quinta-feira, maio 10, 2012

Executivos fiscais - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 10/04/12

A terra treme. A União, ontem,registrou na dívida ativa débitos fiscais da Vale que beiram uns R$ 35 bilhões.

Passou nos cobres

A empresa suíça Glencore, do bilionário Marc Rich, 76 anos, fecha a compra da Caraíba Mineração, que produz cobre na Bahia. Rich chegou a fugir dos EUA, em1983, acusado de sonegar impostos e furar o bloqueio ao Irã.

Pé no freio

De um grande empresário carioca, do ramo de comércio de carros, sobre a retração dos bancos: — Para modelos de até R$ 40 mil, R$ 45 mil, tem banco recusando um em cada dois pedidos de crédito.

Biografia de Brizola

Vem aí mais uma biografia de Leonel Brizola (1922-2004). Desta vez, escrita por Trajano Ribeiro e Clóvis Brigagão, ambos signatários da Carta de Lisboa, em julho de 1979, lançada pelo velho trabalhista dois meses antes de sua volta do exílio. Trajano é casado com Maria Goulart, filha de Yolanda, irmã de dona Neuza e de Jango.

Faltam 763 dias

Hoje, às 9h, uma comitiva de deputados da Subcomissão da Copa de 14, da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, vai dar uma incerta nas obras do Maracanã.

Cordel do Gonzagão

A Editora Planeta lança este mês o livro infantil “O Rei do Baião — Do Nordeste para o mundo”, de Arievaldo Vianna, com ilustrações de Jô Oliveira. Conta a vida de Luiz Gonzaga (1912-1989) em forma de cordel, com aquelas gravuras típicas.

NÃO É MAIS UMA obra de Auguste Glaziou (1833-1906), que, no século XIX, a convite de Dom João VI, projetou belos jardins no Rio, como os da Quinta da Boa Vista e do Campo de Santana. Mas a cidade ganha esta semana outra área verde desenhada por um paisagista francês. Desta vez, trata-se de Pierre-André Martin, contratado pela prefeitura. Está em fase final a montagem, veja acima, do Terraço Jardim do Centro Cultural João Nogueira, no Méier. O novo espaço, no imóvel onde funcionou a finada casa de espetáculos Imperator, promete pôr o querido bairro do subúrbio do Rio de volta ao grande circuito cultural dos cariocas

Volta, Antônio
Está no ar o site voltaantonio- .com.br. Fala do drama da família carioca Bierrenbach, que tenta recuperar a guarda do miúdo Antônio, 3 anos, levado para os EUA pelo pai, Márcio Sicoli. Já foi acessada, acredite, por internautas de 48 países.

Aliás...

A maioria dos acessos, depois do Brasil, foi da China, onde, domingo,houve uma etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. É que Sicoli, como se sabe, treina as americanas Walsh e May.

Yes, nós temos ricos

A revista “Poder” publica matéria sobre o modo de vida dos nossos ricos. O banqueiro carioca André Esteves, 41 anos, do BTG Pactual, diz que costuma reservar um restaurante em Paris e levar, em seu jatinho, parentes e amigos para jantar.

Troca de guarda
Amanhã, mais um pelotão de militares do Exército deixa o Complexo do Alemão, no Rio. Sérgio Cabral vai inaugurar a UPP Adeus/Baiana.

O custo do livro

A produtora Fagga foi autorizada pelo MinC a captar R$ 3.917.855 pela Lei Rouanet para produzir a próxima Bienal do Livro, no Rio.

Corredor do Fórum

A 14+ Câmara Cível do Rio negou recurso do cirurgião bariátrico Jorge Luiz Monteiro contra Ângela Márcia Ramires. O médico se diz vítima de difamação na internet e nos jornais, em que é chamado por Ângela de “Dr. Morte”, por causa da morte de seu marido numa cirurgia.

Morar bem

A Rádio Imobiliária diz que está à venda por R$ 29,8 milhões a bela casa do antigo consulado da Áustria no Rio, uma das únicas ainda de pé na Avenida Atlântica (n, 3804, no Posto 6). São 1.000m² de terreno.

Cadê minha unha?

Segunda, num show no Casarão Ameno Resedá, templo da boa música aberto pelo mestre Carlos Lessa no Catete, no Rio, o festejado violonista Yamandu Costa se empolgou tanto num acorde que... tleecc!!! Acredite. Uma unha dele voou na plateia. Mas... ufa!... era postiça. O público riu muito quando o músico perguntou: “Alguém viu minha unha?” A dita cuja sumiu.

PT em chamas - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 10/05/12


Os deputados andam meio entristecidos, olham para a popularidade de Dilma como algo que não é compartilhado com eles, cada vez mais distantes do poder

O governo está bombando perante o eleitorado, a presidente Dilma Rousseff segue lépida e fagueira, liderando sua equipe rumo àquilo que se propôs. O PT, então, é só felicidade, certo? Errado. Os petistas estão infelizes e não é de hoje. No plenário, não é raro ver os deputados em conversinhas meio de lado, com cara de quem não está muito contente. E isso tem motivo: Dilma simplesmente quer que eles compartilhem do seu sucesso, mas sem dividir o poder.

Ontem, eram o líder Jilmar Tatto e o deputado Ricardo Berzoini, ambos do PT paulista, falando sobre reuniões a respeito de vários assuntos. Uma aproximação da imprensa e as conversas cessam. Nenhum dos dois fala de um encontro entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega; o presidente da Câmara, Marco Maia; e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para tratar do futuro do Banco do Brasil, juros ou poupança, tema que a presidente espera apoio total do PT. No BB, mudanças de diretores deixaram Maia irritado no passado e continuam incomodando.

Por conta dessas e outras troca de comando sem que os políticos sejam, ao menos, comunicados com antecedência, o PT nos bastidores se mostra tão infeliz quanto o PMDB ou outros partidos no que se refere à ocupação de espaços. Não se cansam de repetir a frase que Dilma disse numa reunião logo na largada de seu governo e que eles simplesmente não levaram a sério: “Na área de bancos e de energia quem manda sou eu”. Esse é um dos motivos da infelicidade do PT.

Por falar em bancos...
A presidente deixa transparecer aos políticos que é ela a grande comandante da economia e Mantega apenas o executivo que segue aquilo que a chefe determina. Quando ele fala nas reuniões, Dilma logo emenda: “Ele quer dizer que...” e dá a sua explicação a respeito de qualquer proposta. Foi assim no encontro para explicar as mudanças na remuneração da poupança. E, esta semana, Mantega levou oficialmente ao PT a notícia sobre o afastamento de Ricardo Oliveira do Banco do Brasil.

Os deputados andam meio entristecidos. Olham para a popularidade de Dilma como algo que não é compartilhado com eles, cada vez mais distantes do poder. Aos poucos, conforme Dilma avisou na primeira reunião, vão saindo da Petrobras e da área de energia como um todo. Foi em meio à saída de Sérgio Gabrielli da presidência da petroleira, que o secretário executivo do ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, se filiou ao PMDB para ser apresentado como futuro ministro se for preciso.

Por falar em entristecidos...
Nem mais no quesito liberação de recursos os deputados se sentem importantes. As emendas ao Orçamento da União, que fazem a alegria dos políticos em levar recursos para suas bases eleitorais, vêm perdendo importância junto aos prefeitos desde o governo Lula. Isso porque recursos para saúde, educação, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e programas de governo como um todo seguem diretamente para os municípios sem precisar passar pelo crivo dos deputados. Ou seja, Lula e, agora, Dilma restabeleceram uma relação direta com as bases.

E, para completar a tristeza dos políticos — do PT e dos partidos aliados — não existe hoje na Casa uma proposta em debate que sirva para derrotar o governo de forma acachapante e, ao mesmo tempo, dar aos deputados a oportunidade de posar de mocinho perante o eleitor deixando à presidente Dilma o papel de vilã.

Por falar em papéis...
Nessa novela, com a maioria dos políticos no papel de meninos levados, eles apenas aguardam o dia em que a “dona da pensão”, no caso, Dilma, precisará deles para tirar um “gato” do telhado, consertar a “antena” da TV a cabo. Se esse pedido não vier na CPI do Cachoeira, a janelinha pode ser a Lei de Diretrizes Orçamentárias, uma proposta que sempre passa sem muita confusão no Congresso. Desta vez, a ideia dos partidos é usá-la para dar um susto no governo.

Quando não há nada que possa incomodar para valer um presidente da República, seja ele quem for, os partidos sempre inventaram algo. A diferença é que, até o início do governo Dilma, todos os outros compartilharam o poder com o seu partido e os aliados. Dilma parece disposta a romper essa tradição.

Roda a pressão - SONIA RACY


O ESTADÃO - 10/05/12

Está pegando fogo a situação do setor automotivo. Tanto assim que Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, voou ontem para Brasília com intuito de ter uma conversa com Guido Mantega. Ante o alto nível de estoque de carros e baixas perspectivas em reverter esta situação, consta que as montadoras procuraram o sindicalista para ‘trocar’ uma ideia sobre férias coletivas e programas de demissão voluntária.

Elas juram que não dá para esperar o segundo semestre.

Males, o menor

Tucanos do comando da campanha de Serra diminuíram o ritmo do assédio sobre o PPS. A avaliação é que se Soninha Francine disputar a Prefeitura, ela rouba votos de Gabriel Chalita e Fernando Haddad.

Alô Cultura

Eliane Costa, gerente de patrocínios da Petrobrás, muda de endereço. Deixa o cargo para fazer doutorado na Sorbonne.

No seu lugar entra Sergio Bandeira de Melo, que já exerceu a função em 2000.

Praça Tahrir

Dina El Wedidi, musicista egípcia, tirou a sorte grande. Foi escolhida por Gilberto Gil para ser sua discípula durante um ano. Fruto do projeto Mentor and Protégé, da Rolex.

Dina é formada pela Universidade do Cairo e suas músicas tem caráter político no Egito.

Velinhas

Entre as homenagens que Gonzagão terá pelos seus 100 anos, estão as do CCBBs de São Paulo, Rio e Brasília.

O Ministério da Cultura autorizou captação de R$ 765 mil para várias apresentações.

Velinhas 2

E o tricentenário de Jean-Jaques Rousseau será comemorado na PUC e USP com uma série de eventos pela cidade.

Entre eles, uma ópera escrita pelo filósofo: O Adivinho da Aldeia, no Tuca. Mais um concerto na Sala São Paulo.

Direto da Índia

Jyotsna Singh desembarcou, anteontem na Esencial, para expor suas joias. Neta do marajá indiano Bhupinder Singh – dono do famoso colar Patiala, da Cartier, hoje exposto no Museu de Arte Asiática, em São Francisco– contou à coluna sobre a influência luxuosa de sua família e as particularidades das pedras brasileiras.

Como escolhe suas pedras e materiais?

Uso ouro e pedras com diferentes combinações, dependendo do visual que eu quero atingir. Gosto das vibrações que as pedras transmite. São todas únicas.

Já chegou a trabalhar alguma vez com pedras brasileiras?

A maioria das pedras que uso são brasileiras. As pedras preciosas que eu compro na Índia vem do Brasil (risos). As que eu mais gosto são as turmalinas, citrinos, ametistas e cristais.

O que sentiu quando olhou o colar Cartier de sua família pela primeira vez?

Fiquei emocionada. Senti a conexão com a minha família e principalmente com o meu avô, que criou joias maravilhosas que me inspiram sempre.

Você considera o colar Patiala uma inspiração para criar?

Não diretamente. Acho que eu carrego no sangue tudo do meu avô. Ele foi um homem que gostava de luxo, por isso criou muitas peças inspiradoras.

Por que decidiu trocar a Índia pelos Estados Unidos?

Eu me mudei de lá quando era muito jovem, tinha 21 anos, eu sempre volto para visitar a família e as minhas joias são todas feitas lá também./SOFIA PATSCH

Na frente

A princesa Máxima, da Holanda, assiste hoje palestra da Febraban sobre educação financeira na Escola Técnica Guaracy Silveira. Em Pinheiros.

Os irmãos Campana vão decorar uma suíte do chiquérrimo Hotel Lutétia, em Paris. Coisa que Giorgio Armani e Vik Muniz já fizeram.

Paulinho Moska grava DVD no Auditório do Ibirapuera. Amanhã.

O Mube recebe a partir de hoje a Graffiti Fine Art.

Clarice Niskier faz, neste sábado, leitura de trechos do livro Coisas de Mãe para Filha. Na Livraria da Vila no Pátio Higienópolis.

Ao leitor que estranhou ontem a informação incorreta publicada sobre o Grupo JBS vai a explicação. Ela foi suplantada pela própria coluna online anteontem às 19 h30 no Portal do Estadão, quando o blog antecipou o anúncio que a holding do JBS fez ontem, assumindo a Delta. Infelizmente, a informação no impresso não foi passível de correção.

Os cinco cegos e o elefante - LUIZ FERNANDO VERISSIMO

O GLOBO - 10/05/12

Todos conhecem a história dos cinco cegos e do elefante. Cada cego apalpa uma parte do elefante e identifica um animal diferente. E se os cinco cegos fossem Homero, Jorge Luis Borges, Ray Charles, Mr. Magoo e James Joyce, que não era totalmente cego mas enxergava pouco? Cada um apalpando uma parte do elefante.

Homero: “Não sei que bicho é, mas cabem muitos gregos nesta barriga...”.

Joyce: “É um animal egóricobuce-fálico simbioselizando a androginergia da raçumanancialprimEva, e estas bolas são decididamente irlandesas”.

Borges: “Este deve ser um dos oitenta e sete troncos que sustentam o Palácio dos Pavões em Samarkand, onde está a biblioteca circular do príncipe Rham’apu, onde há um único códice, que contém a única imagem conhecida do Palácio dos Pavões em Samarkand, onde está a biblioteca circular do príncipe Rham’apu, onde há um único códice que contém a única imagem conhecida do Palácio dos Pavões em Samarkand, onde está a biblioteca circular do príncipe Rham’apu, onde há um único códice que contém... estranho, a imagem de um elefante!”.

Mr.Magoo (que entrou na boca do elefante pensando que era o banheiro): “Help!”.

Ray Charles (acariciando a cauda peluda do elefante): “Georgia!”.

MEU BUNKER

Uma vez um repórter foi me entrevistar em casa e depois escreveu que eu trabalhava num bunker sem janelas. Como o lugar em que eu trabalho tem duas boas janelas dando para um pátio e seus sabiás, concluí que ou a) ele já estava com a ideia do bunker pronta e as janelas não foram convincentes o bastante para mudá-la, b) ele não viu as janelas, c) não se pode confiar em jornalistas. Ou então a impressão de que se trata mesmo de uma toca forrada de livros é tão forte que ele tinha razão: mesmo com janelas, é um bunker sem janelas. Pilhas de livros cobrem mesas e chão, e o dia prometido em que serão colocados nas estantes junto com os outros nunca chega. A Lúcia já desconfia de que seja um dia mítico, que talvez coincida com o fim dos tempos. Mas os livros que estão nas estantes têm uma certa organização. A flâmula do Internacional que pende de uma das prateleiras está presa, não me pergunte por que, pelos livros da Clarice Lispector, que pelo menos estão todos juntos. No bunker também tenho meu som, meus discos de vinil, que passam o tempo todo murmurando “Nunca mais”, e os compactos. É lá também que tenho o meu escarrapachão, ou a cadeirona onde, como o nome está dizendo, me escarrapacho, para ler e ouvir música. E nunca para dormir escondido no meio do dia, apesar de calúnias em contrário. 

Ascensão e queda - CLAUDIA ANTUNES


FOLHA DE SP - 10/05/12

RIO DE JANEIRO - Ainda não estão claros os termos da troca no comando da Delta, cuja gestão será assumida por uma holding, a J&F, que é de fora do ramo. Não se sabe, por exemplo, que parte do espólio caberá a Fernando Cavendish, sócio majoritário da construtora envolvida com Carlos Cachoeira e o lobby de Demóstenes Torres.

De todo modo, a queda da Delta que existia até ontem foi fulminante como sua ascensão. A empresa, que há dez anos não estava entre as grandes empreiteiras nacionais, havia atingido a sexta posição no ranking, com a quase totalidade dos seus contratos em obras públicas.

Enturmado com empresários e políticos do Rio, Cavendish transferiu nos anos 90 para o Estado a empresa de obras viárias do pai pernambucano. Aqui, obteve os primeiros projetos fora dessa especialidade.

O crescimento nacional veio no vácuo da CPI do Orçamento, que depois de 1993 levou parte das grandes construtoras a uma retirada estratégica das licitações do Dnit.

No órgão federal de infraestrutura de transportes, a Delta acumulou vitórias dando descontos de até 30% nos preços mínimos, depois complementados por aditivos. Assim fincou pés em 25 Estados, onde hoje tem negócios que incluem coleta de lixo e tratamento de esgoto.

A construtora foi mortalmente atingida pelos registros de suas relações escusas. É difícil crer, porém, que seja a única maçã podre num cesto que aumentou com o crescimento econômico recente e os eventos internacionais que o país sediará.

Outra incógnita vem do fato de que, se a vigilância externa empurra o Planalto a uma maior transparência nos gastos, muitos Estados ainda têm contas fechadas a serem testadas pela nova Lei de Acesso a Informações Públicas. Casos como os de Goiás, surgidos na investigação da PF, devem ter réplicas infinitas, com os mesmos ou outros personagens.

Páginas amareladas - ROGÉRIO GENTILE


FOLHA DE SP - 10/05/12

SÃO PAULO - A Justiça brasileira é tão lenta e ineficiente que ainda está no século passado. No início desta semana, os oficiais da Polícia Militar responsáveis pelo massacre de Eldorado do Carajás foram finalmente mandados para a prisão, após recursos protelatórios que adiaram uma decisão que já havia sido tomada em 2004 pelo TJ do Pará. O caso, vale lembrar, ocorreu há 16 anos, em abril de 1996...

Muita coisa aconteceu no país desde então, quando 19 pessoas foram mortas pelos PMs em um episódio no qual houve vítimas que sofreram tiros pelas costas ou à queima-roupa e um caso de crânio esmagado.
O Brasil era outro. Dilma tinha uma loja de bugigangas no Rio Grande do Sul, a Pão & Circo. FHC era o presidente e nem mesmo a emenda da reeleição havia sido aprovada.

No esporte, o garoto prodígio do futebol brasileiro chamava-se Ronaldo, ou melhor, Ronaldinho, como o Fenômeno, de tão magrinho, ainda era chamado. Neymar não passava de um garotinho de quatro anos que mal tinha aprendido a chutar uma bola.

O que não mudou desde o massacre é a tal morosidade do Judiciário. Os processos continuam a se arrastar por anos e nada é feito de concreto para mudar a situação. Para se ter uma ideia, apenas no Supremo Tribunal Federal tramitam, hoje, mais de 1.100 casos do século passado.

Em 2011, o então presidente do STF, Cezar Peluso, elaborou uma proposta que acabava com a farra dos recursos protelatórios. Na prática, qualquer julgamento de segunda instância teria efeito imediato, a despeito de contestações nos tribunais superiores. Hoje, um caso só transita em julgado após passar por quatro instâncias judiciais.

Ou seja, se a ideia de Peluso estivesse em vigor à época, os responsáveis pelo massacre teriam sido presos em 2004, após a decisão do TJ. Os recursos não teriam impedido o início da pena. A proposta era tão inovadora que, claro, se perdeu num escaninho do Congresso.

CPI quer respostas - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 10/05/12


A maioria da CPI é contra a intenção, de parlamentares do PT, de convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor. Mas os petistas terão apoio, inclusive da oposição, caso façam a opção por encaminhar um pedido de explicações, por escrito, sobre as circunstâncias pelas quais o resultado da Operação Vegas foi engavetado pela Procuradoria. "Algumas questões não são claras e dão margem a mal-entendidos", avalia o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Mapear a ação do lobista de Cachoeira
Para colocar um fim às especulações sobre os tentáculos e a influência do senador Demóstenes Torres (GO) quando estava a serviço do contraventor Carlos Cachoeira, o deputado Francisco Francischini (PSDB-SP), policial federal de formação, acredita que é fundamental a quebra do sigilo telefônico de todos os aparelhos usados pelo senador. Esses dados, concatenados com as missões que recebia de Cachoeira, vão permitir que a CPI conheça quais foram as autoridades e funcionários acionados por Demóstenes. O levantamento mostrará o político em ação, mas também poderá revelar outros integrantes da quadrilha.

"Kakay. Kakay. Tem o telefone do Kakay?” — Demóstenes Torres, senador (GO), pedindo aos jornalistas que procurassem o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro para tratar da decisão do Conselho de Ética

UM RETRATO DA CPI. Ex-ministro do governo Lula, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) explica a existência de dois blocos na CPI. Um que quer investigar a atuação do contraventor Carlos Cachoeira e da empreiteira Delta. E outro que concentra sua preocupação na ação da Procuradoria-Geral da República e da imprensa. Para Miro, o dilema é fácil de decifrar: “Muitos integrantes da CPI não têm condições de discutir corrupção!”

O herói
O delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, que hoje fala na CPI sobre a Operação Monte Carlo, é o mesmo que prendeu em flagrante, em 2006, homem que tentava estuprar uma mulher num apartamento vizinho ao seu.

Em defesa do jogo
Em diálogo de 11 de abril de 2011, grampeado pela Polícia Federal, Carlos Cachoeira pergunta como é o relacionamento de Demóstenes Torres (GO) com o senador Mário Couto (PSDB-PA), pois vai precisar disso num "negócio".

AGU quer seus pareceres sob reserva
No debate sobre a regulamentação da Lei de Acesso à Informação, o advogado-geral da União, Luís Adams, gostaria de manter sob reserva as manifestações sobre a constitucionalidade, ou não, de leis que estão para ser sancionadas pela Presidência da República. Ocorre que essas posições poderão ser usadas contra as decisões presidenciais. Recentemente, a PGR usou um trabalho da AGU para pedir a inconstitucionalidade de lei que tratava da reintegração na Polícia Ferroviária Federal.

Primeira tarefa
O ministro Brizola Neto (Trabalho) vai se reunir entre hoje e amanhã com a CNI, a CNA, a CNC e a Febraban. Orientado pela presidente Dilma, o ministro tenta recompor as relações com as quatro federações, rompidas na gestão Carlos Lupi.

Reforço alimentar
O programa da Merenda Escolar, do Ministério da Educação, que é executado por estados e municípios, vai ser turbinado pelo governo Dilma. O governo vai incluir na cesta um leque de vitaminas para serem oferecidas aos estudantes.

ORIENTAÇÃO do Planalto para os líderes governistas na Câmara: empurrar a votação sobre a nova regra de distribuição dos royalties do petróleo para estados e municípios para o segundo semestre.

O MINISTRO Antonio Patriota (Relações Exteriores) participa de café da manhã hoje com a presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), e outros integrantes do órgão para tratar de Rio+20, Copa e Olimpíadas.

DOIS AGENTES da Polícia Federal abrem o cofre da CPI hoje para auditar os documentos enviados pela 11 Vara de Goiás relacionados à Operação Monte Carlo.

Os alemães devem ser idiotas - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


O Globo - 10/05/12


Você precisa reduzir o colesterol e entrar em forma. Um médico recomenda restrição alimentar - tipo peixe levemente grelhado com legumes no vapor, água com gás e o requinte máximo de uma rodela de limão - mais uma carga pesada de exercícios físicos. Diários. O outro diz que você pode chegar ao mesmo resultado comendo o que gosta, talvez reduzindo os doces, e jogando umas partidas de bocha.

Havendo alguma chance de que esta segunda opção funcione, você será um idiota se escolher a primeira. Ou seja, os alemães são uns idiotas. Essa é a conclusão inevitável que se tira do modo como muita gente apresenta as alternativas de política econômica em disputa na Europa.

Dizem: a chanceler Angela Merkel recomenda - mais do que isso, impõe o regime da austeridade, sacrifício e suor do rosto. François Hollande, o presidente eleito da França, admite que é preciso ter algum cuidado com a alimentação, as contas públicas, mas oferece o caminho do crescimento acelerado e, melhor, sem muito trabalho.

Por exemplo, diz que vai reduzir a idade mínima de aposentadoria de 62 para 60 anos. Na Alemanha, é de 63 anos, mas está subindo para 65 e pode chegar a 67, em alguns casos. Hollande também vai garantir a jornada semanal de 35 horas - uma bandeira de seu Partido Socialista. Na Alemanha, a jornada média chega às 41 horas, sendo a mais longa entre os europeus mais ricos. E os salários na França são mais elevados do que na Alemanha.

Como se dizia: é melhor ser rico com saúde do que pobre doente, não é mesmo? Melhor trabalhar menos, ganhar mais, e aposentar-se antes...

Tem uns probleminhas, porém. O desemprego na Alemanha está na faixa dos 5%, um dos níveis mais baixos do mundo. Na França, é o dobro. Na saída da crise, a Alemanha cresceu acima de 3,2% em 2010 e 2011. A França, metade disso.

Hollande alegou, durante a campanha, que a França cresceu pouco justamente por causa da receita de austeridade - redução do gasto público, especialmente - imposta pelo presidente Sarkozy, uma espécie de sub-Merkel.

Não faz sentido. Sarkozy não aplicou a austeridade, de cuja ideia se afastou justamente por medo de perder a eleição, nem fez qualquer reforma estrutural importante. Conseguiu, é verdade, elevar a idade de aposentadoria para 62 anos, mas essa mudança só começaria a valer mais à frente - de modo que ainda não trouxera qualquer efeito antes de ser declarada morta. Também prometera colocar a França de volta ao trabalho, eliminando a jornada de 35 horas, mas conseguiu apenas algumas exceções, caras.

Já a Alemanha fez boa parte dessas reformas estruturais no início dos anos 2000 - e isso, ironia, com um governo de esquerda, do social-democrata Gerhard Schröder. A partir daí, assentou as bases do crescimento da década seguinte e, especialmente, a capacidade de escapar da crise mais rapidamente.

De onde tiraram que a receita alemã não funciona? É um equívoco enorme apresentar a receita Merkel como a da recessão, em oposição à agenda de crescimento de Hollande.

Merkel está dizendo duas coisas: primeiro, que não é possível crescer de maneira sustentada aumentando déficits e dívidas públicas já elevadas; segundo, também não se cresce sem reformas estruturais que devolvam competitividade às economias nacionais.

Ou seja, a França cresce pouco e tem desemprego alto não por causa da austeridade - o governo gasta lá o equivalente a 56% do PIB, recorde europeu - mas pela falta de competitividade e excesso de despesa e impostos.

Como resolver a falta de crescimento? Ora, é simples, diz Hollande: crescendo mais...

E sabe o que deve acontecer? Nada, além da retórica. O governo Hollande acabará sendo muito parecido com o de Sarkozy - nada de mudanças sensíveis. Merkel vai topar algum plano de novos investimentos europeus, com um dinheirinho de algum fundo de desenvolvimento, para o pessoal dizer que se aplicou a agenda do crescimento.

Como as contas públicas francesas não estão em situação dramática, há um estímulo para continuar levando assim: crescimento baixo, desemprego alto - mas uma boa vida para quem está empregado ou aposentado. As futuras gerações que se danem.

Fatos e fitas - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 10/05/12


BRASÍLIA - Se alguém está entendendo a aliança entre Fernando Collor e o PT para transformar a CPI do Cachoeira em CPI da imprensa, por favor, explique. "Se a mídia quer guerra, vai ter guerra", ameaça um senador petista, segundo o Painel. Afinal, quem quer guerra?
O impeachment de Collor foi por causa da imprensa, do PT ou dos dois? Será que ele não tinha culpa no cartório nem ficou isolado no Congresso e na sociedade?
O mensalão foi fruto da imaginação coletiva da imprensa? Ninguém estava comprando e vendendo votos no Congresso e nos partidos? E nunca houve "aloprados"?
Waldomiro Diniz, então braço direito do braço direito de Lula, José Dirceu, foi ou não foi filmado pedindo propina justamente para o agora famoso Carlinhos Cachoeira?
Antonio Palocci dividia ou não uma casa esquisitona com uma gente mais esquisitona ainda no bairro mais nobre de Brasília? Usou ou não o seu poder de governo para violentar o sigilo bancário de um caseiro?
Palocci multiplicou ou não o seu patrimônio muitas vezes no ano em que era coordenador da candidatura de Dilma? E comprou ou não um apartamento de quase R$ 7 milhões em São Paulo?
E a Erenice? E os ministros todos que ruíram como num castelo de cartas? Foi culpa da imprensa? Eles não fizeram nada de errado? Então por que Dilma acatou a demissão e ainda capitalizou a imagem da "faxina"? Afinal, Collor e o PT estão guerreando contra que mídia, e por quê? A não ser que tentem descontar nos outros as próprias culpas. Vá saber.
Se jornalistas ganharam dinheiro, vantagens e favores de Cachoeira, que sejam investigados e punidos. Mas, se usaram fitas verdadeiras do esquema, por exemplo, mostrando Waldomiro com a boca na botija, apenas fizeram jornalismo.
Contra fatos -e fitas- não há argumentos. O resto é chiadeira, retaliação e guerra, com mensalão e morte de Celso Daniel em julgamento...

O vento mudou, mas para o quê? - CLÓVIS ROSSI


FOLHA DE SP - 10/05/12

Crescimento agora é parte da agenda europeia, mas ainda falta acordo sobre como atingir esse objetivo


PARIS - A Europa tenta começar a sair de seu doloroso labirinto em três movimentos nos próximos 40 dias: a reunião entre o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, no dia 16; uma cúpula informal dos líderes europeus no dia 23; e, já em junho, a cúpula semestral.

Todos os movimentos girarão em torno do crescimento e, por extensão, do emprego, além da austeridade, cravada na cúpula de março. Que os ventos mudaram na direção do crescimento dá prova contundente o porta-voz da grande banca internacional, Charles Dallara, que, em entrevista à TV Bloomberg, sugeriu relaxar o ritmo dos cortes orçamentários na Grécia.

"Eles contraíram seu Orçamento em 10% nos últimos dois anos, e no ambiente atual pode-se construir um forte argumento em favor da moderação do ajuste fiscal", diz.

Por "ambiente atual", entenda-se a eleição de domingo em que 66% dos votos foram para partidos anti-ajuste.

Dallara é um tremendo falcão, capaz de me dizer, há três anos em Davos, que o presidente Barack Obama era "um moleque" por ter afirmado que, se a banca queria guerra, teria guerra.

Se Dallara agora não quer guerra, trata-se de uma rendição aos fatos, assim expostos na coluna de ontem para o "Financial Times" de Martin Wolf, que não é exatamente populista: "O aperto fiscal não melhora o desempenho de economias que encolhem. (...)De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a relação dívida pública bruta/PIB subirá, não cairá, ano após ano, de 2008 a 2013, na Irlanda, na Itália, na Espanha e em Portugal. Cairá brevemente na Grécia, mas só por causa da reestruturação da dívida".

Se a dívida sobe, em vez de cair, e se não há crescimento, aumenta a chance de calote, como percebem os mercados.

Escreve, por exemplo, Dominique Seux, de "Les Echos", o "Financial Times" francês, sobre a pregação de Hollande pelo crescimento: "O novo presidente teve uma boa intuição: o ambiente é favorável a um discurso sobre o crescimento, pois os mercados, tendo votado pela austeridade, mudam de opinião por causa da Espanha".

A Espanha, mesmo sendo fundamentalista no ajuste, virou bola da vez no mercado da dívida ao resvalar de novo para a recessão.

O problema, portanto, é menos convencer os mercados e mais a Alemanha. O governo alemão até topa incluir crescimento no jogo europeu, desde que não seja à custa de mais dívida e mais deficit para financiar pacotes de estímulo.

Merkel prefere as chamadas reformas estruturais, codinome para reduzir a proteção aos trabalhadores, na pressuposição de que, em sendo mais barato demitir e em sendo os salários mais contidos, as empresas contratarão mais. "Nonsense", fulmina o liberal Martin Wolf: "No médio prazo, [reformas estruturais] aumentarão o desemprego, acelerarão a deflação e aumentarão o peso real da dívida".
É escandalosamente óbvio que a Europa não pode esperar o longo prazo. Mas é também óbvio que os novos ventos, pró-crescimento, ainda não encontraram um barco de ideias sólidas sobre o qual soprar.

Barreiras no Mercosul - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 10/05/12


Protecionismo da Argentina só pode ser tolerado se for de fato provisório, com compromisso de retomar integração no médio prazo
Os recorrentes entreveros entre Brasil e Argentina podem passar a impressão de que vai particularmente mal o comércio entre os dois países. Não é verdade.
As exorbitâncias protecionistas argentinas, contudo, mais e mais se tornam um empecilho ao progresso do que, enfim, deveria ser a área de livre-comércio do Mercosul.
Mais de 8% do comércio exterior brasileiro ocorre com a Argentina, terceiro maior parceiro depois de China e Estados Unidos.
Desde 2004, o Brasil tem saldos comerciais crescentes com o vizinho, após nove anos de deficit. Desde 1995, o intercâmbio com a Argentina cresceu tanto quanto as trocas com o restante do mundo (pouco mais de quatro vezes), excluídos os negócios com a China (que se multiplicaram por 34).
A integração com a Argentina deveria ter sido mais rápida. Tumultos econômicos dos dois lados da fronteira e o desesperado intervencionismo argentino emperram a liberação do comércio.
Excluída, na prática, do mercado financeiro internacional desde o calote de 2001, a Argentina corre o risco de se ver privada de reservas internacionais. O perigo se acentua com a fuga de capitais, mais intensa nos últimos dois anos, e pela escassez de investimentos externos diretos (apenas 11% do que o Brasil recebeu em 2011). O saldo comercial é o balão de oxigênio (ou seja, de moeda forte) argentino.
O governo de Cristina Kirchner impôs, em fevereiro, controle burocrático ainda mais rígido de importações, que prejudica em especial empresas brasileiras. Exige que importadores exportem valor equivalente ao de suas compras no exterior, o que produz extravagâncias como indústrias vendendo produtos agrícolas no exterior.
Tais medidas ajudaram a reduzir o comércio bilateral, neste primeiro quadrimestre, em 9,5% (no total, o comércio brasileiro cresceu 4,5%). Sem reação do Brasil, o resultado tende a ser ainda pior.
O governo Dilma Rousseff pode, é claro, negociar e aceitar algumas restrições dos argentinos, vizinhos importantes -90% das exportações brasileiras para a Argentina são de produtos manufaturados.
Os argentinos, porém, deveriam ser os primeiros a refletir sobre a ineficácia de seu intervencionismo. Indústrias padecem de escassez de insumos importados a ponto de interromper a produção. Como a Argentina carece de investimentos e a capacidade ociosa de suas fábricas é mínima, ela precisa importar para poder crescer.
Tolerar desvios emergenciais não significa aceitar um congelamento definitivo do Mercosul. As barreiras devem ser provisórias, admitidas sob a condição de que os vizinhos subscrevam um plano para retomar a integração a médio prazo. Já se foi o tempo de passar cheques em branco para sucessivos governos argentinos.

Gente diferenciada - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 10/05/12


Seria uma impropriedade dizer que há dois pesos e duas medidas na CPMI em cartaz. O que se vê ali são vários pesos na manifestação de posições e nenhuma medida aplicada aos critérios para a tomada de decisões.

Vejamos o caso do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, um alvo antecipado, assumida e calculadamente escolhido pelo PT. No primeiro momento prevaleceu o entendimento sustentado no impedimento legal que, no caso de comparecimento do procurador como testemunha à comissão, poria em risco sua função de titular de eventual ação junto ao Supremo Tribunal Federal.

Depois do depoimento do delegado da Polícia Federal Raul Alexandre de Souza - feito sob a ridícula, por vã, égide do sigilo - houve alteração de opiniões e sobressaiu-se a compreensão de que o procurador teria se "complicado".

E por quê? Porque o policial disse que Roberto Gurgel não tomou providências quanto à Operação Vegas que deu origem à Monte Carlo, causa da prisão de Carlos Augusto Ramos, vulgo Cachoeira, e geradora do escândalo em tela. Tal informação, apesar de sobejamente conhecida, foi interpretada como razão suficiente para se chamar o procurador à CPMI, pois haveria aí indícios de prevaricação.

É de se perguntar quais seriam eles, visto que Gurgel não arquivou o inquérito. Onde está o fato?

Mas, tomemos como aceitável que os deputados e senadores considerem como suspeita a decisão da procuradoria, apenas para facilitar o raciocínio sobre a abundância de pesos e carência de medidas na CPMI. Indícios por indícios, há também indicativos de que a convocação do procurador atenda a interesses escusos: vingança, desmoralização e questionamento legal da atuação de Gurgel no processo. Seria o caso de se investigar tais indícios?

Provavelmente não, pois foge ao foco da CPMI. Já os três governadores suspeitos de envolvimento direto ou indireto com o esquema de corrupção coordenado pelo prisioneiro acima referido e do qual seria um dos braços a construtora Delta, estão sem dúvida enquadrados no objeto da investigação.

No entanto, há resistência tanto em chamar os governadores quanto em abrir à exibição pública os negócios da Delta com governos federal, estaduais e municipais. Qual o argumento? O de que existiriam apenas indícios. Insuficientes para justificar a pisada firme da CPMI nessa seara.

Segundo o vice-presidente da República, Michel Temer, no papel de defensor do PMDB, o governador do Rio de Janeiro não fez nada além de "jantar" com Fernando Cavendish, dono providencialmente afastado da empreiteira.

Por esse raciocínio, então o governador de Goiás, Marconi Perillo, apenas "telefonou" para Cachoeira e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, nada fez além de se "encontrar" uma vez com o personagem para "conversar amenidades".

No mundo virtual dos muitos pesos e nenhuma medida pode ser que seja assim. Mas a realidade não se conduz com semelhante ligeireza.

Cabral precisa deixar claro que sua amizade com Cavendish não guarda relação alguma com os contratos da Delta, vários sem licitação, com o governo do Rio, sem falar na prestação de contas sobre despesas de viagens e festividades nacionais e internacionais.

Perillo deve explicações sobre doações do dito Cachoeira para campanhas eleitorais, sobre tráfico de informações entre a chefia das operações ilegais e funcionários de seu gabinete, sem falar na esquisitice de pagamentos feitos dentro do Palácio do governo goiano conforme indicam diálogos nos grampos telefônicos da PF.

Agnelo necessita dissertar a respeito de várias questões levantadas no inquérito da PF: favorecimentos da Delta em contratos para coleta de lixo no DF, pagamento de propina para a liberação de pagamentos devidos à empresa, relações do seu ex-chefe da gabinete com as organizações Cachoeira e espionagem de adversários feita por gente do Gabinete Militar do governo de Brasília.

Meros vestígios, tão somente indícios? Bem mais robustos que a difusa desconfiança sobre a conduta do procurador-geral.

O trator pega a estrada - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 10/05/12

O ambiente está tenso aqui no Brasil. Entre elites, claro: governo, banqueiros, mídia, políticos e outros do gênero. O governo federal não deixa passar um "ai" que venha de bancos, de seus representantes ou de críticos da campanha dilmiana contra os juros altos.

O ambiente está tenso porque Dilma Rousseff teria descoberto ou escolhido um caminho para encontrar o seu Graal político, sua medalha de ouro, a marca com a qual quer sair da vida política para entrar na história: baixar os juros. Mais modestamente, seria esse o "Plano Real" da presidente. Leva chumbo quem atravessar o caminho luminoso do programa presidencial.

Tucanos de corpo ou de alma e críticos em geral do programa dilmiano desdenham a comparação, dizendo que oPlano Real teve "impactos estruturais e duradouros" no país. "Baixar os juros na marra" não teria o mesmo efeito.

Bem, o Plano Real, em si mesmo, foi um improviso e um artifício brilhante para conter a inércia hiperinflacionária. Não teria ido longe sem medidas complementares (hipervalorização cambial, abertura do comércio, privatização, controle da dívida dos Estados, saneamento bancário).

Não foi pouca coisa, mas muita coisa deixou de ser feita e continuou meio improvisada, no mau sentido. Mas o fim da hiperinflação por si só mudou muito o país, mesmo que ainda faltassem muitas medidas "estruturais" de estabilização.

O programa dilmiano é muito mais improvisado e talvez politizado demais (no sentido de depender mais de força do que de jeito e mudanças institucionais). Mesmo que aos trancos e barrancos, no entanto, vai provocar mudanças em outras áreas se for capaz de manter os juros baixos por algum tempo.

Algumas mudancinhas já são visíveis: investidores procuram alternativas para aplicar seu dinheiro, que talvez agora procure financiar empresas. Talvez Dilma prove a tese de que os juros no Brasil são altos em parte porque são altos faz muito tempo. Mas tratar apenas de juros e câmbio é pouco.

Dilma disse que vai tratar também de reduzir impostos, a carga tributária. Pode ser. Para tanto, talvez tenha de se reeleger.

Mas seus ministros econômicos têm dito que as contas do governo estariam equilibradas ou quase isso em 2014. Sem deficit, com arrecadação crescendo um pouquinho além do PIB, dá para cortar impostos.

Para vir o equilíbrio fiscal, o governo precisa ter alguma sorte (que a crise mundial não fique ainda pior), que o Brasil cresça pelo menos 3,5% ao ano e evitar, daqui até 2014, o aumento de gasto com benefícios sociais e com funcionários (como proporção do PIB). E manter o investimento público nesse nível miudinho, a não ser que reduza o tamanho do Estado em outras áreas.

Convenhamos que equilíbrio nas contas públicas seria um feito. Não seria lá um feito muito duradouro, pois muito dependente do ciclo econômico (anos bons de crescimento do PIB e da receita de impostos). No programa dilmiano faltam alguma visão de médio prazo e mudanças institucionais.

Sim, a gente faz a história do jeito que dá, com os instrumentos à mão. Não há perfeição na política. Mas apenas vontade pura, ou voluntarismo, também não dá certo.

Questão de ordem - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 10/05/12


A dilatação do prazo de sustentação oral do procurador-geral da República no julgamento do mensalão, decidida ontem pelo STF, deve virar mais um instrumento da defesa dos réus na tentativa de procrastinar a apreciação do caso em plenário a até em eventual contestação de resultados. Peritos no processo que acompanham com lupa a definição dos ritos da aguardada sessão consideram que o limite de tempo para manifestação de Roberto Gurgel é de uma hora.

Mesmo com o aval da maioria dos ministros, a exceção aberta, elevando para cinco horas o tempo da acusação, afrontaria a lei e o regimento interno da corte.

Fim da linha Mais céticos, outros advogados dizem que não há instância de recurso acima do pleno do Supremo. "Vamos reclamar com quem? Com Deus?"

Social 1 José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado e ministro de Lula e nomeado por ele para o STF, visitou o ex-presidente em seu apartamento, em São Bernardo, após o fim do tratamento do câncer de laringe do petista.

Social 2 À coluna Toffoli confirmou a visita e disse que falou com Lula algumas vezes sobre sua saúde, mas que "em hipótese alguma" trataram de temas relativos ao Supremo, como o mensalão. Ele ainda não se decidiu se atuará no julgamento ou se vai se dizer impedido no caso.

Ataque Além de insistir no depoimento de Roberto Gurgel à CPI, o PT pode ainda representar contra o procurador-geral por prevaricação no Conselho Nacional do Ministério Público. "Ele deve explicações", diz Cândido Vaccarezza (PT-SP), sobre a falta de providências na Operação Vegas, de 2009.

Empurra Delegados da Polícia Federal rechaçam a tese de Gurgel de que a Monte Carlo foi continuação da Vegas. Já aliados do procurador-geral afirmam que o juiz de Anápolis (GO) poderia ter mandado o inquérito da Vegas diretamente ao STF.

Aliados O deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) fez desagravo ao senador Fernando Collor (PTB-AL) na sessão secreta da CPI. "Presidente, não foi só Vossa Excelência que foi injustiçado. Eu também fui", disse, ao fazer críticas à imprensa.

Calendário Depende só da escolha dos substitutos o anúncio da demissão do presidente da Previ, Ricardo Flores, e do vice-presidente do Banco do Brasil Ricardo Oliveira. Dilma Rousseff deu prazo para resolver a crise: dia 21, quando acontece uma reunião no BB. O ex-senador Cesar Borges (PR-BA) pode assumir diretoria no banco.

Troll das oito Rastreamento recém-concluído pela empresa Scup mostra que o ator José de Abreu, que encarna o personagem Nilo na novela global "Avenida Brasil", é o mais ativo detrator de José Serra (PSDB) nas redes sociais. Abreu também lidera o ranking de citações favoráveis a Fernando Haddad (PT).

Prova dos nove O apoio do PSD à candidatura de Serra será formalizado durante curso ministrado por Gilberto Kassab aos pré-candidatos a vereador da sigla, sábado. O prefeito reafirmará o pleito de coligação proporcional com o PSDB paulistano, mas insistirá que a escolha do vice na chapa caberá a Serra.

Engajado O ministro Brizola Neto (Trabalho) acompanhará amanhã reunião na qual o deputado Paulinho (PDT), padrinho de sua indicação para o cargo, divulgará esboço de sua plataforma para a eleição paulistana. O pedetista se licenciou anteontem da Força Sindical.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Querem transformar a CPI do Cachoeira na CPI do Gurgel e da mídia. Quero saber por que a Delta recebeu R$ 5 bilhões do PAC e foi vendida em 35 dias. Parece algo de fachada."

DO SENADOR PEDRO TAQUES (PDT-MT), sobre as investidas de integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito para desviar a investigação de seu foco inicial: os negócios de Carlinhos Cachoeira e da construtora.

contraponto

Inversão térmica

Durante inauguração de ginásio poliesportivo em Embu das Artes (SP), no final de abril, Aldo Rebelo (Esporte) discursava trajando uma de suas conhecidas jaquetas de couro, mesmo com os termômetros apontando 28ºC. Um dos presentes quis saber se o ministro não estava sentindo calor. Rebelo respondeu:

-Perguntaram a mesma coisa ontem. Eu estava usando o mesmo paletó no Piauí. E estou bem!

No dia anterior, o ministro havia visitado obras em Teresina sob escaldantes 36ºC.

Protecionismo e panos quentes - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 10/05/12


A visita de pequenos e médios empresários argentinos à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para apresentação e oferta de seus produtos, deveria ser parte da rotina comercial de dois sócios do Mercosul - nesse caso, os dois maiores. A Argentina é o terceiro maior mercado para produtos brasileiros, superado apenas pela China e pelos Estados Unidos. O Brasil é o maior importador de mercadorias argentinas. Mas aquela visita, longe de ser um fato rotineiro, é mais um desdobramento de uma situação anormal, incompatível com as regras internacionais de comércio e quase inimaginável quando se trata das relações de dois membros de uma união aduaneira.

Vários membros daquela delegação estão empenhados em aumentar suas vendas ao exterior principalmente por serem a isso forçados pela política da presidente Cristina Kirchner. Alguns nunca exportaram. Exportar é quase sempre uma atividade saudável para as empresas, mas muitos industriais argentinos são hoje obrigados a essa atividade para ter o direito de importar. Não se trata de uma estratégia normal, mas de uma imposição associada à orientação protecionista do governo. Venda para ter o direito de comprar - esta é a mensagem transmitida aos empresários pela Casa Rosada.

Em entrevistas à imprensa, participantes da missão comercial deixaram perfeitamente clara sua situação. Para alguns, vender ao exterior não é a opção mais lucrativa nem teria, numa circunstância diferente, um sentido estratégico. A margem de lucro é menor, porque a concorrência é mais dura que no mercado interno, mas a exportação vai pelo menos possibilitar a importação, disse um dos empresários.

A missão foi liderada pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, e também isso confirma o caráter anômalo da iniciativa. Moreno é responsável, formalmente, pela política comercial interna, não pela administração do comércio internacional. No entanto, é ele o comandante de fato dessa área do governo e isso nunca foi segredo. Ele continua mandando por ser o mentor da política protecionista seguida pela presidente Cristina Kirchner. A Secretaria de Comércio Exterior é chefiada, nominalmente, por uma discípula de Moreno, obediente e sem autonomia para se desviar das ordens de seu guia informal.

Moreno é conhecido pela truculência nas relações com o empresariado e pela imposição de regras não escritas por meio de ameaças. Nem toda ação protecionista do governo argentino é formalizada em determinações escritas e em documentos oficiais. Ordens são transmitidas ao empresariado tanto da indústria quanto do comércio e normalmente são acatadas. Dirigentes de supermercados, por exemplo, podem ser simplesmente orientados a deixar de comprar esta ou aquela categoria de produtos estrangeiros. A informação geralmente chega à imprensa e é publicada, mas a divulgação geralmente não afeta a orientação oficial. Muito raramente o governo brasileiro pede alguma explicação, embora o Brasil, maior parceiro da Argentina, seja também o maior prejudicado.

A omissão do governo brasileiro tem servido como sinal verde para a continuação e até para a ampliação do protecionismo argentino. Governos europeus indicaram, recentemente, a disposição de iniciar na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma ação contra a Argentina. Para mostrar a ilegalidade das políticas adotadas pela Casa Rosada, basta mencionar a demora - frequentemente superior a 90 dias - das licenças para importação. Mas isso é apenas um dos aspectos da ação protecionista.

O descaso do governo brasileiro pelas condições de comércio com a Argentina deixa espaço para os empresários tentarem resolver o problema. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, descreveu o recebimento da missão como tentativa de resolver as questões de forma construtiva. Desse esforço poderão resultar novos negócios. Será, aparentemente, um resultado positivo. Mas esse resultado será obtido por um processo errado: ao buscar o entendimento, sem exigir a eliminação das barreiras, governo e empresários brasileiros acabam, na prática, aceitando e legitimando uma política abusiva, desrespeitosa e inegavelmente ilegal.

Crime organizado - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 10/05/12


O comentário do senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso, de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira já estava no terceiro estágio do crime organizado, buscando negócios legais, resume bem o estado de espírito dos parlamentares que participaram do depoimento teoricamente secreto do delegado da Polícia Federal (PF) Raul Alexandre Marques Souza na CPI.

Mesmo oriundo do Ministério Público, assim como Demóstenes, o senador Taques tem experiência de acompanhar esse tipo de ação criminosa e não estava fazendo um comentário leviano.

As investigações revelaram com uma profusão de detalhes as ligações de Cachoeira com praticamente todos os níveis de poder da República, sendo que tinha no bolso do colete pelo menos um senador - Demóstenes Torres, ex-DEM de Goiás, que o delegado classificou como o braço político da organização - e dois deputados federais - Carlos Leréia, do PSDB, e Sandes Júnior, do PP, ambos de Goiás.

Além do Congresso, o bicheiro tinha influência importante sobre pelo menos dois governadores, o tucano Marconi Perillo (Goiás) e o petista Agnelo Queiroz (Brasília).

A atuação do mafioso não se limitava a Goiás, seu estado natal, ou ao Centro-Oeste, como quis fazer crer num primeiro momento o relator petista, tentando circunscrever as investigações ao interesse de setores de seu partido.

Seu império se espalhava por todo o país, e há ainda a se provar sua participação na empreiteira Delta, de quem parece ser um sócio oculto.

É por esse caminho que um terceiro governador, o do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pode vir a ser convocado para depor na CPI, mas até agora não há indicação de que sua relação promíscua com o empreiteiro dono da Delta, Fernando Cavendish, seja razão para tal convocação.

O vice-presidente Michel Temer tem razão ao afirmar que jantar com empreiteiros não é crime em si, mas pode indicar crimes praticados, já que se sabe, conforme nos ensinou Milton Friedman, que não existem jantares grátis, o que por si só já seria motivo para investigação, que neste primeiro estágio caberia ao Ministério Público ou à Assembleia Legislativa do Rio.

Há ainda a apurar informação não confirmada de que o bicheiro do Centro-Oeste estaria querendo entrar no mercado do Rio e teria se utilizado de canais especiais do empreiteiro Cavendish para realizar essa ampliação de seu negócio.

Se, no decorrer das investigações, ficar comprovado que o verdadeiro dono da Delta era mesmo o bicheiro Cachoeira, como acredita o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aí, sim, o governador do Rio teria que prestar contas à CPI.

Pelo que se sabe das investigações, e com as muitas mil horas de conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, fica patente que o crime organizado estava infiltrado no Poder Legislativo e em alguns Executivos estaduais, e tinha planos ambiciosos de fazer do senador Demóstenes Torres um membro do Supremo Tribunal Federal.

Em termos regionais, o mais próximo que andamos de um cenário de domínio pelo crime organizado de um estado foi no Espírito Santo, onde nos anos 90 do século passado os três poderes estaduais foram todos cooptados, tendo sido preciso a intervenção forte de força-tarefa policial e política para restabelecer a ordem.

A declaração do delegado da PF de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, engavetou a investigação deu nova força aos que querem usar a CPI como instrumento de vingança contra a Procuradoria e a imprensa, pelas mesmas razões: as denúncias sobre o mensalão.

Com relação à imprensa, o delegado Raul Souza foi categórico ao afirmar que a PF não encontrou qualquer indício de ilegalidade nos contatos do diretor da revista "Veja" em Brasília, Policarpo Junior, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

"Apensas conversas entre jornalista e fonte" foi a definição do delegado. Ora, se é verdade que existem mais de 200 ligações telefônicas entre o jornalista e o bicheiro, como gostam de alardear os blogs chapas-brancas, muitos financiados pelo governo exatamente para fazer esse trabalho de solapar a grande imprensa, como não se consegue nenhum diálogo direto entre os dois ou mesmo entre o jornalista e membros do grupo do bicheiro, que revele a suposta troca de favores que evidenciaria o crime?

Até o momento o que há são conversas entre os criminosos sobre o jornalista, que servem para alimentar ilações grotescas sobre conluio da direção da revista com o crime organizado.

Do mesmo modo, não há qualquer indicação nos dados da PF de que Gurgel ou sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, tivessem alguma relação com o esquema criminoso, e é leviana a suspeita de que tenham agido com espírito de corpo. E a explicação oficial dos dois de que a Operação Vegas não tinha indícios suficientes para abrir um processo no STF contra o senador Demóstenes Torres ou outros parlamentares, mas que resolveram sobrestar o caso até que novas investigações em curso pudessem complementar as informações, pode ser confirmada pelo próprio comentário do delegado na CPI: o caso não foi arquivado nem devolvido à Justiça Federal de Goiás para novas investigações, permanecendo três anos aberto até que, com a Operação Monte Carlo, pôde ter sequência com a abertura de inquérito contra o senador de Goiás no início deste ano.

Caberá, portanto, ao procurador-geral da República agir rápido para desfazer a intriga de que não há explicação razoável para sua demora em abrir o inquérito contra Demóstenes Torres, e sua reação foi mais do que adequada. Roberto Gurgel explicitou o que já se sabia, a ação contra ele é mais uma manobra dos que querem confundir o julgamento do mensalão para neutralizar sua atuação, colocando-o sob suspeita.

Isso levaria a suspeita de envolvimento com o crime organizado às portas do STF, o que seria desastroso para a democracia brasileira. Justamente por isso é preciso que a CPI seja prudente ao tratar do assunto, para não servir de pretexto para os que querem tumultuar o julgamento do mensalão.

OLHO NO LANCE - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 10/05/12


O ex-jogador Pelé foi ao lançamento de série de fotografias que leva seu nome, anteontem, na galeria Lume Photos, no Itaim. O artista Claudio Tozzi conferiu a exposição, que tem curadoria de Paulo Kassab Jr. e Felipe Hegg.

CONCURSO ABERTO

O secretário da Segurança Pública de SP, Antonio Ferreira Pinto, vai mexer num vespeiro. Ele baixa nesta semana decreto tirando da Academia de Polícia Civil a exclusividade para a realização de concursos públicos para a contratação de novos servidores da área.

DE FORA
A ideia é transferir a seleção de pessoal para entidades independentes da organização policial.

CENTENA
Só neste ano, estão previstos cinco concursos em São Paulo. Devem ser contratados 310 novos servidores -56 deles, peritos criminais.

TIRO CERTO
Voltaram a circular na CBF informações de que o presidente José Maria Marin prepara a queda de Andres Sanchez do cargo de diretor de seleções. Os tiros que dá em Mano Menezes visariam, na verdade, o ex-presidente do Corinthians. Resultados pífios da seleção serviriam de pretexto para a demissão daquele que considera candidato à sua própria cadeira.

NADA A DECLARAR
Marin voltava ontem da Suíça e não foi encontrado para comentar. Sanchez diz que não sabe "de nada".

CARA A CARA
Marília Gabriela e Herson Capri vão atuar juntos no teatro neste ano.

Farão uma peça com direção de Jô Soares.

VOADOR
O Senado deve votar até a próxima semana o projeto de lei que pune hospitais que exigem cheque caução para a internação de pacientes. O ministro Alexandre Padilha, da Saúde, e Marta Suplicy (PT-SP), que preside interinamente a Casa, combinaram anteontem o calendário para acelerar a tramitação da proposta, analisada ontem na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

MODA AVATAR
A banda Kraftwerk, que se apresenta amanhã no festival Sonar, em São Paulo, trará na bagagem 15 mil óculos 3D. Distribuirão ao público para que todos possam curtir os efeitos especiais do show.

ENFIM AFINADOS
Os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo, que acertaram os ponteiros em fevereiro após trocas de farpas em 2011, vão cantar juntos no próximo dia 20. Farão dois duetos na gravação do DVD "Ágape", de Rossi. Xuxa e o cantor Belo também participarão do show.

REPIQUE
Netinho de Paula, do PC do B, pretende ter nova conversa, na semana que vem, com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), acompanhado do presidente de seu partido, Renato Rabelo. Os comunistas têm defendido uma "terceira via" contra o "Fla x Flu" entre PT e PSDB.

DISTÂNCIA SEGURA
Em entrevista que vai ao ar hoje no "Programa Amaury Jr.", o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, respondeu que acha a atriz inglesa Kate Winslet uma "mulher interessante" e bonita. Quando o apresentador insistiu que ele poderia apontar uma brasileira, o petista brincou: "O Brasil está mais perto, aí ela [a mulher dele, Ana Estela] vai se incomodar. É melhor falar de longe".

ARTE VIVA

O artista Luiz Zerbini foi à abertura da exposição "Fatos e Sistemas - Facts and Systems", do escultor Antony Gormley, anteontem. Tim Marlow, diretor da galeria inglesa White Cube, que abriga a mostra em São Paulo, estava lá.

CURTO-CIRCUITO

A São Paulo Companhia de Dança se apresenta com a Orquestra Sinfônica Municipal de hoje a sábado, no Theatro Municipal. Classificação: dez anos.

Pipo Pegoraro apresenta o show "Taxi Imã" hoje, às 21h, no Sesc Santana. Classificação: 12 anos.

Alexandre Nero lança CD hoje, na Fnac da avenida Paulista, às 19h.

A grife Salvatore Ferragamo faz degustação de chocolates Valrhona hoje, a partir das 16h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

A gangue do guardanapo - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 10/05/12


O guardanapo do Ritz é a bandana perfeita para quem quer surfar nas costas dos bananas (que seríamos nós)



A FOTOGRAFIA da semana, para mim, é a de Fernando Cavendish (dono da Delta) e Sérgio Cabral (governador do Rio), com outros políticos e empresários, alegres além da conta, todos arvorando um guardanapo branco amarrado na cabeça -isso, num restaurante de Paris (o do hotel Ritz, ao que parece), em 2009.

A cena me lembra um caso recente. Um casal de brasileiros frequenta habitualmente um restaurante de Manhattan, porque o lugar é simpático e porque o maître também é brasileiro. Uma noite, no dito restaurante, uma mesa acomoda um grupo especialmente barulhento de mais oito brasileiros: os homens competem clamando seus pedidos de vinhos caros, e as mulheres competem gritando as compras do dia.

O maître recebe o casal de "habitués" pedindo em voz baixa: "Por favor, não vamos falar português, prefiro que eles não saibam que somos brasileiros".

É difícil assumir a brasilidade quando, na boca dos emergentes, o "brado retumbante" é o barulho de quem ambiciona se apresentar ao mundo pelo chacoalho do trocado que tem no bolso.

A mobilidade social brasileira é rapidíssima: em uma geração, criam-se fortunas (com ou sem a cumplicidade do poder público corrupto). Nesse ritmo acelerado de ascensão social, os novos ricos, em regra, adotam o luxo como puro símbolo de status, sem o tempo de elaborar uma cultura que lhes permita apreciá-lo. Com isso, escreveu justamente Elio Gaspari (Folha de 2/5), tentando ser chiques, eles são bregas: sua ostentação revela a falta de um gosto próprio e a vontade de ocultar sua origem recente.

Os novos ricos se envergonham de seu passado mais humilde e tentam ocultá-lo num agito fanfarrão que, justamente, revela aquela procedência que eles gostariam de espantar. Enquanto isso, os outros, como o maître de Manhattan, envergonham-se dos privilegiados de seu país.

Mas tudo isso não nos diz ao que vêm, na festa de Cavendish e companhia, os lenços na cabeça.

Para quem não viu a foto: são guardanapos dobrados em triângulos, cuja base é amarrada ao redor da testa, de modo que o pano recaia sobre os cabelos e a ponta seja eventualmente segurada na nuca. Ou seja, são bandanas.

Pioneiros, vaqueiros e bandeirantes a caminho do Oeste usavam uma bandana, que, ao redor do pescoço, servia para proteger a boca da poeira e dos insetos ou, amarrada de baixo do chapéu, estancava o suor. Antes disso, o mesmo lenço segurava o cabelo dos piratas. Depois disso, nos anos 1960 e 1970, ele segurava o dos motoqueiros rebeldes da contracultura.

A bandana é, tradicionalmente, um apetrecho de quem se engaja (real ou metaforicamente) no vento e na poeira dos caminhos menos percorridos. O ideal do cowboy, do "easy-rider", do aventureiro, do pirata, do surfista errante ou do roqueiro pode se encarnar em usuários mais sedentários, mas não menos ousados -à condição, claro, que eles precisem segurar o cabelo (é o caso, por exemplo, dos chefes de cozinha de hoje). Mas como esse mesmo ideal se encarnaria nos clientes brasileiros do Ritz de Paris?

Talvez a bandana da foto de Cavendish, Cabral etc. seja apenas uma versão da gravata na testa daqueles primos bêbados, que, no fim de uma festa de casamento, escolhem mostrar a todos os outros ("inibidos", "caretas" e "obviamente" invejosos) que eles, sim, sabem se divertir e são os verdadeiros heróis do hedonismo -os que não recuam diante do prazer. Isso, claro, até eles vomitarem num canto (conselho: nunca fique num casamento depois da saída dos noivos).

Ou talvez Cavendish, Cabral etc. achem que eles são mesmo os novos "easy-riders", cowboys ou bandeirantes. Mas qual é, então, sua aventura? Em que jornada eles precisam segurar o cabelo para correr livres no vento?

O guardanapo branco do Ritz é uma curiosa bandana: ele diz que a aventura desses pretensos aventureiros é apenas a de esbanjar seu privilégio (mais ou menos legal), sonhando em ser o objeto da inveja de todos. Em síntese: o guardanapo do Ritz é a bandana perfeita para quem quer surfar nas costas dos bananas (que seríamos nós).

Elio Gaspari prometeu uma viagem a Dubai para quem explicasse as bandanas do grupo de Cavendish etc. Se ajudei, renuncio desde já à viagem oferecida. Receio encontrar, em Dubai, o mesmo pessoal do Ritz ou seus amigos. Prefiro que Gaspari me convide para um jantar qualquer. Aliás, nem precisa me convidar. Mas o jantar é sem bandanas, ok?

Zona do euro, hora da inteligência - JOSÉ SERRA


O ESTADÃO - 10/05/12


A eleição de François Hollande, na França, trouxe à luz a fragilidade da chamada zona do euro e, em larga medida, o erro histórico que significou a moeda única europeia. Ora, ou se tem uma "união", de fato, com instrumentos de política pública que permitam a efetiva intervenção do "governo europeu", ou se tem o que hoje se vê: as regras que, em tese, servem a todos, mas só impedem a aplicação dessas políticas. Vale dizer: a zona do euro existe para dizer "não", jamais para dizer "sim". Em período de prosperidade, tudo bem. Na crise, o desastre!

Ao contrário do que se difunde, ela não resultou de gastanças governamentais desenfreadas nem decorreu, por outro lado, da até há pouco celebrada globalização financeira. A frouxidão fiscal ocorreu, sim, mas em países menores, como a Grécia, com menos de 3% do PIB europeu. Só para lembrar, a Espanha e a Itália tinham, respectivamente, uma relação dívida/PIB baixa e um déficit fiscal moderado. A liberalização financeira foi, e tem sido, é claro, uma condição para a crise, mas só fez acusar o caldo de cultura criado pela lógica da moeda única europeia, cuja implantação, há dez anos, representou um equívoco de porte wagneriano.

A união da Europa foi o sonho de sempre, na esperança de que traria a paz à humanidade. O primeiro passo da integração foi induzido pelo Plano Marshall, feito pelos EUA para ajudar a reconstruir o continente devastado pela 2.ª Guerra e, naturalmente, conter o avanço soviético, na segunda metade dos anos 1940. O efeito foi fulgurante, propiciando "milagres" econômicos precisamente nos países que perderam a guerra: Alemanha e Itália. A Alemanha, em vez de sofrer a pastoralização planejada por vencedores (volta a uma economia rural), reergueu sua indústria e passou a liderar a economia da região.

Numa primeira fase, o euro trouxe bonança. Afinal, permitiu juros menores para a maioria dos países da União Europeia (UE), crédito mais abundante. Beneficiou a todos e, principalmente, à Alemanha, que expandiu aceleradamente suas exportações para a região, em face da sua capacidade de oferta e de conter custos. Mas a crise que veio dos EUA em 2008 - subprime e Lehman Brothers - testou a solidez do modelo, que se saiu mal. Os diferentes países foram afetados e não tiveram instrumentos de política econômica diversificados e fortes para lidar com a situação. Mãos amarradas pela moeda única.

Para arremate, veio a tragédia da pequena economia grega, cujo tamanho deveria limitar o estrago. Engano. Esse gatilho disparou uma crise de confiança, traduzida no aumento alucinante dos prêmios de risco em países economicamente nobres da zona do euro. Em miúdos: encurtamento de prazos e aumento dos juros para refinanciar as dívidas governamentais, além da absorção de dívidas do sistema financeiro público e mesmo privado. Isso tudo ampliou a desconfiança.

De fato, a moeda única chocou-se com a razão econômica e as possibilidades institucionais. Ela exige união fiscal, plena mobilidade de força de trabalho e de capitais, sistema de seguridade unificado. Numa federação de verdade, os Estados desenvolvem-se de maneira desigual, mas isso não afeta o equilíbrio do sistema porque o poder central faz políticas compensatórias. Não há barreiras invisíveis às migrações, por exemplo. O Banco Central funciona, goste-se ou não, como instituição garantidora e os detentores de papéis públicos sabem que, mesmo com um pouco a mais de inflação, terão seus pagamentos honrados, o que lhes diminui a ansiedade e a desconfiança.

Pouco ou nada disso existia e existe na Europa do euro, ampliando notavelmente sua vulnerabilidade a choques adversos. Na UE não há Banco Central emprestador de última instância, não há taxa de câmbio para mexer, não existe poder fiscal compensatório. O orçamento é de 1% do PIB regional. No Brasil ou nos EUA, a União maneja pelo menos 20% do PIB.

Assim, a exclusiva terapia para o enfrentamento da crise nos países mais afetados é a da suposta recuperação da confiança dos investidores mediante o corte de gastos públicos, aumento de impostos e deflação de salários. Crescem, assim, a instabilidade social e política, cresce a desconfiança econômica, pois o crescimento para baixo compromete a capacidade prevista de os governos honrarem seus compromissos.

O Goldman Sachs fez uma simulação do custo do ajuste na Espanha, por exemplo: para zerar seu déficit em conta corrente, hoje de 3,7% do PIB, a desvalorização real teria de atingir 20%, o que demoraria uns dez anos. Nesse período o PIB deveria cair a 0,2% ao ano e o nível de emprego, já baixíssimo, declinar mais de 0,5%/ano. Em troca a Alemanha e outros países superavitários da UE deveriam promover a apreciação real correspondente, com mais demanda e mais inflação dentro de suas economias...

Com variações, esse é o fantasma que agora assombra a Europa. A quebra de uma das pernas da dupla Merkozy, com a eleição de François Hollande na França, mostra a falta de sustentação da estratégia em curso. É simplista a ideia de que o novo presidente francês, depois das eleições parlamentares de junho, vai compor, com outro nome - Merkande? Merkholan? -, uma dupla parecida. O mais provável é que a terapia corrente se desestabilize ainda mais.

A esperança é que as recentes eleições reacendam a vida europeia inteligente, capaz de ganhar o tempo necessário para o aprofundamento da federação. Isso exige puxar duas pontas de barbante: primeiro, o Banco Central Europeu concentrar-se mais na aquisição direta de títulos de dívida, visando a conter e reverter a espiral deflacionista dos ativos; segundo, a da expansão a curto prazo, com mais folga fiscal, sim, dos países superavitários, Alemanha à frente, o que ampliaria o fôlego dos deficitários, por meio das exportações.

Vai acontecer? Vamos ver! A esperança está numa revisão de conceitos do que hoje se consideram fundamentos do núcleo que comanda a UE. Às vezes, é mais difícil mudar uma convicção do que mover uma montanha.

Ueba! Saiu a CPI da Galinhada! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 10/05/12


Como diz um amigo: "A Dilma parece minha mãe, não consegue passar o dia feliz sem dar um pitaco"

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E a manchete do Piauí Herald: "Kassab exige a CPI da Galinhada". Quer investigar por que a galinhada do Atala virou frango de macumba! Rarará!
Galinhada no Minhocão! E esta direto da Colômbia: "Homem que namorou padre por 28 anos ganha direito a pensão". 'Sacranagem' também dá pensão! Rarará!
E a CPI do Cachoeira? Eu não quero nada sigiloso. Quero sexo, sangue e Doritos com Coca-Cola! Quero saber quem comeu quem! Em quem o deputado pensa quando tem uma ereção! E vai ter ex-mulher depondo? "Ex" é quem explode o caneco! E na CPI você aprende que o seu português não é tão ruim assim! E CPI quer dizer Calabresa, Portuguesa e Italiana!
E um conselho do cantor Falcão para os depoentes da CPI: "Melhor cair em contradição que do oitavo andar".
E diz que o Cachoeira vai ficar mudo! Sete quedas sem som! O chargista tal sabe por que o Cachoeira vai ficar mudo: porque, para bicheiro, vale o que tá escrito! Rarará. E o Demóstenes, o Óstenes, o Debóchenes, desde que nasceu tem dois problemas: ético e estético! Rarará!
E hoje começa a clássica pergunta: "O que você vai dar para a sua mãe?". Um Viagra para o meu pai. Isso! Faça sua mãe feliz! Dê um Viagra para o seu pai! Outro vai dar um vibrador: "Porque minha mãe tá velha, mas não tá morta".
E atenção, torcida, domingo não xingue o juiz. Respeite o Dia das Mães! E a Dilma? Como diz um amigo meu: "A Dilma parece a minha mãe, não consegue passar o dia feliz sem dar um pitaco em alguém".
E a natureza é sábia: a mãe do Serra não teve gêmeos! Já imaginou dois com aquela cara de porteiro de necrotério? Rarará!
E todo ano eu falo que o melhor filho é o Maluf. Batizou um complexo viário com o nome da mãe: Complexo Viário Dona Maria Maluf. Então não é complexo viário, é complexo de Édipo! Complexo de Édipo Dona Maria Maluf. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Entro em férias! Alforria decretada! A princesa Isabel era uma lady! E não gritem "de novo?!", por favor. Quando todo mundo entra em férias, as pessoas falam: "Aproveita! Divirta-se". Quando entro em férias, todo mundo grita: "De novo?". Sim, de novo! Rarará! Porque nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!