domingo, abril 04, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Justiça manda retirar vídeos do YouTube

Folha de S. Paulo - 04/04/2010
 
 A Justiça do Pará concedeu, na última terça-feira, liminar a um candidato a prefeito do município de Ananindeua que determina que o Google retire do ar vídeos do YouTube com conteúdo considerado ofensivo.
Trata-se de decisão rara no Brasil, de acordo com advogado que participou do caso.
Helder Barbalho, autor da ação, foi filmado ao participar de um evento de sua campanha, visando a reeleição, em que visitava uma comunidade afro-religiosa.
Após o encontro, os vídeos foram editados e disponibilizados no site com o título de "Helder Macumbeiro" e sugeriam que Barbalho havia feito um "pacto com o demônio".
O autor da ação afirma que os vídeos disponibilizados possuem uma "conotação meramente agressiva e mercantilista, maculando a imagem de homem público" de Barbalho.
A decisão, do juiz Antonio Jairo de Oliveira Cordeiro, da 10ª Vara Cível de Ananindeua, no Estado do Pará, foi concedida no último dia 30. Até sexta-feira à noite os vídeos ainda estavam no ar.
A liminar determina que o Google retire as imagens do banco de dados do YouTube em dez dias, sob pena de multa diária de R$ 5.000 -a multa máxima foi fixada pelo juiz em R$ 200 mil. A decisão é de primeira instância. O Google ainda pode recorrer.
INTERCÂMBIO 
De Nordeste para Nordeste. O novo cônsul-geral britânico, John Doddrell, recém-empossado no cargo, já vai promover no dia 24 de maio uma missão que trará empresários da região nordeste da Inglaterra para Recife.
Executivos de vários setores, principalmente de energia, portos e construção, visitarão depois também o Rio e São Paulo, segundo o cônsul. Depois será a vez dos nordestinos brasileiros irem à terra de Shakespeare.
"A meta é aumentar o comércio entre Brasil e Reino Unido", disse o novo cônsul-geral que, antes de vir ao Brasil, atuava no Ministério da Indústria e Comércio, em Londres.
Para seu antecessor no cargo, Martin Raven, os cerca de US$ 4 bilhões comercializados entre os dois países ainda são pouco para o perfil de ambos.
Entre dezembro de 2006 e o mesmo mês de 2009 houve, porém, um aumento de 40% nas exportações britânicas para o Brasil e 30% nas exportações brasileiras para o Reino Unido.
No período de Raven no Brasil, o número de empresas interessadas em investir no Brasil e assessoradas pelo consulado foi cinco vezes superior.
"Eram cerca de 50 empresas e hoje são mais de 200. O interesse vem de uma combinação de fatores, mas o mais importante é o sucesso da economia no Brasil", afirma.

CELSO LAFER 
O ex-ministro e presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa) comenta os livros sobre os quais se debruçou recentemente

"Este ano é o do centenário do falecimento de Joaquim Nabuco -uma figura maior do Brasil. Reli, assim, uma das suas obras menos discutidas, "Balmaceda" (1895), reeditada com apuro em 2008 pela Cosac Naify. Ao discutir a crise política do final do século 19 no Chile, que levou a uma guerra civil e terminou com o suicídio do presidente Balmaceda, penso que, subjacente à crítica de Nabuco à presidência Floriano Peixoto, antecipa ele os dilemas da governabilidade democrática na nossa região destacando, ao mesmo tempo, tanto a importância da América do Sul quanto os desafios inerentes à circunstância diplomática das relações de vizinhança e regionais para a condução da política externa brasileira."
Outro livro que acaba de reler com cuidado, pois irá prefaciar a edição brasileira, é a tese, publicada em inglês, da estudiosa brasileira Bethania Assy, intitulada "Hannah Arendt - An Ethics of Personal Responsibility" (Frankfurt am Main, Peter Lang, 2008).
"Trata-se de uma notável e original interpretação da obra de Hannah Arendt, na qual a autora elabora como se pode fundamentar uma ética de responsabilidade para os nossos dias, tendo em vista que pertencemos ao mundo -e integramos a sua pluralidade e, por isso, temos que zelar pela sua preservação e durabilidade."
Lafer releu, também, recentemente, o livro de Mike Moore, "A World Without Walls - Freedom, Development, Free Trade and Global Governance" (Cambridge, Cambridge University Press, 2003).
SOL E ÁGUA 
De olho na Copa do Mundo de 2014, a Neoenergia (associação de Iberdrola, Previ e BB) transformará o Estádio de Pituaçu, em Salvador, no primeiro da América Latina a ter suprimento de energia solar. Durante o dia, vai gerar energia por meio de painéis fotovoltaicos -da alemã GTZ- e mandar o excedente à rede elétrica da Companhia de Eletricidade da Bahia. O projeto deve estar pronto em 2011. Como o custo da geração de energia solar ainda é alto, o grupo não avançará sobre esse terreno agora; permanecerá em pequenas centrais e grandes hidrelétricas -tanto que o grupo compõe um dos consórcios para disputar Belo Monte.

BRASIL S/A

Na fila de trás
Antonio Machado

CORREIO BRAZILIENSE - 04/04/10

Com pífio 1,2% do comércio global, país fica em 24º lugar na lista dos maiores exportadores


O superávit da balança comercial em março, o menor para o mês nos últimos dez anos, não foi a única notícia ruim a assombrar o antes pujante comércio exterior brasileiro, ex-alavanca do crescimento.
Em 2009, a participação brasileira no comércio global não passou de pífio 1,2% — desempenho fraco, que se repete há anos, mantendo o Brasil estagnado na 24ª posição do ranking anual da Organização Mundial do Comércio, OMC, ou WTC, na sigla em inglês.
Para a 8ª maior economia do mundo e candidata a ser a 5ª em mais uma década, na avaliação do governo, essa fatia do comércio global é um cisco. Nenhum país, fora os EUA, se desenvolveu sem uma forte participação do comércio exterior no PIB. A exceção dos EUA, país que ostenta o duvidoso cetro de maior importador do mundo, se deve ao virtual monopólio do dólar como meio de pagamentos global.
No pior ano do comércio global desde 1939, segundo a OMC, quando as exportações recuaram, a preços de 2005, 12,2%, as importações encolheram 12,9% e o PIB afundou 2,3%, o país não se saiu melhor.
No mapa da OMC, as exportações nacionais caíram tanto quanto a média mundial em dólar constante sobre 2008: 23%. As importações recuaram 27%, pondo o país na 26ª posição, com a fatia de 1,1%.
Há muita conversa, pouca ação e resultados mais modestos do que a propaganda triunfalista tenta transmitir, sobretudo quanto ao que se espera de uma atividade tão sensível para a segurança de longo prazo das contas nacionais e para a autonomia econômica do país.
O problema é menos o crescimento das importações, que expressam a retomada dos investimentos empresariais, grande demandante de bens de capitais importados, e o dinamismo do mercado interno, fator de competitividade do país em períodos de crise internacional aguda.
Grave é a rápida perda de atratividade das exportações quando os negócios internos começam a fervilhar, o que não se deve só à taxa cambial valorizada, mas também à falta de mecanismos eficazes para impulsioná-las. Há anos se fala em política de comércio exterior — e entra governo, sai governo, nada acontece. O país depende cada vez mais das exportações de minérios e grãos, especialmente para a China, criando dois tipos de dependência: uma nova, outra antiga.

Geografia regressiva

O dado novo é a China, que em 2009 passou a Alemanha como maior exportador mundial, com 9,6% de participação, contra 9% do antigo líder, 8,5% dos EUA, 4,7% do Japão e 4% da Holanda (país pequeno, que se destaca como entreposto das economias insulares da Europa).
Nesta “nova geografia comercial”, o Brasil saiu do vácuo dos EUA e entrou no da China, maior importador de várias matérias-primas, como minério de ferro, e produtos do agronegócio. Mas há nuanças.
Os EUA importam mais produtos industriais, que levam maior valor agregado, típicos de setores que geram mais e bons empregos. Já a China não só compete com as exportações industriais brasileiras e começa a desalojar firmas nacionais em mercados tradicionais como o Mercosul. Ela importa basicamente produtos básicos — a situação do Brasil até os grandes investimentos industriais nas décadas de 1960 a 1970. Por este ângulo histórico, o país regrediu.

A salvação da pátria

Não é mau ser exportador de bens primários. É melhor que ocorra isso à falta de algo a mais. O agronegócio, por exemplo, tão mal amado por organizações de esquerda, muitas mantidas com repasses de dinheiro público, gera um superávit externo que compensa todo o déficit das demais atividades. Sem o agronegócio o país estaria na situação humilhante da Grécia: quebrado e no colo do FMI.
Em 2009, o superávit do agronegócio, de US$ 49 bilhões, sustentou a balança comercial, pois os demais setores produziram déficit de US$ 23,7 bilhões. A exportação de minérios é outra dádiva. Com os novos preços de exportação da Vale, aumentados de mais de 100%, se faz conta no governo sobre quanto isso deverá ajudar a espichar o magro superávit comercial de 2010, previsto em US$ 10/12 bilhões.

Sem gambiarra cambial

O fato é que matérias-primas geram receitas, não desenvolvimento, como comprovam os países petroleiros, ricos de caixa e miseráveis socialmente. A indústria faz a diferença. Dentro dela, mais as que produzem bens de alto valor tecnológico. Entre essas, as que sabem inovar nem que seja pela engenharia reversa de conteúdo importado.
Essa sequência de valor define a estratégia comercial, o que deve ser apoiado e as parcerias externas. Sem tal esquema, o resto é só gambiarra. O real fraco e desonerações se tornam apenas subsídios.

Magias voltam à cena

O governo, premido pelo cumprimento da meta que se impôs de fazer superávit primário de 3,3% do PIB neste ano, para pagar os juros da dívida pública, reluta em dar alívio tributário ao exportador. Não libera também a criação do Eximbank Brasil, que virá como extensão do BNDES para financiar o importador de bens e serviços nacionais.
Vai acabar reagindo quando o déficit externo, que tende a 3% do PIB este ano, se avolumar e começar a inflar o dólar e a açoitar a inflação. A exportação terá o prêmio cambial na marra, mas à custa de se enfraquecer o poder aquisitivo dos salários. Não é assim que se pereniza o crescimento econômico com distribuição de renda. É bom o eleitor prestar atenção às ideias mágicas que começam a pulular.

DANUZA LEÃO

Segredos
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10


Virou uma mania contar tudo que nos acontece; mas as mais graves, mais sérias, essas não se conta a ninguém


DENTRO DE cada coração há um segredo guardado, um segredo que jamais será contado à melhor amiga, nem ao padre nem ao psicanalista. Não que seja algo que deva ser escondido, mas é uma coisa que não poderá, jamais, ser dividida com ninguém: é uma coisa só sua. Pode se tratar de um fato que aconteceu e que seria um escândalo se alguém soubesse, uma linda história de amor ou apenas um delírio de imaginação, mas dele ninguém vai saber, nunca.
Virou uma mania contar tudo que nos acontece; mas as mais graves, mais sérias, que vêm lá do fundo, essas não se conta a ninguém. A gente pensa que certos pensamentos só acontecem com mulheres muito bonitas e homens muito interessantes, gente que já percorreu o mundo e passou por todas as experiências: ledo engano. Na vida da mais humilde lavadeira da periferia podem ter acontecido coisas que fariam inveja à mais bela e elegante mulher da cidade, que talvez por cuidar tanto de sua beleza e de sua elegância nunca perdeu tempo olhando seu próprio coração.
Quando estiver num lugar cheio de gente, comece a prestar atenção às pessoas, mas uma atenção diferente, mais cuidadosa. Vai perceber que a mais escandalosamente linda de todas, aquela cujo decote vai até o umbigo, e que a fenda da saia vai até a cintura, não está vestida dessa maneira para verdadeiramente conquistar um homem, mas sim para conquistar todos eles; e todos, nesse caso, quer dizer nenhum.
Em algum canto dessa festa vai haver uma mulher absolutamente normal, de uma idade mais pra lá do que pra cá, conversando com uma amiga; uma daquelas mulheres que se olha e sobre a qual não se pensa nada -ou se pensa, é que ela namorou, noivou, casou, teve filhos, foi fiel e que sua vida foi de um tédio atroz. Pois é aí que pode -e geralmente está- o engano.
Essas, se é que viveram mesmo uma vida sem grandes e trepidantes histórias de amor, costumam ter tido desejos intensos e inconfessáveis, e quanto mais castas tiverem sido, maior a quantidade deles. Vamos deixar bem claro que desejar não é cometer nenhuma infidelidade. Por isso, nada mais natural que isso tenha acontecido com nossas mães, tias e avós.
Talvez, na época pré-Freud, elas não conseguissem identificar com clareza o que estava acontecendo, mas se pensarem agora sobre o medo que alguns homens lhes causavam, o pânico de ficar sozinha na sala com alguns deles e a aversão intensa que outros lhes provocavam, visto sob uma ótica mais moderna e esclarecida, poderia ser medo não deles, mas do desejo delas próprias; medo de se atirar no pescoço de um cunhado ou do filho do farmacêutico, que pela idade poderia ser seu próprio filho.
Quando estiver numa daquelas reuniões de família com aquelas tias que nunca perderam uma missa em toda sua existência, ofereça um licor e puxe pela sua língua.
Ela não vai dizer tudo, claro, até porque não sabe direito, mas não vai ser difícil para você desvendar os mistérios que se escondem naquele coração. E se quiser ser bem pérfida, puxe pela vida das outras, procure -sutilmente, claro -saber dos podres da família. Ou vai dizer que na sua nunca teve nenhum?
E quando olhar para sua avó, tão distinta, com os cabelos tão brancos, com um ar tão distante, imagine as loucuras que não devem ter passado pela cabeça dela. Ou que talvez ainda estejam passando.

GAUDÊNCIO TORQUATO

O vermelho de abril
 O Estado de S.Paulo - 04/04/10

Abril será tão vermelho quanto promete o Movimento dos Sem-Terra (MST)? A promessa está no ar: a meta é superar as 29 invasões de terra ocorridas no ano passado. O que está por trás dessa recorrente agenda do caos, quando se sabe que o MST ajusta as ações às estratégias eleitorais de Lula? Foi assim em 2002 e em 2006, quando o MST, detectando reais condições de vitória de seu candidato, praticamente ficou inerte. Já em anos seguintes ao pleito ? 2004, com 103 invasões, e 2007, com 74 ? o movimento procurou recompor as bandeiras encarnadas pelo território, a sinalizar a adoção do modelo "sanfona", vaivém, e passando a ser visto como organização de interesses calibrados por patronos e circunstâncias. O que caiu sobre o telhado bem fornido do MST, que será um estorvo à campanha da candidata Dilma Rousseff, caso efetivamente venha a cumprir a ameaça de perturbar a segunda quinzena de abril com as previsíveis cenas de ocupação de propriedades e destruição de equipamentos e plantações?

É pouco crível o argumento de que os líderes pretendem sinalizar descontentamento com os rumos da reforma agrária na atual administração, quando se sabe que a estreita interlocução com autoridades permite concluir que os passos tomados por ambos os lados são devidamente combinados. Aliás, o ajuste se faz necessário até para evitar interrupção do fluxo de recursos que ingressam no movimento por vias transversas. Tampouco parece lógica a ideia de que o recrudescimento do programa de invasões sinalizaria reação à criminalização dos movimentos sociais, cujo aniquilamento estaria sendo planejado por uma "direita que se rearticula", segundo o comandante do MST, João Pedro Stédile.

Até onde a vista alcança, a virada de avesso no campo causará efeito contrário ao que se pretende. Conseguirá apenas expandir a repulsa social e a pressão para conter o ímpeto dos invasores. Descartando-se mais essa hipótese para o anunciado surto emessetista, sobra o viés eleitoreiro, cujo recado pode ser: "Ou vocês, candidatos, fazem a reforma agrária que queremos ou vamos botar pra quebrar." Se for essa a intenção, o ônus recairá sobre Dilma Rousseff.

É oportuno lembrar que a tentativa de estabelecer conexão entre a candidata de Lula e a parcela que defende a "revolução socialista" é de todo indesejável nesse momento. Vamos às razões. Como se sabe, Luiz Inácio substituiu o manto programático pelo figurino pragmático. Basta expor a radiografia do governo. A linguagem cifrada da velha esquerda, com seus surrados refrãos, é usada por ele com parcimônia. Os eixos econômicos da administração são firmemente pregados à roda do neoliberalismo, mesmo se concedendo considerável espaço ? bem maior no pós-crise ? ao papel do Estado nos rumos da economia. Fosse confinado ao dogmatismo da velha cartilha, Lula não lideraria ações confrontadas por movimentos sociais, como a questão dos transgênicos, a transposição do São Francisco, a construção de hidrelétricas, a produção de biocombustível, entre outros programas. Até os PACs (1 e 2), com seu decantado aglomerado de obras, deixam boquiabertos grupos ambientalistas. Emblema dessa disposição é o caso que Lula gosta de realçar: a "perereca" que quase barrou a construção de um túnel.

Luiz Inácio tem sabido jogar com os contrários. Para arrefecer a bateria crítica, não deixa por menos. Promove amplos ensaios de cooptação. Primeiro, incentiva a abertura de locução dos movimentos sociais. Que se sentem motivados a falar mal de certos projetos. Segundo, abre dutos para irrigação de ONGs com uma batelada de recursos. Terceiro, promove articulação junto a núcleos representativos da sociedade, engajando-os em mecanismos governamentais (Câmaras, grupos de trabalho, comitês, etc.). A seguir, Lula vai ao seu encontro, prestigiando eventos, falando a linguagem que as entidades desejam ouvir, repetindo mantras e colorindo palanques com a liturgia dos bonés. A regra é: morder e assoprar. Dessa forma, agrada a gregos e troianos. Não por acaso, o grevismo na área federal passa férias sob a montanha de um vulcão extinto. Uma ou outra greve atravessa ligeirinha os horizontes da administração, sem abalar os alicerces lulistas.

Para os adversários, contudo, os canhões grevistas são intensamente usados. Veja-se essa greve de professores em São Paulo, com claras intenções de bagunçar a despedida de José Serra do governo. Já as centrais sindicais gozam de permanente festa. Locupletadas de recursos ? provenientes de contribuições do sistema confederativo ?, as gigantescas estruturas deixam as ruas para permanecer nos gabinetes.

É interessante ver um palco repleto de atores malemolentes? Não. Daí a necessidade de povoar os espaços cênicos com perfis exóticos, gente espalhafatosa, contendores desabridos e até fomentadores de ruptura de convenções. Inserem-se, aqui, os grupos que agem para demolir as bases da lei e da ordem, a partir do MST. Essa organização tem sido contumaz desafiante do sistema normativo. Seu alvo é o agronegócio, que responde por um terço dos empregos do País e por um superávit de US$ 23 bilhões da balança comercial. O curto-circuito da ilegalidade provoca incêndio. E prejuízo de monta.

O governo lava as mãos, sinalizando que outra esfera, a Justiça, é quem pode entrar em ação. Preserva-se. Mas continua a receber apoio do movimento. Agora, o governo se encontra diante de uma sinuca de bico. O MST garante que vai abandonar o esconderijo em que se abriga em anos eleitorais. Promete mais uma algazarra no campo na segunda quinzena de abril, descosturando acordo tácito feito há tempos. A vermelhidão deste abril é a proposta cromática mais adequada para José Serra melhorar a plumagem azul e amarela de seu tucano.

JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

JOSÉ SIMÃO

Páscoa! Tem até o Ovo do Batman!
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10

Sabe como é ovo de Páscoa de dupla sertaneja? Um faz força e o outro bota o ovo


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador Geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
"Argentino acusado de roubo e abuso sexual tenta acender um baseado no tribunal." E como é o nome dele? Marcelo Paiva BOLADO!
E foi lançado em Portugal o primeiro antiepiléptico com patente portuguesa. E sabe como se chama a empresa farmacêutica? BIAL! Antiepiléptico Bial! Rarará!
E o pensamento masculino do dia: casamento é um workshop -enquanto um work, a outra shop! E o grande babado da semana: "Maradona foi mordido por um cachorro e passa por cirurgia". Maradona passa bem, mas o cachorro ficou esquisito: brigou com dois jornalistas, falou que é o melhor cachorro do mundo, vai se tratar em Cuba e tá louco pra pegar a canela do Pelé!
E sabe por que o cachorro mordeu o Maradona? Porque era um cão farejador! E sabe por que o Maradona deixou o cachorro morder ele? Pra ficar mais feio que o Tevez! Rarará!
E o slogan da Semana Santa: Menos Ovo e Mais Galinhagem! E uma amiga botou a placa na porta: "Procuro um coelho pra dar uma coelhada rápida". Chega de ovo!
Tem até um ovo chamado Ovo do Batman! Só que o ovo do Batman é do Robin! Já tem dono! E a comercialização da Páscoa é tão grande que um menino perguntou pro pai: "Pai, Jesus era um coelho?". Era. E fez a multiplicação dos ovos no Carrefour! E sabe como é ovo de Páscoa de dupla sertaneja? Um faz força e o outro bota o ovo. "Vamos, Zezé! Força". "Peraí, Luciano, calma!". Rarará!
Ereções 2010! Febre de Inaugurações! Olha a agenda de inaugurações da Dilma e do Lula. Hoje eles inauguram: o Salão da Creusa, o Campinho da Vila e o Bar do Zé Picão! O apelido do Lula agora é Lula Mãos de Tesoura. Não pode ver uma fita que já vai com a tesoura, tshcik tchik, tchik! E sabe o novo significado do PAC? Primeiro de Abril, Companheiros! Rarará!
E o Serra Vampiro Anêmico?! Finalmente é candidato! E o Eramos6 bolou um slogan pra ele: "Por uma Transilvânia Melhor, Serra 2010". Se o Serra ganhar, não vai ter mais sol no Brasil. Só noite! E o avião presidencial? Como vai se chamar o Aerolula do Serra? Três sugestões: Sarcófago One, Aero Rabecão e Jazigo Presidencial. E para o Caixão Econômico Federal, ele vai nomear o Fernando Henrique Cardíaco.
E pro Banco de Sangue Central, Drauzio Varella! O terrorista da saúde! Você vai pra geladeira pegar a maionese pra fazer um sandubão e aparece a cara do Drauzio: "Não pode! Dá câncer! Você vai morrer!". Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ANDRÉS OPPENHEIMER

Chance que Chávez espera
O ESTADO DE SÃO PAULO -  04/04/2010


Se os candidatos colombianos subirem o tom contra Caracas, o venezuelano pode ter uma desculpa para adiar as eleições em seu país

Analisando a corrida presidencial da Colômbia, não posso deixar de pensar na possibilidade de os candidatos, no calor da campanha,dizerem algo que possa dar ao polêmico autocrata venezuelano, Hugo Chávez, a desculpa necessária para cancelar as eleições legislativas da Venezuela,
marcadas para setembro.

A Colômbia prepara-se para escolher, nas eleições de 30 de maio, o sucessor do presidente Álvaro Uribe, que é imensamente popular no país por combater a guerrilha marxista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) por ter denunciado o apoio secreto de Chávez aos guerrilheiros.

Neste contexto, as eleições da Colômbia poderão se tornar uma competição para ver qual dos candidatos se destacará como o mais próximo seguidor da política de Uribe.

Neste momento, o candidato do partido de Uribe, o ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, está na frente nas pesquisas com 36% dos votos, seguido pela
candidata do Partido Conservador, Noemi Sanín, com 17%.

Santos foium ministro da Defesa de linha dura, que liderou o resgate,em 2008, da ex-senadora Ingrid Betancourt e dos três funcionários terceirizados da
CIA que estavam em poder dos guerrilheiros.

No mesmo ano,ordenou o ataque armado a um acampamento das Farc no Equador,que levou à descoberta de laptops usados pelos rebeldes com milhares de e-mails, cuja autenticidade foi posteriormente confirmada. Os e-mails mostraram o ativo apoio da Venezuela aos guerrilheiros colombianos.

Quando perguntei a Santos em uma entrevista em Miami o que ele mudaria na política externa de Uribe – principalmente em relação a Chávez – , se ganhasse, ele respondeu que se preocuparia mais em tomar a iniciativa.

“Nossa diplomacia tem sido muito passiva. Precisamos de uma diplomacia mais capaz de tomar iniciativas, que permita integrar melhor o país no cenário internacional, onde acreditamos ter muitos atributos para nos tornarmos participantes”, afirmou.

“Até agora, a Colômbia se manteve na defensiva no plano internacional, porque durante muitos anos foi descrita pela imprensa como um dos países do mundo com as maiores taxas de sequestros, assassinato e narcotráfico. Mas não é mais assim e a diplomacia da Colômbia terá de mudar”, acrescentou.

‘Óleo e água’. Indagado sobre o líder venezuelano, ele disse: “Chávez e eu somos como óleo e água. Mas, se houver respeito por nossas divergências,
poderemos manter ótimas relações. Acho que essa é uma obrigação nossa, porque quando os líderes brigam, é o povo que sofre.”

Perguntei se não há o perigo de, no calor da campanha da Colômbia, ele, Santos, e seus adversários subirem o tom da retórica em relação a Chávez, podendo provocar um novo aumento das tensões entre os dois países.

“Espero que não”, disse. “Espero que nossa democracia esteja suficientemente madura para evitar que a política externa seja usada como um instrumento da campanha política nacional. Seria uma atitude irresponsável. Pelo que me diz respeito,tenha a certeza de que, apesar de afirmarem que eu sou o ogro anti-
Chávez, isso não será usado para a campanha política.”

É possível que Santos esteja sendo sincero quando afirma que não usará a retórica anti-Chávez para fins políticos em seu país. Mas os seus adversários precisarão ganhar parte dos votos de Uribe e poderão fazê-lo.

Por outro lado,Chávez perde rapidamente apoio na Venezuela, porque os preços do
petróleo estão caindo e ele não pode mais controlar a incompetência e corrupção do seu governo com uma maciça distribuição de dinheiro.

Uma pesquisa do Instituto Hinterlaces realizada em março mostra que 66% dos venezuelanos gostariam que Chávez deixasse o poder no final do seu mandato, em 2012, ou mesmo antes.

Complôs. Como não poderia deixar de ser, nas últimas semanas Chávez intensificou
sua retórica sobre supostos complôs da oposição para matá-lo ou derrubá-lo.

É possível que, depois de perder um plebiscito que visava à implementação do socialismo na Venezuela em 2007, Chávez não queira correr o risco de perder o domínio absoluto que atualmente tem sobre o Congresso, e tente cancelar as eleições desetembro.

Mesmo que Santos e os outros candidatos colombianos evitem falar alguma coisa que possa se rusada por Chávez como desculpa para promover seu projeto totalitário, o venezuelano pode apelar para algo a fim de provocar uma forte
reação desses candidatos, ou criar um incidente com a esperança de encontrar uma desculpa para adiar indefinidamente as eleições legislativas.

De qualquer forma, se os candidatos colombianos não tomarem cuidado com suas
afirmações, poderão inadvertidamente ajudar Chávez a acabar com os últimos vestígios de democracia na Venezuela.
Andrés Oppenheimer, Colunista e analista político argentino

DORA KRAMER

Gente insolente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/04/10

O PSDB nasceu em 1988, oito anos depois do PT. Chegou ao poder em 1994, oito anos antes do PT – que passou 22 anos na oposição até chegar ao ponto que os tucanos levaram apenas seis para alcançar. Graças ao Plano Real.
A uma circunstância particularmente favorável. Uma ascensão acidental, já que o PSDB não trabalhou por ela, limitou-se a estar no lugar certo na hora exata. Ou melhor, a ser o partido do homem certo no momento em que o então presidente Itamar Franco não deixou ao chanceler Fernando Henrique Cardoso alternativa, praticamente o nomeando à revelia seu quarto ministro da Economia.
Contra todas as expectativas, FH deu conta da missão, reuniu o grupo adequado e estava feito o caminho do PSDB rumo ao Palácio do Planalto. Durante oito anos o partido governou o Brasil.
Fernando Henrique Cardoso não foi o rei do espetáculo, mas ajudou a mudar o perfil do país. Fez reformas, privatizou a telefonia, profissionalizou as estatais, organizou as contas públicas, acabou com a inflação, devolveu a moeda ao país, inseriu o Brasil no mercado mundial, conquistou respeito internacional, continua sendo dos mais argutos pensadores e observadores da cena nacional.
Suas análises sobre o comportamento dos políticos, as razões do distanciamento da sociedade dos partidos, as ações para promover a aproximação são precisos diagnósticos. Tão certeiros que a reação de seus adversários é sempre o apelo arrebatado para que se cale.
E o surpreendente é que os ditos correligionários fazem pior: o ignoram. Faz palestras no mundo inteiro e pelo país afora, mas o tucanatinho acha que ele não fica bem na fotografia do vigoroso partido onde vicejam próceres cuja capacidade de distinguir credibilidade de popularidade é nenhuma.
Sabe o cunhado que vive dando ve xame? Pois é. Os tucanos agora re solveram tratar Fernando Hen ri que nessa base. Segundo eles, “pesquisas internas” indicam que FH não é benquisto pelo eleitorado.
Atrapalha quando fala. E isso é dito tanto por pessoas com algum grau de discernimento quanto por gente que não faz um ó com um copo. Exato, o PSDB não é partido só de “quadros qualificados”.
Esse pessoal lê umas pesquisas, ou ve um boboca de um analista, se assusta com os arreganhos de meia dúzia de adversários e acha que is so os autoriza a jogar no lixo o respeito devido a quem permitiu que o partido iniciasse sua trajetória de vida pela rampa do Palácio do Pla nalto. Para não falar dos comprovados serviços prestados ao país, que em nações civilizadas costumam ser patrimônio preservado.
Lula perdeu três eleições presidenciais, foi muito criticado no PT, mas nos momentos difíceis nunca se viu movimento orquestrado para escondê-lo, tirá-lo de cena como se fosse um criminoso ou portador de doença contagiosa grave.
Se é sobre esse tipo de caráter que o candidato José Serra falou quando se referiu a brio, índole e solidariedade em seu discurso de despedida do governo de São Paulo, há incoerência no conceito.
Segura peão
Do presidente Lula diretamente o deputado Ciro Gomes não recebeu nenhum pedido nem recado para retirar sua candidatura. Houve uma conversa nesse sentido com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, partido de Ciro. Foi na segunda-feira passada.
Eduardo começou convencido da necessidade da retirada e terminou balançado. Pelos seguintes argumentos: 1) Para o partido é negócio uma plataforma nacional de 12% de votos; 2) Se Ciro se retirar, nove seções do PSB, é certo, vão aderir à candidatura de José Serra; 3) Pesquisas internas indicam um potencial de crescimento de até 20 milhões de votos; 4) Todas as perguntas mostram que o eleitor reconhece nele competência semelhante à identificada em Dilma Rousseff e José Serra; 5) Ciro é a segunda opção dos eleitores dos dois principais candidatos, sendo que é majoritariamente o preferido dos eleitores de Serra.
Ou seja, se sair, favorece o tucano. Por isso deixa Serra sossegado e bate tanto no PT, porque disputa o eleitor potencial do PSDB.

ANCELMO GÓIS

Tijolo por tijolo
O GLOBO - 04/04/10
 
Acredite. Com as indústrias da construção na Espanha e em Portugal na UTI, havia empresário brasileiro na Península Ibérica nesta Páscoa.
Foram lá com intenção de contratar mão de obra barata para construções no Brasil.

Bolsa-Miami 
O dólar baratinho não só enche aviões de turistas para a Disney. Também fez retomar o hábito de bacanas brasileiros de comprar imóveis nos EUA.
Quarta, no Hotel Fasano, no Rio, haverá o lançamento mundial de vendas do condomínio W South Beach, em Miami. Os apartamentos custarão entre US$ 700 mil e US$ 4 milhões.

Liberou geral 
A Petrobras vai estender, definitivamente, a decisão, adotada no verão, de abolir o terno e a gravata entre os funcionários.
Pesquisa feita por Paulo Otto, ouvidor da estatal, com 2.200 empregados, mostrou que 96,5% apoiam o enterro do paletó.

Colete é fashion 
Do gaiato Ziraldo, outro adepto dos coletes, sobre a saída de Carlos Minc do governo: — Agora que o Minc vai sair da mídia, vou pedir meus coletes de volta...

Fé.com 
As freiras Servas de Maria, do Rio, que difundem a fé em Madre Soledad, espanhola venerada pelo dom da cura, criaram um site para os necessitados de saúde acenderem velas virtuais.
No site servasdemaria.org.br, feito pela Simples Agência, o devoto pode acompanhar sua vela queimando por alguns dias.

Estação Barra 
O espanhol Santiago Calatrava virou local.
Alem do Museu do Amanhã, que será construído no Cais do Porto, no Rio, o badalado arquiteto também projetará a futura estação do Metrô da Barra da Tijuca.

PAC argentino 
Em fase megalômana, o governo incluiu no material do PAC-2, pagina 7, item transporte, obras no... Paraguai e na Argentina.
Um dos mapas aponta o corredor bioceânico AntofagastaParanaguá (prevê uma ferrovia que cruza o Paraguai até a cidade argentina de Salto, de onde hoje já parte uma linha férrea para o porto chileno no Pacífico).

Piuuuííííí... 
O BNDES, diz Samuel Gomes, presidente da Ferroeste, contratou estudos de viabilidade da ferrovia de uns 300km, de Cascavel, PR, até a argentina Salto, a uns 60km da fronteira.
O trecho custaria uns US$ 600 milhões.

Estranho no ninho 
Ciro Gomes, pré-candidato do PSB à Presidência, revelou à revista “Playboy” que se sente deslocado entre os amigos da mulher, a bela atriz Patrícia Pillar.
Não é fofo?

ZONA FRANCA 
José Sergival apresenta “Puxa o Fole”, aos domingos, 11h, na AM 1130.
Roberto Menescal e Wanda Sá lançam o CD, “Declaração”, amanhã, com show no Espaço Tom Jobim.
O advogado Nehemias Gueiros integra o escritório Basílio Advogados.
A Plural Comunicação é a nova assessoria do zagueiro Lúcio.
Cris Leite dará o curso Zás Trás — Jantar Completo, quarta, no Rio Plaza.
A área de Letras da PUC abre inscrições para curso “O corpo em cena”.
Fazenda do Rochedo, em Resende Costa, MG, abre a Agência Café e Cia.
A Imporium, no IFashion, em Niterói, lança nova coleção.
A Solex traz ao Brasil a cerveja Austral com frutas.
Começa terça a 57ª Gestante & Bebê, no Riocentro.

Sandy Leah 
Sandy, a cantora que vai estrear como compositora num CD só de músicas próprias, decidiu assinar as canções, no encarte do disco, com seu nome de batismo: Sandy Leah.
O nome foi homenagem do pai, Xororó, à princesa Leah (foto), vivida por Carrie Fisher em “Guerra nas estrelas”.

Se correr... 
Quando se diz que alguém foi mordido, sempre quem leva a fama são cães e gatos. Mas, este ano, 14 pessoas já foram atendidas só no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, no Rio, com mordidas de cavalos, macacos, porcos, bois, esquilos, quatis, saguis e até gambás.
Em 2009, na mesma região do hospital, acredite, 72 pessoas foram atacadas por bichos.

...o bicho pega 
Os macacos, campeões das bocadas, morderam 43 pessoas — mas cavalos, veja só, abocanharam outras 18.

Cena carioca 
De um ladrão, segunda, por volta de 16h, a bordo de um ônibus da linha 179 (Central-Alvorada), ao anunciar o assalto: — Eu poderia estar matando, eu poderia estar estuprando...
mas só vou assaltar vocês! Por favor, não reajam! Há testemunhas.

Dourado não está sozinho 
O preconceito contra gays no Brasil é muito forte, atesta o professor de sociologia da USP Gustavo Venturi, que coordenou uma pesquisa nacional sobre o tema, com 2.014 pessoas, entre 2008 e 2009.
Um em cada quatro brasileiros é homofóbico, revela o estudo. Isto sem falar naqueles — como é o caso do campeão do último “Big Brother”, Marcelo Dourado — que negam o óbvio.
A pesquisa revela uma taxa sete vezes maior de pessoas que assumem ter tem preconceito contra a comunidade LGBT do que a dos que reconhecem ter preconceito de natureza racial — negros, principalmente — ou contra idosos. “Ao contrário da questão racial, as pessoas ainda não têm constrangimento de dizer que odeiam o LGBT. Só 4% diz em ter preconceito contra idosos e de raça, enquanto 28% assumem ter preconceito contra LGBT”, explica o sociólogo.
Para Venturi, a diferença vem do fato de ainda não haver crítica forte na sociedade a respeito da homofobia — o que faz com que as pessoas se sintam à vontade para manifestar seu preconceito.

— São incontáveis as manifestações. Isto reflete a intolerância com a diversidade sexual e a tolerância com a homofobia. As próprias piadas na TV.

É muito comum se caricaturar os homossexuais, e o fato é que isso é tomado com naturalidade — comenta Venturi.