sexta-feira, agosto 19, 2011

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA - Um Quixote no deserto


Um Quixote no deserto
PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
CORREIO BRAZILIENSE - 19/08/11

Sim. Há um fio de esperança. Uma chance mínima de o Brasil dar um basta à bandalheira que sangra os cofres públicos. Mas, sem apoio popular, o movimento suprapartidário que o senador Pedro Simon luta para levar adiante corre o sério risco de não chegar a lugar nenhum. Como se temia, os políticos dispostos a acompanhá-lo nessa batalha são mesmo minoria. Em maioria no Congresso, as viúvas de Lula estão inconsoláveis. Quando os escândalos de corrupção estouram, a culpa já não é mais da "imprensa golpista", o suspeito de sempre nos oito anos do antecessor. No governo Dilma, pelo menos até agora, a coisa mudou.
Em menos de quatro meses, a presidente mandou embora três ministros atolados em denúncias. E, daqui a pouco, o país vai perder a conta de quantas ratazanas de escalões inferiores " uma herança lulista " levaram um pé no traseiro. Enquanto o país aplaude a faxina, petistas, peemedebistas e outros aliados que veem seus esquemas serem desmontados ameaçam a presidente com retaliações no Congresso. Nos bastidores, vetustas figuras do petismo falam até em impeachment (quem diria!), caso a presidente insista na faxina. Foi em apoio às medidas de Dilma que Simon iniciou a cruzada contra a corrupção e a impunidade.
"Dilma está fazendo o que seus antecessores não fizeram. Estamos fazendo o movimento para que ela não seja isolada", disse o senador em entrevista ao jornal O Globo. Ele lembrou que quando a campanha Diretas Já foi lançada, em 1983, muita gente torceu o nariz e até fez piada. "Eu fui o presidente da comissão do movimento", contou. "Os generais ditadores se irritaram de um lado, o empresariado do outro, toda a imprensa, ninguém levou a sério. Mas o povo começou a sair às ruas, o movimento começou a crescer e deu no que deu. A ditadura acabou."
Desde que Lula saiu em defesa dos envolvidos no mensalão e tornou-se amigão do peito de antigos desafetos políticos, como Collor, Sarney, Renan & Cia., o Brasil parece ter perdido a capacidade de expressar indignação diante da corrupção e da impunidade que grassam no país. Tanto que essa turma já se movimenta para trazê-lo de volta ao Planalto. Não pelo que de bom Lula fez pelo país, mas porque nunca hesitou em defendê-los e sempre os deixou muito à vontade no governo. Na terça-feira, a campanha que Simon encabeça se reúne em Brasília. O senador acha que a presidente e o Brasil merecem sorte melhor. Resta saber o que acham os brasileiros.

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