quinta-feira, fevereiro 12, 2009

DAD SQUARISI

Vício insanável do amor


Correio Braziliense - 12/02/2009
 

 

No encontro com os prefeitos, Lula chamou os jornalistas de “pequenos”. A razão: julgam e condenam os políticos previamente, sem dar-lhes oportunidade de defesa. Pensava, por certo, em Edmar Moreira. O parlamentar, eleito corregedor da Câmara, disse que não investigaria os colegas. Por quê? “O Congresso sofre do vício insanável da amizade”, explicou. Desconfiados, os repórteres fizeram o que têm de fazer. Investigaram o passado do deputado mineiro. 

Descobriram montões de falcatruas. Mas o que mais lhes chamou a atenção foi o castelo à Walt Disney construído no interior de Minas. Rádios, tevês e jornais caíram de pau. O pobre parlamentar não teve chance de explicar a origem da obra. O monumento nasceu de vício insanável do amor. Ele o erigiu em homenagem à mulher. Ela ficou enciumada quando o irmão de Edmar comprou a fazenda mais bonita da região. “Se ele tem a melhor fazenda, eu quero um castelo”, disse a musa. Ele assentiu. Lembrou-se, então, das grandes provas de amor da humanidade. 

Uma vem da antiga Babilônia, atual Iraque. O rei Nabucodonosor quis alegrar a rainha, que se sentia triste com a falta de montanhas e plantas na cidade. Convocou os melhores arquitetos e ordenou-lhes que criassem um jardim cheio de terraços em cima de balcões de pedra. Do galanteio real nasceu uma das sete maravilhas do mundo antigo. Vistos de longe, os jardins suspensos da Babilônia pareciam flutuar no ar. 

O Taj Mahal é uma maravilha do mundo moderno. O imperador Shaj Jahan nutria enorme paixão por Muntaz, uma de suas mulheres. Quando ela teve o 14º filho, deu adeus à Terra. Ele mandou construir um mausoléu com cúpula de ouro recoberta de pedras preciosas para abrigar o corpo da amada. Originou-se, assim, a mais bela prova de amor dos últimos séculos, esculpida e eternizada em mármore branco e rosa. É a réplica do trono de Deus no dia do julgamento final. 

Lula, ao falar aos prefeitos, tinha uma certeza. Fazer delicadezas não é privilégio de reis e imperadores. Os mortais, como prova Edmar, podem protagonizar grandes episódios. Sua Excelência acertou o diagnóstico. Mas errou o adjetivo. Os jornalistas não são pequenos. São insensíveis.

PARA...HIHIHIHI


PIJAMA SEXUAL

Uma garota se casa e vai passar parte da lua-de-mel na fazenda onde moravam os avôs. O jovem marido sai o quarto numa manhã, com aquela cara de saciado que só os casais em lua-de-mel possuem, e deixa a porta aberta. A avó passa por lá e olha, pela fresta da porta, a netinha peladona no quarto, com aquele corpão escultural estendido relaxadamente sobre a cama.

- O que é isso menina? - Estranha a velha. E a menina, com a maior cara de cínica, só passa as mãos pelo próprio corpo e responde:

- É meu pijaminha do amor!

A velha então dá uma risadinha de quem gostou e sai, inspiradíssima. Ela vai para o seu quarto, tira a roupa também, se deita e fica esperando seu velho, pra fazer uma surpresa. Quando o homem entra e dá de cara com a cena, estranha:

- O que é isso, minha velha? - E ela, bem provocante:

- É meu pijaminha do amor!

O velho faz cara de desaprovação:

- Poxa, podia ter passado ele primeiro…

PRESIDENTE, VÁ SE FODER?


PRESIDENTE, VÁ SE FODER!

                      por Adriana Vandoni Curvo

Não sei se é desespero ou ignorância. Pode ser pelo convívio com as más companhias, mas eu, com todo o respeito que a "Instituição" Presidente da República merece, digo ao senhor Luis Inácio que vá se foder. Quem é ele para dizer, pela segunda vez, que tem mais moral e ética "que qualquer um aqui neste país"? Tomou algumas doses a mais do que o habitual, presidente?

Esta semana eu conheci Seu Genésio, funcionário de um órgão público que tem infinitamente mais moral que o senhor, Luis Inácio.

Assim como o senhor, Seu Genésio é de origem humilde, só estudou o primeiro grau e sua esposa foi babá. Uma biografia muito parecida com a sua, com uma diferença, a integridade. Ao terminar um trabalho que lhe encomendei, perguntei a ele quanto eu o devia. Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Olha doutora, esse é o meu trabalho. Eu ganho para fazer isso. Se eu cobrar alguma coisa da senhora eu vou estar subornando. Vou sentir como se estivesse recebendo o mensalão.

Está vendo senhor presidente, isso é integridade, moral, ética, princípios coesos. Não admito que o senhor desmereça o povo humilde e trabalhador com seu discurso ébrio.

Seu Genésio, com a mesma dificuldade da maioria do povo brasileiro, criou seus filhos. E aposto que ele acharia estranho se um dos quatro passassem a ostentar um patrimônio exorbitante, porque apesar tê-los feito estudar, ele tem consciência das dificuldades de se vencer. No entanto, Lula, seu filho recebeu mais de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares) de uma empresa de telefonia, a Telemar. E isso, apenas por ser seu filho, presidente! Apenas por isso e o senhor achou normal. Não é corrupção passiva? Isso é corrupção Luis Inácio! Não é ético nem moral! É imoral!

E o senhor acha isso normal? Presidente, sempre procurei criar os meus filhos dentro dos mesmos princípios éticos e morais com que fui criada. Sempre procurei passar para eles o sentido de cidadania e de respeito aos outros. Não posso admitir que o senhor, que deveria ser o exemplo de tudo isso por ser o representante máximo do Brasil, venha deturpar a educação que dou a eles. Como posso olhar nos olhos dos meus filhos e garantir que o trabalho compensa, que a vida íntegra é o caminho certo, cobrar o respeito às instituições, quando o Presidente da República está se embriagando da corrupção do seu governo e acha isso normal, ético e moral?

Desafio o senhor a provar que tem mais moral e ética que eu!

Quem sabe "vossa excelência" tenha perdido a noção do que seja ética e moralidade ao conviver com indivíduos inescrupulosos, como o gangster José Dirceu (seu ex-capitão), e outros companheiros de partido, não menos gangsteres, como Delúbio, Sílvio Pereira, Genoíno, entre outros.

Lula, eu acredito que o senhor não saiba nem o que seja honestidade, uma prova disso foi o episódio da carteira achada no aeroporto de Brasília. Alguém se lembra? Era início de 2004, Waldomiro Diniz estava em todas as manchetes de jornal quando Francisco Basílio Cavalcante, um faxineiro do aeroporto de Brasília, encontrou uma carteira contendo US$ 10 mil e devolveu ao dono, um turista suíço. Basílio foi recebido por esse senhor aí, que se tornou presidente da república. Na ocasião, Lula disse em rede nacional, que se alguém achasse uma carteira com dinheiro e ficasse com ela, não seria ato de desonestidade, afinal de contas, o dinheiro não tinha dono. Essa é a máxima de Lula: achado não é roubado.

O turista suíço quis recompensar o Seu Basílio lhe pagando uma dívida de energia elétrica de míseros 28 reais, mas as regras da Infraero, onde ele trabalha, não permitem que funcionários recebam presentes. E olha que a recompensa não chegava nem perto do valor da Land Rover que seu amigo ganhou de um outro "amigo".

Basílio e Genésio são a cara do povo brasileiro. A cara que Lula tentou forjar que era possuidor, mas não é. Na verdade Lula tinha essa máscara, mas ela caiu. Não podemos suportar ver essa farsa de homem tripudiar em cima na pureza do nosso povo. Lula não é a cara do brasileiro honesto, trabalhador e sofrido que representa a maioria. Um homem que para levar vantagem aceita se aliar a qualquer um e é benevolente com os que cometem crimes para benefício dele ou de seu grupo e ainda acha tudo normal! Tenha paciência! "Fernandinho Beira-Mar", guardando as devidas proporções, também acha seus crimes normais.

Desculpe-me, 'presidente', mas suas lágrimas apenas maculam a honestidade e integridade do povo brasileiro, um povo sofrido que vem sendo enganado, espoliado, achacado e roubado há anos. E é por esse povo que eu me permito dizer: Presidente, vá se foder!

ENVIADA POR APOLO

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Com dinheiro dos outros


O Globo - 12/02/2009
 

Em 2005, a Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, deu prazo de 180 dias para que a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA, empresa pertencente ao governo estadual) apresentasse um plano de recuperação. Motivo: a CEA estava quebrada e tecnicamente irregular. 

Muito depois do prazo, em 2007, nada tendo acontecido, a diretoria da Aneel propôs ao Ministério de Minas e Energia a caducidade da concessão da CEA. Com isso, a concessão voltaria ao governo federal, que deveria licitá-la novamente. 

A CEA devia nada menos que R$338 milhões à Eletronorte, estatal federal da qual compra a energia, e mais R$230 milhões em tributos e contribuições sociais. Além disso, não cobrava a energia entregue a prefeituras, órgãos públicos e clientes especiais. 

Acontece que o Ministério de Minas e Energia e a presidência da Eletronorte, há muitos anos, pertencem ao senador José Sarney, maranhense eleito pelo Amapá. Ao saber da posição da Aneel, Sarney foi ao encontro do presidente Lula e resolveu a parada. 

Em notícias e artigos no Diário do Amapá, Sarney disse ter a garantia de Lula de que a CEA não seria privatizada, nem perderia a concessão. Disse que Lula "mandou" o ministro de Minas formar uma comissão para solucionar os problemas "politicamente". Nada de tratar o assunto como "questão apenas contábil" ou com "concepção monetarista". Tudo seria resolvido com base na "função social da estatal", que não pode se preocupar apenas com o lucro. (E nem com o prejuízo, acrescentamos nós, quando tratamos do assunto, em julho de 2007.) 

Saltemos para fevereiro de 2009. Sarney continua mandando no setor e nada mudou. Quer dizer, hoje a CEA já deve R$546 milhões só para a Eletronorte e há um novo problema: o programa Luz para Todos está interrompido no Amapá. Ocorre que o programa depende de dinheiro federal, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o governo de financiar uma estatal inadimplente. Além do mais, a Aneel já enviou outra recomendação de caducidade da concessão. 

Mas o que é a lei para Sarney e o pessoal do PMDB? Já estão em movimentação para arranjar R$150 milhões novinhos para o programa. Portanto, caro ou cara contribuinte que efetivamente paga seus tributos, prepare seu bolso. Toda vez que ouvir falar em solução política, pode sacar a carteira. 

Essa argumentação - segundo a qual o social prevalece sobre o econômico - é, na verdade, um expediente para passar a conta para o contribuinte do lado. A energia pode ser, como diz Sarney, "condição fundamental para vida civilizada", não devendo ser considerada "apenas uma commodity". 

O.k., mas, sendo isso, sai de graça? 

Sendo óbvio que não, a verdadeira questão é outra: quem vai pagar a conta? No caso, Sarney e seu pessoal querem empurrar a conta para o governo federal, a viúva, que vive do dinheiro dos contribuintes. Mais claro ainda: o consumidor de energia elétrica do Amapá manda a conta para o contribuinte nacional. 

Isso exige outra argumentação social: o Amapá é pobre, precisa do apoio do resto da nação. Ocorre que outros estados também são pobres e, ademais, há pobres nos estados ricos. A pretexto de atender todos esses clientes do estado, aumentam-se o gasto público e, claro, os impostos. 

No final dessa história, temos uma carga tributária que tira a competitividade das empresas formais - aquelas desgraçadas monetaristas, que vivem para o lucro e assim conseguem pagar a conta, a dela e a dos outros. De quebra, temos um conjunto de estatais a serviço dos políticos - de determinados políticos. 

Eis por que uma economia estável e equilibrada depende de marcos regulatórios firmes e, em seguida, de agências independentes capazes de implementar as regras. Desde seu início, o governo Lula manifestou seu desagrado com esse sistema. A tese era que o governo eleito perdia poder político. 

Acabarão arranjando um meio de dar mais dinheiro para a CEA. Afinal, é pouca coisa. Ainda nesta semana, o presidente Lula refinanciou uma dívida de R$14 bilhões que prefeituras tinham com o INSS, sob o argumento de que o prefeito atual não pode ser engessado pela dívida do antecessor. O que significa dizer aos atuais que não precisam pagar suas contas. 

É fazer política com o dinheiro dos outros.

MÍRIAM LEITÃO

Centro da questão

Panorama Econômico 
O Globo - 12/02/2009
 

Dez mil hipotecas são executadas por dia nos Estados Unidos. Isso significa que dez mil famílias perdem suas casas. A cada dia. Esse é o centro da questão e não apenas pelas óbvias razões humanas, mas porque derruba mais ainda os papéis imobiliários, os imóveis, os ativos dos bancos, o consumo, o emprego. Justamente esse ponto recebeu menos atenção no pacote do Tesouro. 

Nos EUA, executar hipoteca é fácil, e, quando a família perde o imóvel, a polícia simplesmente o retoma. Tão fácil quanto retomar um carro no Brasil. Lá não há longas esperas e recursos judiciais cabíveis aqui. A espiral que puxa a economia americana para baixo é a dos imóveis se desvalorizando, contaminando os papéis que vão arruinando os ativos dos bancos. Hoje, as ações dos bancos valem no mercado 20% do que valiam em 2006. Dos quatro mecanismos do pacote de Geithner, o mais vago, com menos dinheiro (US$50 bilhões), foi justamente o de ajuda ao mercado hipotecário. Ficou para ser detalhado depois. 

O economista Thomas Trebat, da Universidade de Columbia, tem uma visão mais benigna do pacote do que os economistas e analistas que avaliaram o tema no primeiro dia, mas considera que o ponto falho é exatamente não pôr, no centro, a questão central: a hipotecária. 

- Justamente isso ficou para depois. Se tanta gente perde sua casa a cada dia e isso está deteriorando todas as expectativas, quanto mais tempo ainda se pode esperar? 

As críticas mais duras foram feitas por outros analistas aos mecanismos que tentam capitalizar os bancos ou livrá-los dos ativos podres. 

- Existem no mercado alguns talibãs que acham que é besteira tentar sanear os bancos e que o melhor é nacionalizar (estatizar) tudo. Discordo. Se há alguma forma de evitar que o Estado tome controle de tudo, é preciso ser tentado. Nós temos vivido aqui, por muito tempo, com um sistema privado. Ele está em crise, mas ainda é a melhor forma de organizar o mercado - diz ele. 

No Brasil, no caso do Proer, os acionistas perderam suas ações. Aqui havia grupos controladores bem definidos, famílias donas dos bancos. Lá é diferente. 

- Aqui o capital é extremamente pulverizado, os donos são os fundos de pensão, indivíduos com participações pequenas. Um sistema que tem funcionado. Uma vez passado o pânico, as instituições podem voltar a se organizar, voltará o apetite pelo risco, por que eliminar o sistema completamente como ele existe hoje? 

Tentar salvar o modo de vida da banca americana através desses mecanismos imaginados, e mal explicados, pela equipe do governo não parece tão fácil. 

O primeiro mecanismo é o Fundo Público Privado, que poderia chegar a US$1 trilhão. A dúvida é se o fundo conseguiria atrair algum capital privado. Quem acredita que não argumenta que ninguém demonstrou interesse em comprar os micos, não se sabe quanto valem e há o dilema básico: comprados a preço muito baixo, devastam os balanços dos bancos; comprados a preços mais altos, é um custo imposto ao contribuinte. Quem acredita que sim argumenta que o preço está tão mais baixo do que seu valor real que pode atrair investidores que apostem na melhora da economia. O Merrill Lynch avaliou em US$0,22 o preço de créditos lastreados em hipotecas. Elas já valeram muito mais, e poderiam se recuperar desse fundo do poço. 

A segunda ideia é ampliar um programa chamado Talf para US$100 bilhões, através do qual o Fed empresta com garantia do Tesouro, tendo como contrapartida os recebíveis. A ideia seria ampliar esse programa para descongelar o mercado de crédito, dando liquidez aos recebíveis de cartões de crédito, financiamentos estudantil e de automóveis, hipotecas comerciais e até algumas hipotecas residenciais. O que o plano do Tesouro sugere é que basta esta elevação do programa para US$100 bi para que se consiga alavancar US$1 trilhão. 

- Não é mágica. É que, se houver um comprador de última instância para esses papéis, o mercado pode voltar a comprá-lo. Os devedores desses recebíveis são pessoas que estão com dificuldade no momento, mas querem pagar. 

O terceiro mecanismo é o da injeção de capital nos bancos com recursos do que restou do programa do governo Bush. Há duas críticas: que é um requentado da ideia do ex-secretário Henry Paulson e que faz uma exigência estranha de que os bancos passem por um "compreensivo teste de estresse", para saber se podem receber esses recursos. Trebat explica que isso faz parte do "teatro político". As pessoas estão perdendo suas casas, os contribuintes perdendo emprego, seus filhos têm risco de não ir para a universidade, os valores das aposentadorias caem. Como explicar que o Tesouro injeta capital nos bancos num governo que está começando? Só mesmo fazendo exigências a eles, como o de ser submetido a uma série de testes para ver se são realmente viáveis ou se o governo está jogando dinheiro fora. 

Esse arsenal é que Geithner anunciou de forma tão vaga: ampliação da Talf, nova injeção de capital nos bancos e uma entidade para compra de papéis podres. Ficou faltando dizer como resolver a raiz do problema: a queda livre do valor das hipotecas. Tudo certo, exceto o principal.

FERNANDA KRAKOVICS

Gritaria

Panorama Político 
O Globo - 12/02/2009
 

Pequenos e médios partidos reagiram à proposta de reforma política encaminhada pelo governo ao Congresso. Como ela foi fatiada em sete projetos, afirmam que só será aprovado o que interessar aos grandes partidos e o resto será esquecido. Dizem ainda que esse não seria um assunto para o Executivo. "Eu vou esculhambar essa reforma política", resumiu o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). 

A insatisfação 

A principal crítica é que o debate teria que ser sobre o sistema político como um todo. "Não dá para discutir lista fechada separado de financiamento público de campanha", afirmou a deputada Manuela D"Ávila (PCdoB-RS). Outra queixa é que o fim das coligações nas eleições proporcionais acabaria com os pequenos partidos, já que eles não conseguiriam atingir o quociente eleitoral. A mudança na distribuição do tempo de TV também foi bombardeada. E o fato de o governo assumir o comando do processo não agradou. "Sempre que o governo se meteu nesse assunto, tirou direitos do povo", disse Miro Teixeira (PDT-RJ). 

Fatiada, a gente come salsicha, que não dá para engolir inteira" - Ciro Gomes, deputado (PSB-CE), estrilando com a reforma política proposta pelo governo 
ACERTANDO OS PONTEIROS. Os líderes da base aliada na Câmara promoverão hoje um almoço para o ministro José Múcio (Relações Institucionais). O evento deve se transformar em um desagravo. Múcio apanhou na campanha para as presidências da Câmara e do Senado, principalmente do PT, que levantou suspeitas sobre sua atuação. "Somos apaixonados por ele", disse o líder do PR, deputado Sandro Mabel (GO). 

Cabeleira 

Ao encontrar o ex-ministro José Dirceu no aniversário do PT, um militante não se conteve. "O seu ficou melhor do que o meu!", disse ele, apontando para o implante capilar. "Vou levar você lá no meu", respondeu Dirceu, às gargalhadas. 

Mão dupla 

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) entregará hoje aos prefeitos dos 36 municípios que mais desmatam a Amazônia a fotografia aérea das propriedades rurais, a custo zero. Essa é a parte mais cara do processo de georreferenciamento. A medida permitirá a eles fazer o recadastramento dos imóveis, uma das condições para sair da lista e evitar sanções. A outra, claro, é reduzir o desmatamento.

Juros 

Na mesma festa, um funcionário da 
CEF perguntou a Guido Mantega (Fazenda) se os juros não vão cair mais. O ministro só riu. "Isso eu não posso falar", disse. Rindo, Paulo Bernardo(Planejamento) emendou: "Mas é bom perguntar". 

Oposição modelo exportação 

O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) vai à Itália dizer às autoridades daquele país que o refúgio concedido a Cesare Battisti não é unanimidade no Congresso brasileiro. Segundo ele, a decisão está prejudicando negócios entre os dois países. O embaixador da Itália, Michele Valensise, disse ao deputado que a missão do governo de seu país para certificar suínos e bovinos de Santa Catarina só virá quando esse assunto estiver resolvido. Ela chegaria domingo passado. 

O PRESIDENTE da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirma que foi eleito à revelia para a presidência do conselho fiscal da Associação dos Congressistas do Brasil. Uma ata foi registrada em cartório, e seu nome consta do expediente da ACB. 

GENERAL. O ministro 
Paulo Bernardo (Planejamento) bateu continência ao receber a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na festa do PT. 

CHICO MENDES foi declarado ontem anistiado político post mortem. Sua família receberá R$3 mil por mês, além de R$337.800 retroativos.

GOSTOSA


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PAINEL

Nunca antes


Folha de S. Paulo - 12/02/2009
 

Para construir "um milhão de casas até 2010", como prometeu, em coro com a ministra e candidata Dilma Rousseff, no segundo e último dia do evento com prefeitos em Brasília, Lula terá mais do que dobrar o ritmo anual de obras de seu governo.
Segundo dados do Ministério das Cidades, somadas todas as modalidades da área de habitação -urbanização, construção e recuperação-, chega-se ao número de 2 milhões de moradias desde 2003, início da gestão petista. Ou seja, média de 285 mil casas/ano.
E Lula vem se empolgando: há uma semana, no Rio, prometera erguer 500 mil casas até o fim do mandato.

Vida real
A despeito das belas palavras ouvidas em Brasília, os prefeitos fecharam o primeiro mês de gestão com queda de 3,4% nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios, na comparação com janeiro do ano passado. O Tesouro prevê alguma recuperação em fevereiro. Em seguida, uma nova queda, de 4%, em março. 

Madonna
No dia de sua apresentação aos prefeitos, Dilma Rousseff teve à disposição uma estrutura normalmente utilizada apenas para Lula. Houve varredura prévia do auditório, instalação de barreiras para separar a ministra da plateia e empréstimo de seguranças da Presidência da República. 

Valete
A pré-campanha presidencial de Dilma já provoca um dominó de atribuições nos quadros da Casa Civil. Um auxiliar direto da ministra foi deslocado para cuidar da recém-turbinada agenda de compromissos políticos. É apenas o começo. 

Informal
Dilma levou consigo o famoso PowerPoint que descreve as obras do PAC nos mínimos detalhes e já fez muito ministro cochilar. Na hora, porém, deixou o equipamento de lado e falou de improviso com os prefeitos. 

Combustão
Enquanto Juca Ferreira (Cultura) terminava sua palestra aos prefeitos, o carro oficial o aguardava na porta com o motor ligado. O ministro é do PV. 

Em família
A Prefeitura de São José bateu bumbo ontem com a foto em que Djalma Berger (PSB) aparece ao lado de Lula e da filha do presidente, Lurian, secretária da Ação Social do município catarinense. O site informa que no rápido encontro foram debatidas "obras do PAC".

Trono
De André Vargas (PT-PR), sobre a troca de Edmar Moreira (DEM-MG) por ACM Neto (DEM-BA) na corregedoria da Câmara: "Saiu o plebeu com castelo e entrou o reizinho sem castelo". 

Nem vem
A mudança nas regras da propaganda eleitoral, parte da reforma política enviada ao Congresso, enfrentará resistência conjunta de PMDB, PR, PTB e PMDB. Se as as coligações forem desconsideradas no cálculo do tempo de TV, como quer o governo, o valor de mercado dessas siglas despencará. 

Daqui não saio
Mesmo excluído da nova Mesa Diretora do Senado, Efraim Morais (DEM-PB) conseguiu manter o espaçoso gabinete no oitavo andar do Anexo 1. 

No, thanks
O ministro Mangabeira Unger telefonou ao MST e se colocou à disposição para um debate sobre "os rumos do Brasil". Ouviu um polido "não" como resposta. 
Outro lado
A prefeitura diz que Mônica Krauter não era responsável pela merenda escolar à época da licitação suspeita de fraude. Foi a funcionária, porém, quem assinou aditamento do contrato com a empresa Sistal em setembro de 2008. Um ano antes, ela compareceu a uma CPI da Câmara como "diretora da merenda escolar". A prefeitura acrescenta que Krauter, agora na Saúde, não cuidará da compra de remédios.

Tiroteio

"Talvez o Ministério da Educação tenha repassado ao presidente informação recebida de um daqueles 1.500 professores que tiraram nota zero." 
Do tucano 
ALBERTO GOLDMAN , vice-governador de São Paulo, (PSDB), sobre o número exagerado de analfabetos no Estado citado pelo presidente em evento com prefeitos.

Contraponto 

Assessoria íntima

Depois de dar um chá de cadeira, anteontem, nas mulheres que acompanharam os maridos ao evento dos prefeitos em Brasília, Lula quis ser simpático e iniciou uma enquete informal com a plateia:
-Quem for primeira-dama levante a mão, por favor.
Em seguida, indagou quem, entre as presentes, era secretária municipal. Ao constatar que muitas mulheres levantaram a mão nos dois casos, o presidente ficou um tanto intrigado. Imediatamente, um assessor veio cochichar algo em seu ouvido. Lula então emendou:
-Agora eu entendi. É que várias primeiras-damas são secretárias também...

INFORME JB

Abra os seus olhos, Dilma Rousseff


Jornal do Brasil - 12/02/2009
 

Presidenciável do PSDB , o governador mineiro Aécio Neves deu um pulo até Brasília, ontem, para encontrar os presidentes do Senado, José Sarney (AP), e da Câmara, Michel Temer (SP), caciques que dominam o PMDB nacional. Pode-se dizer que Aécio saiu convencido de que esse PMDB é o mesmo de sempre: surfa no poder, esperando a onda certa para saber para que lado dar a guinada. Aécio almoçou com Sarney. Ouviu dele que Dilma Rousseff (PT) é uma grande aliada governista, mas nada impede uma oportunidade lá na frente de um pacto com outro partido. O PSDB, claro. Aécio foi tomar um café com Temer e o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Reservadamente, recebeu da dupla o mesmo recado. "Há uma perspectiva boa para o futuro", garantiu o tucano a um aliado.

Não é bem assim

Não, Aécio não vai deixar o PDSB pelo PMDB. Mas quer a parceria futura. Para ele, como candidato, ou até para José Serra.

Bicadas

Os tucanos mineiros foram para cima ontem do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). Em entrevista recente a uma revista, ele elogiou a aliada Dilma Rousseff e não descartou a hipótese de Aécio ser preterido no PSDB para a disputa presidencial.

Trote & prisão

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) apresentou ano passado projeto de lei que prevê pena de prisão para autores de trote vexatório. Agora, procura os líderes da Casa para colocar o projeto em pauta, diante do trote violento ocorrido em São Paulo.

Hermano

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, participa segunda-feira, em São Paulo, de encontro com empresários promovido por João Doria Jr. e Freddy Zuleta. Vai debater os Cenários da transformação econômica na Colômbia.

Delegado brabo

O deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), secretário de Segurança na era Rosinha Garotinho, foi à tribuna duas vezes, terça e ontem, reclamar de declarações do governador Sérgio Cabral sobre a sua política de segurança no Rio.

Segurança

Cabral diz que está restabelecendo uma política de segurança pública. Para Itagiba, ele "está dando apenas continuidade a uma política de segurança pública de combate ferrenho e veemente contra a criminalidade".

É a crise...

A foto acima não é de saque a supermercado. Mas, com o consentimento da empresa, é o cata-cata de populares em uma carga de frutas de uma carreta que tombou na madrugada de ontem na BR-116, em Leopoldina (MG).

Olha a curva!

Curiosidade: os seguradores da carga estão uma arara. Esta carreta foi a mesma que tombou há 38 dias na estrada, em outra região de Minas. O motorista não se feriu.

É a crise 2

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) quer que os contratos de concessão dos empréstimos pelo BNDES a empresas privadas tragam as chamadas "cláusulas sociais", ou seja, que se exija como contrapartida a garantia de manutenção de empregos.

Fala, Arruda

"Do contrário, não faz sentido o governo injetar dinheiro para alavancar a economia e as empresas ficarem livres para dispensar e aumentar índices do desemprego", explica o senador.

Tudo on-line

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, propôs a seus pares, em reunião ontem, que fossem divulgados no site do tribunal os processos com pedidos de vista.

Calhamaço

Há 650 processos prontos para julgamento ou com tramitação interrompida por esses pedidos, que costumam ser renovados. Não houve consenso.

Telefone móvel

A prefeitura do Rio gostou da proposta de instalação de telefones em ônibus e trens. Sugestão do secretário especial de Ciência e Tecnologia, Rubens Andrade.

ELIANE CANTANHÊDE

Como embrulhar e vender o peixe


Folha de S. Paulo - 12/02/2009
 

O mundo todo (e o mercado, particularmente) ainda não digeriu direito o que há de bom e o que há de preocupante no pacote de estreia de Barack Obama nos EUA. Mas uma coisa é certa: o Planalto e o Itamaraty não estão gostando nem um pouco da história.
"Buy American" (compre produtos americanos) é protecionismo deslavado, e "Employ American" (empregue americanos) raia a xenofobia. Obama se elegeu prometendo abertura e arejamento, mas o pacote projeta o oposto. Aprofunda a ideologia do nacionalismo, já tão forte nos EUA e entre norte-americanos típicos de diferentes camadas sociais e de praticamente todas as regiões. E é discriminatório entre países e entre cidadãos.
Do ponto de vista prático, porém, ainda não dá para decidir o que fazer, por falta de informação e entendimento. Não houve tempo para cruzamentos das medidas dos EUA com as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio) e com os interesses comerciais brasileiros para identificar possíveis agressões a um ou a outro -ou a ambos. O Brasil não descarta entrar com processo na OMC.
Até agora, a avaliação do Planalto e do Itamaraty é que o pacote, além da simbologia retrógrada, tem mais propaganda do que propriamente medidas práticas. Quem já se debruçou sobre o texto com mais afinco identifica políticas e programas já existentes e que apenas foram "requentados" ou "repaginados" em pelo menos três setores: educação, transporte e telecomunicações. Fica tudo na mesma, mas com pitadas coloridas suficientes para que Obama possa ficar com eventuais louros e se manter em palanque, que é do que gosta.
Marqueteiro esse Obama, hein? Aliás, como alguém que a gente conhece muito bem e que tem uma popularidade estratosférica aqui neste "outro lado do Atlântico". O importante nem é fazer nem inovar, é embrulhar o peixe muito bem e vendê-lo melhor ainda.

DORA KRAMER

Dom de iludir e confundir


O Estado de S. Paulo - 12/02/2009
 


O presidente Luiz Inácio da Silva tem uma espontaneidade seletiva. Diz o que lhe vem à cabeça de acordo com o que acredita saberá bem ao paladar da plateia na ocasião.

Na terça-feira precisava dar um jeito de convencer os prefeitos reunidos em Brasília que não haviam sido convidados a fazer o papel de massa de manobra eleitoral.

Não teve dúvida (nem criatividade): sapecou as aleivosias de sempre, desta vez caprichando de modo especial no dom de confundir para iludir.

Vestiu a carapuça do uso da máquina federal para fins eleitorais no espetáculo montado sob o gentil patrocínio dos cofres públicos e acentuou ele mesmo o caráter pejorativo da denominação "pacote de bondades", dada aos agrados distribuídos às prefeituras em troca da presença de seus titulares no comício.

Esquisito alguém se irritar daquela maneira por ser visto como benemérito. Houvesse o noticiário qualificado o presentinho como "pacote de maldades" ainda se admitiria uma reação mais animosa.

A zanga, então, só pode estar relacionada à consciência que Lula tem sobre a exorbitância cometida e sua contrariedade em ver isso exposto com clareza aos eleitores, ouvintes e telespectadores.

Ele, decerto, preferiria que os meios de comunicação fossem acríticos, não vissem, e se vissem não dissessem o que está à vista de todos, mas não pode ser dito, pois se trata de uma ilegalidade.

"Dona Dilma", como o presidente Lula agora chama a candidata à sua sucessão, é tida como candidata, recebida como candidata, apresentada como candidata, anda para lá e para cá como candidata, Lula faz de tudo para que assim ela apareça no noticiário, mas não admite que se digam as coisas como elas são. Quer que sejam ditas como lhe interessam. 

No encontro de prefeitos, queria que as notícias relatassem uma reunião de trabalho entre o presidente, ministros e chefes de executivos municipais. Sem nenhum outro significado: de promover Dilma Rousseff, propiciar um passeio com presentes em substituição a uma marcha de reivindicações ou angariar simpatias de potenciais cabos eleitorais. 

A própria forma do evento impediu que se desse a ele a interpretação pretendida. Lula anunciou que proporia aos prefeitos um pacto contra a mortalidade infantil, em favor do desenvolvimento, no combate ao analfabetismo.

Pacto pressupõe o cotejo de várias vontades e a formação de um consenso ao final. O que se viu foi um palco e uma plateia sem direito a voz a não ser para manifestar entusiasmo e agradecimento pelos brindes recebidos. 

O presidente da República é avesso a críticas e, como na sua concepção autoritária do exercício do poder o chefe se confunde com a Nação, qualquer atitude diferente da reverência e subserviência mental é recebida como ofensa pessoal, tratada como crime de lesa-pátria.

Em nome da defesa da soberania (da vontade dele), Lula acha que vale tudo. Inclusive inventar para melhor manipular reações em seu favor. Acredita que ao presidente todas as homenagens são devidas, mas o chefe da Nação não deve nada a ninguém. Sequer respeito pelo contraditório natural da democracia.

Considera-se abusado em sua "inteligência" por "insinuações grotescas" de uso eleitoral de solenidade oficial, mas abusa sem contemplação da capacidade alheia de discernir, pretendendo interditar o raciocínio lógico e a liberdade de apreciações críticas. 

Sem qualquer cerimônia, no encontro dos prefeitos o presidente da República misturou o conteúdo de uma única carta de leitor publicada em um jornal com a informação de que várias prefeituras estavam inadimplentes com o INSS e ainda assim poderiam renegociar suas dívidas, para dizer que a imprensa havia chamado seus convivas de "ladrões".

"Não deram sequer a oportunidade para vocês mostrarem que não são os ladrões que escreveram que vocês são." 

Jornalista algum escreveu isso, mas foi dito pelo presidente, indignado porque "tem gente que pensa que o povo é marionete". 

Altos e baixos

A Câmara não sabe da missa a metade. Não captou a mensagem da indignação geral contra o caso Edmar Moreira.

O problema da opinião pública não é com o deputado, mas com o conjunto da obra do colegiado, cujos líderes voltaram a agir como se nada tivesse acontecido.

Mal Moreira deu as costas da Mesa Diretora, suas excelências engavetaram proposta de divulgação na internet das notas fiscais dos gastos com a verba extra e deixaram para lá a ideia de fazer da corregedoria da Casa uma instância autônoma, provando que a sugestão inicial tinha o único objetivo de tentar livrar o castelão do constrangimento da renúncia.

Se os presidentes José Sarney e Michel Temer querem, conforma alegam, fazer do Congresso um ambiente para discussão de assuntos altos, como a crise econômica internacional, só conseguirão se mexerem primeiro no passivo de assuntos baixos

CLÓVIS ROSSI

As virgens e a trombose


Folha de S. Paulo - 12/02/2009
 

Começo a temer que o companheiro Fidel Castro venha a tomar o meu lugar como colunista. Afinal, bem na frente de todo o mundo, o inoxidável líder cubano (os cronistas esportivos maldosos diriam ex-líder em atividade) afirmou sem pestanejar que o recém-instalado presidente Barack Obama já perdera a virgindade.
É verdade que Fidel errou na virgindade perdida. Aludia aos problemas com impostos de vários integrantes do primeiro e do segundo escalão da nova administração norte-americana. São problemas, sem dúvida, mas nada que se compare com a virgindade destroçada do petismo aqui no Brasil.
Onde a virgindade de Obama começa mesmo a perder-se é no desafio econômico. De alguma maneira, e em linguagem obviamente mais polida e técnica, Martin Wolf, principal colunista do "Financial Times", e Vinicius Torres Freire, que se vai tornando o Martin Wolf tupiniquim (em termos de competência, não de compartilhamento de ideias), disseram ontem a mesma coisa: Obama ainda não achou o "ippon" que derrubaria a crise de uma boa vez.
Por isso, vai-se diluindo aquela sensação -difusa, como toda sensação, mas muito presente- de que, já no dia 21 de janeiro, 24 horas depois da posse, Obama reergueria os Estados Unidos e içaria o mundo com eles.
Pior: não aparece, em lugar nenhum do mundo, um hímen devidamente preservado. A rigor, estamos hoje como estávamos em setembro, o mês em que quebrou o Lehman Brothers, episódio arbitrariamente tomado como o início do fim dos tempos.
Ninguém conseguiu desentupir as veias do sistema financeiro, vítimas de "trombose" na descrição de Christine Lagarde, a ministra francesa de Economia. Sem essa ação, tudo o mais vai continuar girando em falso e não sobrarão virgens nem no paraíso.

ARI CUNHA

Presidente intuitivo


Correio Braziliense - 12/02/2009
 

Mais de 5 mil prefeitas e prefeitos brasileiros passaram por Brasília. O presidente Lula queria ter conversinha coletiva. Como era muita gente, estabeleceu assuntos. Evitou discussões. Colocou à mesa os ministros mais participantes das questões populares. Era prestígio para visitantes. 

Prefeitos ficaram em êxtase. A ministra Dilma Rousseff exibiu visual atraente. Presença de sucesso. Lula mandou todos ao gasto de dinheiro. Comprar é a forma de exorcizar pessimismo. Restaurantes finos, Feira do Paraguai, visitas turísticas, comércio lotado de prefeitas e prefeitos. Alguns com a família inteira. Gente importante do comércio, indústria e agricultura acorreu a Brasília. Recebia prefeitos amigos das terras de origem. 

Presidente Lula faz apologia de pouco estudo. Bem assessorado, diz o que o povo quer ouvir. São Paulo e o Nordeste pegam fogo em favor do presidente. O dia foi movimentado para o Distrito Federal. Autoridades locais também receberam prefeitas e prefeitos da origem geográfica. Para a maioria do interior, estar em Brasília foi dia de contato com o poder do país.

Lula acertou na mosca. “Corto o batom da ministra Dilma ou o corte das minhas unhas. Mas o PAC vai pra frente para sucesso do Brasil.”


A frase que não foi pronunciada

“Se a bolsa fechasse…”
Curta-metragem imaginário preparado por estudante que mostra os efeitos psicológicos da economia.


Calma 
Com a chegada do Shopping Iguatemi ao Lago Norte, a comunidade, sempre muito unida, mostrou preocupação com o fluxo do trânsito no local. O blog do Ari Cunha de hoje traz as explicações do administrador Humberto Leda sobre o assunto. 

Barriga 
Mais interessante que o fato de a TV da África do Sul ter noticiado a morte do presidente Bush, é dizer que o técnico apertou o botão errado. Antes de o técnico apertar o botão, algum espírito de porco digitou a frase que foi espalhada para outras televisões. Desse ninguém fala. 

Escola cara 
Fala-se que as escolas particulares extrapolaram no preço do ensino. Há quem diga que o Procon está de olho. Basta lembrar que a primeira coisa que o Procon deve ser é atento à situação favorável dos que não pagam. O dinheiro tem que ficar no caixa e vem dos que têm honestidade no estudo e nas obrigações. 

Hora infeliz 
É uma crueldade o que se faz com a criançada de escola pública em todo o país. Brasília, cidade invejada pelo IDH, também oferece lanches sem nutrientes equilibrados e com péssima aparência. Vale uma vistoria. 

Plano financeiro 
Timothy Geithner disse que o plano de recuperação norte-americana inclui pontos de estatização do sistema financeiro do país. O cálculo é de US$ 2 trilhões. Quinhentos bilhões para a criação de fundo para recuperar papéis podres das finanças dos EUA. Caso seja necessário, disse o secretário do Tesouro Nacional, poderá chegar a US 1 trilhão. O crédito de consumo usará US$ 1 trilhão para o reaquecimento do crédito. 

Futebol 
Itália perdeu de dois a zero para o Brasil. Robinho fez o gol mais bonito de sua carreira. Pedalou, driblou, desfez-se da equipe azurra e atirou para o gol. Só nesses amistosos os jogadores usam futebol pessoal. Em grupo, formam uma máquina sem ideia nem criatividade. Só vale a estratégia para vencer. 

Carne no angu 
Pelo menos até agora é desconhecido o empenho do ministro Tarso Genro para defender o asilo ao terrorista Cesari Battisti, da Itália. Já no caso de Cuba, a decisão foi imediata. O Brasil não deu asilo a quem pediu. E mais: entregou os atletas a Cuba e nunca mais se ouviu falar do sucesso deles no esporte.

História de Brasília

Hoje é sábado, dia de fazer as contas e apertar os cintos. Evite gastos porque o próximo governo será de economia. (Publicado em 21/1/1961)

JÂNIO DE FREITAS

A política do pacotinho


Folha de S. Paulo - 12/02/2009
 

A FALTA DE proposta referente a mandato presidencial no pacotinho de "reforma política", elaborado pelo governo, ganha menos relevância pelo silêncio, em si, do que por desprezar a ideia, muitas vezes defendida por Lula já na Presidência, de que a reeleição deveria ser substituída pelo mandato único de cinco anos. A omissão poderia significar apenas isso mesmo, omissão, se não houvesse um ponto de reforma dado pelo próprio Lula como conveniente. O único, aliás, a que se referiu a propósito de reforma política.
Esse aspecto da omissão casa-se muito bem com dois fatos precedentes, e notórios, a respeito do futuro mandato presidencial. Gesto político anormal, foi o presidente mesmo quem precipitou, ainda a meio do atual mandato, o tema da sucessão presidencial. E, entre todas as possíveis insinuações e frouxas negaças, saiu pelo país com uma aparente candidata cujas qualidades pessoais dispensaram Lula de cobranças, mas não iludiram, nela e em ninguém, sua condição injustificável eleitoralmente.
As propostas do pacotinho estão sujeitas, na Câmara e no Senado, a reformulações, exclusões e, o que pode ser muito aproveitado, introdução de outros pontos reformadores. Logo, o pacotinho presidencial vem, antes tudo, liberar as intuições e as especulações.

Vamos ler
A América Latina jamais foi considerada assunto relevante no conjunto da imprensa brasileira. A atenção que merecia nunca passava dos exatos dias de crise e golpe ali ou acolá. O pioneiro no tratamento da América Latina como parte do planeta, e em particular do Ocidente, foi Newton Carlos, no "Jornal do Brasil" dos anos 50 para 60, o que lhe deu prêmios internacionais e muitos seguidores. Mesmo depois disso, se o Brasil vivia de costas para a América Latina, o conjunto da imprensa brasileira não queria vê-la nem pelo retrovisor.
Motivos, vários, que não vêm ao caso, impuseram a América Latina à imprensa brasileira, nos últimos anos. Tudo sugere que é um começo de descoberta para alargar-se e perdurar. Mas o desconhecimento da América Latina pelos brasileiros é, pode-se dizer, absoluto, dificultando-lhes a compreensão das realidades e fatos que agora lhe chegam. E tal carência o jornalismo não pode suprir, ou só o faria a prazo longo. Os livros, então, sempre os livros.
A Paz e Terra é uma editora com história. Criada por Enio Silveira e dirigida por Moacyr Felix, foi uma fortaleza intelectual contra a ditadura. Fernando Gasparian não a deixou a morrer, com a Civilização Brasileira de Enio, nem que se descaracterizasse. Hoje, com seus herdeiros, entra em nova fase. E é nela que saem os primeiros volumes da série "Revoluções de Independências e Nacionalismos nas Américas", de Marco A. Pamplona e Maria Elisa Mäder.
Volta-se a entender, aos poucos, que nenhuma parte do mundo pode ser pensada isoladamente. Embora anterior à eclosão da crise econômica, "O Mundo Pós-Americano", com a garantia que é o selo da Companhia das Letras, é muito útil e interessante. Seu autor, Fareed Zakaria, é um dos jornalistas mais em evidência hoje nos Estados Unidos, trabalhando para a CNN e a revista "Newsweek". Indiano, tem olhares mais largos para o mundo do que é usual em seus colegas do jornalismo dos EUA.

MÓNICA BÉRGAMO

EM CASA


Folha de S. Paulo - 12/02/2009
 

Lula recebeu anteontem no Palácio da Alvorada, em segredo, um grupo seleto de empresários para discutir a crise econômica. Dividiram a mesa com o presidente, entre outros, Sérgio Andrade, da empreiteira Andrade Gutierrez e da Oi (que teve apoio do governo para comprar a Brasil Telecom), Emílio Odebrecht, Jorge Gerdau e Olavo Monteiro de Carvalho. Lula afirmou que serão anunciadas nas próximas semanas "medidas atrás de medidas" para conter a crise e disse que vai aumentar a pressão para que o BB e a CEF diminuam os spreads bancários.

ORQUESTRA
O presidente, tendo ao seu lado a "mãe do PAC", Dilma Rousseff, tocou música para os empresários ao garantir que o BNDES estará aberto a seus pleitos. Os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, estavam presentes.

PRESSA
Como a reunião foi marcada de última hora, Sérgio Andrade voou do Rio para Brasília num jato particular.

MOLHO 
O governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) diminuiu o ritmo nesta semana, para se tratar de uma herpes.

FROTA
O governo está contratando empresa para cuidar da manutenção de oito carros que atendem à segurança de "familiares do Excelentíssimo Senhor Presidente da República na área de Florianópolis", onde mora Lurian, a filha de Lula. Os gastos estão estimados em R$ 24.960 -embora, em anos anteriores, tenha chegado a R$ 45 mil.

MAROLINHA 
Uma pesquisa qualitativa feita pelo Palácio do Planalto mostra que os brasileiros acham um tanto exagerado e forçado o otimismo, ao menos público, que o presidente Lula procura transmitir em seus discursos sobre a crise econômica. Mas a maior parte acha que ele está certo pois, do contrário, ajudaria a "quebrar o Brasil".

APOSTA 
As empresas aéreas contrárias à abertura do aeroporto Santos Dumont duvidam e fazem pouco que a Anac consiga baixar até abril medida para abrir o terminal para voos nacionais.

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Jovens da Zona Sul faziam tráfico de drogas e armas

 

Folha: Demissão cresce; governo amplia seguro-desemprego

 

Estadão: Demitidos na crise terão mais tempo de seguro-desemprego

 

JB: Pacote dos desempregados

 

Correio: E Lula ainda diz que isto não é campanha...

 

Valor: Governo pretende apoiar exportador de países vizinhos

 

Gazeta Mercantil: Fluxo cambial volta a ter saldo positivo

 

Estado de Minas: Prefeitura põe sob suspeita diploma de 218 servidores