quinta-feira, novembro 03, 2011

ANCELMO GOIS - Bigode do Sarney


Bigode do Sarney
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 03/10/11

Aberta a temporada de enredos gaiatos de blocos para 2012, o Vem Cá Me Dá, da turma da Barra, no Rio, escolheu o dele.
Será “Na faxina do governo, a vassoura é... o bigode do Sarney!”. Diz a sinopse: “Dá para falar em faxina com Sarney, Jucá, Collor e Renan na base aliada? Se chamassem de lipoescultura, tudo bem.” Faz sentido.

Te cuida, Petrobras
A China, sempre ela, pode vir a ser uma das maiores investidoras no nosso pré-sal, caso se confirme o aporte de 2 bi de euros da Sinopec na subsidiária brasileira da portuguesa Galp.
A Galp é sócia da Petrobras no gigante Campo de Lula (exTupi). A Sinopec já havia adquirido 40% da Repsol Brasil por US$ 7,1 bi.

Moqueca à Cacciola
Alberto Cacciola, 67 anos, o ex-banqueiro, em liberdade condicional, comprava peixe ontem de manhã no Mercado São Pedro, em Niterói, acompanhado de um sujeito que parecia seu segurança. Bom apetite.

Niemeyer cutuca
Mestre Oscar Niemeyer, que faz 104 anos dia 15 de dezembro, descobriu o... Facebook.
O genial arquiteto está encantado com uma página sobre Brasília criada no site pela neta Ana Lúcia, diretora da Fundação Oscar Nimeyer no DF.

Noel poliglota
Com o Rio coalhado de turistas, o Shopping Leblon contratou um Papai Noel... poliglota.
Acredite. O Bom Velhinho, além de português, fala inglês, espanhol, italiano e alemão.

O guarani
Manuscritos inéditos de José de Alencar (1829-1877), o grande romancista cearense, autor de “O guarani”, serão digitalizados.
São 29 textos. Entre as raridades, seu primeiro romance, “Os contrabandistas”, que não concluiu. O projeto é da Petrobras.

Revirada de Lula
Noca da Portela compôs um samba sobre esse momento difícil de Lula para dar de presente ao ex-presidente.
Chama-se “Revirada”. Noca vai entregar à dona Marisa.

Ponte dos suspiros
Do escritor e coleguinha Ruy Castro, após amargar voos atrasados, fundidos e cancelados em horas de espera no Santos-Dumont e em Congonhas:
— Rio e São Paulo são cidades separadas pela... ponte-aérea.
Alô, Infraero!

Roma, cidade aberta
Acredite. O valor da taxa de embarque nos aeroportos privatizados da Itália está quase igual ao preço da passagem.
Uma brasileira pagou R$ 1.688,99 por um bilhete Roma-Rio da Air France e ainda teve de deixar R$ 1.012,42 de taxa.


‘ManGAYra’
Uma turma LGBT organiza uma parada gay na Mangueira. Vai se chamar... “ManGAYra”.
O alegre cortejo sairá pela Rua Visconde de Niterói, dia 13, com a bateria da escola, e acabará numa festa em frente à quadra. A concentração é às 15h.

Aliás...
A 8a- Câmara Cível do Rio derrubou uma multa de uns R$ 2,5 milhões, por “desrespeito de contrato”, que a AmBev cobrava da Mangueira.
É que, em 2010, a empresa não teria entregado cerveja para um evento na escola, que, então, passou a vender outra marca.

Rei Casseta
Campeão na Beija-Flor este ano, Roberto Carlos voltará à Sapucaí em 2012. Mas... na pele de Hubert, do “Casseta e Planeta”, que o imitava no programa.
O “Rei” gaiato sairá na Unidos da Tijuca, convidado pelo carnavalesco Paulo Barros, que levará vários reis à avenida para celebrar Luiz Gonzaga, seu enredo.

Calma, gente
Ontem, por volta de 3h, um suposto marido traído saiu enfurecido da boate Gente Fina, na esquina das ruas General San Martin e Carlos Góis, no Leblon, no Rio, e, aos berros, ofendia a mulher: “Piranha! Vagabunda!”
Vizinhos, acordados pela confusão, gritaram das janelas: “Cala a boca, corno! Corno histérico!”

Cena carioca
Um velho Aero Willys, todo enxuto, trafegava outro dia a uns 60km/h, na Avenida Brasil, com o seguinte adesivo: “Respeite os mais velhos.”
Eu concordo.

TÂNIA KHALILL, a linda atriz que brilha em “Fina estampa”, a novela da TV Globo, dá uma bicota na filha Isabela, de
4 anos, em tarde de desfile infantil no Copacabana Palace

ÚRSULA CORONA,a formosa policial Elizabeth (prende eu) de “O astro”, da TV Globo, prestigia show do cantor sertanejo João Gabriel, no Lapa 40º

PONTO FINAL
Parceiro da coluna flagrou, em Edimburgo, Escócia, este cartaz numa loja. O texto anuncia uma promoção em que o freguês, se gastar 30 libras ou mais, ganha grátis um... “sporran”. Lá, “sporran” seria uma pequena bolsa de couro. Em Morro Agudo, é... deixa pra lá.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Fim da novela
SONIA RACY
O ESTADÃO - 03/11/11

Os minoritários da Schincariol fecharam acordo com a Kirin na terça-feira, conforme antecipado, anteontem, no blog da coluna. Isto é, os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol devem deixar de ser sócios da cervejaria nos próximos dias.

Pelo que se apurou, a empresa japonesa acertou pagar pouco mais de R$ 2 bilhões para chamar a Schin de “só sua”. Vale registrar que, pelo controle, a multinacional desembolsou R$ 3,95 bilhões em agosto. Pagos a Adriano e Alexandre Schincariol.

Família feliz, tudo pronto para nova etapa de vida.

Ponto para Sampa
O ministério de Miriam Belchior liberou R$ 16 milhões para a reforma do tradicional Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

Antonio Grassi, da Funarte, se prepara para a licitação.

Pra brasileiro ver
Ainda que os bancários resolvam, voluntariamente e de boa vontade, compensar os dias parados, não é viável cumprir todas as horas até o dia 15 de dezembro. 

Motivo? 
A reposição está limitada a duas horas por dia, de segunda a sexta-feira. E um bancário que trabalha oito horas e, por exemplo, fez 21 dias de greve, estaria devendo 168 horas.

Pra brasileiro 2
Se a compensação tivesse começado na segunda-feira passada, seria possível a compensação de somente 66 horas – 33 dias úteis multiplicados por duas horas.

Isso significa que nem se quiser, o funcionário conseguirá repor os dias parados.

Ganha o cinema
Em parceria com a K&C, Patrick Siaretta inova: montou um “funcine”, fundo de fomento à indústria cinematográfica.
E começou pra lá de bem: já tem R$ 30 milhões de capitalização, por meio de edital do BNDES, e está completando a captação de quantia equivalente.

O projeto replica o sistema americano de mini estúdios.

Abandono
Com quase 2.000 peças tombadas pelo Iphan se deteriorando, o Museu Arqueológico de Taquara, no RS, está fechado desde 2009. Tem um único funcionário, seu diretor.

A revista da Biblioteca Nacional vai denunciar.

Online
Julia Bacha publicou no site Just Vision quatro novos curtas-metragens. Parte da série Home Front – Portrait of Sheik Jarrat, são um retrato do bairro palestino de Jerusalém oriental, que assiste ao crescimento de assentamentos judeus.

SimCity
Durante a Bienal de Arquitetura de SP, que vai até 4 de dezembro na Oca, os visitantes poderão criar a própria cidade. De Lego.

Na frente
Susanna Lemann, Anita Besson Moraes Abreu, Robert Betenson e Martin Frankenberg pilotam festa de 10 anos de sua Matueté. Terça-feira.

Sergio Mindlin, do Conselho do Instituto Ethos, foi eleito Personalidade do Ano, pela revista A Rede.

A exposição 01143 Anual Arte abre segunda. Na Faap.

Luiz Gonzaga Belluzzo, Ricardo Young e Luiz Felipe D’Ávila falam sobre reforma política e voto distrital em evento do Fórum de Líderes. Dia 11, no Gran Estanplaza Hotel, em SP.

Eduardo Fischer oferece jantar, em sua casa, para homenagear o Fórum Global de Sustentabilidade SWU. Entre os convidados, Neil Young e Laís Bodanzky. Dia 11.

O Ibama- SP resolveu abrir processos administrativos contra servidores acusados de passar informações à imprensa. Detalhe: os dados dos processos são públicos e não correm sob sigilo.

Para deixar de fumar
Drauzio Varella está próximo de sua maior conquista. Vem se empenhando em uma grande campanha de mobilização popular para que fumantes deixem o vício. Uma semana antes de Lula ser diagnosticado com tumor na laringe – do qual o tabagismo é fator de risco –, o médico recebeu a coluna para falar sobre seu novo quadro no Fantástico, Brasil sem Cigarro. A estreia, domingo, acompanhará alguns personagens que querem parar.

Sobre o câncer do ex-presidente, nem uma só palavra: “Não comento casos de pacientes tratados por outros médicos. Acho antiético.”

Por que fazer uma campanha dessas agora?

Já conseguimos muito no Brasil. Baixamos o índice de fumantes, que era de 60% dos adultos acima de 15 anos na década de 60, para 16%. Fuma-se menos aqui do que nos EUA e em muitos países da Europa. E até o fumante que jura que não quer parar, na realidade quer, sim. Ele sabe que precisa deixar o vício. Comigo foi assim durante 19 anos.

E como decidiu parar?
Um dia, pensei: “Não tem mais cabimento fumar”. Nunca mais coloquei um cigarro na boca.

E o álcool?
O problema do cigarro é pior. A droga fumada é compulsiva. Não existem 16% de adultos alcoólatras no Brasil. O problema é grave, tem custo social alto, mas quem bebe com controle não é alcoólatra. Na outra mão, todos os fumantes são, necessariamente, dependentes de nicotina.

E os que dizem “não fumo mais, é só um cigarrinho de vez em quando”?
Isso não existe, porque ninguém se cura da dependência química. Quando para de fumar, vira ex-fumante. Mas a vontade sempre existirá.

Como deixar o vício?
É essencial estabelecer uma data, porque todo ex-fumante se lembra de quando parou. Nós escolhemos o dia 13 de novembro. Também é importante ter um pouco de controle sobre o próprio corpo. Comece cortando o número de cigarros pela metade. Depois, atrase, em duas horas, o primeiro cigarro do dia. Assim, o fumante começa a perceber que pode mandar no cigarro. Se consegue ficar duas horas sem fumar de manhã, por que não tentar um dia inteiro?

Quais os medos do fumante que quer abandonar o cigarro? Toda droga destrói o caráter do sujeito. Ele acha que não vai conseguir. Então, um grande medo é lidar com a ansiedade provocada pela crise de abstinência. Existe o medo de engordar, de perder a concentração. Ele quer parar de fumar e continuar feliz. Isso não existe. O organismo vai pedir o cigarro. A nicotina não vem sozinha, mas com quatro mil compostos diferentes. E a uma temperatura altíssima. Vai parar nos brônquios e alvéolos. E toda aquela fuligem não tem por onde sair.

EDUARDO CAMPOS - Uma bomba-relógio "made in China"



Uma bomba-relógio "made in China"
EDUARDO CAMPOS
VALOR ECONÔMICO - 03/11/11


As atenções estão voltadas ao encontro do G-20 e como lidar com a Grécia e suas peripécias. Mas, se ampliarmos um pouco mais o foco, há coisas acontecendo do outro lado do mundo com potencial destrutivo que, por ora, parece subavaliado.

Os últimos indicadores de atividade confirmam uma redução no ritmo de crescimento da China. Mas enquanto os economistas discutem se o monstro asiático terá um "pouso suave" ou "pouso forçado" eventos bastante interessantes passam quase despercebidos.

Entre eles, os alertas sobre um possível colapso do "shadow banking" chinês. Em recente relatório, economistas do Credit Suisse falaram sobre a possibilidade de problemas nesse obscuro mercado de empréstimos informal que funciona por lá e movimenta mais de US$ 620 bilhões.

Esse mercado de empréstimo paralelo tem diversas fontes, como "trade finance", a criação de "trusts" e até mesmo estatais com acesso a crédito barato, que funcionam como intermediários de empréstimos em um mercado que tenta burlar os limites na concessão de crédito impostos pelo Banco da China no mercado oficial.

Recente reportagem do "Financial Times" também chamou atenção para a questão, mostrando que empresas com excesso de caixa, como PetroChina e ChinaMobile possuem braços financeiros e apontou que mais de 64 empresas não financeiras emitiram empréstimos em 2011 até o fim de agosto (levantamento do diário China Economic Daily).

Não que o BC chinês não tenha conhecimento disso. De fato, algumas medidas para conter o crescimento desse mercado foram anunciadas recentemente. Mas para os analistas do Credit Suisse, o "shadow banking" chinês é uma bomba-relógio, com potencial destrutivo superior ao da crise de endividamento soberano europeu.

A questão fica mais complexa ao sabermos que mais da metade dos fundos gerados nesse sistema paralelo vai para o mercado imobiliário, onde poucos refutam a existência de uma bolha.

O mercado imobiliário tem cara de mania na China, país que nunca passou por um período de expansão imobiliária de tais proporções. A ideia que sempre alimenta as bolhas é que os preços vão subir para sempre (miopia do desastre). Mas os fatos começam a desafiar essa visão turva da realidade.

Os preços começaram a cair em algumas localidades e os compradores estão protestando. Isso mesmo. Semana passada centenas de mutuários protestaram contra a queda de preço de imóveis em Shanghai e outros lugares.

Segundo o China Business News, a redução da demanda leva a corte de preços de 20% em alguns empreendimentos.

O Shanghai Daily deu um exemplo bom do que está acontecendo e porque centenas de chineses estão invadindo empresas e stands de venda e exigindo restituições. Um empreendimento que custou cerca de US$ 2.600 o metro quadrado um ano atrás estava sendo vendido por 30% menos neste ano. Quem pagou preço cheio não está nada contente.

Isso sem falar nas notícias de gigantescos empreendimentos vazios e a existência de "cidades fantasma" em algumas regiões.

Fora do setor imobiliário, há a questão do endividamento das províncias, que também se refestelaram nessa farra de crédito intensificada após a crise de 2008, quando o BC chinês afrouxou seus controles.

Toda a exuberância chinesa dos últimos anos sustentou e ainda sustenta boa parte da economia mundial. Brasil inclusive, via explosivos preços de commodities (ganho nos termos de troca) e produtos de consumo barato (amenizando descompasso entre oferta e demanda).

Agora, o que aconteceria caso a China dobrasse sob o próprio peso? Como o Partido Comunista reagirá a uma típica explosão de bolha de crédito capitalista? Melhor nem pensar.

Para refrescar a memória depois do feriado: na terça-feira, o dólar teve novo pregão de firme alta. No mercado à vista o preço subiu 1,93%, para R$ 1,737. Em dois pregões a moeda americana já ganhou 3,15%.

No mercado de juros, as taxas fecharam praticamente estáveis. Falta incentivo para o investidor ampliar as apostas de corte na Selic. Por ora, os contratos sugerem três reduções de meio ponto percentual como "preço justo".

TUTTY VASQUES - Inveja do Zezé!


Inveja do Zezé!
TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 03/11/11

Chitãozinho e Xororó teriam chegado a pensar seriamente na possibilidade de anunciar uma separação artística já no próximo show da dupla. 
Não seriam, decerto, os únicos sertanejos de prestígio a sentir uma pontinha de inveja da volta triunfal de Zezé Di Camargo e Luciano, sem que os dois filhos de Francisco tenham ido a lugar nenhum, exceto Curitiba.
A despeito da turma que vê maldade em tudo hoje em dia no Brasil, as evidências de marketing involuntário são, nesse caso, flagrantes até para quem não é goiano. 
Ou, no caminho entre o CTI e o programa do Jô, Luciano teria inventado algo mais lúdico que “retenção urinária” para justificar o diurético que misturou com uísque, Rivotril e revertério.
O melhor que eles fizeram, depois de beicinho nos bastidores, foram as pazes na televisão. Antes que a tal “briga de irmãos” ficasse absolutamente desinteressante - como, de fato, aparenta ser - e prejudicial à turnê que cumprem até o final do ano.
Aposto que, amanhã e depois, eles farão os shows mais concorridos da carreira da dupla no Rio, daí essa inveja do Zezé no mundo sertanejo. Só ele tem um irmão como Luciano - e vice-versa. Sortudos!

Precisa se alimentarA crítica especializada - ô, raça! - não deu a menor bola para o que, de cara, salta aos olhos no novo CD de Marisa Monte. A cantora está magrinha demais da conta! 

À la Nunes"EU FIZ QUE FUI, MAS NÃO FUI E ACABEI FONDO!"
Luciano, explicando no programa do Jô o drible que deu no irmão Zezé Di Camargo em Curitiba.

Mora na filosofiaA maioria dos alunos rebelados da USP teve pelo menos um bom motivo para decidir em assembleia na noite de terça-feira pela desocupação da Faculdade de Filosofia da universidade. A previsão já era de Sol para o feriado de hoje na capital paulista. A minoria que preferiu ficar para invadir a reitoria não tinha mais o que fazer!

Cansada de guerraO que faz a ministra Iriny Lopes, das Políticas para Mulheres, que não se manifesta sobre a surra que a Christiane Torloni tomou noite dessas na novela Fina Estampa? Se o Pereirão (Lília Cabral) que a agrediu fosse homem de verdade, a cena ia suscitar a aplicação da Lei Maria da Penha.

Alegria, alegriaEnfim um motivo para festa no PT: O bota-fora da candidatura Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo não tem data para terminar. Saída mais honrosa, impossível!

Rédea curtaA primeira - dama Michelle Obama proibiu terminantemente o marido de falar em controle cambial no encontro a portas fechadas que o presidente americano terá nesta sexta-feira com Cristina Kirchner em Cannes. Deve ter lá seus motivos, né?

DENISE ROTHENBURG - Marta abre a porteira


Marta abre a porteira
DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 03/11/11

A decisão de Marta Suplicy (PT-SP) em não concorrer à Prefeitura de São Paulo tem mais desdobramentos e simbolismos do que qualquer um pode imaginar. A começar pelo simbolismo. No curto prazo, representa a passagem do bastão para os mais novos dentro do PT paulistano — isso porque ela não está desistindo em favor do senador Eduardo Suplicy, seu ex-marido. E, sim, dentro da perspectiva de fechar com o grupo que hoje apoia a candidatura de Fernando Haddad apontado até pelo presidente do PT, Rui Falcão, como o candidato a prefeito antes mesmo da prévia. 
Se levarmos em conta os pré-candidatos que se apresentam para essa prévia — se é que eles não vão desistir até o dia 27—, veremos que, à exceção do senador Eduardo Suplicy, todos estão na beira dos 50 anos. Jilmar Tatto tem 46, Haddad, 49. Tudo bem. Carlos Zaratini tem 51. Podem não ser jovens perto da perspectiva dos 20 anos, mas na seara política são da nova geração. 

2008, o primeiro sinalO ex-presidente Lula, que enxerga longe em termos de política, foi o primeiro a perceber que existe uma certa fadiga de material dentro do PT. O partido completa nove anos no exercício da Presidência da República, e muitos de seus quadros não conseguiram tirar de si a mancha do mensalão, um processo que se arrasta desde 2005. Na visão de Lula, ou o partido muda, ou vai acabar perdendo o poder. 
O então presidente da República concluiu esse diagnóstico quando Gilberto Kassab venceu Marta e a velha guarda da política na última eleição paulistana, em 2008. Ali, começou a trabalhar a candidatura de Dilma Rousseff, que, embora não seja propriamente da nova geração, foi novidade total. Sob as bênçãos de Lula, ela se apresentou rejuvenescida, bonita e segura na campanha de 2010. Somado a um governo bem avaliado e popular, deu certo. 

2012, a hora do novoO que Lula fez com Dilma, espera fazer com Haddad no centro mais nervoso do mundo petista, São Paulo. O ex-presidente andou metade do caminho, ao levar uma maioria dentro do PT a apoiar o nome do ministro da Educação sob o seguinte raciocínio: ora, se deu certo na Presidência da República, por que não dará na prefeitura de São Paulo? Ocorre que os outros grandes partidos, com bom tempo de televisão, também se deslocam em busca do novo. Há Bruno Covas, no PSDB, se José Serra não for candidato; Gabriel Chalita, no PMDB. Vale lembrar que, em 2010, Marina Silva obteve uma votação expressiva, apesar do pouco tempo de propaganda eleitoral gratuita. 

2014, as apostasAssim como Marta chega a esta quinta-feira pronta para anunciar que não será pré-candidata a prefeita, Aloizio Mercadante, o ministro de Ciência e Tecnologia que sonha governar São Paulo, corre o risco de ser levado pelo mesmo caminho ali na frente. No caso do governo paulista, o novo em gestação é Alexandre Padilha, o discreto ministro da Saúde. 
A desistência de Marta Suplicy tem reflexos ainda sobre o plano nacional, onde Lula também trabalha novas lideranças. No PSB, por exemplo, as ações dele nos últimos anos isolaram os Ferreira Gomes — os irmãos Ciro e Cid no Ceará — e encheram a bola do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. A ascensão de Eduardo e a forma como Lula vê seu futuro político, tema que o ex-presidente trata como poucos, mostram que, mesmo fora do PT, ele faz suas apostas. 
Nos últimos anos, justiça seja feita, não surgiu qualquer outro líder com tanto prestígio junto à população quanto o ex-presidente e isso faz com que uma gama de políticos siga o que ele recomenda. Não é à toa que todos rezam pelo seu pronto restabelecimento. Afinal, quem não o apoia está louco para provar ao próprio Lula que ele está errado. No caso dessa desistência de Marta, quem vai dar esse veredicto são os eleitores da cidade de São Paulo, hoje o maior laboratório da política e do tino de Lula. Vamos observá-los. 

EUGÊNIO BUCCI e MARIA PAULA DALLARI BUCCI - Os ases etílicos e a 'liberdade de bafo'


Os ases etílicos e a 'liberdade de bafo'
EUGÊNIO BUCCI e MARIA PAULA DALLARI BUCCI
O ESTADÃO - 03/11/11

Na edição de domingo, este jornal publicou a foto de um jovem sorridente, recostado no capô de seu automóvel de luxo, segurando um copo de vodca misturada com energético. Segundo a reportagem, assinada por Paulo Sampaio, o rapaz da fotografia, Bruno Cecchinato, de 22 anos, estava "com a voz embargada, rindo à toa", e prometia pegar no volante em seguida: "Tenho que ir para casa, velho". Isso numa cidade que registra, só neste ano, 16 homicídios dolosos no trânsito. Homicídios praticados, quase sempre, por motoristas alcoolizados. Estamos diante de uma nova modalidade de crime, produzida pela combinação de três fatores explosivos: um carrão importado, um exibicionista bêbado ao volante e um sistema de vigilância inoperante, que não consegue sequer obrigar o criminoso a soprar no bafômetro.

E por quê? "Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo", recita o penalista contratado pelos ébrios pilotos, num argumento que vem encontrando cada vez mais acolhimento no Judiciário, e agora também no Superior Tribunal de Justiça. Não que o princípio geral invocado não seja justo. Ele tem fundamento. Nesses casos, porém, a sua aplicação mecânica carece de sentido histórico e resulta estapafúrdia.

Sem dúvida, todos têm direito de defesa e não se pode impor a um suspeito que, em lugar de se defender, produza a prova que demonstre sua própria culpa. Mas aqui não se trata disso. Impedir um motorista embriagado de seguir ao volante não constitui uma violação da sua liberdade de defesa, é um ato legítimo do Estado para proteger a vida dos que, trafegando na rua ou na calçada, podem estar ao alcance do veículo. Portanto, um sujeito que bebe todas e conduz o seu bólido a 160 por hora pelas avenidas da cidade não pode alegar que dispõe da "liberdade" de repelir o bafômetro.

Pois agora é assim. Os ases movidos a álcool contam com o auxílio da tese de que o bafômetro é uma intromissão inconstitucional na sua privacidade. Querem nos dar lições de liberdade, mas lhes falta o senso de proporção. As pessoas podem se embriagar o quanto quiserem, mas, definitivamente, não têm o direito de dirigir embriagadas, pondo em risco a vida alheia. Se o motorista já é obrigado, dentro da legalidade, a usar cinto de segurança, a portar sua licença e até a usar óculos ao volante (quando recomendado na carteira), além de manter os equipamentos de segurança de seu automóvel em ordem, por que é que ele não pode ser obrigado a estar sóbrio quando dirige?

Os defensores da hermenêutica que sacraliza o bafo do cliente milionário fazem de tudo para melar a Lei Seca. Trabalham para perpetuar, no Brasil, a vigência dos privilégios (como o de não soprar no bafômetro) acima da vigência dos direitos (como o direito à vida das suas vítimas). Na escravidão também foi assim: o direito de propriedade do senhor tinha mais valor que a liberdade do escravo.

Desde o primeiro tratado pelo fim do tráfico de escravos, assinado em 1810 por dom João VI, foram necessários quase 80 anos para derrubar uma ordem econômica baseada num argumento jurídico protoliberal. Os proprietários - e, mais que eles, os traficantes - sustentavam o seu direito de propriedade sobre as "peças". Em 1826, já imperador, dom Pedro I comprometeu-se a acabar com a escravatura em três anos. Não o fez. Em 1831, nova lei declarava que qualquer escravo que entrasse no território estaria em situação ilegal. Não adiantou nada. Nunca se importaram tantos. Foi necessária muita pressão dos ingleses para que, em 1850, a Lei Eusébio de Queiroz encerrasse, de direito e de fato, o tráfico negreiro no País.

Muitas batalhas jurídicas foram travadas até que, em 1871, fosse declarada a libertação das crianças filhas de escravas que nascessem a partir dali (Lei do Ventre Livre) e, 14 anos depois, a dos sexagenários (Lei Saraiva-Cotegipe). Nos dois casos, o que prolongou e acirrou as discussões, impondo a Joaquim Nabuco uma derrota eleitoral - ocasião em que partiu para a Inglaterra, onde escreveu O Abolicionismo - foi a invocação, pelos senhores, do direito a indenização pela perda da propriedade sobre os escravos já existentes e em potencial.

Enfim, somente depois de oito décadas a liberdade e o direito à vida e à dignidade prevaleceram sobre o interesse privado dos proprietários - e, mesmo assim, de maneira incompleta: como vaticinara Nabuco, não bastava acabar com a escravidão, era preciso desfazer a obra que ela nos legara.

Com essa história de privilégios bestiais às nossas costas, não nos deveríamos surpreender ao ver agora apresentada como natural uma tese jurídica precária, igualmente amparada pela lógica que favorece os de cima, embaraçando a plena efetivação da Lei Seca. A argumentação dos hiperindividualistas transforma o algoz em vítima, a pretexto da defesa das liberdades.

Mas como? Que sacrossanta liberdade individual está em jogo? A liberdade de dispor do próprio hálito? Francamente, parece conversa de bêbado.

A prevalecer esse hiperindividualismo um tanto etílico, estaríamos até hoje sem cinto de segurança, pois não caberia interferir na liberdade dos passageiros dentro dos seus automóveis particulares. Também não se poderia obrigar os motociclistas a usar capacete - cada um seria dono do direito de esborrachar a sua cabeça onde bem entendesse.

Se, no entanto, prevalecer a civilização, temos de ler a lei em seu contexto histórico. Muita gente entre nós já dirigiu embriagada um dia na vida. Também por isso, todos sabemos dos riscos implicados.

Já aprendemos a usar o cinto e a controlar a velocidade nas estradas. Está na hora de aprendermos a sobriedade. Ao menos na hora de dirigir. E de interpretar a lei.

Eugênio Bucci e Maria Paula Dallari Bucci; jornalista, é professor da ECA-USP e da ESPM; advogada, é doutora em Direito pela USP 

DORA KRAMER - Involuntária vontade


Involuntária vontade
DORA KRAMER 
O Estado de S.Paulo - 03/11/11

Dizer que a senadora Marta Suplicy "concorda" em desistir da candidatura à Prefeitura de São Paulo é quase uma licença poética.

O anúncio da desistência, previsto para hoje, significa apenas que o ex-presidente Lula por intermédio da presidente Dilma Rousseff deu a Marta a prerrogativa de comunicar a retirada. Espera-se no PT que ela o faça alegando compreender que é o "melhor" para o partido.

A julgar pelo que disse Marta há pouco tempo, não é o que ela pensa de verdade. Em mais de uma ocasião a senadora falou que Lula só continuaria investindo na candidatura de Fernando Haddad se quisesse perder a eleição.

Disse também que Lula podia muito, mas não podia tudo dentro do partido. Não foram exatamente essas as palavras, mas na essência foi isso. Mostrava-se disposta a confrontar o chefe, que, como se vê pela posição da seção paulista do PT e até por declarações da direção nacional, continua podendo tudo e mais um pouco.

Marta Suplicy é hoje a mais bem colocada nas pesquisas de opinião e, na avaliação de gente graúda do principal partido adversário, o PSDB, com chance concreta de vitória.

Não é o que se diz no PT nacional. Ali a avaliação segue a cartilha de Lula: Marta tem alta rejeição, quase perdeu a vaga no Senado para Netinho de Paula e, de mais a mais, alega-se que o partido deve investir em nomes "novos", gente com perfil mais adequado à captura do eleitorado de classes média e alta.

A senadora é boa de periferia, reconhece a cúpula. E, por isso mesmo, fundamental para a campanha de Haddad.

Semanas antes de a presidente Dilma comunicar - segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto num encontro sem maiores solenidades no Aeroporto de Congonhas - a Marta que chegara a hora da retirada, o dilema dos petistas era justamente encontrar uma maneira de fazê-la desistir e, ao mesmo tempo, levá-la a pôr seus préstimos eleitorais a serviço de Haddad.

O momento em que Lula está em tratamento de câncer, alvo da solidariedade geral, pareceu o ideal. Marta vai insistir? Não teria como, até pensando em lances futuros.

A troca da candidatura por um ministério, um ministro com assento entre os conselheiros políticos da presidente acha difícil, não faz o gênero dela. O apoio a uma candidatura ao governo de São Paulo em 2014 bate de frente com o argumento de que o PT precisa investir em nomes novos.

Mas por que não deixá-la ir às prévias? Porque sem a desistência dela os outros pré-candidatos também não desistiriam, o partido se dividiria e Marta Suplicy correria o risco de ganhar.

Contra-ataque. A despeito da pressão da base aliada por liberação do dinheiro de emendas ao Orçamento para votar a prorrogação da Desvinculação de Recursos da União (DRU), o governo não dá à questão a mesma dimensão que teve a CPMF.

Acha que dispõe de argumentos muito mais sensíveis aos ouvidos da população. A DRU dá ao governo autorização para manejar parte do Orçamento como quiser. Portanto, não se trata, como no caso do imposto do cheque, de mexer no bolso do contribuinte.

De onde o palácio, se preciso for, dirá que o Congresso está apostando na paralisação de programas importantes para a população. Os de transferência de renda, por exemplo.

Repare bem.

. Exigem ficha limpa de quem denuncia corrupção, mas não se olha o estado da ficha de candidatos a nomeados ou a entidades conveniadas.

. Os petistas alegam que "mensalão" é uma figura de linguagem inventada pela imprensa, mas aceitam a definição quando se trata do campo adversário: mensalão do DEM, mensalão tucano, mensalão mineiro etc.

. O uso de organizações governamentais para desviar dinheiro público nos ministérios explica o fracasso da CPI das ONGs, criada na legislatura passada e enterrada sob o gentil patrocínio da maioria governista.

. A alta abstenção (mais de 26%) do Enem neste ano guarda relação direta com a perda de confiabilidade do exame.

FERNANDO REINACH - A liberdade de decidir



A liberdade de decidir
FERNANDO REINACH 
O Estado de S.Paulo - 03/11/11

Imagine que você esta sentado à mesa jantando. Na sua frente estão dois copos, um com água, outro com vinho. Durante a refeição você escolhe diversas vezes se deseja tomar um gole de vinho ou de água. Como ocorre cada decisão?

O que percebemos é que existem dois momentos. No primeiro você decide conscientemente o que quer tomar (água por exemplo). No segundo momento, tomada a decisão, seu cérebro direciona sua mão para o copo e você bebe um gole. Nos últimos anos diversos experimentos demonstraram que isso é uma ilusão.

O ato de escolher um copo na verdade ocorre em três tempos. No primeiro momento seu cérebro decide que bebida vai tomar. No segundo momento esta decisão aparece na sua consciência (e você pensa que está tomando a decisão - uma ilusão, porque ela já está tomada). E no terceiro momento sua mão se dirige para o copo. Em outras palavras, a decisão é tomada inconscientemente e somente depois aparece na nossa consciência.

A prova de que este primeiro momento existe, e é real, foi obtida em experimentos nos quais a atividade do cérebro foi medida antes, durante e depois do processo de decisão. Os experimentos colocam em xeque o próprio conceito de que nossa consciência é a responsável por nossos atos. Vale a pena entender como estes experimentos foram feitos.

O voluntário é colocado na frente de uma tela de computador onde aparece somente uma das letras do alfabeto, escolhida de maneira aleatória. A letra é trocada a cada meio segundo. O voluntário coloca a mão esquerda sobre um botão (o copo de água) e a mão direita sobre outro botão (o copo de vinho). A instrução é simples. O voluntário observa as letras por quanto tempo quiser até decidir apertar o botão esquerdo ou o direito. Mas quando ele decidir, deve apertar o botão imediatamente e memorizar a letra que estava na tela. Quando ele aperta o botão, a tela deixa de trocar as letras e as últimas três letras mostradas antes dele apertar o botão são apresentadas. Ele deve escolher a letra que estava na tela quando decidiu qual botão iria apertar. Como o tempo entre decidir e apertar o botão é de menos de meio segundo, a letra escolhida é quase sempre a mostrada meio segundo antes do botão ter sido apertado.

Mas tudo isto é feito com o voluntário dentro de uma máquina de ressonância magnética capaz de medir a atividade cerebral de cada milímetro cúbico do cérebro do voluntário a cada meio segundo. Desta maneira os cientistas conseguem saber o que está ocorrendo em cada pedaço do cérebro, a cada meio segundo, nos 10 segundos anteriores à pessoa decidir apertar um dos botões.

Analisando o padrão de atividade do cérebro nos 10 segundos anteriores à pessoa decidir apertar o botão, e comparando a atividade do cérebro, os cientistas descobriram áreas do cérebro em que a atividade era diferente dependendo de que botão a pessoa escolheria. Agora, analisando somente estas áreas nos segundos que antecediam a decisão, um computador é capaz de, antes da pessoa decidir que botão vai apertar, prever o botão que ela irá apertar.

Quase sete segundo antes da pessoa apertar um dos botões é possível saber com 60% de certeza qual botão ela vai escolher. Dois segundos antes é possível saber com 90% de segurança que botão vai ser escolhido. Isso demonstra que existe um intervalo de tempo em que o cérebro já decidiu, mas a decisão tomada ainda não surgiu no nosso pensamento consciente.

Pode parecer estranho, mas na realidade existe um número enorme de decisões que nosso cérebro toma e executa sem informar nossa consciência. Quando decidimos caminhar, a decisão de caminhar é consciente, mas logo em seguido nosso cérebro assume o controle e coordena a ação de dezenas de músculos nas pernas e braços que garantem que um passo seja seguido de outro. Quando lemos um texto não temos consciência de como o cérebro comanda o movimento dos olhos. Na verdade, a decisão de tomar água ou vinho também é tomada de forma inconsciente e somente depois surge na consciência, criando a ilusão de que estamos decidindo.

Atualmente ninguém duvida deste resultado empírico, mas filósofos e cientistas estão envolvidos em uma ferrenha discussão sobre o significado desta descoberta. Será que ela implica que a liberdade de decisão não existe? Ou será que decidimos livremente, mas de forma inconsciente, utilizando dados de nossa experiência? O mais interessante é que esta descoberta confirma uma das hipóteses mais queridas de Sigmund Freud, de que parte de nossas ações é controlada pelo inconsciente.

VINICIUS TORRES FREIRE - Brasil anda e fica no mesmo lugar



Brasil anda e fica no mesmo lugar
VINICIUS TORRES FREIRE 
FOLHA DE SP - 03/11/11

Dados sociais do resto do mundo mostram que país não avançou mais que a média na última década

APENAS GENTE muito casmurra e com espírito de porco dirá que o Brasil não melhorou nos últimos 10, 15 anos. Mas o ranking de desenvolvimento humano da ONU, divulgado ontem, sugere que estamos quase no mesmo lugar, em termos relativos, ao menos desde 2000. Sim, estamos menos pobres e doentes, a desigualdade caiu e a política é a menos selvagem de toda a nossa história. Somos uma gente quase tão ignorante como sempre, mas até tentamos nos matar menos com tiros, carros e doenças primitivas. Tocamos menos fogo nas matas e sujeira na água e no ar.
Porém, segundo o ranking da ONU, apenas voltamos a tomar um assento na segunda classe do bonde da civilização, de onde havíamos descido entre 1980 e 1990.
Nosso lugar no ranking do "Índice de Desenvolvimento Humano" (IDH) é o 84º entre 187 países. O IDH é a média geométrica de renda nacional bruta per capita, expectativa de vida ao nascer e anos de escola.
O IDH é composto de medidas que tendem a variar devagar, talvez menos no caso da renda. A evolução de uma década diz algo melhor sobre nossos progressos. Entre os 47 países de "alto desenvolvimento" (do 48º ao 94º lugar), nossa taxa de melhoria foi um tico abaixo da média entre os anos 2000 e 2011.
Ok, subimos três posições no ranking desde 2006. E daí? Quando o IDH é ajustado para levar em conta a desigualdade, despencamos 13 lugares no ranking de desenvolvimento humano de 2011.
Apesar da falação exagerada sobre redução da injustiça e essa ficção ideológica e mercantil de "nova classe média", o Brasil ainda é líder em desigualdade de renda.
No nosso grupo, os 47 países de "alto desenvolvimento", apenas a Colômbia é mais desigual (quando se compara a renda dos 20% mais ricos com os 20% mais pobres).
No listão da ONU, só nove países são mais selvagens nesse quesito. Pela ordem: Namíbia, Angola, Honduras, Haiti, Colômbia, Bolívia, Botsuana, África do Sul e Lesoto.
Pode-se objetar que os dados aqui devem ser bem menos precisos (e podem ter sido medidos entre 2000 e 2011, a depender de cada país). Ainda assim: apenas nove piores?
Nos rankings de expectativa de vida e de educação ajustados para levar em conta a desigualdade, a situação brasileira é melhor que no caso da renda. De qualquer modo, ficamos na nossa "média": ali pelo meião da distribuição, da tabela. Embora não seja novidade, vale sempre ressaltar a vergonheira que é a nossa média de anos de escola: 7,2 anos. Entre 141 países, superamos apenas 26 (os demais 46 países do ranking são os de "baixo desenvolvimento humano", basicamente África e sul da Ásia miseráveis: não dá para comparar).
Por fim, algumas notas curiosas. A quebradíssima Irlanda tem o 7º melhor IDH do mundo. Os EUA estão em 4º, mas caem para 23º se levada em conta a desigualdade.
A falida Grécia fica em 29º lugar: logo abaixo do Reino Unido, que tem uma das piores médias de anos de estudo do mundo rico: está em 68º lugar no listão da ONU.
Onde está a maior desigualdade de renda dos 47 países de "muito alto desenvolvimento humano"? Pela ordem: Qatar, Argentina (sim, os "hermanos" ainda estão na "elite", com o Chile), Cingapura, Hong Kong e Estados Unidos da América.

ELIANE CANTANHÊDE - Quem avisa amigo é



Quem avisa amigo é 
ELIANE CANTANHÊDE 
FOLHA DE SP - 03/11/11

BRASÍLIA - Nos anos de bonança e crescimento econômico, o governo socialista de Portugal foi pródigo e camarada, mas não precavido. Quando a bonança e o crescimento começaram a arrefecer, as bondades ficaram e as dívidas passaram a pesar. E como!
O resultado é que os socialistas perderam o poder depois de anos e anos, e os sociais-democratas, mais à direita, estão quebrando a cabeça e abusando da tesoura -principalmente no setor público- para pagar as dívidas e equilibrar as finanças.
Os maiores prejudicados são os funcionários públicos, que, neste ano, perderam 10% dos salários e 50% dos subsídios de férias e de Natal. E em 2012 tem mais: corte total desses dois subsídios. A previsão é de um corte de 14% em média em dois anos. De doer.
Já está convocada uma grande manifestação para o dia 16, enquanto as duas principais centrais sindicais, a comunista e a socialista, articulam uma greve geral para o fim do mês.
O povo vai para a rua e o risco, portanto, é de Portugal repetir a Grécia, ou melhor, os portugueses repetirem os gregos e começarem a botar fogo no circo. É claro que as autoridades não admitem essa hipótese, mas convém ficar de barbas de molho.
É por isso que o jovem e estreante primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, do PSD, que assumiu há menos de seis meses, olha de fora o estágio brasileiro e avisa que Portugal já passou por tempos de crescimento, prosperidade e investimento -e se comportou como se fossem eternos. Foi imprudente. E deu no que deu.
Em entrevista à Folha, ele advertiu Dilma (teria mais sentido se tivesse sido antes, para Lula) meio na base do "eu sou você amanhã": "Se o Brasil aumentar a despesa pública além daquilo que puder sustentar no futuro, agora estará bem, mas daqui a dez anos estará mal".
Lembra um pouco a fábula da cigarra e da formiguinha. Ouve quem quer, segue quem tem juízo.

ILIMAR FRANCO - Isonomia


Isonomia
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 03/11/11

O governo estuda a concessão de um tratamento diferenciado para as mulheres no Fundo de Previdência Complementar do Servidor. Se o projeto não for alterado, elas receberão benefícios menores do que os homens no novo sistema, devido ao menor tempo de contribuição e à expectativa de vida maior. O objetivo é adaptar o texto à Constituição, que prevê isonomia, mesmo com as mulheres contribuindo cinco anos a menos. 

Tática de guerrilha
As bancadas do Rio e Espírito Santo criaram um "grupo de mobilização popular e política", apelidado de grupo de guerrilha, para pressionar a presidente Dilma e o Congresso, na tentativa de minimizar as perdas na redistribuição dos royalties do petróleo. O senador Magno Malta (PR-ES) propôs interromper a BR-101. "Vamos parar o Brasil", apoiou o deputado Manato (PDT-ES). Já o deputado Paulo Feijó (PR-RJ) sugeriu parar a produção de petróleo em Cabiúnas. "É coisa rápida. A gente sabe fazer isso", disse ele. Para culminar, o deputado Zoinho (PR-RJ) incentivou os colegas a invadir o Palácio do Planalto.

"Vamos causar um caos nessa discussão dentro da Casa” — Rose de Freitas, deputada federal (PMDB-ES), e vice-presidente da Câmara, que pretende usar o regimento para atrapalhar a votação da redistribuição dos royalties do petróleo, caso não haja acordo 

PRESSÃO. A CUT cobra do governo Dilma a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), promulgada pelo Congresso em abril do ano passado. A convenção disciplina o direito de greve no serviço público. A ratificação da convenção foi enviada pelo ex-presidente Lula ao Congresso em fevereiro de 2008. "Há um vácuo legal", reclama o presidente da CUT, Artur Henrique, na foto. 

Desejo
O plano do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), é ser vice do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em eventual candidatura à Presidência da República. Kassab agregaria votos do Sul e do Sudeste. 

Largada
Embora negue publicamente essa possibilidade, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), já comunicou ao governador Geraldo Alckmin sua disposição de disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem. 

Xadrez petista
Na esteira da senadora Marta Suplicy, líderes do PT paulista apostam na retirada das pré-candidaturas à prefeitura de São Paulo dos deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Na opinião desses líderes, Tatto e Zarattini se mantinham na disputa para não deixar Marta isolada. Já quanto ao senador Eduardo Suplicy, bastaria Fernando Haddad incorporar o programa Renda Mínima em sua plataforma de governo. 

Novela
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) precisou falar com a presidente Dilma, anteontem, para liberar a nomeação de Fábio Rios para a Secretaria Nacional do Turismo, que estava parada na Casa Civil desde o dia 20. 

Piada de salão
As broncas da presidente Dilma viraram motivo de piada na Esplanada dos Ministérios. Tem gente que não consegue entender por que alguns ministros reclamam de não serem recebidos por ela. Dizem que eles deveriam agradecer. 

PRAXE. Apesar de reclamarem do ritmo de liberação das emendas parlamentares, dificilmente algum líder tocará nesse assunto com a presidente Dilma, na reunião marcada para segunda-feira. 

RENOVAÇÃO. Na tentativa de mudar a imagem de partido de elite, o PSDB fará um encontro sindical no mês que vem, em Pernambuco. Os tucanos estão se reaproximando da Força Sindical. 

BRUXINHO. No perfil em sua página oficial na internet, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) adotou o apelido de Harry Potter 

ROBERTO MACEDO - Faxinas de diarista ocasional


Faxinas de diarista ocasional
ROBERTO MACEDO
O Estado de S.Paulo - 03/11/11

Neste seu primeiro ano, a gestão da presidente Dilma foi marcada por sucessivos escândalos envolvendo ministérios e seus titulares, que em seguida "se demitiram". Já configurando distorção administrativa, a iniciativa de apontar irregularidades veio de fora para dentro do governo, via imprensa, sem cuja ação os malfeitos anunciados ainda estariam sob grandes e espessos tapetes. É uma tapeçaria carente de novos levantamentos que também alcancem outros Poderes, empresas estatais e governos estaduais e municipais.

Ficarei apenas no Executivo federal, o que atraiu maior atenção recentemente. Mas imagine-se, por exemplo, o que viria se os milhares de municípios brasileiros também fossem escrutinados por uma imprensa atuante, que a maioria não tem. Quando tem, costuma atuar no time dos prefeitos.

No teatro federal de Brasília os episódios seguiram quase a mesma sequência: surge a notícia de irregularidades, os denunciados alegam inocência e tentam desqualificar os denunciantes e a presidente, outros membros do governo e partidários demonstram confiança nos denunciados. Mas a credibilidade destes desmorona à medida que novas notícias reafirmam a primeira e os levam à saída.

Ainda que com desdobramentos judiciais e policiais, infelizmente não levados às últimas consequências, na imprensa o assunto vem usualmente nas páginas que tratam da política nacional. Mas estas trazem implícito algo típico dos cadernos de empregos, pois é como se viesse junto um "precisa-se de faxineiro(a)". O chamado é atendido por diarista ocasional, que cuida do problema até a troca do ocupante do ministério, às vezes deixando auxiliares para o rescaldo e providências tópicas - estas mais típicas de encanadores, a reparar um vazamento aqui, outro ali, por onde indevidamente fluiu o dinheiro público.

Isso, contudo, está longe de resolver o problema em sua dimensão e profundidade. Usualmente, ele só aparece em suas manifestações superficiais e localizadas, e mesmo aí não bem enfrentado. Contudo a corrupção na administração pública brasileira, que não é de hoje, nos últimos anos evoluiu para uma forma que atualmente é claramente sistêmica. Nessas condições, não é assunto para simples faxina, muito menos com esse chamamento de serviços ocasionais.

Para eficazmente enfrentá-la é preciso refletir sobre suas causas, manifestações e os corretivos. Como economista, vejo um quadro político em que individual, grupal e partidariamente uma aeticamente incontida ganância por dinheiro leva a comportamentos institucionalmente degenerativos. Tal como ocorreu no mercado de hipotecas imobiliárias de segunda linha e seus derivativos nos EUA, um dos ingredientes da crise econômica que assolou a economia mundial em 2008 e 2009. Como instituição, esse mercado se degenerou e sobreveio a crise.

Tal como lá - e como nunca antes neste país -, aqui a ética sucumbiu à ganância, num quadro agravado em que a primeira foi desprezada pelo próprio presidente Lula nos oito anos de mandato que antecederam o da presidente Dilma. A partir daí seguiu-se um vale-tudo pelo poder e seus recursos, em ringues armados nos lotes políticos em que foi dividido o governo. Foram criados mais ministérios e cargos e mais cargos preenchidos sem concurso. E ocupados sem maiores critérios, a não ser a indicação de companheiros de partidos. Estes jogaram às favas suas linhas programáticas, sem outro objetivo senão o de integrar a base de apoio político ao governo, em troca das benesses do poder. E sempre de olho em se perpetuarem nele.

Para não falar nas já conhecidas contradições internas do PT, tome-se o caso do PC do B ao gerir o Ministério dos Esportes. Segundo o noticiário, destacou-se ao outorgar milhões de reais a mal constituídas e geridas "organizações não governamentais" (ONGs). Algumas só de pé pelos recursos e missões que receberam do governo, o que lhes deu mais o caráter de organizações neogovernamentais. Nesse contexto se destacou o programa Segundo Tempo, voltado para levar atividades esportivas a comunidades carentes, mas desde que por meio dessas "ONGs", em particular as tocadas por gente ligada ao próprio partido.

Ora, se ele tivesse um mínimo de apego à sua propalada ideologia, dita esquerdista e socialista, deveria empreender programas de acesso universal a todos os que credenciassem a eles, tal como o SUS e o Bolsa-Família. E, nessa linha, a carência de recursos nunca poderia ser pretexto para apontar a dedo às "ONGs" executoras. Para socializar com maior alcance e eficácia qualquer programa deveriam ser selecionadas as mais competentes, e não as tocadas por camaradas e amigos.

Tudo integra um varejão onde, por meio de inconvenientes convênios, recursos públicos são pulverizados para programas mal concebidos, e mal geridos logo no seu primeiro tempo. E há outros, como as festas juninas patrocinadas pelo Ministério do Turismo, e tudo o que vem nas emendas parlamentares, abomináveis na forma como são praticadas. Ademais, pouco do que se vê nas denúncias cabe tipicamente a uma administração que se diz federal.

Dilma deu sinais de que não se sente confortável com esse estado de coisas, mas ainda hesita ao lidar com ele. Cabe agir na raiz do problema, começando por recolocar a ética no pedestal onde deve orientar a administração pública. E tomar ações de profundidade e de alcance geral, entre elas, as de reverter o loteamento político da administração, a prática desse varejão, reduzir o número de ministérios e de cargos de confiança e realizar o adequado preenchimento dos que restarem.

Também na esfera política, uma boa gestão não existe sem competentes recursos humanos, e sem que a seletividade ao escolhê-los alcance os escalões superiores da administração.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Bondade preventiva
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 03/11/11

O governo de Dilma Rousseff discute apoiar alteração no Orçamento de 2012 para incluir reajuste linear, acima do concedido em anos recentes, a todos os servidores da União. A obrigatoriedade anual da correção está prevista na Constituição, mas, em geral, o percentual não passa de 1%. Desta vez, há quem defenda que ele se aproxime da previsão de inflação.

O objetivo seria ganhar argumento para barrar discussões por categoria no ano eleitoral de 2012, quando o Planalto estará suscetível a todo tipo de pressão. Neste ano, a política restritiva desencadeou onda de greves que desgastou a relação governo-sindicatos.

Liberado O governo deverá dar sinal verde à aprovação, em dezembro, do reajuste de 5,2 % para juízes.

Calendário Se as prévias forem eliminadas do processo de formalização da candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, dificilmente ele deixará o MEC antes de 2012. O entendimento geral é que a antecipação não seria mais necessária.

Simples assim Nem Lula nem ninguém no PT pedirá a Eduardo Suplicy que desista das prévias. Mas, se ele não o fizer, pode estar certo de que terá de enfrentar o mesmo procedimento na tentativa de obter a legenda para renovar seu mandato de senador, em 2014.

Raízes Sem prejuízo da extraordinária força de Lula, Marta Suplicy não teria, dada sua densidade eleitoral, sido escanteada da sucessão de 2012 com tanta facilidade se não tivesse, pelo menos desde 2010, enveredado por uma trilha de progressivo isolamento no PT.

Colateral Praticamente selada, a escolha de Haddad fez renascer, entre tucanos, a especulação de que José Serra poderia aceitar a candidatura -hoje rejeitada por ele de modo peremptório. O estímulo maior vem do Palácio dos Bandeirantes.

Sabendo usar O BC e o Sinal (sindicato dos funcionários) estão formando profissionais para ensinar "boas práticas bancárias" à população. Os "multiplicadores" explicam como "fazer bom uso do dinheiro", em temas que vão do reconhecimento de notas falsas a dicas de investimentos.

O céu... Prevista para a próxima semana, a divulgação, pelo governo Alckmin, dos dados relativos a emendas de 2007 a 2011 demolirá o mito de que os deputados paulistas estariam, desde a gestão Serra, restritos a um teto de R$ 2 milhões cada um em emendas ao Orçamento.

...é o limite Na peça de 2010, muitos mais do que dobraram esse valor. A maioria é da base aliada, mas entre os felizardos há vários petistas.

É ouro Com R$ 7 milhões, o tucano Barros Munhoz, hoje presidente da Assembleia e na legislatura anterior líder do governo, foi o campeão em emendas no ano passado.

Barata voa Consequência do escândalo nascido das acusações de Roque Barbiere (PTB), a iminente revelação de nomes e números deflagrou corrida de deputados ao palácio. Muitos queriam "desapadrinhar" emendas.

Quatro queijos Do deputado Domingos Dutra (PT-MA), sobre o fato de que, durante rápida ausência de Roseana Sarney, o vice e os presidentes da Assembleia e do TJ se revezaram, um dia cada um, na cadeira da peemedebista: "Conheço rodízio de pizza, de picanha, de sorvete. O Maranhão resolveu fazer rodízio de governadores".

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"O Brasil está lançando mais uma novidade. Em vez de prender o contraventor, prefere exportar a vítima."
DO CIENTISTA POLÍTICO RUBENS FIGUEIREDO, sobre a decisão do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), ameaçado de morte por milícias que controlam favelas, de deixar temporariamente o país acompanhado da família, a convite da Anistia Internacional. Freixo, que inspirou personagem do filme "Tropa de Elite 2", é pré-candidato à Prefeitura do Rio.

contraponto
#prontofalei

Em recente viagem de parlamentares brasileiros a Pequim, representantes do governo chinês frisaram que a área agricultável não supre as necessidades do país e defenderam a política de compra de terras no exterior para cultivo. Por isso, reclamaram dos critérios utilizados por Dilma Rousseff para restringir essa prática no Brasil.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) rebateu:
-E se eu quiser comprar terras aqui, posso? Ou a China não está preocupada com sua soberania?
O silêncio contrariado dos anfitriões encerrou o papo.

CELSO MING - Chegou o "Super Mario"


Chegou o "Super Mario"
 CELSO MING
O ESTADÃO - 03/11/11

O homem nem acabou de tomar posse à frente do segundo mais importante banco central do mundo, o Banco Central Europeu (BCE), e já está sendo chamado de Super Mario.

Nem o holandês Win Duisenberg nem o francês Jean-Claude Trichet, que o precederam no cargo, foram denominados assim. O prefixo "super" é proporcional à expectativa criada de que o italiano Mario Draghi (foto), 69 anos, assuma a tarefa que cabe aos heróis e se disponha a usar poderes até agora não tirados do baú para salvar o euro, hoje à beira do precipício.

Trichet, que liderou o BCE de novembro de 2003 até final de outubro de 2011, enfrentou a maior crise existencial do euro até aqui. A exemplo do que nos últimos três anos fez Ben Bernanke, seu colega do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), colocou em prática procedimentos considerados próximos da irresponsabilidade: emitiu moeda para recomprar no mercado secundário títulos de dívida soberana de países do bloco ameaçados de rejeição. Ao criar essa demanda extra por papéis, contribuiu para que os juros cobrados pelos credores fossem contidos dentro do razoável e, assim, evitassem disparadas dos custos financeiros dos devedores. Mas, em matéria de política monetária, esse jogo resvala para o abominável, na medida em que pouco se diferencia de emissão de moeda para financiar despesas correntes de governos. Por isso, os mais ortodoxos exegetas dos textos sagrados, especialmente alemães, repudiam tais práticas. A esses, tanto Bernanke como Trichet advertem que o primeiro dever de um banqueiro central é garantir a salvação da moeda, mesmo que seja necessário, digamos assim, suspender temporariamente procedimentos consagrados pela civilização.

Em todo o caso, embora carregasse o balanço do BCE com ativos de alguma maneira contestáveis de 2,3 trilhões de euros, Trichet jurou até o fim que não ultrapassou nem ultrapassaria os limites da decência no que diz respeito à governança de um banco central.

Cada vez mais, os analistas alertam hoje que os Tesouros nacionais da área do euro são laranjas espremidas demais, das quais não se pode mais tirar suco nenhum. Da mesma forma, lembram que a história ensina que existem sérias restrições econômicas (e, sobretudo, políticas) para a imposição de sacrifícios a uma população já prostrada pela recessão e pelo desemprego.

Daí porque, em nome da segurança geral, esperam que o Super Mario deixe de lado escrúpulos tedescos e trate logo de reforçar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (ESFS) com operações especiais de crédito que, em última análise, não passam de emissão de moeda.

A justificativa técnica para esse procedimento é não haver saída para a crise que não seja uma boa dose de inflação saneadora, a ser obtida com impressão indisfarçada de dinheiro, que se encarregue de rebaixar montanhas tão altas e impagáveis de dívidas públicas.

Enquanto o calote se circunscrever à economicamente insignificante Grécia, as resistências dos ortodoxos a esse último recurso talvez não consigam ser quebradas. Mas conforme a segunda ou terceira peça do dominó também ameacem desabar, aumentarão as pressões para que o BCE finalmente exerça o papel de emprestador de última instância e de salvador geral da moeda. Esse passo talvez não esteja tão longe.

CONFIRA

Mais munição no paiol. Em sua entrevista concedida depois da decisão de manter os juros básicos (Fed funds) ao redor do zero por cento ao ano, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fez três declarações importantes: (1) o Fed pode comprar títulos atrelados a hipotecas - um jeito de reerguer o mercado imobiliário; (2) o Fed ajudará a isolar os Estados Unidos, caso piore a crise europeia; e (3) o importante é manter o Fed livre de pressões políticas.

Chantagens. O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, passou meses fazendo chantagens. Primeiramente, avisou que o Tesouro da Grécia só teria recursos para honrar seus compromissos até outubro. Depois, admitiu que até meados de novembro ainda aguentaria. Agora, convoca um referendo, possivelmente para janeiro, para saber se quer ou não o socorro da área do euro. Até agora, Papandreou não esticou mais a data-limite a partir da qual a Grécia estaria quebrada. E atenção: meados de novembro está logo aí.

MÔNICA BERGAMO - VERSÃO SEM TRUQUES


VERSÃO SEM TRUQUES
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 03/11/11

Capa da "GQ Brasil", Grazi Massafera disse à revista que, aos 16 anos, usava enchimento para contornar "o complexo de não ter quadril nem seios". "Descobri que existia um truquezinho. É um acolchoado feito na medida do corpo que deixa o quadril maior. Os travestis usam", contou a atriz.

NERVOS DE AÇO

Apesar das negativas, Benjamin Steinbruch continua conversando para entrar no bloco de controle da Usiminas. Investe nas ações da Camargo Corrêa. A negociação é complexa pois há resistências à sua entrada na companhia. Os atuais sócios também negociam entre si.

AÇO 2

As negociações com a Previ, de quem gostaria de comprar 10% das ações da Usiminas, estão "adormecidas", de acordo com agente do mercado que acompanha o movimento do empresário. Caso consiga entrar na empresa pela "porta da frente", poderiam ser retomadas.

SALAOs aliados que permaneceram até agora com Marta Suplicy, "demitida" publicamente da condição de pré-candidata a prefeita de SP pela assessoria da presidente Dilma Rousseff, já tinham pulado do barco há algum tempo. Só ficaram "ao lado" dela para ajudar a trazê-la para a candidatura de Fernando Haddad.

POR UM FIO

As negociações entre Neymar e o Santos para que ele permaneça no clube até 2015 atingiram temperatura máxima de tensão nesta semana. Mas o Peixe não jogou a toalha e ainda vai tentar convencê-lo a ficar.

POR UM FIO 2

Neymar tem "contrato pronto na pasta" para assinar com o Real Madrid -o que ainda não fez, ao contrário dos boatos que circulam. Mas um bom número de conselheiros dele acha que deve resolver logo a questão -em favor dos espanhóis.

RANKINGA ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) dá início hoje ao programa Qualiss, para avaliar a qualidade dos prestadores de serviço na saúde suplementar. A ideia é oferecer ao consumidor maior capacidade de escolha de seu plano de saúde.

ALÔ, SP

Riccardo Tisci, estilista da Givenchy, desembarca hoje em SP, de férias. Ficará hospedado no hotel Emiliano. Será recebido por uma de suas melhores amigas, a modelo transexual Lea T.

SALA DE REUNIÃO

O empresário Flavio Rocha fez um jantar em homenagem ao ministro Fernando Pimentel em sua casa, nos Jardins. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Amilcare Dallevo Jr., da RedeTV!, e Ricardo Steinbruch, entre outros convidados, passaram por lá.

SOL

José Dirceu e sua namorada, Eva, passaram o dia das bruxas na pousada Triboju, em Fernando de Noronha, fechada para eles e outros 25 amigos. O grupo, na verdade, comemorou o aniversário dela, que pesquisa a mudança do ciclo lunar para escolher o local da celebração. Os donos da pousada, Ricardo e Durval Lelys, do Asa de Águia, deram as diárias de presente aos convidados de Eva.

LÁGRIMA Foi lá que souberam do câncer de Lula. Eva disse aos amigos que, pela primeira vez em quase uma década, viu Dirceu chorar. 

PÉ NA AREIA
O músico Ben Harper, que fará shows no Brasil em dezembro, também quer conhecer Fernando de Noronha, depois da turnê.

Pediu que a produção altere seu voo de volta, que sairia do Rio (onde faz a última apresentação), para a esticada no arquipélago.

MAMÃE MONSTRO

O casal de tatuadores japoneses Hiroshi e Miako Kawai, que atende Lady Gaga, mostrou ao apresentador Amaury Jr. o próximo desenho que fará no corpo da popstar. Ela vai gravar na pele a expressão "Mother Monster" (mamãe monstro), pela qual é conhecida pelos fãs (que ela chama de "monstrinhos"). A matéria deve ir ao ar hoje.

CURTO-CIRCUITO

A banda Santa Clara faz roda de samba no sábado, na Casa da Fazenda, a partir das 16h. 18 anos.

O joalheiro Antonio Bernardo fala sobre design de joias, hoje, às 19h30, na Escola São Paulo.

A modelo Isabel Hickmann será representada pela Model Management na Alemanha.

Guilherme Arantes canta no domingo, às 20h, no HSBC Brasil. 14 anos.

O Kid Abelha toca nos dias 18 e 19 no Citibank Hall, às 22h. Classificação etária: 14 anos.

A banda Seu Chico faz show amanhã, à meia-noite, no Studio SP. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY