sexta-feira, novembro 21, 2008

SE VOCÊ NÃO ACHA, FODA-SE


ARNALDO JABOR, DORA KRAMER, NERY JUNIOR,ELIANE CANTANHEDE, CELSO MING, PAULILO NETO, JOÃO UBALDO RIBEIRO, DIOGO MAINARD, APOLÔNIO SILVA, CLÓVIS ROSSI, MÓNICA BÉRGAMO, ANDRÉ PETRY, MAILSON DA NÓBREGA,ROBERTO POMPEU DE TOLEDO,CLAUDIO MOURA DE CASTRO, LIA LUFT, STEPHEN KANIITZ, ENTRE OUTROS.
QUER MAIS?  VÁ COMPRAR JORNAL

DORA KRAMER

Gota d’água

O Estado de S. Paulo - 21/11/2008
 

O gesto do senador Garibaldi Alves de devolver à Presidência da República a medida provisória que anistia entidades filantrópicas fraudulentas e dá outras providências causou espanto. 

A oposição correu para o abraço e a situação quase teve uma síncope de tão apavorada. Naquela noite o PMDB estava esquisito, tranqüilo demais para o inusitado da situação. O senador Wellington Salgado, por exemplo. Combatente da tropa de choque governista, só faltou carregar Garibaldi no colo. 

Fazendo votos para que a súbita manifestação de autonomia não guarde relação com a disputa pela presidência do Senado, partindo do princípio de que o senador Garibaldi Alves não se prestaria a esse tipo de serviço e considerando que o PMDB não manipularia sua crescente intolerância contra o uso abusivo de MPs, tomemos a cena pelo seu valor de face. 

No início da noite de quarta-feira, farto da indiferença do Poder Executivo aos preceitos que autorizam a edição de uma medida provisória, o presidente do Senado invocou a prerrogativa regimental de impugnar propostas contrárias à Constituição e deu um chega para lá no Planalto. 

Posto que não há relevância nem urgência - pelo menos para o País - no perdão às filantrópicas irregulares, o senador Garibaldi Alves fez o que deveria ser feito. Não da melhor, mas da única maneira possível diante da recusa do Congresso em cumprir as suas prerrogativas e da insistência do Executivo em abusar das dele.

Foi um gesto político, que deflagrou uma reação contrária de argumentos jurídicos por parte do governo, como se o Executivo estivesse em condições morais de alegar imperfeições na área. 

Quem manda ao Congresso uma medida provisória embutida de um evidente contrabando destinado a atender a algum interesse específico ligado às entidades mal intencionadas sabe perfeitamente qual é o nome do jogo.

Bem como não desconhece o que está fazendo quando insiste em criar créditos suplementares por meio de MPs a despeito do veto imposto pelo Supremo Tribunal Federal. 

Não fica numa posição confortável para invocar a lei quem nem sequer se dá ao trabalho de preencher as exigências constitucionais e manda medidas provisórias ao Legislativo por quaisquer motivos, dos mais fúteis aos mais perversos, como a obstrução proposital da pauta de votações.

“É o caos legislativo”, censurou o senador petista Aloizio Mercadante. Referia-se à atitude de Garibaldi, mas a frase caberia perfeitamente para descrever a desordem que impera no Parlamento.

Produto também, mas não só, da falta de cerimônia completa do Palácio do Planalto, de onde só saem manifestações de apreço e respeito quando há alguma pendência grave e de interesse do Executivo para ser resolvida no Congresso.

De resto, parlamentares são divididos entre inimigos e carimbadores da vontade do Planalto. Na quarta-feira à noite, Garibaldi Alves resolveu não carimbar a medida provisória das filantrópicas que o governo, aliás, já havia concordado em modificar.

Qual será a conseqüência do gesto? No plano formal, será examinado pela Comissão de Constituição e Justiça. Em sua dimensão política será maior ou menor, dependendo do que se dispuser a fazer o Congresso de agora em diante.

Se resolver assumir suas prerrogativas e examinar cada medida provisória conforme manda a Constituição, o governo automaticamente vai parar de editar MPs irrelevantes e não urgentes. Agora, se continuar abrindo mão de poder, a ação de Garibaldi terá sido apenas um gestual inconseqüente. 

Uma rocha

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, reafirma que defenderá a manutenção da aliança do PMDB com o presidente Lula seja qual for a situação ou quem for o candidato do governo à sucessão.

Descarta liminarmente a hipótese de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, se filiar ao partido para se candidatar a presidente e trata logo de encerrar o assunto: “Acho que o Aécio usa o PMDB para aumentar seu cacife no PSDB”. 

Flagrante delito

Pelo cronograma do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, o deputado Walter Brito, condenado à perda do mandato pelo Supremo Tribunal Federal por infidelidade partidária, emplacará 2009 na vaga.

Chinaglia vai esperar a publicação do acórdão e depois o remeterá ao exame da Mesa. Nessa altura, a Câmara já terá entrado em recesso. 

Se não fosse um raciocínio absurdo, seria o caso de pensar que o cumprimento da sentença está sendo procrastinado em atenção a princípios corporativos para não prejudicar os interesses do PT na disputa pelas presidências das duas Casas do Congresso. 

Intenção e gesto

Na política hoje em dia é assim: prega-se o reformismo, pratica-se o conservadorismo e alimenta-se o conformismo.

COM CIÊNCIA, GOOOOOSTOSA



Com uma gostosa dessa, todo dia, é dia de consciência negra.Essa eu começava a comer as tirinhas do biquini.
Clique na foto e tenha sua consciência negra ampliada.

ANCELMO DE GOIS

Filme sem Petrobras

O Globo - 21/11/2008
 

Com o adiamento, por causa da crise, para fevereiro ou março de 2009 da entrega dos projetos, a Petrobras, a rigor, vai ficar um ano sem investir na produção de filmes brasileiros. 

O último edital foi em março de 2007. 

Segue... 

A Petrobras está para o cinema assim como a Caixa Econômica, por exemplo, está para o setor imobiliário. 

O bom filho a casa.... 

Há uma articulação petista para convencer o senador e ex-ministro Cristovam Buarque a retornar aos quadros do partido. 

Aliás... 

Fernando Haddad, no Congresso, quarta, lembrava a um deputado, sobre um tema de longo prazo, que em 2011 não seria mais ministro da Educação. 

Minutos depois, Haddad recebeu um bilhete: "Só se eu perder a eleição para presidente, de novo." Assinado Cristovam Buarque.

A arma de cada um 

De Delfim Netto numa roda de amigos em Paris: 

- Aécio e Serra têm iguais condições de serem candidatos do PSDB em 2010. Mas os dois têm estilos políticos diferentes. Aécio disputa o lugar com florete e Serra, com machado. 

Por falar em... 

Delfim tem freqüentado sebos em Paris à procura de livros sobre.... a economia muçulmana entre o século VIII e o XII. 

Segundo ele, é a melhor maneira de entender a crise atual. 

É. Pode ser. 

Cinema a R$4 

A Ancine vai repetir, de 24 a 27 agora, aquela promoção de filmes nacionais a R$4, a inteira, e a R$2, a meia, nos cinemas. 

Nas duas primeiras semanas da promoção, 25 filmes brasileiros foram exibidos em 417 salas de várias cidades.

ILIMAR FRANCO

Estremecidos

 Panorama Político
O Globo - 21/11/2008
 

O presidente Lula está com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), atravessado na garganta. Não perdoa o aliado por não lhe ter dito, em almoço no Itamaraty, anteontem, que pretendia devolver a MP 446. Conversaram. Garibaldi contou apenas que tinha chegado atrasado porque estivera reunido com o ministro Patrus Ananias. "Não falei mesmo. O presidente também nunca me chamou para debater as MPs", diz Garibaldi. 

Uma saída para o governo 

Já existe um projeto, na Comissão de Educação da Câmara, que trata da MP da filantropia. O relator, Gastão Vieira (PMDB-MA), já apresentou parecer. O relatório diz que os certificados de filantropia que expirarem no prazo de 12 meses, após a edição da lei, ficam prorrogados por igual período, desde que a entidade cumpra os requisitos exigidos. Isso exclui as sob investigação, que dependeriam de análise dos ministérios da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. 

Já avisei ao Patrus para tirar aquelas instituições da Medida Provisória e mandar seu dirigentes lá no Senado atrás dos senadores" - Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, sobre a polêmica MP 446 

GENERAL DA BANDA. Em sua passagem por Brasília, nessa semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso orientou deputados e senadores do PSDB a votar a favor do projeto de lei que concede incentivos fiscais para a repatriação de recursos não declarados. Fez apenas uma ressalva, de que o projeto não dê o mesmo tratamento para dinheiro de origem ilícita. A proposta é de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS). 

Valentia seletiva 

A CUT está criticando o ministro Tarso Genro (Justiça) por defender "mudanças na legislação trabalhista". Esta entidade costuma silenciar quando o presidente Lula diz que é necessário mudar a CLT para se adaptar aos novos tempos.

Silêncio eloqüente 

Ao contrário da compra do Besc pelo Banco do Brasil, senadores tucanos e democratas engoliram as críticas diante do anúncio da venda da Nossa Caixa. O governo paulista não fez licitação. Com o governador José Serra ninguém brinca. 

Cenas da partida Brasil 6 x Portugal 2 

1. Pelé, na tribuna de honra, acompanhou a maior parte do jogo por uma das TVs de plasma instaladas no local; 2. O executivo da CBF para a Copa 2014, Mário Rosa, cochichou no ouvido do presidente do STF, Gilmar Mendes: "O delegado Protógenes quer ser o mártir do Brasil"; 3. O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, sentou-se próximo do ex-ministro José Dirceu, a quem denunciou como "chefe da organização criminosa" do mensalão. "Não tenho nada contra ele", disse; 4. Perguntado se faltava palmeirense na seleção, José Serra respondeu: "Tá faltando palmeirense, corintiano, santista..." Mais presidenciável, impossível; 5.Em noite só sorrisos, o governador José Roberto Arruda ficou desapontado com a ausência do presidente Lula e do ministro do Esporte, Orlando Silva. "Ele me pediu cem ingressos e eu mandei", contou Arruda, referindo-se a Orlando; 6. Sobre a ausência do governador Sérgio Cabral e do prefeito eleito Eduardo Paes, Arruda tinha a resposta na ponta da língua: "Eles estão no exterior". 

PARA APOIAR a ação do Ministério Público e do juiz Fausto De Sanctis, Chico Alencar (PSOL-RJ) começou a coletar assinaturas em memorial que será entregue ao Conselho Nacional de Justiça. 

CANDIDATO à presidência da Câmara, Osmar Serraglio (PMDB-PR) enviou carta dizendo que Michel Temer (SP), "não agregou" e cita as candidaturas de Milton Monti (PR-SP), Ciro Nogueira (PP-PI). 

INSTALADA pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), comissão especial para analisar o projeto que cria o Ministério da Pesca.

PARA ...HIHIHIHI

Um carioca sádico, um gaúcho masoquista, um cearense assassino, um goiano necrófilo, um paulista zoófilo e um baiano piromaníaco estão sentados num banco de jardim dentro de um sanatório, sem saber como ocupar o tempo. 
Diz o paulista zoófilo: -E aí, vamos transar com um gato?
Então diz o carioca sádico: -Vamos transar com um gato e depois torturá-lo!
E diz o cearense assassino: -Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo!
Diz o goiano necrófilo: -Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo e depois transamos com ele outra vez!
E diz o baiano piromaníaco: -Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo, transar com ele outra vez e atear-lhe fogo!
Segue-se um silêncio, todos olham para o gaúcho masoquista e perguntam: -E aí?
E diz o gaúcho: -Miau!

PAINEL

Trem fantasma

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Teve de tudo na madrugada que terminou com a aprovação da reforma tributária na comissão da Câmara. Por volta da 1h, um impasse quase derrubou a sessão: Eduardo Cunha (PMDB-RJ) insistia em incluir a possibilidade de perdão a empresas acusadas de nada menos do que apropriação indébita. Para criar confusão, alguns na oposição ameaçaram segui-lo. Desistiram ao se dar conta do teor da emenda.
Cunha deixou claro que voltará à carga quando a reforma chegar ao plenário. Até lá, o balcão continua aberto. O governo deve, por exemplo, desistir de cobrar ICMS das empresas de software, para atender à bancada das telecomunicações. Num aceno ao PSDB, tende a concordar com a necessidade de quórum de 90% no Confaz para fixar alíquotas tributárias.
Joint ventureIncluída de última hora na reforma, a prorrogação por mais 20 anos da Zona Franca de Manaus resultou de parceria do PMDB, do governador Eduardo Braga (AM), com o PR, partido do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), candidato ao posto em 2010. 

Âncora 1

Segundo avaliação de deputados do PT que passaram a madrugada na comissão negociando o texto da reforma, o mecanismo que cria uma espécie de DRU (Desvinculação de Receitas) para contemplar os Estados já basta para que parte dos governistas não tope votar a reforma tão cedo em plenário.

Âncora 2
Basicamente são dois os motivos: o relator Sandro Mabel (PR-GO) deixou transparecer que o expediente seria um afago no governador tucano José Serra (SP); a idéia enfrenta resistência nas robustas bancadas da saúde e da educação, áreas que perderiam recursos com a regra. 

Pioneiro
Em abril de 2005, o então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), tentou fazer o que Garibaldi Alves (PMDB-RN) conseguiu: devolver MPs ao Planalto. Foi dissuadido por PT e PMDB e desencorajado por sua assessoria técnica. 

Ecos
Em carta enviada aos deputados do PMDB, Osmar Serraglio (PR) ataca a candidatura à presidência da Câmara de Michel Temer (SP). Diz que é preciso "evitar a repetição do episódio [Luiz Eduardo Greenhalgh]", uma alusão à frustrada campanha do petista em 2005. 

Conselho
Na carta, Serraglio, que também pleiteia a presidência, diz que "não houve aceitação do nome de Temer na base governista".

Estranho...
A decisão de Lula de não ir ao jogo Brasil x Portugal desestimulou a presença de sua equipe no Bezerrão. Dos oito ministros esperados, apenas dois compareceram: Luiz Barreto (Turismo) e Juca Ferreira (Cultura). 

...no ninho
Com a presença do tucano José Serra (PSDB) e de "demos" como José Roberto Arruda, Gilberto Kassab e Rodrigo Maia, o amistoso se converteu num convescote da oposição. No meio da qual estava, de ótimo humor, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. 

Contraponto 

Em boa hora

Convidado pelo correligionário José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, a assistir ao amistoso entre Brasil e Portugal, Gilberto Kassab marcou presença no Bezerrão, mas foi embora, acompanhado do aliado Orestes Quércia (PMDB), antes do final do primeiro tempo, quando o time de Dunga empatou o jogo.
Dentro do elevador, um assessor do prefeito comentou:
-Já vimos um gol de cada lado. Está bom, né?
Kassab, que no estádio havia se sentado ao lado do anfitrião, acrescentou, com um sorriso maroto:
-Ainda bem que o Brasil empatou. Vocês tinham de ver a cara do Arruda na hora do gol de Portugal...

MÓNICA BÉRGAMO

SÓ DEPOIS

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

O delegado Protógenes Queiroz comunicou ao "Roda Viva" que só vai ao programa, na próxima segunda, se o juiz Fausto De Sanctis já tiver proferido a sentença no caso Daniel Dantas. Há alguns dias, ele afirmou que voltará a falar com a imprensa depois da "condenação do banqueiro bandido".

HERÓI
E a equipe do novelista Lauro César Muniz, da Record, também procurou Protógenes Queiroz. Queriam mais informações sobre o trabalho dele para a novela "Vendetta" (nome provisório), que tem na trama ações da Polícia Federal. Muniz criou o personagem Telônio, um delegado "que, assim como Protógenes, será amado pelo público".

TUCANO PAZ E AMOR
Ainda estão abertas as feridas da campanha municipal do PSDB, que contrapôs o grupo que apoiou o tucano Geraldo Alckmin ao que embarcou na canoa de Gilberto Kassab (DEM-SP). Ao receber do vereador Juscelino Gadelha (PSDB-SP) pedido para que recebesse a bancada de vereadores (que apoiou Kassab) para que eles lhe apresentassem uma "tese", José Henrique Reis Lobo, secretário de Relações Institucionais de Serra e apoiador de Alckmin, respondeu: "Por isso mesmo não os recebo. Cada vez que vocês têm uma "tese", o partido vai se ferrar".

GOELA
E Kassab revelou até a adversários políticos que a relação dele com seu próprio secretário, Andrea Matarazzo, das Subprefeituras, já foi beeem melhor. Matarazzo só ficou no cargo porque o governador Serra pediu.

CLÓVIS ROSSI

Prefiro os piratas da Somália

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Deu no "Wall Street Journal", que não é exatamente um jornal antimercado ou nada que se pareça com isso: durante o período em que se gestou a crise que está pondo o mundo de joelhos, 15 executivos de grandes firmas financeiras e construtoras ganharam, cada um, mais de US$ 100 milhões (R$ 240 milhões, o suficiente para comprar, digamos, 34 jatinhos LearJet, versão mais luxuosa, para citar um exemplo que essa gente certamente entende).
Acrescenta o "Journal": "Quatro desses executivos, incluídos os presidentes de Lehman Brothers e Bear Stearns, estiveram no comando de companhias que foram à bancarrota ou viram cair 90% o valor das ações [dessas empresas]".
É bom lembrar que o derretimento da Bolsa de Valores nos Estados Unidos levou os detentores de ações a perderem montantes inacreditáveis. Para o "Journal", foram US$ 9 trilhões, para o editorial desta Folha de ontem, um pouco menos (US$ 7 trilhões) -em todo o caso, perdas que equivalem a sete, oito ou nove "brasis", dependendo do número que se aceitar como mais próximo da realidade.
O "Journal" fuçou as declarações financeiras de 120 companhias de capital aberto em setores como a banca, financiamento de hipotecas, empréstimos para estudantes, corretagem de bolsa e construção -ou seja, aqueles que estão no epicentro do terremoto.
A análise mostrou que "os principais executivos e os membros das diretorias dessas firmas embolsaram mais de US$ 21 bilhões durante os últimos cinco anos", os anos em que inflou a bolha que explodiu.
Depois ainda tem gente que se opõe a uma regulação e supervisão mais rígidas no setor financeiro, alegando que podem estrangular a criatividade.
Se se trata da criatividade apontada pelo "Journal", que estrangulem. Os piratas da Somália parecem gente fina perto deles.

ELIANE CANTANHEDE

Desmoralização

Folha de S. Paulo - 21/11/2008
 

Em carta ao ministro Tarso Genro (Justiça), o general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) reclama da Polícia Federal e diz que a operação de busca e apreensão na Abin causou "profunda estranheza" e "indignação" e "desmoraliza" o órgão perante outros países.

Desculpe, general, mas quem está indignado e achando tudo estranho somos todos nós, que entendemos cada vez menos a guerra do ministro Tarso com o senhor, da PF com a Abin, de uma parte da Abin contra outra, de uma parte da PF contra outra. A Abin e a PF é que estão se desmoralizando, e não é perante os outros países, mas diante dos cidadãos que lhes cobrem o Orçamento e lhes pagam salários.
Não esqueça como tudo começou: justamente numa aliança de policiais federais com investigadores da Abin, sem que os superiores de uns, e provavelmente o sr., superior dos outros, sequer soubessem.
Na "calada da noite", como ações de bandidos, não de mocinhos.
O alvo era Daniel Dantas, o banqueiro heterodoxo com amizades certas nos lugares certos -ou melhor, em todos os lugares-, mas acabou deixando na linha de fogo jornalista que dá furo de reportagem, ministros do Supremo, deputados, senadores e, de roldão, a própria polícia e a própria Abin. As brigas internas estão fazendo o resto.
O que se lamenta, entre tantas outras coisas ainda mal explicadas, é o envolvimento do então chefe da Abin, delegado Paulo Lacerda, com bela carreira e serviços prestados ao país. Tudo indica que ele tenha sido um dos mentores da operação, que começou com bons motivos e boas intenções e saiu do controle pelo messianismo de Protógenes.
A carta do senhor, general, chega atrasada, troca os necessários substantivos por dispensáveis adjetivos e não explica nada. A não ser que o senhor tenha sido pressionado ou se sentido na obrigação de defender a sua turma aí da Abin. Se é que a turma é mesmo sua. Ou de alguém.

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: BB compra a Nossa Caixa e busca liderança

 

Folha: BB Compra Nossa Caixa por R$ 5,4 bi

 

Estadão: BB compra a Nossa Caixa e negocia mais dois bancos

 

JB: País em alerta contra dengue

 

Correio: Brasília cai quatro posições no Enem

 

Valor: Empresas hesitam entre poupar e fazer aquisições

 

Gazeta Mercantil: BB compra Nossa Caixa em negócio de R$ 7,6 bilhões

 

Estado de Minas: Vereadores definem a prioridade em BH

 

Jornal do Commercio: Mais acesso às universidades