domingo, outubro 11, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

O Pelé da política pode encerrar a carreira no time dos malufs

11 de outubro de 2009

O Pelé fez isso, o Pelé deixou de fazer aquilo — é sempre na terceira pessoa do singular que o maior craque de todos os tempos se refere a si próprio. Faz sentido: nem Pelé acredita que é Pelé. Sabiamente, prefere achar que os deuses dos estádios resolveram contemplar o País do Futebol com uma coisa do outro mundo que, antes e depois da deslumbrante passagem pelos campos do planeta, teria o nome de Edson Arantes do Nascimento e a aparência de um ser humano.

O Maluf fez isso, o Maluf jamais faria aquilo — copiou a fórmula o grande farsante desde que se alojou no noticiário político-policial. Faz sentido: embora saiba que é Maluf, Paulo Salim Maluf prefere que os outros acreditem na existência de uma entidade mais que perfeita perseguida por um homônimo delinquente. Espertamente, finge achar que todos os santos se juntaram para presentear o maior país católico do mundo com o Maluf que faz metrô, avenida, estrada, cidade, Estados — até país, se deixarem. Mas a Divina Providência esqueceu de proibir o nascimento do outro Maluf que faz coisas de que até Deus duvida e a Justiça faz de conta que não vê.

O Lula fez isso, o Lula vai fazer aquilo, o Lula faz e acontece — deu de usar a terceira pessoa também o presidente da República. Faz sentido: convivem na cabeça de Luiz Inácio Lula da Lula o gênio da bola e o gênio das bolas. Pelo que diz que fez ou fará, é mais que o maior dos governantes desde Tomé de Sousa: é o Pelé dos estadistas. Pelas jogadas que anda fazendo, pelos amigos de infância que arrumou, pelos parceiros que tem, pelas demonstrações de desprezo por códigos legais ou normas éticas, pela cumplicidade ativa com corruptos juramentados, pela desenvoltura com que conta mentiras e pelo conjunto da obra, já está moralmente qualificado para encerrar a carreira no time dos malufs.

MARCOS COIMBRA

OS CANDIDATOS EM CAMPANHA

CORREIO BRAZILIENSE


Enfim, lá vão os candidatos, cumprindo a rotina de uma eleição que foi exageradamente antecipada. Quanto aos eleitores, na sua imensa maioria, não estão nem aí para o que eles fazem

É algo conhecido faz tempo, mas espanta o ritmo acelerado em que vai andando a campanha para a eleição presidencial de 2010. Quem acompanhou o noticiário político da semana voltou a ver quão rápido ele é. Olhando para o que fizeram quase todos os pré-candidatos, tem-se a impressão de que vamos escolher o sucessor de Lula daqui a semanas e não meses, muitos meses. Todos estão com agendas cheias, multiplicando-se em reuniões, encontros, viagens daqui para ali. A eleição está longe, mas eles agem como se estivesse pertíssimo.

Quem mais tem se esforçado parece ser Dilma. Pudera, ela tem que recuperar um tempo precioso que perdeu para os concorrentes no período em que precisou descansar para cuidar da saúde. Na corrida frenética em que todos estão, ela agora se desdobra em mil atividades, que a levam de Norte a Sul do país. Um dia estava no Paraná, visitando hospitais; outro no Rio, por conta da Olimpíada; depois em São Paulo, orando com uns; agora em Belém, acompanhando o Círio. Ufa!

Como ministra, ela pode se movimentar pelo país sem as limitações de recursos e agenda que os demais. Comparada com a deles, sua infraestrutura de campanha ganha de goleada, mesmo lembrando que dois são governadores de estados ricos. Serra e Aécio precisam ter um motivo ponderável para se ausentar de seus postos em horário, digamos, comercial. Dilma pode ter afazeres em qualquer lugar.

Ainda mais quando Lula está no Brasil, coisa que, é verdade, não é tão comum. Quando podem, os dois têm compromissos quase diários. Nesta semana, por exemplo, vão passar juntos três dias em viagem pela Bacia do São Francisco, na qual até dormir em barracas (talvez para criar um clima de aventuras) vão dormir. O pretexto é “supervisionar” as obras de transposição do rio, mas poderia ser outro.

Os tucanos só raramente têm justificativas administrativas para viajar, o que significa, também, que a maior parte de seus contatos políticos se dá quando recebem convidados em São Paulo ou Belo Horizonte. Dilma, Ciro e Marina estão em Brasília por obrigação (ou, pelo menos, deveriam estar) — o que facilita as coisas.

Se analisarmos o que fazem os dois que são parlamentares, vemos diferenças. Marina continua a usar a tribuna do Senado para se posicionar a respeito de temas que dizem respeito à campanha presidencial. Nada a objetar, pois isso é compatível com o exercício do mandato que recebeu dos eleitores do Acre. O mesmo, porém, não se pode dizer de muitos de seus compromissos, que a levam a lugares e eventos irrelevantes para os interesses de seu estado.

A menos que se imagine que ela pode fazer o que quiser com o mandato, como se tivesse recebido um cheque em branco dos eleitores. Caberia a ela própria interpretar o desejo dos que nela votaram e agir em consonância com essa interpretação.

Nisso, Ciro foi mais longe, ao transferir seu domicilio eleitoral para São Paulo. Aliás, temos que acreditar que o deputado resolveu, de fato, mudar-se para a cidade, lá fixando residência. Como ele não deve estar faltando com a verdade para com a Justiça Eleitoral, é lá mesmo que vai morar. Fica a dúvida se faz sentido uma interpretação tão elástica do mandato que recebeu dos eleitores do Ceará.

Dado que Ciro não esconde de ninguém que um de seus principais objetivos em 2010 é atazanar José Serra, não há nada de estranho que lideranças do PSDB pretendam questionar essa transferência. É claro que é uma ação política, o que não muda o fato de que viver na metrópole e representar o Ceará tem cheiro do Brasil de antigamente. Da época em que vários deputados faziam sua vida no Rio e só iam por obrigação a seus estados.

Ninguém sabe o efeito eleitoral de tanta agitação. A presença de um possível candidato em uma cidade, para uma breve visita, a esta distância da eleição, sequer é notada pelo cidadão comum. Para a minoria que a percebe, é pouco provável que tenha qualquer impacto na decisão de voto que tomará lá na frente.

Mesmo se for Dilma. Quando vai sozinha, fica igual aos demais, passando despercebida. Acompanhando Lula, ainda que ele a puxe para a frente do palanque, se torna presença menor. Lula está com imagem tão grande que, a seu lado, todos somem.

Enfim, lá vão os candidatos, cumprindo a rotina de uma eleição que foi exageradamente antecipada. Quanto aos eleitores, na sua imensa maioria, não estão nem aí para o que eles fazem.


Marcos Coimbra, Sociólogo e Presidente do Instituto Vox Populi

INFORME JB

Ciro faz programa de governo

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 11/10/09

FICA EVIDENTE E CADA vez mais difícil para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segurar a candidatura presidencial de Ciro Gomes (foto). O PSB está tão animado com os números das pesquisas que alavancam o nome do deputado federal que marcou para esta terça, em Brasília, encontro da executiva para iniciar a elaboração de um programa de governo para Ciro. O próprio vai participar do encontro, que contará também com o presidente nacional da legenda, o governador Eduardo Campos (PE) – por ora um aliado de Dilma Rousseff (PT), mas que tem deixado o grupo debater o assunto. A ideia do PSB é formar um grupo de trabalho de imediato, para pensar os tópicos, e nomear coordenadores para as cinco regiões do país, a fim de ouvir prefeitos e vereadores. Quase, Jefferson O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ia se filiar no PTB, comandado por Roberto Jefferson. Mas o presidente Lula segurou-o no PMDB.

Sorria, Serra O governador José Serra está feliz. Uma recente pesquisa por telefone com mil paulistanos mostrou que 94% aprovam a Lei Antifumo.
E, o mais comemorado: todos, todos conhecem a lei.

Mercosul Nos últimos 15 dias, mais de mil canários foram apreendidos em duas blitzes da Polícia Rodoviária Federal só no Distrito Federal. Os pássaros eram transportados da Bolívia e do Peru para a Região Nordeste.

Mercosul 2 A primeira apreensão foi de 452 pássaros vindos do Peru transportados por um português e dois brasileiros. Outras 600 aves estavam com um casal boliviano. Cada uma vale de R$ 100 a R$ 300.

Ataulfo vive A pequena Miraí, Zona da Mata de Minas, vai homenagear seu grande filho. De 15 a 18, realiza o 1º Festival Ataulfo Alves de Samba e Culinária de Botequim.

Reizinho O comunicador Dudu Braga, filho do cantor Roberto Carlos, saiu do DEM e entrou no PTB paulistano.

Pós-marolinha Com o crescimento das vendas para a China, Brasil e Argentina estudam adotar o iuane, não mais o dólar, nas negociações.

Hermanos Por falar em negócios bilaterais, o Brasil já responde por 20% do investimento estrangeiro na Venezuela.

Assim é fácil O Procon de Londrina (PR) multou a TAM em R$ 1,9 milhão porque uma passageira perdeu uma promoção de fidelidade. A companhia não teria publicado ou informado a ela o prazo. A empresa vai recorrer.

Fim de linha Um ex-juiz de Mobile, no Alabama, EUA, é julgado por suspeita de ter abusado sexualmente de detentos. Pelo menos 15 vão depor contra ele.

Yes, sr.

O juiz levava os prisioneiros, com consentimento de carcereiros, para seu carro. Em sua defesa, diz que queria apenas orientar juridicamente os detentos.

Dá um alô João Cox, presidente da Claro, ficou maravilhado com o novo modelo da Motorola, um celular high-tech com o sistema Android. Conheceu o aparelho na 12ª edição do Boat Show, em São Paulo.

ELIANE CANTANHÊDE

A outra Olimpíada no Rio

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09


BRASÍLIA - Serra tem São Paulo, e Aécio, Minas. Candidatos e Estados, somados, têm uma força enorme. Mas o Rio tende para Dilma. Como Paris, o Rio é uma festa.
Considera-se a cidade mais maravilhosa do mundo, adora novidades e modismos, faz e desfaz carreiras políticas em ritmo meteórico.
Entra década, sai década, em São Paulo lá estavam ou estão, com suas qualidades e defeitos, Lula, FHC, Covas, Maluf, Marta, Serra, Alckmin. As exceções dos que ficaram pelo caminho confirmam a regra, como Pitta (aliás, carioca).
Já no Rio há um rastro de políticos que chegaram ao pico da onda e morreram na praia no dia seguinte: Brizola, Marcello Alencar, Moreira Franco, Miro Teixeira, Garotinho, Rosinha Matheus, Luiz Paulo Conde. Todos tiveram grandes votações. Todos minguaram, recolheram-se à Câmara ou a prefeituras do interior, como Rosinha.
A novidade no Rio é a Olimpíada, que, subjetivamente, torna o clima mais favorável a Lula-Dilma. E, objetivamente, eles podem ter quatro palanques no Rio em 2010.
O governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição, foi do PSDB e é amigo pessoal de Serra, mas está no PMDB e tem bajulado o Planalto e sido bajulado por ele. Como o prefeito Eduardo Paes, que tem a mesma trajetória e também estava na festa de Copenhague com Lula.
Há ainda as pré-candidaturas do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), de Garotinho (PR) e de Wagner Montes, deputado estadual e homem de comunicação, que é do PDT, partido disputado por todos os demais e cada vez mais pró-Lula, ops!, pró-Dilma.
Do outro lado, o PSDB não tem para onde correr nas praias cariocas depois que o PV de Fernando Gabeira passou a ter uma candidatura própria, a de Marina Silva. O DEM não está em forma para a corrida, e o jeito pode ser montar um palanque mambembe para o prefeito de Duque de Caxias, o tucano Zito. Chance zero de medalha e pódio.

PEDRO MALAN

Mundo e Brasil: pós-crise e pós-Lula

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/09


"O pior já passou e a retomada gradual do crescimento está em curso" foi o mantra reiterado à exaustão durante a recém-concluída reunião anual do FMI e do Banco Mundial em Istambul. O mantra ("no tantrismo, fórmula encantatória que tem o poder de materializar a divindade invocada", segundo o velho Aurélio) certamente se aplica se por "pior" se entende o pânico avassalador que se instaurou nos mercados financeiros e nos governos dos principais países desenvolvidos a partir de setembro de 2008.

A gradual superação da crise, processo ora em andamento, deveu-se em larga medida aos historicamente sem precedentes estímulos fiscais (maiores gastos públicos, redução de impostos, explosivo endividamento público) e monetários (taxas de juros nominais reduzidas a praticamente zero). Como isso não se mostrou suficiente, os bancos centrais tiveram de expandir os seus balanços também de forma inédita, operando não só via custo, mas também via volume de crédito, por meio de uma miríade de programas de compra de ativos dos balanços dos bancos e de expansão de liquidez do sistema, já que os problemas de confiança no sistema privado impediam o funcionamento do sistema de intermediação financeira.

Esse processo se acelerou extraordinariamente ao final de 2008 (o balanço do Fed de setembro a dezembro passou de US$ 930 bilhões a US$ 2,3 trilhões, aumento de quase 150% em quatro meses; o porcentual no Banco da Inglaterra foi praticamente o mesmo, mas em três meses, de setembro a novembro; o balanço do Banco Central Europeu, no início de dezembro, superou os 2 trilhões, quase duas vezes o PIB brasileiro).

Esse avanço - necessária resposta ao pânico e à profunda crise de confiança - foi de tal ordem, tanto nesta área quanto na área fiscal, que mesmo com uma gradual recuperação do crescimento a partir de agora parece inevitável que, ao longo dos próximos anos, observemos que uma das consequências da forma como a crise foi ou está sendo superada nos países desenvolvidos será uma combinação de alguns dentre quatro fatores: 1) aumento de impostos, com eventual elevação da carga tributária como proporção do PIB; 2) necessária redução da taxa do crescimento do gasto público em relação ao crescimento do PIB; 3) pressões ou expectativas inflacionárias, que se expressam por aumentos nas taxas longas de juros; 4) depreciação das moedas dos países com maiores déficits em conta corrente no balanço de pagamentos e elevados passivos externos líquidos acumulados.

Qualquer que seja a forma como se combinem, no pós-crise, os quatro fatores acima, o fato é que a grande crise global de crédito de 2007-2009 - e sua forma de "resolução" - deixou cicatrizes e problemas que afetarão, e por anos à frente, não só o ritmo do crescimento global, como também a composição da demanda global e da oferta global entre países. Quando se juntam a isso as dificuldades ainda por resolver em muitos dos balanços de grandes bancos internacionais e as complexas negociações sobre regulação e supervisão financeira ora em curso, entende-se por que o grande tema subjacente às discussões em Istambul foi a sustentabilidade da recuperação em andamento e o papel dos países emergentes nesse processo.

A visão predominante é a de que há em andamento uma realocação global de capital na direção de países emergentes com melhores fundamentos, estabilidade política, políticas macroeconômicas críveis e consolidadas, sólidos sistemas de intermediação financeira, base produtiva diversificada, capacidade empresarial reconhecida, governos com um mínimo de eficiência operacional, tamanho do mercado doméstico e uma história de integração comercial e financeira com o resto do mundo. O Brasil é um desses países. E relativamente bem posicionado por tudo o que conseguiu alcançar ao longo dos últimos 15/20 anos (apenas para ficar no período mais recente, sem desmerecer conquistas pretéritas).

De fato, foram os avanços institucionais e as mudanças estruturais dos últimos 15/20 anos que permitiram ao Brasil não apenas superar os efeitos da crise global após apenas dois trimestres de contração da economia, mas, principalmente, vislumbrar um horizonte de mais 15/20 anos à frente, o que definitivamente não era o caso acerca de duas décadas atrás.

É verdade que hoje corremos o risco de olhar o futuro do Brasil com os olhos postos apenas na campanha eleitoral e na expectativa dos resultados das eleições de outubro do ano que vem. Mas os riscos principais, a meu ver, são os derivados de excessos de autocomplacência, de otimismos ingênuos baseados em variantes do "ninguém segura este país" do ciclo militar, na percepção - equivocada - de que o gasto público é não apenas a resposta transitória à crise, mas o verdadeiro motor de crescimento no longo prazo, e uma fé arraigada na visão de que "Deus é brasileiro" - e teria escolhido um dos nossos como seu profeta.

É importante que sejamos capazes de reconhecer o feito, mas muito mais importante é reconhecer o muito que há por fazer para nos tornarmos um país realmente desenvolvido nas dimensões econômica, social e político-institucional.

Não há mais condições, neste final de governo, para quaisquer avanços relevantes em áreas fundamentais para o objetivo acima, como educação (nosso verdadeiro calcanhar de aquiles), infraestrutura, saúde, meio ambiente. Tampouco qualquer esperança de projetos viáveis de reformas (mesmo infraconstitucionais) nas áreas previdenciária, trabalhista e tributária. Mas não tenhamos ilusões, o Brasil pós-Lula terá de tentar encará-las, de novo, de uma forma ou de outra, para poder realizar plenamente seu extraordinário potencial de crescimento de longo prazo.

Como diz a milenar sabedoria talmúdica, bem expressa pelo grande rabino Tarphon: ''Não sois obrigados a concluir a obra, mas tampouco estais livres para dela desistir."

VINÍCIUS TORRES FREIRE

O banco de reservas joga mal?

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09


BC enxuga dólares que entram no país e gasta muito para empilhar reservas, mas real segue em alta. O que fazer?


DESDE MEADOS do ano, o Banco Central compra todos os dólares que "sobram", o saldo do fluxo cambial, e ainda mais um pouco. Mas o dólar desliza para o fundo do vale como os morros brasileiros em dias de chuva. Apesar de eufemismos e desconversas, o real se valoriza também em relação às moedas dos países com os quais o Brasil tem mais comércio (qualquer que seja a cesta de moedas, entre as mais usadas no país). Desde o início do ano, as reservas internacionais do Brasil aumentaram US$ 37,7 bilhões, para US$ 231,5 bilhões. Desde o setembro de 2008 da explosão da crise, cresceram US$ 25 bilhões. No ritmo de compras deste ano, o país chegaria ao final do governo Lula com quase US$ 300 bilhões na caixinha. Com dólar a R$ 1,50?
Essa "estimativa" de reservas não passa de regra de três, e previsão de câmbio é chute. Mas a imagem ilustra a disparidade entre o esforço de incrementar as reservas e o seu benefício. A depender do gosto do freguês, o benefício pode ser entendido como evitar um real ainda mais forte ou aumentar o seguro financeiro proporcionado pelas reservas. Mas o benefício, que parece decrescer, compensa a despesa adicional?
É a pergunta de Otaviano Canuto, um dos vices do Banco Mundial, e Bruno Saraiva, economista do BID, em artigo no RGE Monitor, o site de Nouriel Roubini. Canuto e Saraiva lembram que o governo do Brasil tem deficit fiscal e dívida pública que custa por ano 5% do PIB em juros. Estimam que o custo mensal de manter reservas anda por US$ 800 milhões (o que dá 0,7% do PIB em um ano. As reservas custam porque o governo emite dívida para comprar dólares; a taxa de juros da dívida em reais é muito maior que a obtida pelo país ao aplicar os dólares).
Porém, o país empilhou reservas bastantes para conter os efeitos maiores da pior crise financeira em 80 anos. No meio do tumulto, pôde baixar juros e gastar a fim de estimular uma recuperação rápida da economia, o que é inédito. Precisa de mais reservas? Para quê?
Saraiva e Canuto dizem que, por ora, não haveria evidências de que o real forte prejudica a indústria, embora acreditem que é preciso estudar melhor o assunto e os riscos de o mercado fazer lambança daninha com a taxa de câmbio. Mas qual a melhor estratégia para evitar a excessiva valorização do real, supondo que algo deva ser feito?
Um: óbvio, reduzir juros e taxar a entrada de dólares; dois, abrir ainda mais o mercado, de modo a facilitar a saída de dólares, ou estimular o investimento brasileiro no exterior; três, manter a estratégia atual, que, porém, torna-se contraproducente se a compra de dólares for ainda maior (e já não tem funcionado).
A estratégia de drenar a sobra de dólares torna-se ainda menos eficaz dadas a sobra de dinheiro global e a revalorização das commodities que o país exporta e a diferença ainda brutal entre os juros daqui e no centro do mundo. Mesmo depois de enxuto o excesso de liquidez global, porém, a tendência de valorização do real tende a continuar (se o país continuar a melhorar). O que fazer então? Lidar logo com "os fatores negativos que afetam diretamente a competitividade dos setores tecnologicamente mais dinâmicos da economia brasileira", escreve a dupla.

MÍRIAM LEITÃO

No número 10

O GLOBO - 11/10/09


As luzes da sala de jantar da casa 10 da Downing Street estão programadas para apagar caso não haja ninguém. A casa é o escritório — e residência — do primeiro-ministro britânico. A mesa de 28 lugares estava lotada de empresários e funcionários do governo britânico discutindo a preparação para Copenhague. A reunião durou uma hora e meia e, nesse tempo, a luz apagou quatro vezes.

Eu estava lá e fui chamada para sentar à mesa e assistir à reunião. O mistério do apagar das luzes, com tanta gente presente no local, é fácil de explicar: eles são britânicos.

Fossem latinos se mexeriam mais, enquanto falam, e assim as luzes seriam devidamente avisadas de que havia gente na sala.

De notável na reunião foi o fato de que as empresas discutem com o governo detalhes de cumprimento de metas de redução de emissões. A empresa telefônica BT, pioneira na redução das emissões, disse que foi prejudicada por uma mudança regulatória sobre energia renovável.

A organização do governo inglês é curiosa. O assunto mudanças climáticas está em vários ministérios, comitês, assessorias especiais do gabinete do primeiroministro. Há o Ministério da Energia e Mudanças Climáticas e o de Meio Ambiente e Agricultura.

Eles juntaram o que no Brasil vive dividido. Diversos empresários integram um comitê da negociação para Copenhague. As empresas já estão vivendo no mundo da mudança climática. Têm que cumprir anualmente a meta de redução de carbono em suas emissões. Se não cumprirem, pagam multa, mas continuam com a dívida. Se não pagarem de novo, vão para uma lista suja. Todo mês de março têm que apresentar ao governo o relatório sobre as emissões. O tema já entrou na rotina da economia.

O assunto movimenta bilhões.

O sistema europeu produziu um importante mercado de compra de crédito de carbono. Em 2005, a Bolsa de Carbono negociou 2,1 bilhões de euros, e em 2008, apesar da queda do preço, girou 55,9 bilhões de euros.

Na reunião da sala de jantar — a mesma na qual foi servido o jantar para os presidentes do G-20 — os empresários foram informados dos últimos fatos da negociação.

Eles acompanham tudo em minúcias. Preocupação maior: os Estados Unidos não terão a lei aprovada no Senado a tempo.

Um relatório da situação econômica foi dado por um assessor do primeiro-ministro.

Na lista dos participantes, em frente ao nome do assessor, Nick Butler, estava escrito apenas Número 10. Isso significa que ele é assessor direto de Gordon Brown. O gabinete do primeiroministro tem a qualificação do número da famosa casa de tijolinho preto do século XIX.

Em resumo, ele disse que o mundo não teve o que mais temia: uma depressão global, mas, em compensação, os bancos continuam com ativos tóxicos, o consumo continua baixo, e a grande dúvida é se os bancos vão ser capazes de financiar o novo ciclo de crescimento.

— Nosso problema continua sendo como nos tornar competitivos no mercado global — disse.

As empresas e as autoridades britânicas com quem eu conversei acham que estar na frente na transformação para uma economia de baixo carbono vai dar mais competitividade às empresas porque esse é o caminho inevitável do mundo.

Na BT, o que me informou Donna Young, chefe do setor de mudança climática, é que a crise econômica não reduziu os investimentos na transformação da empresa para padrões de baixa emissão de carbono.

— Pelo contrário, poupamos muito dinheiro reduzindo viagens internacionais e fazendo teleconferência, por exemplo — disse.

Mesmo pessoas totalmente independentes do governo, como pesquisadores, professores, e organizações não-governamentais, que têm críticas ao governo, acham que o Reino Unido tem feito mais que outros países para cortar suas emissões. Levando-se em conta que foi o país que iniciou o problema, na primeira revolução industrial, eles até têm que estar à frente, mas há uma distância oceânica entre o nível de debate na Inglaterra e no Brasil. Em Londres, não se discute se deve haver a transição para um novo padrão.

Isso já está decidido.

Discutem-se os detalhes do caminho.

— Seja como for, a mudança climática está conosco e ficará nesta e na outra geração — ouvi, na City de Londres, de James Cameron, um empresário do setor.

Eu acho que o ponto fraco da política climática é considerar que o carvão é uma fonte de baixo carbono.

Para que isso aconteça é preciso desenvolver ainda a tecnologia de captura e estocagem de carbono, que é incerta e controversa.

A parede ao lado da escada que leva ao segundo andar da casa da Downing Street Número 10 é decorada com as fotos dos exprimeirosministros. Naquele mar de homens, há apenas um rosto de mulher.

O espaço está todo ocupado e eu fiquei pensando que será preciso rearranjar em breve para pôr a foto de Gordon Brown, quando ele sair do cargo. Talvez aconteça em maio do ano que vem. O novo ministro pode ser David Cameron, líder da oposição.

No cômodo onde Margaret Thatcher estudava — uma sala aconchegante, de boa iluminação natural, em dois ambientes — perguntei a um assessor de Brown o que acontecerá com a política climática se os conservadores ganharem a eleição.

Ele me disse que só detalhes mudam. Vão discutir se as eólicas devem ser na terra ou no mar. Mas todas as leis de mudança climática tiveram os votos da oposição. Para modernizar sua imagem, os conservadores tiveram que virar verdes. Porque ser verde significa, me disse o assessor, ser jovem, moderno, diferente do passado.

DANUZA LEÃO

Sempre

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09



Esse namoro, ou charme, ou flerte, não tem nada a ver com beleza, idade, posição social. É só pelo prazer


NAMORAR é preciso -com todo mundo, o tempo todo. Esse namoro de que estou falando não tem nenhuma conotação sexual -não necessariamente; é uma coisa leve, de um charme suave, que deveria existir entre todas as pessoas, em todos os momentos do dia, o que faria da vida algo de bem interessante. Namorai-vos uns aos outros deveria ser um lema: o amai-vos a gente deixa para depois, até porque é mais complicado.
Quando sentar num café e pedir uma caipirinha, no lugar de pedir com a cara amarrada, por que não começa já com um sorriso perguntando "será que vocês têm aqueles cajus maravilhosos para eu tomar a melhor caipirinha da cidade?" Se fizer isso, não tenha dúvidas de que vai receber uma resposta à altura -e também um sorriso- e a caipirinha vai ficar melhor ainda.
Uma amiga me contou que um dia, no aeroporto de Roma, pediu uma água mineral e quando perguntou quanto era, o garçom respondeu, olhando para ela bem dentro dos olhos: "Para você, 400 liras". Tudo bem, ela tinha marido, filhos, estava embarcando de volta para casa e não tinha a mais leve intenção de jogar tudo para o alto e viver um romance de amor, mas que gostou, ah, isso gostou.
A feira é um lugar onde esse charme existe o tempo todo. "Freguesinha bonita, prove um pedacinho do abacaxi, doce como mel, não existe nenhum igual ao meu." Não dá para resistir e você, que mora sozinha, compra logo seis, sem nem saber por quê.
Esse namoro, ou charme, ou flerte, não tem nada a ver com beleza, idade, posição social. É só pelo prazer, e pobres dos que são imunes a isso, não sabem o que perdem. Namora-se crianças de berço, gatos, cachorros, o macaco do jardim zoológico, e quando se começa, sempre há um retorno: faça a experiência e depois me diga.
Namorar não só ajuda a conseguir a informação de que se precisa com mais facilidade como a conversa vira um grande prazer. Reservar passagem na véspera de um feriado prolongado é praticamente impossível, mas quando você recebe um não daqueles definitivos, pergunte ao funcionário como ele se chama e diga "Paulo, meu namorado está me esperando e você, que deve ter uma namorada, sabe que avião lotado não foi feito para gente apaixonada.
Pelo menos me ponha em lista de espera e jure que vai fazer o impossível para me colocar no voo". Dizendo isso com todo o charme do mundo, já conta com uma boa probabilidade de embarcar. Na pior das hipóteses, passou uns minutos bem agradáveis e ficou cheia de esperança -e isso não é bom?
Então, vamos começar, e já. Hoje é o primeiro dia de namorar todo mundo, começando pelo porteiro e chegando até ao flanelinha -é, até ao flanelinha. Se na hora de pegar o carro, cheia de sacolas, você, desesperada, nem cogita em tirar a bolsa e procurar aquele troco que, no fundo, não tem nenhuma obrigação de dar, abra um sorriso e diga "companheiro, estou sem trocado; não fique zangado, mas vai ficar para a próxima -desculpe, sim?" Garanto que ele vai dizer um "tudo bem, madame", bem legal, e até sorrir para você. E não é melhor a vida assim?
É uma maneira de viver que deve ser exercitada e que pode trazer resultados inesperados. Como as pessoas vão gostar mais de você, de repente dá até para reformular o que foi dito lá em cima, com ar de grande verdade: "Namorar, sempre, e sem nenhuma conotação sexual". Porque com essa conotação fica melhor ainda.
Isso se chama alegria de viver.

SUELY CALDAS

A Belíndia sem Índia

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/09


Os índices sociais e de distribuição de renda têm melhorado nos últimos 20 anos, mas o Brasil ainda está muito longe de deixar de ser uma Belíndia, ficar com sua porção Bélgica e eliminar a porção Índia. Os indicadores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud), divulgados na segunda-feira, mostram que desde o Plano Real o País tem trabalhado para reduzir as desigualdades sociais, mas ainda é lento o deslocamento da renda dos mais ricos para os mais pobres.

No epicentro dessa melhoria está a maneira de distribuir a renda por meio de programas sociais. Ao transferir dinheiro público diretamente para as famílias mais pobres, o Bolsa-Família (nascido Bolsa-Escola no governo FHC) eliminou a intermediação de governadores, prefeitos e deputados em programas politicamente manipulados do tipo Vale-Leite (do governo Sarney), em que o político distribuía o benefício para quem nele votasse, e não para quem dele precisasse. Com seu cartão magnético a mulher pobre recebe o dinheiro no banco e ponto final, não há político enganando.

Mas, para suprimir a porção Índia e continuar a avançar na porção Bélgica, o Brasil tem de investir muito em educação, saúde e tratar de manter a inflação bem baixinha. A ação da hiperinflação sobre a renda dos mais pobres foi destruidora no passado, sobretudo no governo Sarney, quando ela chegou a 80% ao mês. Espécie de imposto perverso pago pela população pobre, a inflação destrói tudo o que encontra, desorganiza a economia, impede planos de investimento, arruína a moeda, promove o caos.

O poder da queda da inflação sobre a renda fica evidenciado nos números do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pnud. O período em que o Brasil mais acelerou seu IDH se deu entre 1995 e 2000, em que foi mais forte o impacto do Plano Real sobre a queda da inflação e seus efeitos econômicos e sociais. Nesses cinco anos o IDH avançou de 0,734 para 0,790 e começou a caminhada para classificar o Brasil entre os países de desenvolvimento humano elevado, consolidada em 2005. Nesse período todos os indicadores sociais avançaram: a expectativa de vida do brasileiro saltou de 68,2 para 70,3 anos; a taxa de matrícula escolar evoluiu de 74,4% para 90,2%; a taxa de alfabetização dos adultos, de 84,7% para 86,9%; e o PIB per capita cresceu de US$ 7.798 para US$ 8.085.

Inflação quietinha, combinada com políticas públicas eficientes nas áreas de educação e saúde, faz a diferença na eliminação da pobreza.

Na educação o progresso maior se deu no ensino fundamental e no governo FHC, quando a taxa de matrícula acelerou e, segundo o IBGE, 96% das crianças entre 7 e 14 anos frequentavam a escola em 2002 (hoje essa taxa subiu para 98%). Nessa faixa etária o investimento agora deve focar a qualidade do ensino, qualificar e remunerar professores, reduzir o analfabetismo funcional e criar políticas para o pré-escolar - crianças entre 4 e 7 anos. Um bom preparo nessa fase diminui muito o analfabetismo funcional adiante. No ensino médio, o governo Lula tem investido com sucesso na criação de escolas técnicas voltadas para qualificar a mão de obra - de operários da indústria a operadores de serviços (comércio, informática e bancos). E nas universidades a ação do Estado tem se voltado para obrigá-las a melhorar a qualidade do ensino. Em educação a evolução tem sido lenta, mas contínua e sem retrocessos.

O drama maior é na saúde. É onde as políticas públicas não funcionam - os hospitais vivem desaparelhados; o déficit de leitos é enorme; é cruel e por vezes inútil o prazo de espera por uma cirurgia ou uma simples consulta; o sistema de emergência nos hospitais é inoperante e o doente morre sem atendimento. Essa situação é amplificada e piora muito em regiões mais pobres, justamente as que mais precisam de saúde pública e gratuita.

Não há políticas comuns nem conexão entre o governo federal, Estados e prefeituras. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi bem concebido, mas pessimamente implementado, não funciona, o dinheiro é mal aplicado, quando não é desviado. E há ainda um criminoso déficit em saneamento básico, que faz com que só metade da população tenha água e esgoto tratados, com efeito destruidor na saúde humana. Enquanto o governo federal aumenta os gastos com novas contratações e aumento de salários, o Senado tem centenas de funcionários fantasmas e cresce o repasse de verbas para ONGs suspeitas, os gastos com saúde estão limitados a 7,2% do PIB e não há um sistema eficaz de fiscalização que elimine a corrupção e impeça a ação de quadrilhas, como as dos vampiros e sanguessugas.

É isso, leitor, falta muito para tirar a Índia de nossas vidas.

Os Brics - Os números do IDH mostram que não basta crescimento econômico para fazer avançar o progresso social. É verdade que o crescimento gera empregos, expande e melhora a renda assalariada. Porém, países onde o analfabetismo e outros indicadores de pobreza ainda são marcas fortes precisam de políticas sociais, sobretudo na área da educação, para levar progresso à população marginalizada.

China e Índia têm em comum populações gigantes, com parcelas expressivas vivendo em péssimas condições (sem serviços públicos, sistema de saúde precário e enorme déficit previdenciário) e um crescimento econômico elevado e contínuo há mais de uma década. Mas, como é lenta a ação da expansão econômica na superação da pobreza, os indicadores sociais são muito baixos, o que leva a China a ocupar a 92ª posição e a Índia, o 132º lugar no ranking de países do Pnud. Enquanto Brasil e Rússia são classificados como nações de desenvolvimento elevado, China e Índia estão na lista de desenvolvimento médio.

A China vive uma situação de contraste inusitada no mundo. No mercado financeiro é vista como potência econômica com poder de desafiar os EUA. Dentro do país, potente ainda é a pobreza.

*Suely Caldas é jornalista e professora de Comunicação da PUC-Rio (sucaldas@terra.com.br)

BRASÍLIA - DF

Cid, Ciro e Eduardo

CORREIO BRAZILIENSE - 11/10/09


Os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, andam se estranhando. Nos bastidores do PSB, travam uma batalha pelo controle político da legenda, que está sob forte pressão do governo por causa da candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) a presidente da República. Com a candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo de Pernambuco, noticiada em primeira mão pela coluna, Campos prefere manter a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoiar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, consolidando sua aliança com o PT no estado. Não pode se dar ao luxo de abrir uma segunda frente eleitoral contra o PT, preço da manutenção da candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto.

Ciro transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo a pedido de Campos. Mantém, assim, a possibilidade de refluir para a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Mas tem reiterado a tese de que é melhor a base governista ter dois candidatos à Presidência e afirma que pretende disputar a sucessão do presidente Lula, não o governo paulista. Sua candidatura, porém, está sendo isolada. Sobrevive graças às pesquisas de opinião e à mobilização da bancada federal, da qual faz parte como deputado mais votado do país. Se for ultrapassado por Dilma nas pesquisas, Ciro enfrentará uma crise partidária. Habilidoso, Eduardo Campos espera a hora da onça beber água e evita um confronto aberto com Cid.

Palanque único

O governador da Bahia, o petista Jaques Wagner (foto), propôs à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que o governo acabe com as firulas e feche com uma só candidatura nos estados. Seria o caminho para a ministra ser a candidata única da base governista. Ou seja, nem ela abre espaço para o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), nem ele para Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) na Bahia.


Diretas já

O senador Renato Casagrande, do PSB-ES, apresentou proposta de emenda constitucional prevendo eleição direta para prefeito, governador e presidente da República quando houver vacância do cargo até o cumprimento do terceiro ano do mandato. No caso de impedimento no último ano de mandato, a escolha será indireta, como ocorreu em Tocantins, onde a Assembleia Legislativa elegeu governador o deputado Carlos Henrique Gaguim, em substituição a Marcelo Miranda, cassado pela Justiça Eleitoral.


Segundo

O deputado Leonardo Prudente (DEM) convidou o empresário Roberto Carlos II, filho do cantor Roberto Carlos, a apresentar na Câmara Legislativa a palestra É preciso saber viver. Dudu, como é conhecido, faz seminários para motivar deficientes a superar suas dificuldades. Cego, é publicitário e apresenta um programa de rádio. Além de escrever para revistas e jornais, viaja por todo o país dando palestras de motivação.


A reboque

Um dos fiadores do pré-compromisso com o PT para 2010, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), será o primeiro a tratar, na quarta-feira, de aliança estadual com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alves tenta levar o PMDB a apoiar a candidatura do PSB. Seu primo e senador, Garibaldi Alves Filho (foto), que irá a tiracolo e defende aliança com o DEM, tenta postergar o acordo.


Miserê

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo considerando o Bolsa Família, metade das famílias brasileiras vivia, em 2008, com rendimento per capita inferior a R$ 415

Caixa-preta/ Sindicatos patronais das escolas particulares se mobilizam contra a proposta do deputado Brizola Neto (PDT-RJ), aprovada na Comissão de Educação, que obriga as instituições a divulgarem balanços financeiros semestrais para dar transparência aos reajustes nas mensalidades. O projeto já está no Senado.

Pautão/ Tem 44 requerimentos, 70 projetos de lei, quatro projetos de resolução e 20 propostas de emenda à Constituição (PECs) o “pautão” que o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), discutirá com os líderes partidários, na terça-feira. A lista final deve acomodar apenas o passível de votação nas próximas quatro semanas. Após 10 de novembro, a pauta será exclusiva para o marco regulatório do pré-sal.

Órfãos/ O PDT reforçou a legenda com alguns órfãos do carlismo na Bahia. Entre eles, o deputado José Carlos Araújo, Félix Mendonça Jr. — filho do deputado Félix Mendonça — e o presidente da Assembleia Legislativa, o ex-tucano Marcelo Nilo. Todos são governistas.

Alinhamento/ A Igreja Universal concentra esforços para consolidar o PRB como braço político da congregação. Dispersos em outras legendas, seis dos oito deputados ligados à igreja migraram para o partido: George Hilton (MG), ex-PP; Márcio Marinho (BA) e Ricardo Quirino (DF), ambos ex-PR; Flávio Bezerra (CE) e Antônio Bulhões (SP), que eram do PMDB; e Eduardo Lopes (RJ), ex-PSC. Ficaram de fora os deputados Vinícius de Carvalho (PTdoB-RJ) e Paulo Roberto Pereira (PTB-RS).


Bruxa

Desde o início da legislatura, em fevereiro de 2007, 14 deputados faleceram. Tradição na Câmara, os demais parlamentares contribuem com dois dias de salário para viúvas ou herdeiros legais. Já saíram do bolso dos colegas R$ 7,3 milhões.

DIRETO DA FONTE

Desnicotinando

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/10/09

Cerca de 75% dos executivos que fumam informam que diminuíram muito o vício, à medida que cresceu a cruzada contra o fumo em ambientes fechados. Outros 65% admitem que querem parar.
Os dados estão em pesquisa em que a Robert Half ouviu 438 profissionais de níveis alto e médio. O trabalho foi feito em todo o Brasil, entre 29 de setembro e 6 de outubro.

ordem na copa

Nesta, a polícia chegou antes do crime. A Secretaria Nacional de Segurança Pública aliou-se ao PNUD, o órgão da ONU para desenvolvimento, e já começou a treinar policiais... para a Copa de 2014.
O primeiro curso foi em Brasília, com técnicas de armamento e tiro, identificação de explosivos e ação de grupos transnacionais.

Pós-Michael

Se o Brasil está em alta no que se refere a esporte, o Chile não tem do que reclamar no quesito fashion. Foi o Museu da Moda de Santiago que deu o start na exposição com peças ícones do guarda-roupa de Michael Jackson. Entre elas, a luva de paetês branca.
De lá a mostra segue para Dublin, Tóquio e Nova York, onde será leiloada.

Após a festa, festa

Passada a tensão da escolha da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o encontro do COI em Copenhague seguiu até seu final, na sexta, em clima bem mais relaxado.
Já sem jornalistas em volta, o presidente do comitê, Jacques Rogge, conseguiu relaxar, jogando tênis de mesa com Franco Carraro, membro italiano do COI.

Discutir e comer

Para onde vai, se é que "vai", a gastronomia? A questão será debatida na Semana Mesa SP, no final de outubro, por chefs como o italiano Carlo Cracco, o espanhol Jordi Roca e os franceses Olivier Roellinger e Claude Troigros - este radicado no Brasil.
Com aulas e degustações, algumas gratuitas, no Senac e no Grand Hyatt.

Responsabilidade social

Eduardo Almeida de Carneiro, da AACD, convidou a apresentadora Eliana para ser a embaixadora do Teleton desse ano. Dias 23 e 24, com transmissão ao vivo pelo SBT.

Jovens músicos do projeto TIM - Música nas Escolas, que formam orquestras no Rio e em SP, vão se encontrar no Dia das Crianças, no Auditório Ibirapuera. Apresentam-se no palco virado para o parque, em show aberto ao público.

O cabeleileiro Evandro Ângelo vai ensinar trinta jovens do Capão Redondo, da oficina de cinema da ONG Vida Nova Pra Você, a fazer automaquiagem para a telona. Os jovens estão preparando um curta-metragem.

A Dharma/Arte, oscip que trouxe a artista Meredith Monk ao Brasil, está captando recursos para a publicação do livro Dharma/arte: a Percepção Verdadeira, escrito pelo mestre Chögyam Trungpa.

A AmBev lançou campanha de arrecadação de brinquedos para o Natal. Até o final de novembro vai estimular, entre os filhos de funcionários, a doação para organizações sociais, em 14 países.

O Itaú Unibanco bolou mobilização de 100 mil colaboradores no projeto Itaú Criança. Agências vão adotar uma escola pública na comunidade e arrecadar livros para sua biblioteca.

A Chapel School promove, até dia 21, a mostra Chapel Art Show, com obras de Nelson Leirner e Rubens Matuck, entre outros. A renda vai para obras assistenciais.

Cada pizza vendida no dia das Crianças, na Braz, terá R$1,00 destinado à ONG dos Doutores da Alegria.

O calendário Happy Down de 2010 vai contar com Milton Nascimento. As imagens serão clicadas por Leonardo Luz.

MERVAL PEREIRA

A 'mãe' das reformas

O GLOBO - 11/10/09


O livro “Brasil pós-crise”, coordenado pelos economistas Fabio Giambiagi e Otavio Barros, está sendo publicado exatamente um ano antes das eleições, com o objetivo de estimular o debate sobre o governo que começa em 2011. Multipartidário, num sinal de que pode haver diálogo entre pessoas educadas, na definição de Giambiagi, o livro tem entre suas atrações um capítulo do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e a orelha com um texto do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, além do prefácio de Luiz Carlos Mendonça de Barros e artigos de autores ligados ao governo FH.

O ponto central é um grupo de capítulos sobre as diversas reformas estruturais que precisariam ser feitas pelo futuro governo, mas que dependem de uma delas, a reforma política, considerada “a mãe” de todas as reformas, mais complexa e delicada, que pode colocar a perder o clima político que permitiria a aprovação das demais.

A característica do artigo do economista político Alexandre Marinis, da Consultoria Mosaico, é exatamente tratar dessas delicadezas de “timing” e procedimentos para se atingir os objetivos de uma verdadeira reforma política: “O timing de uma reforma política é extremamente importante, determina na verdade o seu êxito. Nenhuma proposta é de fácil implementação e garante os frutos prometidos. Muitas vezes podem até mesmo jogar contra a intenção inicial, e ficarmos até pior do que estamos”, analisa Marinis.

Ele chama a atenção para a concentração de poderes nas mãos do presidente da República, gerando um hiperpresidencialismo de fato, um fenômeno não apenas brasileiro, mas que se espalha pela América Latina.

“A perspectiva de reformas estruturais passa a depender da figura central, que é o presidente da República.

Se ele não tiver a intenção de promover as reformas, o processo não deslancha”, ressalta o autor, lembrando que no governo Lula aconteceu justamente isso: logo no início ele aprovou uma reforma tributária “cujo único objetivo era fazer com que a CPMF se tornasse permanente, e depois nunca regulamentou a reforma previdenciária”.

A lógica do nosso sistema político, segundo Marinis, permite que haja uma coalizão para dar sustentabilidade ao governo, com os líderes partidários tendo força para negociar as reformas, mas sem poder suficiente para levar adiante as reformas sem o apoio do Executivo.

“O objetivo central de uma reforma política deve ser o de conciliar representatividade e governabilidade a fim de impedir que parlamentares, governantes e os três principais lobbies rentistas (corporativista, político e empresarial) se comportem de maneira oportunista e personalista”, escreve Marinis em seu texto.

Para ele, “é preciso encontrar meios para superar esses grupos que hoje capturaram o orçamento público para aprovar projetos que os favorecem: representantes de grandes corporações, empreiteiros, funcionalismo público”.

Outra peculiaridade do sistema representativo brasileiro, segundo Marinis, é o que define como “desequilíbrio representativo dos estados na Câmara dos Deputados”.

Estando a maioria eleitoral nas regiões Sul e Sudeste, os presidentes quase sempre saem dessas regiões, com raras exceções como a eleição de Collor, q u e M a r i n i s c o n s i d e r a “uma anomalia”.

“Mas, na hora de implementar as reformas, esse presidente vai ter que lidar com um Congresso baseado nas outras regiões do país, especialmente Norte e Nordeste”, comenta Marinis, para quem, embora considere “simplismo” resumir a questão a disputas regionais, “elas são estruturalmente importantes”.

A reforma política a ser feita, por isso, “vai muito além das soluções anunciadas, como o voto distrital misto, a fidelidade partidária; é muito mais complexa”.

Para Marinis, é preciso “quebrar esse paradigma para que sejam aprovadas as reformas estruturais de que precisa o país”.

Ele chama a atenção em seu texto para “as possíveis implicações que mudanças no processo decisório político podem ter sobre a capacidade de os futuros presidentes construírem coalizões majoritárias no Parlamento e retomarem o processo de reforma estrutural do país”.

Como a dinâmica de funcionamento do atual sistema político faz com que a coalizão majoritária no Congresso seja crescentemente formada por parlamentares avessos à mudança do status quo, “a priorização de uma reforma política poderia adiar indefinidamente a retomada do processo de outras reformas estruturais, pois parte das mudanças sugeridas pode dificultar a capacidade de o presidente cooptar parlamentares para a sua coalizão e reduzir o predomínio do Executivo sobre a produção legislativa”.

Dependendo da maneira como for feita, adverte Marinis, “a reforma política pode criar dificuldades para o próximo presidente fazer uma coalizão majoritária no Congresso”.

Sem partidos solidamente comprometidos com programas, “teríamos vários PMDBs”. Ele não afirma em seu texto, mas está implícita nele uma ideia que desenvolveu em conversa comigo: a saída para superar esses impasses poderia ser a convocação de uma Constituinte específica para a reforma política.

Para evitar surpresas, a convocação seria limitada a temas específicos, e as reformas só valeriam para o próximo governo. “Desse modo, poderiam ser eleitos representantes da sociedade civil que contornariam esses grupos de pressão que dominam hoje o Congresso”, sonha Alexandre Marinis.


AGAMENON MENDES PEDREIRA

Enem que a vaca tussa

O GLOBO - 11/10/09

Como todos os grandes líderes estudantis, nunca frequentei os bancos escolares.

Graças à minha ignorância completa, me destaquei dos outros estudantes e acabei entrando para o movimento estudantil. Foi nesse ambiente desprovido de cultura e educação que encontrei outros iguais a mim, que queriam mudar o Brasil.

Só não sabíamos se o nome do país se escrevia com S ou com Z.

Nessa época remota do século passado, conheci outros estudantes profissionais como eu: o José Dirceu, o Genoíno, o Serra, o Cabo Ancelmo Gois, Aldo Rebello e o atual prefeito de Caxias, Underbergh Farias. Como não tínhamos nada para estudar, passávamos o tempo todo organizando passeatas, fazendo pichações e invadindo as professoras gostosas. Não necessariamente nessa ordem.

Nossa maior luta foi pela inclusão do capim e da alfafa no bandejão da faculdade.

Mas Enem tudo está perdido! Esta fraude no exame nacional do Enem é a prova (oral e escrita) de que o movimento estudantil continua mais morto do que nunca! A nossa gloriosa UNE, União Nacional dos Encostados, não mexeu uma palha e ainda por cima exige que cada estudante pague meia-entrada para fazer a prova fraudada. O mais incrível disso é que não fui eu (nem ninguém ligado à Famiglia Sarney) que armou esta megafraude. O Enem, assim como a Mega-Sena, acumulou! Quem estava no comando da quadrilha era um DJ, e os estudantes acabaram todos dançando. A Polícia Federal só ainda não conseguiu descobrir qual foi o DJ que roubou as provas.

Os federais suspeitam do DJ Patife, do DJ Canalha e do DJ Marginal.

O fato é que o governo bobeou, e o ministro da Inducassão vai ter que ficar em recuperação quando o governo Lula entrar de férias.

Assim como a gravidez, toda essa roubalheira e pouca-vergonha poderiam ter sido evitadas. Era só rodar as provas do Enem na Gráfica do Senado.

AGAMENON MENDES PEDREIRA é fraudador de provas do Enema.

PLÍNIO FRAGA

Gente sem valor

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09

RIO DE JANEIRO - O iracundo Helmut Kohl, que em seus 16 anos à frente do governo alemão se tornou o mais duradouro chanceler daquele país, foi levado a conhecer a praia de Copacabana na primavera de 1996, quando de sua visita oficial ao país. Com a lógica fria de quem comandou a unificação alemã, ao avistar do calçadão milhares de pessoas sob o sol nas areais da zona sul, num dia de semana, ou seja, dia supostamente útil, questionou: "Essa gente não trabalha?".
O IBGE mostra que mais de 3 milhões de jovens entre 20 e 24 anos relatam não estudar nem trabalhar; no máximo se dedicam a afazeres domésticos. Poucos desses estão entre a juventude bronzeada que espantou Kohl.
São na realidade um exército de reserva de mão de obra do capitalismo, como afirmava Marx? Dificilmente. O capitalismo moderno já os dispensou. Quem os alista agora são os exércitos da marginalidade, do tráfico ou, na melhor das hipóteses, da economia informal.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman aponta como sinal da modernidade dois grandes grupos sociais: os turistas e os vagabundos. Os primeiros são sintoma de uma sociedade de consumo de grande circulação de dinheiro e mercadorias, sem nenhum apego ao chão onde pisam. Os segundos são os excluídos da força de trabalho e do mercado de consumo. São aqueles que foram feitos vagabundos; não escolheram ser vagabundos.
A hora de a gente bronzeada mostrar seu valor passou. O samba de 1940 do compositor baiano Assis Valente é de uma alegria ufanista que não combina com o autor -suicidou-se em 1958, aos 46 anos, e deixou nos bolsos um bilhete pedindo que Ary Barroso pagasse seus aluguéis em atraso. No Brasil, é assim: valente ufanista morre pobre e endividado; jovem já é descartado antes mesmo de começar a viver.

JOSÉ SIMÃO

Rio 2016! Acende a tocha no bafo!

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/10/09



Quem vai cantar o hino na Olimpíada? A Vanusa! Gringo não entende nada mesmo!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! É que em Santo André tem um urologista chamado Reinaldo Sacco. É o que eu digo: não é vocação, é predestinação! E a última da Lucianta Gimenez: "Não se pode colocar os BURROS na frente dos bois!". Rarará. Ela ficou com medo de levar uma chifrada! E o grande babado da semana: Rio 2016! Tiros por minuto! E Copa 2014 e Rio 2016! Vamos enforcar 2015! Essa é a nova campanha nacional: Vamos enforcar 2015!
E outra campanha nacional: Rio 2016! Vamos Pegar uma Gringa! Argentina não vale! Rarará! Podemos lançar uma outra também: Rio 2016! Vamos roubar um gringo. Sabe aqueles italianos que vêm com filmadora? Rarará! E aí eu liguei prum amigo meu no Rio: "Preparados pra Olimpíada?". "Sim, tamo em ponto de bala." Rarará. Tá tudo pronto. Inclusive o Complexo Esportivo Elias Maluco. O Brasil já tem três ouros garantidos: assalto triplo, corrida de 1.500 metros com bolsa de turista e revezamento de celular roubado.
E diz que no dia da vitória tinha 150 mil cariocas na praia. Normal. Cento e cinquenta mil cariocas na praia é dia normal! E adivinha quem vai cantar o Hino Nacional na Olimpíada? A Vanusa! Rarará. Gringo não entende nada mesmo! E quem vai acender a pira olímpica? O Marcelo D2! Ou então o Lula mesmo. Ele acende a pira olímpica no BAFO!
BUUUMF! Esse Lula tá com tudo. O LULA NASCEU COM O LU PRA LUA! Rarará! Agora só falta ele trazer a eleição do papa pra Aparecida!
E a entrega do Oscar pro Canecão! E o ENEM?! Sabe por que ninguém vai preso nesse episódio do Enem? Por absoluta FALTA DE PROVAS! E o órgão responsável pelo Enem é o INEP. INEPTO! O MEC tá mais pra MecDonald's. Pior: "Suspeito conta na PF que guardou Enem na cueca". Por isso que a prova foi pro saco. No Brasil tudo se esconde na cueca: dólares, drogas, diamantes, linguiça, lata de ervilha. Vou lançar outra campanha: Temos que resgatar o uso original da cueca! Rarará! E diz que a nova prova do Enem não pode vazar. Já sei, vai ser uma prova à prova d'água. Rarará. E diz que serão guardadas num lugar seguro. Na gaveta do Sarney ou na embaixada do Brasil em Honduras.
É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Faxismo": regime politico pelo qual se obtém tudo através de fax. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

Ele é o cara

O GLOBO - 11/10/09


Lula, embora seja monoglota, tem seu nome lançado por alguns chefes de Estado para ser secretário-geral da ONU.

O choro de Lula
Quinta, na Rua Uruguaiana, Centro do Rio, mesmo debaixo de chuva, um camelô anunciava bem alto DVDs piratas do filme da candidatura brasileira às Olimpíadas de 2016.
— Aquele que emocionou os jurados do COI — gritava.

Porta aberta
A avaliação do governo é que o Senado aprova no fim do mês a entrada da Venezuela no Mercosul, em que pese Hugo Chávez ser alérgico a democracia.
Dois fatores pesam a favor da entrada. O primeiro é de ordem econômica: o saldo da balança comercial a favor do Brasil é de US$ 4,5 bi por ano

Segue...
O outro fator é político: até gente da oposição a Chávez na Venezuela começa a achar que o Mercosul pode ajudar a conter os desvios ditatoriais do falastrão.
Ou como diz um empresário interessado na aprovação: “Chávez um dia morre, e a Venezuela segue.” É pode ser.

Ivan, o terrível
Ivan Lins, único brasileiro indicado aos dois principais prêmios do Grammy Latino, excede em prestígio lá fora.
O CD “Love is the answer”, de Barbra Streisand, com sua música “Love dance” (dele, Gilson Peranzetta e Paul Williams), foi o mais vendido esta semana nos EUA, com 180 mil cópias.

Visão do paraíso
A Companhia das Letras vai editar textos inéditos de Sérgio Buarque de Holanda sobre o Brasil na época do Império.
A editora ainda relançará “Visão do paraíso”, livro do historiador sobre o Descobrimento e a colonização da América

O DOMINGO
É de Isabelle Drummond, a exEmília do “Sítio do Picapau Amarelo”, niteroiense de 15 anos que rouba a cena na novela “Caras e bocas”, da TV Globo. Como a espevitada Bianca, Isabelle lançou o bordão “é a treva”, que já caiu no gosto popular. Depois de aprontar poucas e boas na trama, agora, ela se disfarça de mulata (veja a foto) para sair de casa sem que a mãe, Dafne (Flávia Alessandra), descubra, e parte em uma nova aventura para provar a inocência do pai, Gabriel (Malvino Salvador)

H&M no Brasil
A sueca H&M mandou ao Brasil, semana passada, um grupo de executivos para prospectar uma locação para a primeira loja da rede de vestuário no patropi.
Os gringos voltaram para casa animados. A expectativa é inaugurar a filial brasileira em dois anos.

O novo Zé Luiz
Luiz Carlos Barreto, o produtor de cinema, numa roda onde se comentava o fato de Eike Batista já ter investido cerca de R$ 20 milhões em filmes brasileiros, não resistiu à comparação: — Eike é o novo José Luiz Magalhães Lins.

É que...
Discreto e influente, Magalhães Lins, na época em que comandava o finado Banco Nacional, foi o principal financiador do Cinema Novo na década de 1960.

ZONA FRANCA

O ministro Luís Felipe Salomão, do STJ, vai fazer palestra no Fórum Permanente de Direito do Consumidor (www.emerj.tjrj.jus.br), na Emerj, dia 19 de novembro, no TJ do Rio.

O Casa Cor termina terça-feira com a “Special Sale”, que liquida cerca de 500 itens de mobiliário, acessórios e eletrônicos.

Geraldo Carneiro lança “Como um cometa”, amanhã, no Planetário.

Emir Sader foi eleito para um segundo mandato de secretárioexecutivo de Clacso.

Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge assinam um projeto no Cap Ferrat.

“Fundamentos de dermatologia”, de Márcia Ramos e Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro, ganhou o Prêmio Jabuti.

Fumaça global

Veja como a globalização muda o hábito do fumante no Brasil. Não faz muito tempo, marcas internacionais famosas, como Camel e Winston, eram esnobadas aqui. Cigarro, só local.
Hoje, nos grandes centros, marcas de fora, como Dunhill (foto), Vogue e Lucky Strike, todas da Souza Cruz, já têm uns 10% do mercado e não param de crescer

Espírito olímpico
Cláudia Costin, secretária de Educação do município do Rio, mandou comprar 1.065 bandeiras olímpicas.
Cada colégio da rede municipal terá uma para hastear às segundas-feiras com as bandeiras do Brasil e do Rio.

Museu da moda
O Museu do Primeiro Reinado, palacete que foi da Marquesa de Santos, em São Cristóvão, no Rio, pode ser transformado em... Museu da Moda.
Pelo projeto de Adriana Rattes, secretária estadual de Cultura, o lugar contará a história da moda a partir do Primeiro Reinado.

Ato secreto
Sarney & cia. acabaram na Lapa. Flávio Oliveira do Salgueiro inscreveu no concurso de marchinhas da Fundição Progresso a música “Ato secreto”.
Trechinho: “Vovô autorizou o meu mestrado/Tudo pago pelo erário/Pro seu neto tão dileto/Mas tudo é feito na boca miúda/Um jeitinho bem discreto/ De um tal ato secreto.”

A palavra é... Olimpíadas

O evento que o Rio vai abrigar em 2016 chama-se Olimpíadas — assim mesmo, no plural. Apesar de ser uma só, recebe a denominação por ser, na verdade, um apelido. O que vai acontecer daqui a sete anos pela primeira vez na América do Sul são os Jogos da 31aOlimpíada, que, no singular, é o período entre as competições — quatro anos, como os que vão se passar a partir de Londres-2012.
A explicação vem da Grécia antiga. Os Jogos foram criados em 776 a.C. para estancar as guerras entre as cidadesEstados. Só que, como os atletas precisavam chegar com segurança a Olímpia, capital das competições, decretou-se uma trégua, chamada... Olimpíada. Ao fim dela, com todos sãos e salvos no destino, começavam os Jogos Olímpicos.
— A confusão entre plural e singular ocorre só no Brasil.
Em inglês, são Olympic Games. Em francês, Jeux Olympiques.
E por aí vai — diz o coleguinha Marcelo Barreto, autor (com Armando Freitas) do “Almanaque Olímpico Sportv”.
O professor Sérgio Nogueira observa que não está errado chamar os jogos pelo singular. Mas quem quiser a medalha de ouro no uso correto da língua deve usar o plural: — É a forma mais próxima da origem da palavra, porque vem de Jogos Olímpicos — ensina.

Betinho olímpico

Veja este cartaz. Em 1996, quando o Rio se candidatou às Olimpíadas de 2004, o saudoso Betinho, um santo a serviço do semelhante, idealizou uma agenda social para a cidade, com cinco metas, uma para cada anel olímpico.
Eram elas: educação de qualidade; ninguém morando na rua; favelas urbanizadas; alimentação de qualidade para todas as crianças e jovens; e esporte e cidadania jogando no mesmo time.
Passados 13 anos, a agenda continua atual.