sexta-feira, julho 16, 2010

DORA KRAMER

Flagrante delito
DORA KRAMER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/07/10


Em 22 dias desde a abertura da sindicância para investigar a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PS-DB a Receita Federal identificou os funcionários, as máquinas e os horários em que foram feitas as consultas. Necessita, contudo, de mais 100 dias para conseguir que os referidos auditores informem qual foi o motivo pelo qual fizeram os acessos aos dados fiscais de Eduardo Jorge Cal-das. Pelo menos é a alegação oficial para que as "investigações" transcorram no prazo legal de 120 dias, sendo concluídas na segunda quinzena de outubro.

Entre o primeiro e o segundo turno das eleições para presidente e governadores.

É crível que os responsáveis ainda não tenham explicado a motivação,mas não é verossímil a hipótese de as consultas terem sido feito por razões referidas no cotidiano da Receita Federal.

Pelo simples fato de que se elas tivessem sido determinadas por alguma causa legal a Receita não apenas saberia como seria a primeira interessada em divulgar o fato e dar por encerrado ocaso.

Qual a dificuldade da Receita em dizer o que de fato ocorreu e qual a necessidade do uso do prazo de120 dias?A única conclusão lógica é a de que existe algo a ser acobertado.

Se não é possível informar algo natural como o motivo pelo qual os auditores fiscais estão interessados no cidadão Eduardo Jorge Caldas Pereira,é porque há delito envolvido.

Ou o secretário Otacílio Cartaxo não teria se apresentado tão tenso perante a

Comissão de Constituição e Justiça do Senado para explicar se houve quebra de sigilo e talvez não tivesse tantas vezes deixado de responder parte ou a totalidade das perguntas.

Não teria sido propositadamente burocrático em seu depoimento a fim de não se distanciar do manual do tecnocrata apegado às regras e provavelmente não estaria tão nervoso ao ponto de escorregar numa resposta e contar, no afã de resistir às investidas dos senadores para revelar o nome do responsável,que haviam sido "vários" os funcionários a examinar os dados de Eduardo Jorge.

E com isso o senhor Cartaxo ficou com uma bela de uma batata quente nas mãos.

Daquelas que acabam queimando as mãos mais fracas, como as do ex-presidente da Caixa Econômica Federal que pagou a conta da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos e do ex-funcionário da Casa Civil acusado de elaborar sozinho um dossiê para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos.

Falha ou fato. Em determinado momento de suas declarações à CCJ Otacílio Cartaxo disse que houve quebra de sigiloda"pessoa jurídica da empresa Natura". De propriedade de Guilherme Leal, vice de Marina Silva.

O noticiário relatou que o secretário falou em "apuração de quebra do sigilo", mas não foi o que ele disse.

Balanceado. A União, comandada pelo PT, foi campeã no ranking de transparência na divulgação de gastos públicos, feito pela Associação Contas Abertas.

Nos Estados, o PSDB governa três (SP, MG e RS) dos dez considerados mais transparentes. O PMDB também comanda três (SC, PR e ES), o PPS um (RO), o PSB é representado por Pernambuco e o PRN pelo Amazonas.

Dos grandes Estados só o Rio de Janeiro ficou fora da lista dos dez mais transparentes.

Entre os cinco piores o PT governa três(AC,BAePI),o PSB um(RN)e o PSDB entra como um dos campeões da falta de transparência com Roraima.

Avanço. Pelo menos as transgressões de Lula passaram a ser condenadas e já não são - como costumavam ser - saudadas à unanimidade como sinal de habilidade política.

Sinal de que as pessoas não estão mais tão anestesiadas quanto estiveram durante o longo período em que o presidente conseguiu fazer a fama e deitar-se na cama da impunidade.

MERVAL PEREIRA

O predomínio do marketing 
Merval Pereira 

O Globo - 16/07/2010

Desde que o candidato Fernando Collor introduziu na campanha presidencial de 1989, que acabou vencendo, as modernas técnicas de marketing político, incrementando sua propaganda eleitoral na televisão com efeitos tecnológicos usados pela primeira vez, nunca mais as campanhas políticas brasileiras seriam as mesmas.

Outra inovação daquele ano foi a utilização das pesquisas eleitorais como guia para a ação política. Collor valeu-se do parentesco com o sociólogo Marcos Coimbra, dono do Instituto Vox Populi para, através das pesquisas, dizer o que o povo queria ouvir, e identificar os pontos fracos e fortes de sua candidatura e da dos adversários.

O marketing político e as pesquisas de opinião ganharam nas campanhas eleitorais brasileiras o papel proeminente que tem há muito tempo nos Estados Unidos, berço dos estudos mais importantes sobre essas técnicas.

O Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública, do Iuperj, coordenado pelo cientista político Marcus Figueiredo, tem estudos desde a eleição de 1989 sobre a propaganda política, e seus cruzamentos com os resultados das pesquisas eleitorais, que mostram que 70% dos indecisos fazem uma escolha em cima do programa eleitoral.

Na definição de Marcus Figueiredo, já exposta aqui na coluna, a função da propaganda eleitoral, e do programa de televisão e rádio em particular, é permitir ao candidato reter sua base, avançar sobre a dos adversários e ganhar os indecisos, que são o fiel da balança sempre.

A grande fonte de inspiração da população, o que os cientistas políticos chamam de ‘conversação social’, é o dia a dia no seu grupo primário: família, amigos e local de trabalho, onde o que pauta a cabeça das pessoas é o que tal ou qual candidato falou na televisão.

O exemplo mais marcante de transformação de um candidato pelo marketing é o do “Lulinha, paz e amor” inventado pelo marqueteiro Duda Mendonça, que transformou o líder operário radical de cabelos e barba grandes e olhar messiânico de 1989 no candidato cordato e moderado vencedor em 2002, com ternos bem talhados.

Duda apenas ajudou a brotar o burguês que dormia dentro do líder operário, que depois confessaria que nunca se acostumara com o macacão de fábrica, mas se sentira muito bem dentro do primeiro terno.

O mesmo processo de transformação está sendo tentado com a candidata oficial Dilma Rousseff, que está sendo reconstruída em plena luz do dia tanto física quanto ideologicamente.

A antiga ministra durona, que colocou diversos homens chorando depois de discussões no ministério, a ex-guerrilheira que se orgulha de seus feitos, hoje é uma doce senhora que toma chá com socialites, e sua atividade terrorista da época da ditadura militar é apresentada no site oficial como uma conseqüência, não de radicalismos políticos, mas do coração mole de uma adolescente de classe média que não podia ver a miséria à sua volta e queria dividir tudo com todos.

A falta de traquejo em campanhas eleitorais e, sobretudo, a falta de uma história política pregressa que a qualifique para o posto, é seu calcanhar de Aquiles, que o adversário José Serra quer explorar à exaustão, para tentar convencer os indecisos de que ela não está preparada para governar e muito menos para dar continuidade ao trabalho de Lula.

Serra quer grudar em Dilma a imagem de uma mera boneca manipulada pelo ventríloquo marqueteiro, que não saberia andar com as próprias pernas.

Joga na sua inexperiência para ganhar pontos nos debates eleitorais, contando com suas falhas. O problema nessa estratégia é que a identificação construída em favor de Serra não pode ser mais baseada na “desconstrução” de Dilma, nos atributos negativos e incapacidades da candidata petista, do que em razões “positivas” sobre si próprio para atrair os indecisos.

Esse equilíbrio é fundamental para não transformar a adversária em vítima.

A candidata petista, por seu turno, tem alguns desafios importantes pela frente, o principal deles o de convencer o eleitorado de que o seu eventual primeiro mandato será o terceiro de Lula, o que pode transformá-la em uma mera “laranja eleitoral” do seu mentor.

O que pode agradar a certo eleitorado, e afastar outro.

Mas não é apenas Dilma que se submete aos marqueteiros, embora ela seja um exemplo radical dessa submissão.

A escolha do candidato a vice na chapa tucana, sabese agora, também obedeceu a uma determinação de marketing político.

Superada a crise da escolha do vice depois que o senador Osmar Dias traiu o irmão Álvaro e se bandeou para o lado do governo no Paraná, PSDB e DEM voltaram a negociar um nome, com uma hábil proposta de um político mineiro: se o nome for do PSDB, o DEM indicaria; se fosse do DEM, o PSDB indicaria.

O DEM tentou emplacar o tucano mineiro Pimenta da Veiga, sem sucesso. Para escolher um político do DEM, o candidato Serra consultou seu marqueteiro Luiz Gonzalez sobre as qualidades necessárias, e passaram a buscar um nome jovem, que não tivesse nenhuma vinculação com questões políticas polêmicas do antigo PFL ou do DEM.

Para conhecer o deputado federal Indio da Costa, que por sorte fora relator do projeto Ficha Limpa, Serra teve que ver entrevistas suas, e especialmente duas o impressionaram agradavelmente: uma ao programa de Jô Soares e outra no “Jogo do Poder”, do jornalista Alon Feuerwerker.

Segundo o próprio Serra, Gonzalez gostou muito da escolha.

José Serra telefonou para o presidente da Confederação Nacional de Seguros, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, para desfazer um mal-entendido provocado por uma declaração que ele garante ter sido mal interpretada.

Segundo explicou, ele falou em foco de corrupção referindose à estatal de seguros que o governo federal quer criar, e não ao setor como um todo.

MÍRIAM LEITÃO

Visão europeia 
Miriam Leitão 

O Globo - 16/07/2010

A crise europeia não é tão grave quanto parece. A frase, que contraria o tom das notícias, é do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Ele acha que a Europa já encaminhou a solução através de um controle do gasto público. “A crise pode ter efeito modernizador porque está empurrando países para reformas, como a trabalhista, na Espanha, e a previdenciária, na Grécia.”

Durão Barroso está no Brasil para participar da Conferência de Cúpula BrasilEuropa, e eu o entrevistei no programa Espaço Aberto, da Globonews. Durante a entrevista, nos intervalos da gravação, conversamos sobre a crise europeia. Ele não nega que o problema seja grave e começa já avisando que entendeu o recado principal do desequilíbrio: — Nós estávamos vivendo acima das nossas possibilidades desde a entrada dos países no euro. Inclusive nós, lá em Portugal.

Ele acha apenas que as avaliações sobre a crise da Europa estão sendo exageradas pelos analistas de mercado e economistas que não estariam levando em conta fatos como: a dívida do Japão é duas vezes a dívida da Europa, em percentual do PIB; a dos EUA também é muito maior; o déficit médio da Europa também é menor do que o dos Estados Unidos. Admite que alguns países estão com crises mais preocupantes, como a Grécia, por exemplo, mas diz que todos estão tomando providências para corrigir os desequilíbrios que levaram à crise de confiança.

Durão Barroso diz que, também, ao contrário do que se imagina, não houve uma opção europeia por austeridade imediata: — O orçamento da Alemanha ainda é expansionista este ano. O país está apontando que caminhará no sentido da virtude fiscal ao longo dos próximos anos.

Ele discorda das críticas dos economistas de que a Europa, ao cortar gastos agora, pode estar aprofundando sua crise de baixo crescimento.

Barroso vê a situação pelo ângulo inverso: acha que se não houver corte de gastos, se não houver indicação de que se caminha para a virtude fiscal, a crise se aprofundaria e não se conseguiria retomar o crescimento: — A crise mostrou que temos que melhorar nossa competitividade e isso vem sendo perseguido através de várias reformas que começaram a ser feitas.

Argumentei que se não houvesse uma união monetária os países mais frágeis poderiam desvalorizar suas moedas e assim melhorar a competitividade: — Essa não é a melhor forma de aumentar a competitividade porque você acaba deprimindo seu PIB. A Europa tem países com diferentes níveis de competitividade mas que estavam todos vivendo a vantagem de serem considerados iguais aos grandes.

Quando se diz que a Europa vai crescer menos, é bom lembrar que nosso nível de PIB per capita é várias vezes o dos países em desenvolvimento, e que portanto o crescimento será num ritmo menor mesmo. O que a crise mostrou é que o mercado não sabe muito bem como funciona a zona do euro.

A região já mostrou que vai fazer tudo para defender a zona do euro, deu um grande empréstimo para a Grécia, que é o caso mais grave, e ela está fazendo suas reformas.

Argumentei que há reações da opinião pública interna dos países mais fortes contra a ajuda aos outros países, até porque existem diferenças de direitos trabalhistas e previdenciários, como a idade de aposentadoria: — Já estão ocorrendo reformas.

A Alemanha tinha idade de aposentadoria indo para 67 anos e a Grécia estava ainda com 55 anos. Hoje a Grécia já votou a reforma da sua aposentadoria. Na Alemanha, houve críticas à ajuda, mas a proposta foi aprovada pelo Parlamento e pesquisas recentes feitas na Europa mostram o apoio às medidas de apoio ao euro.

Durão Barroso admite que como consequência do desemprego alto, em alguns países, pode haver mais reação à imigração. Conta que por isso mesmo está sendo discutida na Europa uma lei geral de imigração que permita a entrada legal de pessoas que querem morar na região, mas combata a ilegalidade: — O que acontece é que como a Europa tem uma rede de proteção social muito alta há um natural interesse de imigração. A Europa precisa controlar isso, mas ao mesmo tempo é uma região que vai precisar importar mão de obra de outros países, por isso precisa de regras.

A última vez que conversei com Durão Barroso foi em Copenhague, na véspera do fim da COP-15, que tentava fechar com todos os países um acordo do clima. Ele estava temendo o fracasso, que acabou se confirmando. Hoje, faz um balanço mais otimista da reunião.

— Foi um desapontamento o que houve em Copenhague, mas talvez tenhamos tido ambições demais.

Não pode continuar uma situação em que só haja limites de emissão de gases de efeito estufa para a Europa e mais alguns países, deixando de fora os dois maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China. Continuamos perseguindo um acordo global. Já houve avanços desde Copenhague e há chance de acordos setoriais na área de combate ao desmatamento ou o financiamento de curto prazo para a mitigação dos efeitos da mudança climática nos países mais pobres.

Ele acredita que novos avanços acontecerão em Cancún, na COP-16, e acha que os que são favoráveis ao acordo têm dois aliados: — A ciência e a opinião pública querem que o mundo reduza os gases de efeito estufa.

PAINEL DA FOLHA

Hora extra 
Renata Lo Prete 

Folha de S.Paulo - 16/07/2010

O PT decidiu montar no Rio de Janeiro um comitê eleitoral formado por funcionários das estatais para engrossar a campanha de Dilma Rousseff. O espaço, no Largo da Carioca, já foi alugado e as despesas serão pagas pelo partido. Mas o presidente do PT-RJ, Luiz Sérgio, admite que "vai passar o chapéu" entre os empregados das empresas para angariar fundos.
Segundo ele, como o comitê está localizado próximo da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES, os funcionários poderão passar por lá com facilidade "na hora do almoço" e "depois do expediente". "Tem um sentido simbólico, afinal são estatais que sobreviveram às privatizações do governo FHC", argumenta.
Pedra fundamentalA intenção dos petistas era inaugurar o "comitê estatal" hoje, para contar com a presença de Lula e Dilma no Estado. Mas por problemas de logística, decidiram adiar a solenidade para breve.
Quem podeO PT convidou os aliados para o comício de Dilma hoje no Rio. Mas há dúvidas sobre a presença de Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB), os dois com relação nada amistosa com Sérgio Cabral.
No estúdioDilma estreia na quarta a rodada de entrevistas com os principais presidenciáveis na TV Brasil. José Serra, cujo partido bateu pesado contra a criação da "TV Lula", confirmou participação para o dia seguinte, diz a emissora. Pelo sorteio, Marina Silva irá na sexta.
UrticáriaLula foi o único a chegar ontem à plataforma do campo Baleia Franca sem o macacão laranja da Petrobras. Só o vestiu na hora do evento. Afirmou a auxiliares que protestava por causa da eliminação do Brasil pela "laranja mecânica".
PranchaNa plataforma, funcionários cercaram Lula atrás de fotos, entre eles um holandês. O presidente falou para o jogarem ao mar, mas depois da brincadeira acabou posando para o retrato.
Quem vê cara...O PSDB jogou na rede um vídeo no qual Soninha Francine (PPS), recém-nomeada coordenadora da campanha de Serra na internet, aparece explicando como mudou de opinião sobre o tucano: "Não é que eu não gostava do Serra. Eu desgostava dele completamente. Mas era a partir do que os outros falavam".
...não vê coraçãoCom uma xícara de chá e um cachorro a tiracolo no sofá de casa, a ex-vereadora continua dizendo que mudou de ideia quando viu seus projetos receberem o mesmo tratamento dos que partiam da base de Serra. "Ele é republicano. Tem coragem de enfrentar interesses."
CurrículoNão são apenas os ministros de Lula que usam a internet, em horário de expediente, para assuntos com conotação eleitoral. O secretário de Comunicação de São Paulo, Bruno Caetano, nomeado por Serra, relatou às 9h51 de ontem em seu Twitter notícia sobre perdas do Brasil com a Itaipu, emendando: "Ué, energia não era a especialidade da Dilma?"
SuperamigosNão demorou para que o hit "Dilmaboy", paródia petista da cantora pop Lady Gaga, fosse associado à Super Obama Girl, sucesso da campanha nos EUA. Parte da equipe de internet do democrata dá assessoria ao PT.
HortifrutiO presidente do PSB-SP, Márcio França, não perdeu a chance de alfinetar os adversários ao apresentar seu candidato ao governo paulista, Paulo Skaf, em São José dos Campos: "Chega de polarização! Chega de chuchu e de jiló!"
Tiroteio
A gente está pensando em fazer a seguinte proposta ao PSDB: o Lula não vai a nenhum comício da Dilma desde que eles coloquem o FHC todo dia na TV apoiando o Serra

DO DEPUTADO FEDERAL ANDRÉ VARGAS (PT-PR), ironizando as críticas de tucanos ao envolvimento de Lula na campanha da petista.
Contraponto
Território inimigo 
A prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (DEM), circulava anteontem por Brasília atrás do conterrâneo Antonio Palocci (PT), a quem pediria ajuda para resolver questões do município no Ministério da Fazenda.

Depois de obter o endereço onde o deputado estava, ela se dirigiu ao local e, já dentro do prédio, percebeu que se tratava do comitê da campanha presidencial petista, que tem Palocci como um de seus coordenadores. Embaraçada, Dárcy saiu em disparada, sacou o telefone celular e foi se explicar no Twitter:

-Peço desculpas. Causei desconforto a mim e a ele!

MÔNICA BERGAMO

Esforço concentrado 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 16/07/2010

Kaká esteve na USP, na segunda-feira, para uma avaliação física no laboratório de biomecânica. Entre os exames, fez um teste de corridas e saltos com luzes coloridas no corpo. As imagens serão analisadas para verificar os efeitos da pubalgia -lesão no púbis que o aflige desde antes da Copa da África- sobre seu desempenho.

PAPO FIRME
Apesar das negativas dele, continuam as tratativas entre o investidor Marcus Elias, da Laep, e Eliana Tranchesi, da Daslu. Caso o negócio entre eles vingue, ela sairia da empresa, vendendo suas ações. Continuaria trabalhando na butique, como contratada. Elias assumiria o comando do negócio, hoje em recuperação judicial.

ALTO-MAR
E Tranchesi enviou carta a várias clientes dizendo que a butique, apesar da crise interminável e da anunciada recuperação judicial, manteve o desfile de lançamento da coleção de verão, em agosto. E informou que voltará a trabalhar com importados até o fim do ano.

FOGUEIRA
De um auxiliar direto de Ricardo Teixeira, da CBF, sobre o fato de o governador Alberto Goldman, de SP, insistir em apresentar o Morumbi para sediar partidas de abertura da Copa de 2014: "Esse pessoal está brincando com fogo". Teixeira não aceita o estádio do São Paulo F.C. E ponto final.

MIMADO
E Teixeira não procurou até agora Felipão para ser o técnico da seleção porque tem medo de levar mais um não pela cara. O técnico já recusou outras sondagens do presidente da CBF.

LINHA DIRETA
A Gol, que já tem acordo de "code-share" (compartilhamento de voos) com Air France e American Airlines, deve anunciar em breve parcerias com Emirates, Qatar Airways e Korean Air.

BALANÇO
E, nos dias em que a seleção brasileira jogou na Copa, em junho, a Gol chegou a cancelar 300 dos 800 voos diários que mantém no Brasil. Algumas aeronaves chegaram a ficar completamente vazias, sem nenhum passageiro para embarcar.

DISCRIMINAÇÃO
A Defensoria Pública de SP denunciou o apresentador José Luiz Datena por "prática discriminatória contra travestis". Em 30 de abril, seu programa "Brasil Urgente" exibiu uma briga envolvendo um transexual, que empurrou também o câmera da atração. Ao narrar a reportagem, Datena usou expressões como "isso é um travecão safado" e "travecão butinudo do caramba". Ele pode ser multado em até R$ 48 mil.

FOI A AGRESSÃO
Datena diz que "podem me acusar de qualquer coisa, menos de homofóbico." "Eu me referi à agressão ao cinegrafista. Não é porque o cara é travesti que pode agredir outra pessoa. E me defenderei nos termos da lei."

JOGO FORA DE CAMPO
Um conjunto de pratos e taças, que sai por 2.548,80 (R$ 5.822), e um jogo de chá, de 1.958,40 (R$ 4.474), estão na lista de presentes de casamento do jogador Júlio Baptista e de Silvia Nistal. Eles sobem ao altar no dia 23, em Madri. A festa será para 400 convidados no restaurante La Quinta de Jarama.

RECOLHIDO
O dramaturgo Bosco Brasil não irá à estreia da peça "Blitz", de sua autoria, amanhã, em SP. Segundo a produção do espetáculo, Bosco virou um "eremita" depois da sua novela "Tempos Modernos", da TV Globo, que amarga baixos índices de audiência. A data da estreia, aliás, bate com o último capítulo do folhetim e com a festa de lançamento da próxima trama das 19h, "Ti Ti Ti".

ORA, POIS
O ator Lázaro Ramos embarca hoje para Portugal. Fica até o final de agosto para filmar "O Grande Kilapy", longa do cineasta angolano Zezé Gamboa. Volta para lançar seu livro infantil, "A Velha Sentada", em setembro.

KAKÁ: ISCA DE 50 CENT NO BRASIL

A loja Yo!, no Itaim Bibi, usou um chamativo verde e amarelo para atrair público no lançamento da grife G.Unit, do rapper 50 Cent, anteontem. Além da presença do cantor norte-americano, prometeu que o jogador Kaká estaria no local.

Três horas depois do horário marcado... "cadê o Kaká?", perguntam os convidados. Nada. "Ele teve um compromisso, uma reunião", disse Hayo Cohen, presidente da The Brand's Company, que representa a marca de 50 Cent no Brasil. A explicação dada para o suposto cano do jogador foi a de que ele, na verdade, passaria lá apenas para pegar convites para o show de 50 Cent, ontem, no Via Funchal. "Combinei com ele", diz André Bozzani, gerente da The Brand's, que diz frequentar a igreja Renascer há cinco anos, onde teria conhecido o craque.

A assessoria do jogador informa o seguinte: "[Kaká] nunca confirmou. Nem em SP ele está".

Já Dentinho, do Corinthians, e o ex-jogador Denílson foram à loja. "Sou o maior fã do cara! Ouço sempre na concentração, no iPod", dizia o corintiano. "O cara é um tsunami, f.! Vim aqui só para conhecê-lo, mas acho que nem vai rolar. Muito tumulto", diz Denílson. Os jogadores não conseguiram nem chegar perto do rapper.
"Achei arrogante", conclui Denílson. "Para de ficar atrás desse cara! Você é penta, mano!", dispara o ex-jogador Marco Aurélio Barbosa, ex-São Paulo. Denílson foi da seleção que venceu a Copa do Mundo de 2002.
CURTO-CIRCUITO
Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente de marketing do Corinthians, dá palestra hoje, às 8h30, no WTC Business Club, sobre os "cases de sucesso" do clube.

A ilustradora Maria Eugenia dará oficina na Escola São Paulo de 16 de agosto a 1º de setembro. Inscrições abertas.

O Alley Club, na Barra Funda, comemora um ano com as festas Kill Yoko, hoje, e Overdancing, amanhã, com sets escolhidos pelo público. 18 anos.

Andréa Costalima faz hoje, às 22h, show do disco "Sua Presença", no Café Paon, com participação de Max de Castro. Classificação: 18 anos.

LUIZ GARCIA

Diploma, outra vez
LUIZ GARCIA
O GLOBO - 16/07/10
No ano passado, o Supremo Tribunal Federal acabou com a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A base da decisão foi o princípio de que nada pode restringir a liberdade de expressão. Pouco tempo depois, começou a tramitar na Câmara dos Deputados uma proposta de emenda constitucional restabelecendo a necessidade do diploma.

Há uma terceira posição na briga: essa bendita liberdade não é maior nem menor com ou sem jornalistas formados em jornalismo nas redações. O que interessa à sociedade é a qualidade da informação que recebe da mídia. As opiniões dos órgãos de informação e de quem neles trabalha são, na verdade, secundárias. O serviço que prestam à sociedade é o que importa: basicamente, o que aconteceu, e que importância tem. Não são editoriais nem artigos — como este, por exemplo — que representam a contribuição essencial da mídia .

Tudo que a mídia leva ao cidadão de realmente importante depende principalmente de dois fatores: a imparcialidade na produção de notícias e a intimidade com as múltiplas áreas do conhecimento associadas aos fatos. Uma equipe de jornalistas que inclui profissionais com formação em diferentes áreas do conhecimento certamente está apta a informar melhor do que aquela treinada apenas, ou principalmente, em comunicação social.

Não é a liberdade de imprensa que está em questão, como acreditam ministros do STF. É a qualidade da informação.

Nenhuma empresa jornalística cometeria o suicídio de menosprezar o bom profissional com formação em comunicação social. Mas é absurdo negar à mídia o direito de incluir em suas equipes cidadãos com outro tipo de bagagem: na medicina e na economia, por exemplo. Ou mesmo, em casos raros, mas que existem, aqueles que não têm diploma algum.

Além disso, deveria ser levado em conta o fato de que a mídia tradicional vive um momento de crise no mundo inteiro, face à concorrência da mídia informal na internet. A exigência do diploma, como dizem os que a defendem, não é restrição à liberdade de expressão.

Mas é um obstáculo ao direito de aperfeiçoar a qualidade de informação.

E tem outra consequência negativa, que não deveria ser esquecida: contribui para a proliferação de escolas de jornalismo de baixo nível.

RUY CASTRO

Ex-tudo
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 16/07/10


Em 1994, o ídolo do futebol americano O.J. Simpson foi acusado de matar a facadas, por ciúme, sua ex-mulher, Nicole, que ele já atacara fisicamente três vezes, e Ronald Goldman, que suspeitava ser amante dela. 
Simpson fugiu, foi perseguido pela polícia por 96 km, trancou-se durante horas em seu carro e só então se entregou, tudo isso em rede nacional de TV. Seu julgamento, transmitido ao vivo, foi outro carnaval – somente a sessão do veredicto, em 1995, foi assistida por 20 milhões de pessoas. O júri o absolveu. 
Onze anos depois, para faturar com a própria história, Simpson publicou um cínico pseudo-romance, If I did it (Se eu tivesse matado), em que conta como foi à casa de Nicole, matou Goldman com dezenas de facadas e aplicou outras tantas à sua ex-mulher que quase lhe separou a cabeça do corpo. Como nos EUA não se pode ser julgado duas vezes pelo mesmo crime, ele estava tranquilo para confessar. 
Era inevitável que, com essa onipotência, Simpson se metesse em novas encrencas, o que aconteceu em 2007: um assalto à mão armada a uma joalheria, em Las Vegas, para roubar besteiras. Só que, desta vez, o júri o mandou para a cadeia por nove anos. Deve ter sido um choque para O.J.: heróis de milhões, como ele, não podem ser condenados, nem ficam presos. Mas ele foi e ficou. 
O caso de Bruno tem óbvias semelhanças. Até hoje ele parece não ter se dado conta de sua situação. Seu alheamento ao que lhe acontece, visível nas fotos e declarações, antes e depois de ser preso, indica que ainda não percebeu que já não é apenas ex-goleiro do Flamengo. É ex-goleiro, ex-cidadão, ex-tudo. Acabaram-se suas imunidades. 
Não vê que, além de preso, já está condenado e a um passo do linchamento. E que o fato de ser tão famoso só lhe complicou a vida – fosse goleiro do Ibis, sua história já teria saído do noticiário.

ANCELMO GÓIS

Banana para macaco 
Ancelmo Góis 
O Globo - 16/07/2010


Tem gente graúda do PT que até hoje não concorda com a decisão da campanha de Dilma de entregar ao PMDB a tarefa de arrecadar R$ 30 milhões dos R$ 157 milhões de gastos previstos.
O temor é que o pessoal arrecade caladinho acima dessa conta e destine a sobra para outras campanhas do partido ou mesmo... Deixa pra lá.

LUZ, CÂMARA, AÇÃO 
O programa eleitoral só começa dia 17 de agosto. Mas ontem, Dilma foi ao Rio Grande do Sul, sem avisar a ninguém, para gravar imagens para o programa sobre o período em que viveu por lá.
CRIOULO DOIDO
Veja como funcionam os partidos no Brasil. Quarta, o PP fez festa de apoio a Dilma Rousseff.
Hoje, o deputado Jair Bolsonaro promete estender uma faixa na Av. Rio Branco, no Centro do Rio, contra a candidata do seu partido.

PRÉ-SAL PORTUGUÊS 
Pressionado pela crise, o governo de Portugal anunciou que irá vender suas ações na Galp, a companhia de petróleo que é socia da Petrobras no superpoço Tupi.
O que se diz é entre os interessados está Eike sempre ele Batista.

BARYSHNIKOV DE VOLTA 
O grande bailarino russo Mikhail Baryshnikov, 62 anos, vem ao Rio em outubro para duas apresentações nos dias 28 e 29 no recém-reformado Theatro Municipal.

O REI NA PRAIA 
Ontem, o prefeito Eduardo Paes acertou que o especial de Roberto Carlos na TV Globo, dia 25 de dezembro, será ao vivo, na Praia de Copacabana.
O programa do Rei virou uma tradição natalina como a ceia com peru.

CASA DOS ESPÍRITOS 
A escritora chilena Isabel Allende, uma das estrelas da Flip que começa dia 
4 agora, vem acompanhada do marido, William Gordon.
Trata-se de um advogado, dono de um bar em São Francisco por 25 anos, que pega carona no prestígio da mulher e lança, em Paraty, fora da programação oficial, o livro O anão, pela Record. 

SEGUE... 
O livro de Gordon é um romance policial que tem como personagem central um anão, imigrante mexicano, pastor de uma igreja misteriosa. 

OUTRA DA AIR FRANCE 
Faltou, acredite, comida no voo da Air France que saiu domingo, às 17 horas, de Paris para o Rio. O jantar ficou pela metade e não teve café da manhã.
Saudades da Varig.

DEUS É LUZ 
A Catedral Metropolitana do Rio, na Avenida Chile, vai ganhar uma iluminação ultramoderna.
Será controlada por um sistema computadorizado e poderá mudar de cor. A obra está orçada em R$ 2,2 milhões.

VOLTA AOS PALCOS 
Lília Cabral, a grande atriz, volta ao teatro na peça Maria do Caritó, depois de três anos longe dos palcos. 
O texto, escrito especialmente para a atriz por Newton Moreno, terá direção de João Fonseca. A estreia está prevista para setembro.

A. P. QUARTIM DE MORAES

É o fim do livro? Rir para não chorar
A. P. Quartim de Moraes
O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/07/10

O desenvolvimento da tecnologia digital e da internet são uma ameaça ao livro? Essa questão seria fascinante se não fosse falsa. O que é, afinal, que estaria com os dias contados? O objeto livro, o livro impresso em papel, na forma que o conhecemos há mais de meio milênio?

Em Não Contem com o Fim do Livro (Record, 2010, tradução de André Telles), dois famosos bibliófilos e colecionadores de obras raras, o semiólogo e escritor italiano Umberto Eco e o roteirista de cinema e escritor francês Jean-Claude Charrière, colocam inteligência, erudição e bom humor a serviço do esclarecimento dessa momentosa questão, mediados pelo jornalista e ensaísta francês Jean-Philippe de Tonnac.

Afirma Eco (página 16): "Das duas uma: ou o livro permanecerá o suporte da leitura, ou existirá alguma coisa similar ao que o livro nunca deixou de ser, mesmo antes da invenção da tipografia. As variações em torno do objeto livro não modificaram sua função, nem sua sintaxe, em mais de quinhentos anos. O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados. Você não pode fazer uma colher melhor do que uma colher."

Ou seja, apesar de sua imagem idealizada - às vezes, sacralizada - de fonte de lazer, informação, conhecimento, fruição intelectual, o livro, enquanto objeto, é apenas "o suporte da leitura", o meio pelo qual o escritor chega ao leitor. E assim permanecerá até que "alguma coisa similar" o substitua. Saber quanto tempo essa transição levará para se consumar é mero e certamente inútil exercício de futurologia. Até porque provavelmente não ocorrerá exatamente uma transição, mas apenas a acomodação de uma nova mídia no amplo universo da comunicação. Tem sido assim ao longo da História.

Tranquilizem-se, portanto, os amantes do livro impresso. Tal como "a colher, o martelo, a roda ou a tesoura", ele veio para ficar, pelo menos até onde a vista alcança. E não se desesperem os novidadeiros amantes de gadgets. Estes continuarão sendo inventados e aprimorados por força da voracidade do business globalizado. E é possível até mesmo que algum deles venha a se tornar definitivo e entrar no time do livro, da colher, da roda...

Assim, o livro-forma parece prescindir dos cuidados de quem teme por seu futuro. Mas já não se pode dizer o mesmo do livro-conteúdo. Que é o que interessa. Este, sim, corre sério risco de soçobrar na tormenta de um mercado movido por insaciável apetite de lucros.

É claro que este é um fenômeno universal, resultante do paradoxo de um extraordinário desenvolvimento tecnológico capaz de globalizar as comunicações e a economia, mas absolutamente desinteressado de acabar com a fome no planeta. Será que são coisas incompatíveis? Faz mais sentido acreditar que seja questão de valores. Valores humanos.

Voltando aos livros, quando os valores humanos passam a se traduzir em cifras, os conteúdos dançam e livro bom passa a ser livro que vende. Não é força de expressão. É uma realidade relativamente recentemente no mercado editorial brasileiro, mas conhecida há pelo menos meio século, por exemplo, no dos Estados Unidos.

Jason Epstein, diretor da Random House por 40 anos e um dos fundadores de The New York Review of Books, afirma sobre as transformações do mercado editorial norte-americano em meados do século passado: "Durante esse período, o ramo da edição de livros desviou-se de sua verdadeira natureza, assumindo, coagido pelas desfavoráveis condições de mercado e pelos equívocos dos administradores distanciados, a postura de um negócio convencional. Essa situação levou a muitas dificuldades, pois publicar livros não é um negócio convencional. Assemelha-se mais a uma vocação ou a um esporte amador, em que o objetivo principal é a atividade em si, em vez do seu resultado financeiro" (O Negócio do Livro: Passado - Presente e Futuro do Mercado Editorial - Record, 2002, tradução de Zaida Maldonado, página 21).

Segue na mesma linha o editor franco-norte-americano André Schiffrin, durante 30 anos diretor da Pantheon e cofundador, em 1990, em Nova York, da editora sem fins lucrativos The New Press: "Na Europa e nos Estados Unidos, o trabalho de edição de livros tem longa tradição de ser uma profissão intelectual e politicamente engajada. Os editores sempre se orgulharam de sua capacidade de equilibrar o imperativo de ganhar dinheiro com o de lançar livros importantes. Nos últimos anos, à medida que a propriedade das editoras mudou de mãos, essa equação foi alterada. Hoje, frequentemente o único interesse do proprietário é ganhar dinheiro, e o máximo possível" (O Negócio dos Livros - Como as Grandes Corporações Decidem o que Você Lê - Casa da Palavra, 2000, tradução de Alexandre Martins, página 23).

Por aqui, era inevitável que o fundamentalismo de mercado também acabasse se instalando no negócio dos livros. Não faz muito tempo, num painel de editores promovido pela Fundação Instituto de Administração (FIA), com apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), ficou grotescamente evidente a divisão entre os profissionais do ramo. Durante os debates, um jovem e impetuoso autointitulado defensor da saúde financeira dos empreendimentos editoriais (eu não imaginava que houvesse alguém contra isso...) lançou indignadamente sobre os do "outro lado" o anátema implacável: "Conteudistas!"

Refeito do susto, pude até a me divertir com a ideia de propor aos do "outro lado" a união em torno de uma nova sigla, a CPC - Confraria dos Perigosos Conteudistas. Pois, como ensina o mestre Millôr Fernandes, aliás Vão Gôgo, ridendo castigat mores. Quer dizer: rindo castiga-se mais...

JORNALISTA, É EDITOR-ASSOCIADO DA GLOBAL EDITORA.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ela não anda com as próprias pernas”
JOSÉ SERRA, CANDIDATO A PRESIDENTE PELO PSDB, SOBRE SUA ADVERSÁRIA DO PT

PETISTAS CANTAM VITÓRIA JÁ NO PRIMEIRO TURNO 
Os coordenadores da campanha de Dilma Rousseff (PT) estão eufóricos, apostando até mesmo em vitória já no primeiro turno. É que pesquisas internas, a serem confirmadas por levantamentos regulares, já a colocariam sete pontos percentuais à frente de José Serra (PSDB). As intenções de voto na petista cresceram na região Sul e em São Paulo e Minas Gerais, Estados onde o tucano Serra sempre liderou.

ESTÁ FEIA A COISA 
A euforia petista coincide com o desânimo tucano: um ex-ministro de FHC prevê vitória de Dilma, em Minas, na proporção 2x1 votos.

VOTO “DILMASIA” 
O voto “Dilmasia” (Dilma para presidente e o tucano Antonio Anastasia para o governo) cresce em Minas, atestam os institutos de pesquisa.

VOTO “CEWAL” 
A novidade na Bahia é o voto “Cewal”, para senador: Cesar Borges (PR), da chapa de Geddel, e Walter Pinheiro (PT), ligado a Jaques Wagner. 

SEM SEGREDO 
O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, revelou seu voto: vai votar em trânsito em Brasília. Tem domicílio eleitoral em São Paulo. 

AMAZONAS: GOVERNADOR À FRENTE, BAIXARIA À VISTA 
O apoio do ex-governador Eduardo Braga (PMDB) e do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (DEM) catapultou a candidatura à reeleição do atual governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN), que pulou de 8% para a liderança nas pesquisas. Seu principal adversário é o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Políticos locais prevêem que o Amazonas terá a campanha mais suja do País.

HERANÇA 
O vice-presidente do “Tucanafro”, movimento negro do PSDB de São Paulo, é Paulo Leite, antigo motorista do ex-governador Mário Covas.

CUBA LIBRE 
Já tem 51.527 assinaturas a petição pela libertação de todos os presos políticos: ozt_verify@firmasjamaylibertad.com. Será entregue no dia 23.

TOUR DA DESPEDIDA 
O ministro da Propaganda, Franklin Martins, embarca amanhã para um “intercâmbio de experiências” em Portugal e Espanha. A conta é nossa.

CADEIA NELES 
Índios que emporcalham a Esplanada dos Ministérios desde janeiro pedem R$ 563 mil ao governo para cumprir a ordem da Justiça de sair da área. Deveriam ser presos também por picaretagem explícita.

PR: MUDANÇA NA JUSTIÇA 
Estado mais crítico quanto à situação de presos em delegacias, o Paraná troca de secretário de Justiça. Assumirá José Moacir Favetti, ex-secretário de Segurança e antigo nº 2 da Polícia Federal.

TIÃO GASOLINA 
Pré-candidato ao governo do Acre, o senador e médico Tião Viana (PT) é doido por automóveis: declarou ao Tribunal Regional Eleitoral ter sete EcoSport e um carrão americano Chrysler, de R$ 175 mil. 

PROJETO NÃO PASSA 
O Congresso não deve aprovar a alteração do tratado de Itaipu, e muito menos este ano, segundo o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia. O Paraguai quer mudar o tratado para triplicar as “compensações” (?), de US$$ 120 para US$ 360 milhões.

VOADOR 
O governador Sérgio Cabral, o vice Pezão, e Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, terão que explicar à 15ª Vara da Fazenda Pública os voos no helicóptero oficial, nos últimos três meses. 

GDF NA CAMPANHA 
O governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), exonerou 51 pessoas ligadas ao deputado Tadeu Filipelli, que seu partido indicou para vice de Agnelo Queiroz (PT), e abriu as portas do governo para adversários do Planalto filiados ao DEM e PSDB, ligados a Joaquim Roriz (PSB).

POR QUE NÃO TE CALAS? 
A idiotice do dia foi dita ontem, na TV, por uma defensora cega da criminalização da palmada, dessas pessoas que não têm nem jamais terão filhos: “É muito tênue o limite entre palmada e espancamento”.

DANÇA DAS CADEIRAS 
O secretário de Comunicação Social do PT, André Vargas, acha que o “empresário rico” de Marina Silva deveria ser o vice de José Serra, e o da “ecológica” Marina deveria ser o Índio (Indio da Costa, do DEM-RJ). 

POLVO PAUL É O CARA 
Bomba na web como “frase do dia”: “Você, que sempre confundiu lulas e polvos, agora já sabe a diferença – Lula mente, Polvo diz a verdade”. 

PODER SEM PUDOR
TANCREDO E AS NAMORADAS 
Tancredo Neves articulava apoio à sua candidatura presidencial, em agosto de 1983, e saía do seu escritório com Ulysses Guimarães para um encontro secreto na casa do importante político, na QL 8 do Lago Sul. Tancredo brincou com a curiosidade dos jornalistas:
– Arranjamos umas namoradas e vamos encontrá-las secretamente...
– Aonde? – perguntou uma repórter.
– Na QL 8 do Lago Sul, ora – respondeu, para espanto do dr. Ulysses.
Ninguém acreditou e eles seguiram para a reunião. Na QL 8 do Lago Sul.