes de Barros, do Ipea, tem liderado vários estudos de diversos especialistas, no Brasil e no exterior, sobre esse tema. Em um dos estudos mais atuais, “Sobre a evolução recente da pobreza e da desigualdade no Brasil”, escrito por Ricardo com Mirela de Carvalho, do Programa Nacional de Pesquisa do Desenvolvimento, Samuel Franco, do Iets, Rosane Mendonça, da UFF, Andreza Rosalém, do Iets, eles mostram várias boas notícias.

Desde 2001 tem havido aumento maior da renda dos mais pobres do que dos mais ricos. A desigualdade tem caído. Em 2008, o dado foi ainda mais animador: a renda per capita da população como um todo subiu 5,1%, enquanto a dos 10% mais pobres subiu 15%; três vezes mais. A má notícia é que a desigualdade brasileira continua enorme. “O que uma família do 1% mais rico pode gastar em três dias equivale ao que um brasileiro que está entre os 10% mais pobres pode gastar em um ano.” Segundo o estudo: “em função da elevada desigualdade que ainda prevalece, a pobreza e, em particular, a extrema pobreza ainda está acima do que se poderia esperar de um país com a nossa renda per capita.” O que a próxima, ou o próximo, governante deve fazer é evitar os erros e confirmar os acertos desse período de mais de uma década e meia de avanços.

ELIO GASPARI

Os palacetes de uma elite mal assombrada 
Elio Gaspari 

O Globo - 14/07/2010

A Prefeitura do Rio de Janeiro pretende comprar o palacete que pertence à família Guinle de Paula Machado, na rua São Clemente (Botafogo). Os donos queriam R$ 15 milhões, mas deixariam por R$ 10 milhões. A cinco minutos dali, caindo aos pedaços, está o Hospital Rocha Maia. Por que a Viúva gastará semelhante ervanário para comprar uma exuberância sem saber o que vai fazer com ela? A casa, tombada pelo Iphan, está em bom estado, assim como seus mil metros quadrados de jardins. Se alguém estiver interessado, que faça uma oferta, deixem a Boa Senhora longe dessa.

No final do século 19 e nas primeiras décadas do 20 os endinheirados do Rio de Janeiro construíam palacetes em Botafogo, e os mais belos ficavam na São Clemente. Nessa mesma época os milionários americanos erguiam mansões na Quinta Avenida, em frente ao Central Park. Quem percorrer esses trajetos poderá admirar a grandeza do capitalismo americano e a desgraça da plutocracia brasileira bem relacionada.

Na Quinta Avenida sobrevivem as casas de Henry Frick; a Starr Miller, comprada por Ronald Lauder; a do banqueiro Felix Warburg; e a do magnata do aço, Andre Carnegie. Todas hospedam instituições culturais privadas. Frick deixou o palacete com centenas de obras primas. (Vermeer? Três. Rembrandt? Quatro.) Ninguém se lembra dele como o mandante, em 1892, de um massacre de operários grevistas, nem dos dois tiros que tomou no pescoço, disparados por um anarquista. Lauder criou a Neue Gallery, para a qual comprou o retrato de Adele Bloch-Bauer, de Gustav Klimt. Na casa de Warburg funciona o Museu Judaico. Mais adiante está o palácio de Carnegie, o maior entre os "barões ladrões", foi o homem mais rico dos Estados Unidos no início do século e provavelmente o maior filantropo de sua história. Nela há um centro de exposições de desenho.

Na rua São Clemente a história foi outra, os plutocratas construíram palacetes, regalaram-se e, quando as heranças encurtaram, penduraram-se quase todos na bolsa da Viúva. A de Rui Barbosa hospeda uma instituição exemplar. A mansão de um comerciante português, onde funcionou o Colégio Jacobina, tornou-se um Centro de Arquitetura e Urbanismo da prefeitura que vive na indigência. O palácio do embaixador inglês foi comprado pela prefeitura num negócio esquisito, no qual pagou pelos móveis quatro vezes mais do que o preço do imóvel. Em alguns casos, os prédios foram preservados por empresas, mas onde a Viúva pagou a conta, quase nada sobrou para a patuleia.

Noutro bairro, o filho do barão de Nova Friburgo, falido, vendeu à República o Palácio do Catete. Quem o visita e depois vai à casa de Carnegie pensa que o magnata americano era um avarento. O mesmo acontecerá ao paulista que visitar o Palácio dos Campos Elíseos, repassado à Boa Senhora pelos descendentes de Elias Pacheco Chaves.

Os Guinle foram uma das famílias mais ricas da República Velha. Fizeram dinheiro com indústrias, obras e concessões de serviços públicos. Lá atrás, tiveram o equivalente a R$ 2 bilhões. Enquanto ganharam mais do que gastavam, souberam distribuir sua fortuna. Se o prefeito Eduardo Paes não tem o que fazer com R$ 10 milhões, faça como o patriarca Guilherme Guinle (1882-1960): proteja os hospitais do Rio de Janeiro.

JOSÉ AUGUSTO GUILHON ALBUQUERQUE

Ressentimento e onipotência
José A. Guilhon Albuquerque 
O Estado de S.Paulo - 14/07/10

Demétrio Magnoli publicou nesta página (8/7) uma receita ideal para José Serra perder as eleições e delas sair engrandecido aos olhos de um setor da elite. Mas, como disse o técnico da brava seleção espanhola, "una final no es para jugar, es para ganar".

O autor apresentou um diagnóstico impecável sobre o governo Lula e o "lulismo". Para eleger-se um estadista, entretanto, não se trata de diagnosticar os atores, mas sim o processo eleitoral, que não é um concurso de simpatia, erudição ou correção política aos olhos de jornalistas, intelectuais ou ativistas: o que estará em jogo em outubro é a confiança do eleitor para escolher quem é mais capaz de manter as conquistas que o povo valoriza e evitar as mudanças que o povo teme.

Se Lula tivesse apoiado uma candidatura claramente confiável aos olhos do eleitor comum, comprometida em mudar o que o povo espera, sem pôr em risco os avanços econômicos, políticos e sociais da reconquista da democracia e da estabilidade da economia, o lugar para uma candidatura alternativa não seria o de um estadista, mas o de um profeta que clama no deserto.

Movido pelo ressentimento de ter galgado os píncaros do poder e ter-se recoberto da glória dos palcos internacionais, sem nunca ter conseguido derrotar Fernando Henrique Cardoso, e ofuscado pela onipotência que lhe é atribuída pelos beneficiários das benesses e migalhas que distribui à esquerda e à direita ? e com desenvoltura senhorial ?, Lula optou pela escolha maniqueísta entre o bem e o mal, lá onde o povo espera um compromisso entre continuidade e mudança.

Um pressuposto comum às análises do atual processo sucessório é o de que, uma vez decidido por Lula, um plebiscito seria inescapável e, porque Lula é imbatível, a vitória de Dilma é inevitável, cabendo a Serra mimetizar o papel de estadista e "perder as eleições falando de política", como diz Magnoli. Inescapável é o fato de que Lula, não o tendo feito no momento oportuno, já não conseguirá derrotar Fernando Henrique nas urnas. Para realizar esse sonho, ainda que sob a forma de delírio, Lula precisaria criar uma Dilma Rousseff à sua imagem e semelhança e levar José Serra a se comportar como um fantoche de Fernando Henrique. Não conseguiu uma coisa nem outra.

Partindo do pressuposto da invencibilidade de Lula e de sua pretensão a cabo eleitoral imbatível, a maioria das análises se ocupou em comprovar ? contra as evidências estatísticas disponíveis ? como, ao fim e ao cabo, a inevitabilidade de Dilma prevaleceria. Assim, quando Lula, do alto de seus 80% de aprovação, dissesse as palavras mágicas ? "meu nome é Dilma" ?, os jogos estariam feitos. E ele disse, mas ela não teve os inimigos por escabelo de seus pés.

Alguns aspectos desprezados reiteradamente nas análises eleitorais explicam essa discrepância entre os anseios de Lula e a realidade política. É verdade que Lula foi surpreendentemente hábil em decretar quem iria suceder-lhe e quem ele iria derrotar, como já foi seguidamente comentado na imprensa. Mas, ao fazê-lo, esqueceu ? se é que soube um dia ? que a realidade política não é uma tabula rasa na qual ele imprime um diktat a seu bel-prazer.

Lula mostrou que não era imbatível quando resolveu antecipar a luta sucessória para as eleições municipais de 2008 e escolheu Serra para ser derrotado de uma vez por todas. Com isso mandaria uma mensagem à oposição, ao seu próprio partido, à elite política e, enfim, ao mundo inteiro. Contudo sofreu uma derrota pouco dignificante e, ademais, escolheu o adversário errado, pois praticamente oficializou o então governador paulista como sua real alternativa de poder.

Como se não bastasse escolher o adversário errado, no momento errado e em inferioridade de armas, não foi capaz de reconhecer a derrota nem de aprender com ela, e promoveu uma polarização que, longe de opor sua imensa popularidade à imaginária rejeição a Fernando Henrique, força a uma comparação que só convém a Serra. Imaginando que seu imenso sucesso tudo lhe permite, não foi capaz de ver ? ou, se viu, não levou em conta ? que uma maioria significativa dos que aprovam o seu governo também rejeita a corrupção, não aprova o seu apoio às elites oligárquicas, nem a sua amizade com ditadores sangrentos, nem a sua leniência para com movimentos radicais e violentos, nem os atentados à liberdade. E tampouco está satisfeita com a condução de algumas das políticas que mais a atinge em sua própria vida.

Levada para o centro do palco sem nenhum preparo, sua candidata nunca teve o cuidado de se distanciar da corrupção, das oligarquias carcomidas, dos atentados à liberdade, dos governos "amigos" que tratam como inimigos os nossos compatriotas que lá vivem e as nossas empresas que lá produzem. Mas, quod licet Iove non licet bove, ou seja, em latim boi pode rimar com Júpiter, mas em nenhuma língua tem iguais poderes. Os que apoiam Lula o fazem apesar de não aprovarem seus erros, e não por causa deles.

Confiança não se transfere e uma campanha maniqueísta, quando o eleitorado quer continuidade com mudança, não ajuda a vencer uma dúvida que as pesquisas mostram ser persistente: o quanto de Lula ? e o quê ? pode ter contagiado Dilma, e o quanto de Lula persistiria em Dilma caso eleita. Caso aderisse a um script incendiário anti-Lula, Serra iria realizar o sonho plebiscitário do presidente, dando novo fôlego a uma candidatura com escassa margem para progredir, além de se desqualificar como aquele capaz de estabelecer um equilíbrio produtivo entre a segurança da continuidade e o temor da mudança.

PROFESSOR TITULAR DE CIÊNCIA POLÍTICA E RELAÇÕES
INTERNACIONAIS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

CELSO MING

É a Segurobrás 
Celso Ming 

O Estado de S.Paulo - 14/07/2010

A decisão do governo Lula de criar, em final de mandato, uma nova estatal, desta vez no ramo de seguros (Empresa Brasileira de Seguros - EBS), até agora não foi explicada à sociedade.


Ela vem, alegadamente, para dar cobertura a obras de infraestrutura e de construção de habitações populares. Mas nasce com licença para explorar quaisquer ramos de seguro.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou que o setor de seguros no Brasil não tem capacidade para dar cobertura a todas as obras que vêm vindo aí. É uma argumentação estranha porque em todo o planeta Terra são realizadas obras incomensuravelmente maiores do que as que estão sendo feitas aqui e, no entanto, contam sempre com cobertura contra quaisquer sinistros, sem necessidade de recorrer a seguradoras estatais.

Na segunda-feira, o Grupo Gerdau anunciou que se retirava do consórcio formado para erguer a usina de Belo Monte, porque não quis correr risco no empreendimento. E é natural que, nessas circunstâncias, as empreiteiras exijam cobertura de seguradora para toda a sorte de sinistros que possam acontecer. Assim, a criação dessa seguradora estatal teria o objetivo estratégico de atrair interessados para tocar as obras do governo.

Ainda bem que a criação dessa estatal não será mais por meio de medida provisória, que a levaria a existir no dia de sua publicação, transformando-a em fato consumado. Agora, o governo decidiu que vai enviar projeto de lei ao Congresso para que o assunto seja discutido no fórum adequado. Como o fez quando decidiu que para a administração dos contratos de parceria do pré-sal o governo entendeu, certamente cometendo um equívoco, que tinha de criar uma nova estatal.

Em princípio, nada há de errado em que existam seguradoras estatais. É uma bobagem ser antiestatizante simplesmente por ser antiestatizante. O problema é que não há razão especial para que um capital colossal do contribuinte seja deslocado para uma empresa estatal para que ela faça o que podem fazer as seguradoras já existentes, aqui e no exterior.

A CNSeg é uma sigla curta para um nome comprido: Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização. É a entidade que defende os interesses das seguradoras privadas. Seu presidente, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, é contra essa ideia e, nessa empreitada, pode estar lutando para conseguir mais brasa para sua própria sardinha, que lhe faltaria caso essa nova Segurobrás seja mesmo criada.

Mas, interesse contrariado ou não, Gouvêa Vieira não deixa de estar carregado de razão quando afirma que há uma relação incestuosa nesse jogo do governo. A criação dessa seguradora estatal vem para dar cobertura a obras estatais. Como uma estatal não pode quebrar, a própria prevenção de sinistros sob cobertura desse seguro pode ser colocada em dúvida.

A única razão para a criação dessa nova empresa - e esta jamais será admitida - é a de que essa estatal está destinada a ser mais um cabidão de empregos para a cupinchada política e, afora isso, se transformará em nova fonte, digamos assim, de financiamento de campanha.

É o governo Lula em final de mandato plantando para o futuro.
Aumenta o déficit 
O rombo comercial dos Estados Unidos em maio ficou bem maior do que o esperado: US$ 42,3 bilhões, o mais alto desde novembro de 2008. As importações estão crescendo bem mais (2,9% em maio) do que as exportações (2,4%).
Por trás, outro rombo 
O grande beneficiário desse déficit continua sendo a China, que exportou US$ 22,3 bilhões a mais para os Estados Unidos do que importou. Por trás de tudo está o rombo fiscal que se aproxima de US$ 1,5 trilhão.

ANCELMO GÓIS

No prelo
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 14/07/10

“Life”, a autobiografia do guitarrista Keith Richards, 67 anos, fundador dos Rolling Stones e principal parceiro de Mick Jagger, chega aqui ainda este ano.
A obra, tão esperada pelos fãs de rock, vai sair pela Globo Livros.

Viva Casão!
Domingo, no fim da transmissão da Globo da final da Copa do Mundo, Casagrande caiu em prantos.
Ele celebrou a volta por cima.
Há dois anos esteve internado e sua vida parecia um beco sem saída.

Petrobras em queda
Um levantamento da Bloomberg diz que as ações da Petrobras caíram 27% no primeiro semestre de 2010.
E o que é pior: numa lista com as 35 maiores petrolíferas, a queda só perde para as ações da BP, que despencaram 47% no período.

Segue
O problema da BP é, como se sabe, o desastre ambiental no Golfo do México.
Já o da estatal brasileira é a desconfiança gerada com as mudanças no setor, por causa do pré-sal.

A vez do Brasil
De Caetano Veloso, na Itália, onde começa sexta, em Roma, uma turnê no país da pizza: — O Brasil mudou e vai salvar o mundo. O Brasil sempre foi uma eterna promessa, mas talvez agora, pela primeira vez, isso possa se tornar em parte verdade.

Pega ladrão
Sábado, os passageiros do voo 962 (São Paulo-Dallas) da American Airlines foram revistados um a um ao chegarem na cidade americana. É que, acredite, tinham sumido US$ 3 mil de uma passageira, durante a viagem.
Cata daqui, procura dali, o dinheiro não foi encontrado.

Um fardão para Moura
A acadêmica Ana Maria Machado, autora de “O menino e o maestro”, livro dedicado a Paulo Moura, organiza um evento na ABL em homenagem ao grande músico que o Brasil perdeu.

Diário de um gringo
O americano David James McLaughlin, que veio ao Brasil pesquisar a cultura rap, terá muitas histórias a contar aos colegas da Universidade de Ohio.
Primeiro, teve parte do corpo queimado na explosão de um bueiro em Copacabana. Depois, internado na Clínica São Vicente, assistiu emocionado, sábado, ao sarau no quarto ao lado, onde estava Paulo Moura.

Aliás...
A caravana de músicos que foi visitar e tocar para o amigo sabia que era a despedida dele.
O que surpreendeu a todos foi Moura tocar na clarineta, com Wagner Tiso, “Doce de coco”, de Jacob do Bandolim.

ZONA FRANCA

O Quinteto TribOz convida o cantor ítalo-australiano Tony Serrano, amanhã, na Rua Conde de Lages, 19, na Lapa, às 21h.

Marcos Vilaça, o acadêmico, entrega hoje ao mestre Oscar Niemeyer a Medalha João Ribeiro.

O Unifem mostra hoje às ministras da América Latina a ONU Mulheres.

A Dois Cariocas Comunicação inaugura novo escritório hoje.

Ike Cruz é o empresário da atriz Juliana Paiva.

Estreia hoje no Fashion Mall a peça “Usufruto”, com Lúcia Veríssimo.

A Saara lança amanhã a campanha para o Dia dos Homens.

Alexandre Parigot comanda o núcleo de direito ambiental do Mello Martins Advogados.

Filho de peixe
Miguel, 27 anos, filho do saxofonista Leo Gandelman, assinou contrato com a NBC até 2015.
Será o sax tenor do “Tonight Show” de Jay Leno, o famoso programa de entrevistas da TV americana.

Caravana eterno
Hugo Carvana, viva ele!, participa da série “Depoimentos para Posteridade” do Museu da Imagem e do Som, hoje.
O mestre está finalizando o filme “Não se preocupe, nada vai dar certo”, a ser lançado em 2011. No elenco, Tarcísio Meira.

Cidade de Deus
Celso Athayde, o fundador da Central Única de Favelas, fez um convite em seu Twitter para Dilma, Serra e Marina.
Quer que os três apresentem suas propostas para os moradores da Cidade de Deus.

Quentinhas
A 7ª Câmara Criminal do TJRJ reformou ontem decisão do juiz Alcides Fonseca Neto, que havia condenado a 42 anos de prisão quatro ex-sócios de Jair Coelho, lembra dele?, o rei das quentinhas.
Segundo o advogado Fernando Fragoso, que atuou no caso, a Justiça absolveu Lina Miranda, uma das sócias, e reduziu as penas dos outros três, o que fez seus crimes prescreverem.

Os equilibristas
O Polo Gastronômico de Botafogo acaba de formar os primeiros 40 garçons performáticos.
Treinados pela Companhia Contemporânea de Teatro, vão oferecer nos bares da região, entre eles os da Cobal, pequenos shows teatrais e de mágica.

TAMMY Di Calafiori, a Lorena de “Passione” enfeita, nesta foto classuda, a edição da revista “Hola” que chega às bancas hoje

PORTA-BANDEIRA multipremiada do nosso carnaval, Lucinha Nobre, da Portela, posa de modelo, na campanha de um shopping da Zona Norte. E bate um bolão (com todo o respeito)

PONTO FINAL

Lula não é a rainha Sofia — que, durante a Copa, foi ao vestiário da Espanha e topou com o zagueiro Puyol de toalha —, mas Didi de Araras já flagrou o presidente em situação semelhante, nos tempos de Ronaldinho Gaúcho na seleção.

O que nosso craque vestia? Melhor nem saber. Outra coisa: sua majestade é a da esquerda, não se esqueça.